Notas iniciais
Mais uma ficzinha antiga pakas que eu dei aloka e resolvi postar porque why not?
Nem sei de onde veio a ideia. Quando eu comecei, era só uma besteirinha pra passar o tempo, mas eu acabei gostando e fiquei guardando pra terminar. Como milagres acontecem de vez em quando, peguei pra reler aqui e acabei sendo inspirada pelas musas e finalmente terminei (◡‿◡✿)
Não sei porquê, mas eu ri o tempo todo escrevendo isso. Espero que gostem c:

Nico respirou fundo.

Quanto tempo faltava mesmo? Seis minutos e cinquenta segundos? Bem, algo em torno disso, provavelmente.

Estava ali dentro havia dez segundos e já sentia as paredes o apertando, fazendo-o perder o ar. Seus joelhos tremiam tanto que ele precisava se apoiar numa cadeira para manter-se de pé. Os olhos estavam cravados no chão, fugindo dos orbes verdes que o encaravam do outro lado.

Percy estava encostado à porta de madeira, com os braços para trás como um segurança. Nico não gostava nem um pouco de ter o filho de Poseidon entre ele e a única saída daquela salinha claustrofóbica.

-Então... você está bem?

A pergunta do mais velho tirou Nico de seus devaneios. Ele ergueu a cabeça e fitou o filho de Poseidon com a testa franzida e o coração disparado.

-O quê?

-Você – ele apontou. – Parece nervoso. Não fique, Nico. É só uma brincadeira boba. – Percy lhe deu um sorriso tranquilizador – o que não foi realmente tranquilizador. – Eu sei que você não está acostumado a esse tipo de coisa, mas não leve tão a sério.

-Ãh... tá.

Quando o silêncio tomou conta da sala outra vez, Nico começou a olhar ao redor desesperadamente, já começando a cogitar a possiblidade de fugir através da sombra do armário na outra parede. Não era muito grande – e a lâmpada fluorescente no meio do teto tornaria as coisas bem mais difíceis – mas ainda era o suficiente para tirá-lo daquele sufoco, caso as coisas ficassem insuportáveis demais.

Infelizmente, ele havia feito uma promessa – não, fora obrigado a fazer uma promessa. Jurara pelo Rio Estige que não viajaria nas sombras e nem arrombaria a porta antes que os malditos sete minutos tivessem acabado. Tudo isso porque Leo percebera o quanto ele ficara nervoso ao ser desafiado a passar aquele tempo com Percy no armário.

Trancados no armário.

Essa era uma situação em que Nico nunca se imaginara com o filho de Poseidon.

Não que ele imaginasse muitas, é claro.

Nico recostou-se à parede, respirando fundo mais uma vez, e olhou para Percy.

-O que você acha que Annabeth disse para Piper? – o de olhos verdes perguntou, os olhos voltados para cima como se a resposta superinteressante fosse aparecer no teto. – Ela saiu daqui completamente vermelha.

Nico definitivamente não queria conversar, mas, na situação em que estavam, era o menos pior a se fazer. Era melhor, ao menos, do que ficar olhando um para o outro em completo silêncio.

-Não faço a mínima ideia.

-Eu acho que ela a beijou.

Nico franziu o cenho.

-Finalmente, huh? – continuou Percy, como se as duas estivessem ali dentro. De alguma forma, até isso parecia menos embaraçoso do que estarem apenas eles dois. – Achei que nunca fosse acontecer.

Nico ergueu as sobrancelhas.

-Jason fez o acampamento inteiro apostar se seria esse ano ou no ano que vem – disse.

Percy assentiu, quase sorrindo.

-É. Mas acho que vamos todos ficar sem saber.

Seis minutos? Por favor?

-Por quê? – Nico perguntou. – Elas não fizeram nenhum juramento. Podem contar se quiserem. Aposto que estão fazendo isso nesse momento.

-Nah. Aquele maldito filho de Júpiter não nos deixaria perder isso.

-Bem, eu não apostei...

Dessa vez, Percy abriu um sorriso.

-Eu também não.

Um, dois, três, quatro... Vamos lá, só mais alguns minutos!

Percy impulsionou o corpo para longe da porta. Nico não se moveu, mas engoliu em seco enquanto ele se aproximava, e só conseguiu respirar normalmente quando percebeu que ele ia na direção do armário e não na dele.

-O que está fazendo? – perguntou, quando já confiava na própria voz novamente.

-Investigando. – Percy puxou as portas do armário, que rangeram ao serem abertas. – Talvez elas não tenham se beijado. Talvez Piper tenha encontrado algo embaraçoso.

