Head or Heart - vida nova
10 Desculpa?
Notas iniciais
Eu ouvia a voz de Regina chamando meu nome do outro lado da linha, mas minha atenção estava toda para meu marido me encarando na porta da cozinha. Meus grandes olhos verdes encaravam seus confusos olhos azuis. Passamos apenas segundos sem falar algo mas eu senti tudo passar em câmera lenta.
– Regina eu preciso desligar — falei para minha amiga que continuava me chamando pelo telefone.
Desliguei o celular e por mais que eu quisesse eu não conseguia falar nada. Killian encarava o teto com a expressão de clareza estampada em seu rosto e eu apenas olhava para o celular que estava em minha mão, o analisando como se quisesse descobrir cada detalhe que o aparelho tinha.
– Killian...
Comecei a falar mas rapidamente tudo que estava em minha cabeça fugiu e o silêncio voltou a dominar o cômodo.
– Então você mentiu para mim — Ele disse enquanto tentava me encarar sem parecer tão abalado com a situação. Mas não deu.
– Eu não menti — falei um pouco mais alterada e com preocupação — Eu omiti — admiti — É diferente.
Cocei a cabeça como se tentasse tirar toda aquela tensão que eu estava sentindo dentro de mim. O peso da minha consciência havia sumido, exatamente quando admiti a verdade mas ele apenas se mudou para meu peito, fazendo com que minha respiração ficasse mais pesada ainda, sem falar na culpa que parece que se tornou gigante.
– Tá certo — Killian riu ironicamente de leve — Então... a frase certa seria, você me enganou — disse um pouco mais sério dessa vez.
Eu conseguia enxergar raiva naqueles olhos extremamente azuis.
– Killian -tentei ser o mais calma possível — Não vamos brigar agora. As crianças estão lá em cima, vamos colocar elas pra dormir e depois conversamos.
– Eu cansei de tentar conversar Swan — Ele disse saindo da cozinha.
Me escorei no balcão mais uma vez tentando me manter calma, sem entrar em pânico ou tomar alguma decisão precipitada. Peguei meu celular e então só aí pude ver o quanto eu estava tremendo, parecia que tinham colocado um vibrador em minhas mãos, rapidamente liguei para Regina torcendo para que ela não demorasse para antender.
– Emma o que aconteceu? — perguntou preocupada.
– Killian ouviu o final da nossa conversa — falei rapidamente. Minha voz estava falha, eu estava nervosa.
– Ah não — minha amiga disse mais preocupada ainda — Emma, eu falei pra você desistir dessa loucura, mas já que você não queria ao menos podia tomar cuidado.
– Eu tomei cuidado — falei mais nervosa ainda enquanto vigiava a porta da cozinha com medo de ser flagrada mais uma vez contando algo bastante revelador, não que tivesse mas quando estamos neuróticos tudo tem que ser calculado — Ele estava na sala? Assistindo jornal, é mais do que comun ele ficar entretido com as notícias do dia.
– É, mas ele tem uma coisa chamada pernas grudada no corpo, permite que ele vá a qualquer lugar quando quiser, até mesmo vir a cozinha quando ta com sede — disse com ironia.
– Regina — a repreendi com a graça que ela estava fazendo com a minha situação.
– Que foi? Tá, mas me conta, como ficou isso?
– Não sei, eu pedi para conversarmos depois que colocarmos os gêmeos pra dormir — expliquei — Só estou preocupada.
– Que bom Emma, porque é para estar mesmo. De todas as cagadas que você fez com Killian essa é de longe a maior. Conseguiu superar a vez que você esqueceu o aniversário de namoro de vocês e eu que tive que te ajudar a consertar a situação.
– Eu não tive culpa se o trabalho me deixou atarefada.
– O trabalho Emma, sempre o trabalho, quando não é o trabalho tem outra desculpa. Amiga, vai conversar com ele e depois você me liga, qualquer hora você pode me ligar, preciso ir que o Roland está muito elétrico hoje. Tchau — disse e depois desligou o celular.
– Tchau — falei mesmo depois de ouvir o sinal avisando que ela havia encerrado a ligação.
Subi as escadas devagar, mesmo que eu quisesse andar rápido, eu não conseguia, parece que meu corpo fazia isso como uma auto defesa tentando evitar ao máximo a catástrofe que estava prestes a acontecer. Antes de ir para o meu quarto resolvi olhar as crianças, com certeza meu marido já tinha os colocado para dormir, abri a porta do quarto devagar para não fazer muito barulho, e lá esta meus pequenos, dormido como anjinhos agarrados com seus ursinho de pelúcia, os abajures coloridos ao lado de sua camas me permitia enxergar seus rostinhos serenos pelo fato de estarem entregues ao sono misturado com o canssasso das brincadeiras de hoje.
