Head or heart
20 Tempestade
Notas iniciais
– Então você é a minha mãe! — ele perguntou com os olhos fixos em mim e eu apenas balancei a cabeça afirmando o que ele disse — Você é muito bonita! — ele sorriu e me abraçou — sonhei muito com esse dia.
Fiquei sem reação por alguns segundos, eu pensei que ele me odiasse, pensei que ele não quisesse mesmo me ver, mas pelo que pude ver ele não estaria aqui se não quisesse me ver, afinal, Belle disse o motivo desse encontro a ele.
– Pensei que tivesse raiva de mim! — falei ainda o abraçando e então ele se soltou do abraço e eu me abaixei pra poder olhar nos olhinhos que me encaravam cheios de lágrimas, o que me fez deixar que caíssem as minhas pois já não aguentava mais segura-las.
– Eu não tenho raiva — ele falou sério — Eu só queria entender! — eu abaxei a cabeça tentando segurar um pouco da lágrimas que escapavam com esforço que fazia pra não chorar.
– Eu fui covarde meu filho, eu não tive coragem de assumir tanta responsabilidade! — ele começou a enxugar as lágrimas que olhavam meu rosto, queria poder sai do meu corpo pra poder ver a cena de outro ângulo.
– Você veio atrás de mim, antes tarde do que nunca!
– Olha pra você — toquei em seu rosto com a pele tão macia — Tão maduro! O que é isso? — apontei pro livro que ele segurava com a outra mão.
– É meu melhor amigo! — respondeu sorridente.
– Um livro?
– Ele me ajudou a entender você!
– Como assim? — perguntei confusa
– A branca de neve mandou sua filha pra outro mundo pra que ela tivesse uma chance melhor, eu sei que você também fez a mesma coisa!
Eu sorri com a conclusão que ele chegou, queria que fosse mesmo por isso, um motivo tão nobre, mas não, eu o entreguei por medo, por egoísmo, talvez, TALVEZ no fundo fosse por ele afinal, eu não queria que ele crescesse infeliz ao meu lado, pois eu só conseguia pensar dos momentos infelizes que tive naquela época. Eu apenas disse olhando pra Belle:
– Esse livro não conta histórias do jeito tradicional né?
– Há várias versões de histórias! — ela falou dando de ombros.
– Minha familia é complicada Henry! — me levantei guiando ele pra castelo, me sentei e ele me acompanhou — Eu sei que não muda muita coisa mas, desculpa! Eu não queria que você tivesse crescido sem mim.
– Tudo bem! — ele sorriu e meu deu mais um abraço.
– Henry se quiser continuar vendo sua mãe é melhor não contar a ninguém sobre esse encontro! — Belle avisou se aproximando de nós.
– Tudo bem, então a gente vai poder se ver ainda? — olhou pra mim animado.
– Claro que vai! — respondi — Só não vai ser com muita frequência, seu avô não pode sonhar que estamos nos encontrando!
– Então ele é mesmo meu avô? Ele é um pouco estranho.
– Um pouquinho! — começamos a rir
– Ele me deu uma foto do meu pai! — ele tirou a foto de Neal do casaco azul que usava — Pode me falar um pouco dele?
– Falar um pouco dele? — fique um pensativa, o que eu ia falar? Eu e Neal não tivemos um relacionamento sério, apenas ficamos alguns meses juntos na época do colégio, não queria falar do pessimo relacionamento que tivemos então optei por falar dele quando o conheci, ou seja na época em que tudo eram flores. Fiquei um bom tempo em silêncio procurando as palavras certas o que fez Belle entender o que eu estava fazendo então ela resolveu me salvar.
– Henry temos que ir, tá ficando tarde e a Emma tem que ir pro trabalho! — ela estendeu a mão pra ele.
– Ta bom! — ele se virou pra mim — Jura que a gente vai as encontrar de novo?
– Eu juro! — levantei a mão em sinal de juramento
– Então até... como eu posso te chamar? — ele perguntou confuso.
– Ah, você pode me chamar como você quiser — Pensei um pouco, não ia pedir pra ele me chamar de mãe, ele já teria feito isso — Pode me chamar pelo meu nome. Emma!
– Ta ok, Emma! — ele pegou a mão de Belle
– Tchau Emma, a gente se ve mais tarde! — Belle acenou e ela e Henry entraram no carro. Logo eu estava sozinha sentada no pequeno castelo de madeira, o vento batia em meus cabelos, e eu pensava porque ele não levava meus pensamentos e problemas junto.
....
– pai? Killian? — me assustei ao entrar em casa e encontrar meu pai sentado no sofá encarando Killian que estava a sua frente.
– Oi Emma! — killian sorriu ao me ver.
– Filha! — meu pai se levantou e me deu um abraço — Saiu cedo, fiquei preocupado! Não conversamos sobre ontem, Gold vai pagar caro por aquela manchete.
– Esquece pai! — sentamos no sofá — Eu fui encontrar com meu filho hoje!
– Foi?
