Head or Heart - vida nova
6 Quero conversar
Notas iniciais
Observei Henry conversando com a garota na lanchonete, infelizmente não pude enxergar seu rosto, a única coisa que poderia saber é que ela é uma menina branca com os cabelos escuros e lisos, então descartada a possibilidade de ser a Grace, sua colega de escola, uma menina loira de cabelos meio ondulados na ponta. A conheço desde que eles eram crianças.
A conversa não parecia estar indo muito bem, a expressão de Henry era de tristeza, quanto a da menina, bom, eu não conseguia ver seu rosto.
Meu celular tocou e minha atenção foi toda para o pequeno a aparelho que estava em meu bolso. Era Killian.
– Eu subo pra tomar um banho e você some de casa — falou em tom divertido — onde você está amor? Porque não me avisou que ia sair?
– Desculpa Killian — virei pra olhar os meninos de novo mas pro meu azar eles tinham sumido — Droga! — resmunguei.
– O que aconteceu? Emma onde você está? — seu tom de voz ficou cada vez mais sério.
– Eu estava seguindo Henry — respondi por fim.
– Henry? Que eu saiba ele está no quarto — falou confuso.
– Ele anda saindo escondido, resolvi segui-lo e você não vai acreditar.
– O que o garoto anda fazendo?
– Se encontrando com uma garota! — respondi sentindo um pouco de raiva por ele está me escondendo isso.
– Olha só...acho que alguém está tendo uma primeira paixão — falou divertido — esse garoto é dos meus. Uma vez eu conheci uma garota...
– Nem continua! — alterei o tom de voz
– O que foi?
– Não quero saber dos seus romances de adolescência — respondi tendo a sensação de que se eu apertasse mais o telefone, ele ia quebrar.
– Tem alguém com ciúmes — ele cantarolou.
– Não estou com ciúmes! — protestei — E não vamos mudar de assunto. Eu não to gostando nada nada do Henry ter me escondido que andava se encontrando essa garota.
– Essa garota pode ser a namorada do seu filho. Sua futura nora — brincou com a situação. Ouvi sua risada dando eco na ligação.
– Killian! Acho melhor você não falar mais nada, a cada vez que você abre essa boca pra fazer piada eu tenho a vontade de te bater.
– Mas você sabe que eu adoro apanhar de você. Deixa nossas noites bem mais interessantes! — seu tom de voz era provocante.
– Você e a Regina quando querem provocar irritam qualquer um — falei estressada — Killian é sério, porque você acha que ele está fazendo isso.
– Não sei Swan, vocês vão ter que conversar, sabe que eu não posso me meter. Pelo menos sabemos o motivo da sua frequente rebeldia.
– Não acho que seja esse o motivo — eu disse minha conclusão.
– Acha que pode ter algo mais nessa história? — perguntou.
– Claro que sim, não acho que uma garota seja o motivo dessa sua rebeldia estranha.
– Não sabe o que fazemos quando estamos afim de uma garota.
– Killian vou desligar! — disse por fim e desliguei o telefone.
Vontade de matar meu marido não faltava. Ele estava fazendo isso porque sabia que eu estava com ciúmes, ele me conhece bem, nunca gostei de saber de nenhuma mulher que Killian teve antes de mim. Eu nunca demonstrei meus ciúmes a ninguém, embora os tivesse, também nunca admiti a ninguém que eu sentia isso, mas Killian como excelente leitor que é quando se trata sobre mim, um livro aberto, sabia que eu sentia esse sentimento que sinceramente, não me agradava muito. Afinal mostra muita insegurança.
.......
– Olha quando me falaram que você não foi pro trabalho eu quase caio pra trás.
Falei pra Regina que estava deitada na cama toda embrulhada com o edredom e a cara mais amassada que minhas roupas no guarda-roupa.
Em vez de ir pra casa resolvi ir até a prefeitura falar com Regina. Usar seus ouvidos, como sempre. Mas para minha surpresa sua secretaria me disse que ela cancelou todas as reuniões que tinha hoje pois não estava disposta. A preocupação entrou em mim quando ela disse isso, raramente Regina falta por causa de doença ( quase nunca ), as poucas vezes que falta em seu trabalho é por causa de Roland, pois se tinha uma coisa que minha amiga se preocupava mais que o trabalho dela, era a sua família.