Nico encostou a cadeira na outra parede e se sentou.

-Como o quê?

-Eu não sei. O que seria embaraçoso o suficiente para fazer você sair daqui da cor de um tomate? – Um coelho de pelúcia caiu aos pés de Percy e, em seguida, uma agenda velha e uma caneca de plástico colorida. – Deuses. – Ele se agachou e analisou a agenda, depois jogou-a para Nico. – Por que Quíron guarda essas tralhas aqui?

O filho de Hades suspirou, levantando-se. Passou por Percy, que segurava o coelho junto ao ouvido, e colocou a agenda de volta às prateleiras.

-Olha, ele fala.

-Que fofo.

-Será que Annabeth fez uma piada com isso e deixou Pipes envergonhada?

-Guarde isso, Percy – disse Nico. Ele pegou e analisou um entalhe de madeira no formato de um cavalo, com as palavras Pôneis de Festa escritas em tinta colorida numa das laterais. Percy tomou-o de suas mãos. Ele tentou disfarçar o choque que disparou em seu corpo com o toque inesperado. – O que quer que tenha sido, tenho certeza de que ela vai contar para Leo. E Leo vai contar para Jason. E Jason vai contar para os deuses e o mundo.

Cinco... talvez quatro?

-Você não respondeu minha pergunta – disse Percy, depois de recolocar tudo no lugar.

Nico deixou-se escorregar na cadeira até estar com a cabeça apoiada no espaldar. Fechou os olhos, contando os segundos, como se assim pudesse fazê-los passar mais rápido.

-Não sei porque Quíron guarda isso aqui, Percy.

-Não essa pergunta.

Nico abriu os olhos. Percy estava sentado no chão do outro lado, jogando para cima e pegando no ar um dracma repetidas vezes. Ele não o olhou, mas sorriu de canto.

-Qual pergunta?

Não responda.

-O que seria embaraçoso o suficiente para deixar você igual Piper?

Vamos lá. Três minutos. Vamos lá!

Nico suspirou, passando a mão no rosto com impaciência.

-Percy, até onde nós sabemos, Annabeth pode ter feito cócegas nela. Ou talvez ela estivesse com muito calor. Nós estamos no verão, afinal de contas.

-Não me parecem hipóteses prováveis.

Desde quando Percy usava a palavra hipótese?

-De qualquer forma – Nico continuou –, isso não é da nossa conta.

-Por enquanto.

-Que seja.

O tempo pareceu dar uma generosa adiantada. Quando Nico abriu os olhos, quase pensou ter cochilado.

-Vamos apostar – disse Percy, de repente. Jogou o dracma para cima e o pegou mais uma vez. – Cara ou coroa?

Nico hesitou, empertigando-se na cadeira.

-O que estamos apostando?

Percy apertou os lábios, como se se impedisse de sorrir.

-O que quisermos.

-O que você quer?

-Cara.

-Não foi isso que eu...

-Você é coroa.

E jogou a moeda para o alto.

Nico quase viu o tempo desacelerar, o dracma caindo em câmera lenta até as costas da mão de Percy. Um minuto.

Cinquenta e nove.

Cinquenta e oito.

Cinquenta e sete...

Com um estalo, Percy capturou a moeda.

Nico notou que seu coração estava novamente acelerado e engoliu em seco. Só mais alguns segundos...

-E o vencedor é... – Percy levantou lentamente a mão direita. No mesmo instante, um sorriso curvou seus lábios. – Parabéns, papai.

Nico viu a face de Poseidon gravada no bronze. Cara.

-Jogue de novo – disse ele no mesmo instante.

Percy balançou a cabeça negativamente, com a ponta da língua presa entre os dentes – um sorriso vitorioso e orgulhoso.

-Nada disso, querido primo. Apostas só se decidem uma vez.

-E como eu posso saber que você não trapaceou?

-Porque você me viu jogando? – perguntou Percy como se fosse óbvio – e era. Nico sentiu-se corar com o embaraço, mas ainda não estava convencido.

-Então me deixe jogar – insistiu ele.

-Nada disso – negou o filho de Poseidon, guardando o dracma no bolso – o que foi motivo o bastante para Nico desistir de pegá-lo. – Está decidido. Eu ganhei.

O filho de Hades suspirou, decidindo aceitar a derrota. Deviam faltar uns quarenta segundos. Se Percy inventasse algo vergonhoso demais, ele poderia simplesmente enrolá-lo até o tempo acabar.

-Tudo bem, só vamos acabar logo com isso. O que você quer?

