Heal My Scars
22 Histeria & Indignação
Notas iniciais
P.O.V Do Edward
— Desculpa, não podemos... — Afastei Melanie e a segurei pelos ombros sutilmente. — Tenho namorada. — Falei com calma.
Mel arregalou os olhos e piscou um tanto atordoada após ter me beijado.
— Eu pensei que... Eu realmente achei que ainda me amasse. — Sua voz embargou.
Havia algo em seu olhar. Um brilho melancólico.
— Claro que amo... Tenho carinho e respeito por você. Mel, você é a mãe do meu filho. Mas não confunda as coisas, eu quero apenas ser seu amigo. — Esclareci afagando seus ombros.
Ela balançou a cabeça, se recusando, como se minhas palavras tivessem a machucando e ela se afastou.
— Sinto muito. — Me desculpei.
— Não! Não diga isso para mim! — Avançou agarrando minha camisa, até me assustei, ela estava ficando histérica. — Eu te amo, volta para mim, meu amor. Fui uma idiota, eu vacilei. Nunca deveria ter te deixado... Sinto sua falta... Por favor, termine o seu namoro e fica comigo. Ainda podemos ser uma família. Você, Julian e eu...Vamos sair daqui? Deixar Seattle e nunca mais voltar. A gente só precisa pegar o nosso filho e partir... Podemos sair do país. Por favor, meu amor, faça isso por nós... Pelo nosso filho. Sei que ainda me ama e...
— Melanie, você não parece nada bem, está me assustando. — Eu fiquei aflito.
— CLARO QUE EU NÃO ESTOU BEM! — Gritou completamente alterada.
— Calma, você quer acordar o bebê? — Fiquei ainda mais nervoso. — Qual é o seu problema? Tá rolando algo? — Indaguei confuso.
— Você não entenderia... — Começou a circular ao meu redor.
Ela só podia estar ficando louca.
— Que tal você ir para o quarto, deita um pouco, venha, eu te levo e fico até você pegar no sono. — Me aproximei com cautela.
— Dorme comigo? — Tentou me abraçar.
— Não faz isso, Melanie, eu não vou trair a Victoria. — A afastei.
— Eu vou pegar o Julian, e você nunca mais irá nos ver. — Era uma ameaça?
— Você não seria capaz! — Fiquei tenso.
— Duvida? Eu vou sumir daqui. — Não parecia estar brincando.
— Melanie, pelo amor Deus, ouça o que está dizendo. Você perdeu o juízo? — Me desesperei.
— Ou você vai com a gente ou você nunca mais irá nos ver. Faça a sua escolha, Edward, estou falando sério. — Me encarou.
— Você não vai sumir com o meu filho, eu não vou permitir. Amanhã mesmo vou procurar os meus direitos. — Dei minha resposta.
— Eu tentei... Juro que tentei... — Sua voz falhou.
Ela desabou de joelhos chorando descontroladamente.
— Melanie, estou com medo. O que tá acontecendo com você? — Me abaixei diante dela.
— Nunca foi minha intenção... Só aconteceu... Eu não consegui te falar a verdade... Estava apavorada e resolvi guardar segredo... Achei que seria melhor para todos... Você estava tão feliz... Deus sabe o quanto eu tentei... Agora não consigo mais carregar isso comigo... — Chorava e tremia muito.
— O que tá tentando me dizer? — Toquei seus ombros que sacudiam.
— Julian não é seu filho... É do Gibby... — Confessou.
Suas palavras arrancaram o meu coração do peito... Perdi até o ar e achei que fosse morrer.
— Mentira... — Balancei a cabeça.
Não podia ser verdade.
— Por isso a Carly terminou com ele... Sam e o Freddie sabem a verdade... Gibby têm me ameaçado, vive me chantageando. — Revelou.
Agora tudo faz sentido.
Os olhos esverdeados do Julian... Olhos do Gibson.
As bochechas, o formato do rosto... Julian não se parecia nada comigo.
— Você me dá nojo! — Saí de perto dela tremendo de raiva.
A bile subiu, fiquei realmente enjoado.
Rumei para o quarto do bebê cego de ódio.
Melanie berrou e eu a ignorei, cheguei até o quarto e fui direto para o berço, onde tirei o bebê ainda sonolento dali.
— Edward, pelo amor de Deus... — Melanie surgiu apavorada.
— Ele não é meu... — Olhei para a criança em meu colo.
Estava abrindo os olhos e bocejando.
— Por favor, por favor, por favor... — Suplicou.
Ela chorava muito.
Fui até a janela.
Eu só conseguia sentir dor, ódio e repulsa. Me sentia devastado.
Com a mão livre, afastei a cortina azul e abri a janela, o ar frio invadiu o quartinho do bebê.
— Não... O meu filho não... Me mata, mas não mate ele... Eu te imploro. Ele é um anjinho... Não têm culpa. Coloca ele no berço... Não o machuque. — Caiu de joelhos.
Olhei para o pequeno loirinho sonolento, estava de pijama e quentinho.
— Anjos tem asas... — Estendi o bebê para fora da janela.
Melanie berrou tão alto que fez meu ouvido doer.
Minhas mãos tremeram e quase o soltaram.
Julian despertou e começou a chorar, esperneando.
Recolhi ele para dentro puxando os braços depressa, abracei seu corpo contra o peito... Por quê?
— Me perdoa... Me perdoa... Me perdoa... — Sentei no chão com ele.
Fiz carinho em suas costas e beijei sua cabecinha.
Os soluços altos de Melanie, meu choro sôfrego e o choro agudo do bebê eram os únicos sons que ecoavam por aquele quarto naquela noite tão triste e gélida.
Quase perdi a cabeça.
Por pouco o Julian não pagou o preço por sua traição.
Melanie acabou comigo. Tirou a única coisa que me fazia realmente feliz e trazia paz para o meu coração.
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