– Fui, Killian desculpa não ter te cumprimentado, o que faz aqui?
– Queria saber como foi hoje, nem dormi direito, tava preocupado com você!
– relaxa deu tudo certo!
– Perai filha, como assim? — meu pai perguntou preocupado
– Belle me ajudou a encontrar com ele hoje de manhã, Gold viajou então aproveitamos a oportunidade!
– Filha você tem que tomar mais cuidado
– Pai..
– Tomar cuidado com o quê? — Minha mãe perguntou terminando de descer as escadas, e então a sala ficou em completo silêncio — segredinhos? De novo?
– Amor temos visitas! — meu pai falou querendo ficar impaciente, com certeza não estava afim de brigar.
– É faz diferença seja os amigos ou o namorado, acredite eles sabem mais que a gente.
– Namorado? — meu pai e eu falamos em uníssono
– Killian? — apontei pra ele — Não! Somos só amigos! — expliquei meio que desesperadamente.
– Mary por favor, será que podemos ter uma manhã de paz! — meu pai falou calmamente
– Olha só eu posso ir embora! — killian se levantou
– Não você senta! — ordenei e ele sentou — Será que você não cansa? — me virei pra minha mãe — poxa! Vamos tentar tomar café civilizadamente uma vez na vida!
– Não vão me contar o que ta acontecendo mesmo? — minha mãe insistiu.
– Pra quê quer saber? — falei irritada
– Você esconde as coisas de mim Emma, não confia em mim?
– Querida vamos discuti isso depois! — papai arregalou os olhos e apontou discretamente pra Killian.
– Tudo bem, desculpe por isso Killian! — mamãe se desculpou
– Não tudo bem! — ele disse tímido.
– toma café com a gente?
– Claro! — acho que ele ficou com medo de dizer não.
Puxei meu pai pro canto da sala, enquanto minha mãe e Killian iam em direção a mesa.
– Obrigada! — agradeci
– de nada, vamos tomar mais cuidado ao conversar esses assuntos delicados em casa, mas vem cá, tem alguma coisa com aquele cara?
– Pai! — o repreendi
– Que foi? Quero saber quem anda com a minha filha!
– Pai somos só amigos ok? — "Amigos que se beijam mas só amigos" brinquei em meus pensamentos
– Ainda to de olho.
– Vamos tomar café! — fui o empurrei até a mesa.
Eu devia ter ido tomar café no Grannys, ah lembrei, não to bem vista na cidade, tomar café em casa é mais calmo que sair.
– Porque saiu tão cedo hoje? — minha mãe perguntou enquanto adoçava o café.
– Mãe você não desiste! — falei impaciente
– Desculpa, não ta mais aqui quem falou! — ela ergueu as mãos — Então! — se virou pra Killian — Então como é morar na mesma casa que a Regina? — eu revirei os olhos e disse.
– Mãe por favor!
– O que foi, só fiz uma pergunta?
– uma pergunta nada gentil!
– Tudo bem Emma, é da Regina que estamos falando! — Killian brincou
– Killian, não dá corda!
– Rapaz quais suas intenções com a minha filha? — papai perguntou mudando o rumo da conversa e eu arregalei os olhos, aposto que eu estava vermelha.
– Pai, Eu não sou mais uma adolescente.
– Bom o minhas intenções são as melhores possíveis, agora o que quer que nos tornemos depende tanto dela do que de mim ! — Killian respondeu e olhou pra mim, eu coloquei as mãos no rosto desistindo de mudar de assunto.
– Meu Deus! — falei não acreditando no que tava acontecendo
– Boa resposta! — Meu pai falou com ar de satisfeito.
– É você trabalha com o que rapaz! — minha mãe perguntou
– por favor me chame de Killian, ou de Jones, até mesmo de lindo!
– Que tal "ego em pessoa"?!
– Regina me chama assim já — comecei a rir por dentro — Emma acho melhor irmos né, temos trabalho!
– Partiu! — Killian e eu nos levantamos da mesa meio apressados, ambos tínhamos vontade de sair dali o mais rápido possível. Resolvemos ir andando pro trabalho já que a biblioteca e a delegacia ficavam perto de casa.
– Swan, você tá calada! — killian falou depois de quatro de quarteirões de silêncio entre nós dois.
– To pensando! — dei de ombros
– Bom, eu tenho que ir!
foi então que percebi que estavamos na frente da biblioteca.
– Killian! — chamei antes que ele entrasse
– Que foi Swan?
Puxei ele pela gola da jaqueta e comecei a beija-lo, um beijo meio que urgente mas com bastante sentimento o que fez nos separarmos com dificuldade.
– Isso foi.. — ele disse ofegante
– Sim, acho que merecemos uma chance! — soltei sua jaqueta, finalmente o encarando e pude ver o sorriso que ele tinha no rosto o que fez sorrir junto — Bom trabalho capitão.
