O bater da porta de madrugada era mais barulhento, quando me virei vi minha mãe sentada no sofá da sala com uma taça de vinho em suas mãos, a música deprimente lenta que ela ouvia fazia tudo parecer mais dramático, a dorma que me me encarava com seus olhos verdes acusadores sobre mim, aposto que ela vai começar a conversa com a pergunta "Pode me explicar o que ouve mais cedo? " ou então " O que deu em você? ", mais antes que ela pudesse falar algo eu comecei a conversa.

–Me desculpe! -disse como se estivesse completamente arrependida — estou arrependida do que fiz hoje!

Ela me olhou surpresa, com certeza ela esperava eu fazer outra cena digna de filhinha revoltada que honestamente, eu faço tão bem que acho que mereço um Oscar, ela olhou em meus olhos e eu desejei profundamente que ela não pudesse ler mentes pois a minha estava gritando "não estou nem um pouco arrependida".

– Sabe a vergonha que passamos hoje? — ela perguntou calmamente enquanto girava em seu dedo o anel que papai tinha lhe dado quando a pediu em casamento — Sua sorte é que Neal a conhece e sabe que você age de cabeça quente, e disse que voltaria aqui amanhã para o almoço, tem sorte de ter alguém que gosta tanto de você a ponto de ignorar seus escândalos!

– E como tenho! — forcei um falso sorriso e mesmo sem vontade concordei com ela e sentei ao seu lado — estava meio chateada com Neal porque ele vive viajando, faziam quase 5 anos que não nos víamos direito a não ser nas festas que íamos, acabei descontando minha raiva ontem!

– Tudo bem minha filha, é assim quando amamos alguém!

– Deve ser!

Quando minha mãe disse eu comecei a pensar em como o dinheiro havia realmente cegado minha mãe, será que ela não via que eu não amava o Neal? que eu não sentia nada por ele, não ta na cara? Eu sempre reclamo dele, mas pelo fato da minha mãe viver reclamando do meu pai antes de eles namorarem ela acha que sinto o mesmo que ela sentiu, mas enfim, não vou procurar entender.

– Boa noite filha! Só estava esperando você chegar! — ela se levantou e me deu um beijo na testa antes de subir as escadas!

Fiquei sentada por uns minutos no sofá da sala antes de ter a vontade de levantar e ir para o meu quarto. Deitei na minha cama desejando dormir o mais rápido possível mas quando eu estava quase caindo no sono Regina me ligou:

– Hey Emma você vai comigo amanhã? — ela me perguntou e eu pensei, "pra onde? ", mas aí me lembrei que ela ia buscar o irmão dela.

– que horas? — perguntei

– Ele vai chegar perto de meio dia!

– Infelizmente não, Neal vem aqui amanhã almoçar! — eu disse meio chateada por não poder ir, tava querendo poder sair um pouco sem ser para o trabalho — Vem cá você você não dorme não? — perguntei após levar um susto ao ver a hora!

– Falou a pessoa que bate na casa dos outros as 3 da manhã!

– Vai jogar na cara agora?- perguntei de forma acusadora

– Você começou! — ela disse em voz de defesa — Você vai trabalhar amanhã?

– Eu não! Vou ligar pro Graham e dizer pra ele se virar sozinho, cobri aquele turno da noite pra ele! Ele me deve.

– Mas que menina mimada -Regina brincou

–Fazer o que? Papai cortou meu cartão — brinquei de volta com uma voz de garotinhA indignada

– hahaha! Vai dormir ô cabeça quente!

– to tentando né! — disse não contendo o riso

Desliguei o celular e mandei uma mensagem pro Graham avisando que não iria aparecer amanhã e depois caí em um sono pesado, acho que tinha algo naquela lasanha, nunca dormi tanto assim, acordei 11:30 da manhã, logo Neal chegaria, é meus pais também, tomei uma banho relaxante e como o dia estava frio coloquei uma uma calça jeans Preta e um suéter Branco, calcei minhas botas pretas de salto e escovei meus longos cabelos loiros que estavam encaracolados na pontas. Fui a caminho da sala e assim que terminei de descer as escadas quando a porta abriu e vi meus pais entrarem, minha mãe como sempre bem arrumada com um vestido amarelo, o casaco azul preferido e as meias calças pretas combinando com os saltos, meu pai vestido com sua calça social Preta, a camisa branca estava escondida por baixo do casaco Preto e o cachecol.