– Ela não estava bem ontem, mas resolveu ir para o trabalho de mesmo jeito — Robin disse enquanto entrava no quarto trazendo a sopa que fez pra sua mulher — resumindo, o resultado foi péssimo.
– Eu Dão Dô dão mal! — protestou se ajeitando na cama e eu levei um susto.
Jesus, Maria e José! Que voz é essa?
– Gina até a o rangido da porta escangalhada da minha casa é mais ouvivel que sua voz — falei me sentando ao seu lado.
– Adoro sua deligadeza! — disse e em seguida enxugou o nariz com um lenço de papel — O que acoteceu?
– Vou deixar vocês sozinhas — Robin disse saindo do quarto. E levando alguns baldes que provavelmente Regina tinha usado pra vomitar.
– Então, foi o Henry — comecei a falar
– Aahh.. sério? Pensei Gui Divesse alguma novidade!
– Mas tem! — falei bastante desesperada — Meu filho anda se encontrando com uma garota. Eu quero saber quem é essa menina!
– É só fala com ele — disse o óbvio
– Eu sei, mas na verdade eu não sei como chegar nele pra dizer isso.
– Bom, aí é complicado!
– Muito... mas não vou te perturbar mais com meus problemas, dorme e descansa. Essa semana eu e o Killian vamos aparecer por aqui, prometo.
Me levantei da cama e ajeitei seu edredom para que ela ficasse mais confortável. Ela apenas assentiu com a cabeça, estava tão cansada que nem tinha vontade de ficar falando. Com certeza era melhor eu ir embora.
Me despedi de Robin que estava ajudando Roland com a lição e então sai da casa da minha amiga.
As ruas da cidade estavam bem calmas. Hoje é dia 1 de Dezembro faltavam apenas duas semanas para a viagem em família que teriamos, e também começaria a caçada por Gold, mas na minha cabeça cheia de culpa a vontade que eu tinha era de simplesmente viajar pra curtir a família, só que outra parte de mim quer muito acabar com essa falta de respostas. Eu precisava ir atrás de Gold.
Nem reparei que tinha chegado em casa, até que percebi que estava encarando o pequeno portão branco. Levantei a cabeça e vi que meu marido estava brincando com os nossos filhos no Jardim de casa. Ver aquela cena me deixou muito babona por aquele pai coruja.
– Oi amor — Killian me cumprimentou vindo até mim — Cadê o Henry? — perguntou depois de me dar um beijo.
– É o que eu gostaria de saber também — respondi entrando em casa — O que estão fazendo? — perguntei enquanto observava Liam e Leiah cavarem no Jardim de casa. Detalhe, só tinha neve.
– Estamos brincando de piratas, busca ao tesouro — respondeu animado.
Cuidar das crianças era seu Hobby favorito, várias vezes ele levava os gêmeos para navegar quando tinha folga no trabalho.
– Quer brincar com a gente? — perguntou me tirando dos meus pensamentos.
– Adoraria! — respondi enquanto enlaçava meu braço no dele.
Brincamos a por uns dez minutos até que mandei todos entrarem, provavelmente ia nevar daqui a pouco e não era bom eles estarem brincando aqui fora.
Resolvemos tomar um chocolate quente com canela e fizemos pipoca para poder assistir Frozen na televisão. Killian fez uma pipoca caramelada deliciciosa.
Desajeitadamente nos deitamos todos no sofá da sala para assistir o filme. Leiah estava agarrada com o pai ( o que não é novidade). Liam estava deitado em meu colo segurando um balde de pipoca. Uma pequena familia feliz.
Na metade do filme a campainha de casa tocou e desanimadamente eu me levantei pra ver quem era.
Abri a porta e vi uma garota de cabelos escuros e lisos, pele branca e me encarando com um pouco de medo.
– Olá? — falei depois de segundos encarando a menina que estava na minha porta.
– Oi... é... — ela teve dificuldade em falar, não sei porque mas parte de mim dizia que sabia quem era ela — Meu nome é Violet. Sou uma amiga do Henry.
Falou tão rápido quanto minha memória a reconheceu pelos longos cabelos escuros e lisos. A garota com quem Henry se encontrou na lanchonete. Eu estava louca pra conversar.
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