Fechei a porta e então encarei a grande porta branca que estava na minha frente, Killian estava lá dentro me esperando.
"Por favor de tudo certo", pedi a Deus em meus pensamentos. Sentia meu coração acelerar a cada minuto, foram apenas três passos para que eu ficasse no limite onde a porta separava meu quarto com o corredor.
Finalmente entrei no quarto, Killian estava sentado na ponta da nossa cama com os braços apoiados em suas pernas, seus olhos deixaram de encarar a pequena mochila preta que estava ao seu lado e viraram a atenção a mim parada perto da porta. O olhei em seus olhos azuis e depois a mochila preta. "Por favor não ", gritei em meus pensamentos. Killian se levantou e então respirou fundo.
– Eu poderia pegar minhas coisas e ir embora agora — começou a falar de maneira devagar — Sem.. ouvir explicações — fez uma longa pausa enquanto eu continuava calada segurando as lagrimas que teimavam para sair -Mas não seria justo. Nem com você é nem comigo, afinal você merece se explicar, e eu mereço ouvir.
– Merecemos isso — falei quase que em um sussurro por causa da dificuldade.
– Pode começar — avisou se sentando na cama voltando para a posição em que estava para poder me ouvir.
– Naquele dia — comecei a falar — que você me encontrou na rua e eu disse que fui conversaf com Belle por causa do Gold, ela me contou que acha que viu ele por lá. Pelo Brasil.
– É você não resistiu ir atrás dele — disse com reprovação — mesmo que tenha sido nada concreto.
– Eu precisava para-lo — falei um pouco mais alterada porém baixo. Não podia acordar as crianças.
– Parar o que? — se levantou e falou no mesmo tom que o meu mas de forma Bastante impaciente — Ele nunca veio mecher com a gente. Já faz cinco anos...
– Que ele morreu, tudo bem, você acredita no que você quiser — o interrompi também impaciente.
– Eu acredito que ele está vivo Swan — disse mais alterado.
Não pude deixar de arregalar os olhos mostrando surpresa no que Killian havia acabado de dizer.
– Eu acredito — repetiu se forma mais calma e baixa.
– acredita? — perguntei extremamente confusa — Então porque dizia que..
– Eu precisava fazer você parar com essa besteira, você ficava andando igual louca atrás de pistas, chegando cada vez mais tarde do trabalho, mal dava atenção para seus filhos, as vezes você nem dormia direito, suas olheiras me deixavam preocupado. Achei que com o tempo você fosse melhorar, mas acabou piorando percebi que você ficou pior quando vi você se estressar por causa de taças quebradas, parecia sua mãe — Ele se sentou na cama de novo e soltou um longo suspiro — Acho que você me deve desculpas.
Respirei fundo e disse:
– Não! — respondi de maneira mais firme possível.
– Não? — me olhou de forma mais confusa ainda — Como não Emma?
Pronto, me chamou de Emma. A conversa chegou ao um ponto difícil. Queria ter acostumado a chamar ele de apenas pelo seu segundo nome sempre que estávamos bem, e cada vez que brigassemos e a situação ficasse seria eu chamaria pelo seu primeiro nome, assim ele poderia sentir a diferença é sentir o seu peito apertar com a dor causada por cada vez que eu o chamasse de Jones.
– Eu não menti porque quis, eu estava tentando proteger vocês, tudo que eu fiz foi tentar proteger vocês. Não tenho que me desculpar por ir atrás de Gold — Esclareci querendo mostrar porque eu tinha razão.
– Eu não acredito que eu estou ouvindo isso. Acha mesmo que eu estou com raiva por você ter ido atrás de Gold? — perguntou ainda mais irritado.
Apenas continuei calada, meu silêncio foi a sua resposta.
Então ta — Ele disse se levantando, mas dessa vez colocando a mochila pesada nas costas — eu preciso ir.
Ele saiu do quarto sem falar mais nada e eu corri atrás dele depois dos segundos que eu fiquei parada tentando entender o que havia acontecido. Desci as escadas e encontrei ele quase chegando na porta.
Ele estava decidido a ir embora.
– Então é isso? — Não me preocupei em falar baixo dessa vez — Vai fazer que nem meu pai fez com minha mãe, ir embora sem ao menos pensar melhor?