– Filha — meu pai disse enquanto vinha em minha direção e me abraçando — estava tão preocupado — abracei-o de volta e uma onda de momentos bons vieram na minha cabeça, quando eu e meu pai éramos parceiros e fazíamos tudo juntos, uma vez eu me sujei toda por brincar na chuva e minha mãe deu um ataque e meu pai disse "Para com isso Mary ela é só uma criança", 'Deixa ela brincar um pouco", mas depois que os negócios foram crescendo e eu meu pai nos distanciamos um pouco, ele ainda me cobria antes de dormir e me dava um beijo de Boa noite, ou as vezes chegava com um presente porque lembrava de mim, como da vez que ele achou um pingente de cisne que estava no chão e deu pra mim depois de limpar só porque ele lembrava que era meu animal favorito desde quando era criança, ele me levava na praça pra dar comidas pros cines que ficavam no lago e ele dizia que daria um jeito de me dar um, desde então meu nome ficou assim, Emma "Swan"

– Desculpa pai! Eu estava..

– De cabeça quente eu sei -ele me interdompeu — confesso que fiquei bastante irritado, mas sua mãe já conversou comigo, eu conheço minha filha! — Não pude evitar sorrir, meu pai realmente me conhecia, ele sabe dos meus gostos e defeitos, ele foi o único a me apoiar quando decidi seguir a carreira de investigadora policial, as vezes ms pergunto como tudo ficou assim? Será que os compromissos de negócios atrapalharam, ou será que o fato de eu não ser mais uma garotinha de 9 anos? Ou ambos?

– Boa tarde pessoas! — Neal entrou cumprimentando todo mundo — Emma podemos conversar?

– Se for sobre ontem, prefiro não!Eu aceito!

– Aceita? — ele ficou espantosamente surpreso, mas não mostrou nenhum sinal de alegria, em seguida apenas um sorriso torto surgiu em seus lábios.

–Senhor e senhora Nolan vocês poderiam nos deixar a sós? — ele pediu aos meus pais

– Claro — disse minha mãe — mas seremos da mesma família, não precisa dessas formalidades! Pode nos chamar de Mary e David!

Neal concordou e meus pais subiram a escadas nos deixando sozinhos, eu estavam rezando pra ele está de bom humor, porque eu não estava, e duas pessoas mal humoradas seria um completo desastre em uma sala onde tem várias taças de cristal.

– Emma precisamos dar um jeito de não nos casarmos! — ele disse de repente

–O quê? — as únicas palavras que saíram da minha boca, essa era uma coisa que eu nem imaginava ouvir.

– Olha só você foi um desafio pra mim, você mesmo deve saber disso, mas eu sei quando perco uma guerra — eu sentei no sofá ainda sem consegui falar uma palavra, eu realmente espero que isso não seja um sonho — o fato é, eu reencontrei uma pessoa do meu passado, uma pessoa que sou apaixonado faz desde a minha adolescência, faz um meses que temos nos encontrado, mas temos problemas em ficar juntos!

– Ok, mas a questão é, porquê me pediu em casamento? — perguntei totalmente confusa

– Meu pai quer que nos casemos!

– Ok, mas no que isso influencia?

– Muita coisa! Ele é meu pai, e não gosta de ouvir não!

– Vai deixar ele te dizer o que fazer? — perguntei indignada, ta certo que eu não sou nenhum exemplo, mas estou querendo mudar.

– olha Emma eu posso ta apaixonado por outra e tudo mais, mas eu gosto de você, espero que possamos ser amigos! — eu estava sem palavras, ok. Estou repetindo isso demais, mas é verdade, estou me sentindo um peso na consciência, Neal também era infeliz por isso agia como um idiota, no fundo ele procurava uma maneira de preencher aquele vazio que sentia, tudo bem que isso não justifica esse comportamento idiota que ele teve, mas de certa forma eu pude ver de novo aquele rapaz doce que conheci na adolescência, ele apenas estava em coma por causa de tombos da vida, da mesma forma que eu, uma mulher meio durona e determinada, mas adormecida por dentro.

– Neal, pode me dizer onde está tanta dificuldade nisso tudo? — perguntei querendo entender tudo

– Emma, meu pai sabe o segredo que você guarda a 5 anos, E eu também!

O encarei surpresa, se eu já estava sem palavras antes, agora eu perdi meu ar, não acredito, Gold e Neal sabiam o meu segredo, algo que eu pensei que já estava bem esquecido no fundo da gaveta, livre de descobertas, algo que pensei que só atormentava minha mente, porquê ninguém sabia, quando na verdade é algo que está bem vivo e que cedo ou tarde alguém saberia e poderia usar contra mim. A única reação que tive foi de levantar e puxar Neal pelo braço enquanto tirava ele da mansão e dizer:

– Vamos conversar em outro lugar!

Notas finais
E aí, o que você acham que é o segredo da Emma?