Fui pro trabalho mais sorridente que o normal, nem os problemas conseguiram desmanchar aquele sorriso ou jogar minha felicidade pela janela, afinal meu filho gosta de mim e estou tendo a chance de gostar de alguém de novo, alguém que corresponde e que eu sinto fortes sentimentos. A semana passou voando, não conseguimos avançar muito com o caso do assassinato de Neal, por motivo de ainda não termos encontrado Zelena, o que me fazia ter mais certeza de que ela era mesmo culpada pelo assassinato de Neal. Minha mãe não parava de tentar arrancar alguma coisa sobre minhas saídas de manhã cedo, comecei a colocar roupas de ginásticas e fingir que eu estava começando a caminhar de manhã cedo pra poder manter hábitos saudáveis mas é claro que ela não acreditou. Não queria contar que estava me encontrando com Henry, não tinha certeza se ela ia tentar alguma coisa, fiquei com medo que ela contasse tudo pra Gold e acabasse com uma das coisas boas que estava acontecendo comigo. Com Gold fora Belle me ajudou a encontrar com Henry na escola onde ele estuda, estávamos muito próximos, ele chegou a perguntar se eu deixaria ele morar comigo e eu falei que assim que tudo se ajeitar nos morariamos juntos e toda sobremesa ia ter sorvete. Killian e eu não tivemos tempo pra ficar juntos, mas sempre nos encontrávamos pra almoçar e íamos pro trabalho juntos, as vezes discutíamos, discussões bestas iguais às que tinhamos quando nos conhecemos mas a diferença é que tudo terminava em beijos, a cada dia que passava eu tinha certeza que tinha sentimentos fortes por aquele homem, mas ainda estava com medo de admitir pra ele. E não ainda não contei pros meus pais que estava namorando Killian, primeiro: não quero me mãe estrague tudo, segundo: não quero que minha mãe convença meu pai a estragar tudo.
Era sexta-feira a noite quando Killian e eu resolvemos ter um jantar romântico, como Storybrook estava debaixo de um forte temporal o local escolhido foi a casa dele, ou melhor da Regina mas tenho certeza que ela não iria se importar. Estávamos jantando na cozinha jogando conversa fora e comendo lasanha, sim lasanha e um bom vinho, eu pedi uma pizza mas não sei se vai chegar rápido porque a cidade ta um caos lá fora por causa da tempestade.
– Okay Okay, lasanha ou pizza? — killian perguntou rindo
– Não deixa Regina saber mas, pizza! — ri junto.
– Hum, não sei, o que eu ganho com isso? — ele me olhou de forma maliciosa e entendendo os pensamentos dele eu então perguntei
– Quais são as formas de pagamento pra guardar esse segredo?
– Tenho umas ideias -ergueu as sobrancelhas e sentou na cadeira que ficava ao meu lado. Ele começou a acariciar meu braço com sua mão direita até chegar em meus cabelos, colou sua testa na minha e eu pude sentir sua respiração e depois de segundos que pareceram enternidades nossos lábios se encontraram em um beijo lento e cheio de desejo. Nos levantamos e começamos a andar em direção às escadas, infelizmente fomos interrompidos pelo barulho da porta abrindo.
– KILLIAN! — Regina entrou pisando no chão tão fortemente no chão que fiquei com medo dela abrir crateras nele.
– Regina se acalma por favor! — Robin pediu enquanto a seguia.
O irmão de Regina e eu nos separamos e fomos em direção da mesma bastante curiosos.
– O que aconteceu maninha, tá revoltada hoje ?
– Revoltada, eu não to revoltada, eu to com raiva muita raiva! — ela começou a bater nele — Eu quero te matar!
– Regina se acalma! — eu a segurei
– EU NÃO QUERO ME ACALMAR? — ela começou a gritar me fazendo entender que a situação era séria.
– Regina o que houve? — Killian perguntou ainda com as mãos no rosto com medo da irmã.
– Amor se acalma! — Robin falou.
– Como você pode me esconder isso, eu sei de tudo Killian, de tudo! — ela começou a baixar o tom de voz.
– De tudo o que minha irmã? Seja mais especifica! — killian levantou o tom de voz cansado de tentar entender o ataque da irmã.
– Gold me contou tudo sobre a morte da mamãe! Porque me escondeu isso Killian?
– Regina..
– NÃO FALA NADA! — gritou — 1 ano Killian, 1 ano! — lágrimas saíram dos seus olhos e eu estava mais confusa ainda.
– Me desculpa Regina, mas me ouve..
– O que aconteceu? — perguntei ainda confusa
– mamãe morreu já faz 1 ano Emma! — ela se virou pra mim com a expressão de raiva dominando sua face — ela foi assassinada!
– Como assim? — perguntei totalmente espantada
– Regina...
– reabriram o caso! — ela parou no meio das escadas — eles tem um suspeito, na verdade acho que é bom você saber disso Emma, porque a pessoa que estão desconfiando é bem próxima de você.
– De mim? Como assim Regina?
– É a sua mãe Emma! — paralisei — Ela é a principal suspeita de matar minha mãe!
De uma coisa eu tinha certeza, a tempestade tava pior aqui dentro do que lá fora.
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