– Não tenho culpa se dessa vez você também agiu que nem a sua mãe, me escondeu as coisas.
– Diferente da minha mãe eu nunca fiz as coisas por dinheiro, ou pra me beneficiar, eu fiz pra proteger vocês.
Foi então que percebi que estávamos gritando.
– Sabe, você é sua mãe tem uma coisa em comum — dessa vez ele falava em um tom normal — vocês duas ficam cegas quando estão obcecadas por algo.
Eu já não estava segurando as lágrimas, e com esse comentário me comparando com a minha mãe na época em que nos conhecemos, foi aí que eu não me preocupei em segurar mesmo.
Ele já estava com com mão na maçaneta da porta quando eu falei:
– Você disse pra mim que nunca iria me deixar! — falei com a voz falha por causa do choro.
Killian se virou pra me encarar de novo ainda grudado a porta.
– Eu tenho que lembrar de não fazer promessas impulsivas — disse por fim.
– Mãe, pai?
Me virei ao ouvir a voz de Leiah. Nós chamando. Devem ter acordado devido ao barulho que fizemos. Não demorou muito pra que Henry aparecesse também.
– Estão aí a quanto tempo? — perguntei preocupada.
– Uns dois minutos — Henry respondeu com a voz serena, mas a inquietação seu corpo demonstrava preocupação -Vocês estão se separando.
– Não!
– Sim!
Olhei pra Killian mais espantada ainda, pensei que ele fosse fazer igual meu pai, sair pra esfriar a cabeça, sei lá, qualquer coisa, mas se separar. Era demais pra minha cabeça.
– Papai o senhor não pode ir embora! — Leiah começou a chorar e correu na direção do pai, Liam também fez a mesma coisa, eles se agarram na perna de Killian como se fosse impedir que ele saísse de onde estava.
– Papai não vai se separar da mamãe ainda — Ele disse se abaixando e pra ficar da altura dos filhos, mas mesmo assim ele continuava alto perto deles — apenas vai passar uns dias fora — explicou como na tentativa de amenizar a besteira de dizer que ia se separar de forma tão grossa.
– Qualquer coisa vocês podem pedir pra mamãe que me ligar que eu venho aqui com vocês.
Ele deu um beijo na testa dos dois e então se levantou.
– Henry, se você precisar de algo, qualquer coisa, pode me ligar. Sabe meu número né? — avisou
– Sei sim Killian — Meu filho respondeu de forma triste.
– Tchau Emma — me olhou pela última vez antes de sair.
..........
– Eles já dormiram — Regina disse entrando no quarto.
Eu estava muito ruim, não conseguia acalmar meus filhos que estavam tão desesperados por causa da saída do pai. Liguei pra Regina que veio correndo assim que contei o que aconteceu.
– Toma — ela me entregou uma caneca de chá que fez para eu poder me acalmar um pouco.
Bebi um pouco do chá morno mas fiz uma careta ao sentir o líquido descendo pela minha garganta.
– Quer conversar um pouco? — ela perguntou de forma acolhedora tentando ao máximo me deixar mais calma.
– Eu quero.. mas não quero ao mesmo tempo — respondi cansada — Obrigada por ter vindo. Pensei que fosse ficar com seu irmão.
– Ah, eu vou falar com ele amanhã, conhecendo ele como conheço, eu sei que ele está afim de ficar um pouco sozinho — ela falou se sentando no outro lado da cama — além do mais, Killian também deve esta morrendo de raiva de mim por saber que eu fui sua cúmplice.
– Desculpa Gina — pedi me sentindo bastante culpada — Eu não devia ter te colocado nessa.
– Ei — ela tocou em meu braço — Eu tinha a opção de contar, mas não contei. Não pode se culpar.
– Mas..
– Sem mas Emma — ela se deitou do meu lado — Tenta dormir um pouco, falei pra Robin que eu ia ficar com minha amiga hoje.
– Tudo bem.
Me deitei em uma posição mais confortável, mas antes de finalmente fechar os olhos e dormir, pedi que isso não passasse de um simples pesadelo igual ao que tive na noite anterior, mas ao acordar de manhã eu vi que não era. Regina estava dormindo do meu lado com um livro em cima dela, provavelmente tentou ficar acordada para me vigiar.
Tomei um banho pra tentar relaxar o corpo e coloquei minha roupa de frio, a tempestade de neve parece estar vindo com mais frequência esse mês.
A campainha tocou e meu coração não se conteve, meus batimentos estavam mais acelerados. Então eu desci as escadas correndo e fui em direção a porta.
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