-Diga ou faça algo para me deixar vermelho como Piper ficou. Qualquer coisa – disse o filho de Poseidon, com um sorriso tão convencido e seguro de si que tudo o que Nico pôde fazer foi olhá-lo.

Trinta e sete, trinta e seis, trinta e cinco, trinta e quatro...

Em algum lugar dentro de sua cabeça, um relógio tiquetaqueava lentamente, aumentando sua confiança a cada segundo que se passava e o aproximava da liberdade. Continuou fitando Percy diretamente nos olhos.

-Não vai fazer nada? – perguntou o primo mais velho, com tom de desafio.

Trinta, vinte e nove...

Parecia uma eternidade, mas estava tudo bem para Nico. Ele já ouvira mais de uma vez que podia desconcertar as pessoas apenas com o olhar. E não havia nada mais divertido do que simplesmente observar; impassível, enquanto a expressão de Percy passava de debochada para desconfortável.

Vinte e seis, vinte e cinco...

Já não tinha mais certeza da conta, e tampouco se importava. Pela primeira vez, se sentia no controle da situação ali dentro. A satisfação de saber que nem mesmo Percy Jackson podia tolerar ser encarado era sublime. Era bom fazê-lo experimentar do próprio veneno, também, mesmo que por pouco tempo.

Mais segundos se passaram, e a cada um, Percy parecia mais incomodado. Ele bufou e desviou o olhar, mas acabou retornando-o ao rosto de Nico. Se olhar parecia dizer: “Eu sei o que você está fazendo”.

Nico guardaria para sempre a imagem seguinte: o rosto do filho de Poseidon lentamente se tornando rosado, para então passar a um tom profundo de vermelho. A vontade que tinha era de rir, mas não podia perder um momento tão precioso quanto aquele tão rápido.

-Dez segundos! – berrou Leo de repente, batendo na porta. – Terminem logo o que quer que vocês estejam fazendo aí dentro!

Puderam-se ouvir risadinhas, e intencionalmente Nico deixou o canto de sua boca se erguer, imitando, ao seu modo, o sorriso debochado de Percy.

Ganhei, formou ele com os lábios, antes de se levantar e caminhar até a porta.

-Cinco! – avisou Leo.

Percy se pôs de pé também, e numa velocidade assustadora, parou ao lado de Nico.

O filho de Hades estava prestes a zombar daquela reação, apenas por diversão, quando teve seu braço agarrado pelo primo.

-Eu não vou ser o único a sair daqui vermelho – afirmou Percy, e beijou-o antes que ele pudesse sequer processar aquela sentença.

E, em três segundos, ele fez o que Nico levara meio minuto para fazer. Três segundos que pareceram tão longos quanto os sete minutos anteriores, e ao mesmo tempo efêmeros demais. Três segundos insuportáveis, e ao mesmo tempo não suficientes. Três segundos...

Quando o filho de Poseidon o soltou, Nico cambaleou para trás, e no instante seguinte a porta foi aberta, e Leo entrou gritando “PAREEEEEEM!”, com os braços erguidos acima da cabeça.

Informação demais para Nico processar. Tudo o que ele sabia era que de repente, seu coração entrara novamente no modo carro de corrida, ele estava meio tonto e toda a dignidade que havia conquistado no minuto anterior se fora por água abaixo.

Olhou para Percy, que não exibia nenhum sorrisinho e ainda encontrava-se consideravelmente enrubescido, claramente tão envergonhado quanto ele, e quase deixou um palavrão escapar de sua boca, se Leo não tivesse entrado no meio dos dois com as mãos erguidas.

-Muito bem, eu não tenho ideia do que aconteceu aqui, mas é melhor vocês dois darem o fora agora – disse o filho de Hefesto, empurrando os ombros de ambos. – É a minha vez.

Ele nem prestou atenção a quem entrou logo depois de Leo, pois estava concentrado em lançar seu olhar mais mortal para Percy naquele momento.

O filho de Poseidon respirou fundo, recuperando a compostura, enquanto Nico ainda não conseguia engolir o que acabara de acontecer. Para sua não-surpresa, um sorriso brotou no rosto do mais velho, e ele se inclinou em sua direção, sussurrando para que apenas Nico ouvisse:

-Não. Eu ganhei.

Notas finais
Achei que ia morrer sem postar uma fic Pernico aqui, o que é bem triste, porque PELAMORDDEUS Pernico é um dos meus OTPs (♥)
Agora sim eu posso viver tranquila nesse site (◕‿◕✿)
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!