Head Down
3 Brownie
Notas iniciais
James P.O.V.
Atravessamos uma praça até chegarmos a uma rua interna do Campus. Andamos quinze minutos, até encontramos um espaço cercado por um muro baixo e um portão com as palavras “Repúblicas PSU”. De fora já avistamos uma casa de dois andares com tijolos a mostra, música alta e várias pessoas por perto.
– Ali. – disse Thomas apontando para a casa.
Andamos até a casa. Thomas entrou primeiro, indo atrás de bebida. Virei para Clark.
– Você vai tirar alguma foto aqui ou...? – perguntei.
– Acho que vou aproveitar a festa mesmo. – respondeu dando uma risadinha. Entramos no lugar.
Pessoas dançavam, a maioria sóbrias, por ser só o começo da festa. Roger, um menino que havia conhecido algumas horas antes no saguão, veio até mim.
– Eeeei cara! Bom te ver aqui. – Ele disse com sua voz calma, passando o braço por meus ombros. Roger era um magrelo com tatuagens budistas – ou algo assim – pelo corpo. Estava no terceiro ano de filosofia – Quer um brownie?
– Agora não, mas obrigado. – agradeci rindo – Sabe onde é a cozinha?
– Aquela porta – respondeu apontando para uma porta do outro lado da sala.
Andei até lá e encontrei uma garrafa de vodka. Depois disso, eu comecei a beber, e beber muito, então não me lembro muito bem do resto da noite, mas lembro de encontrar Natalie, e lembro de comer um brownie, e lembro vagamente de estar sentado com Clark, conversando, quando ele tentou me beijar. Não lembro o que aconteceu depois, mas não iria perguntar agora, pois estávamos de ressaca, e ele provavelmente não queria falar sobre isso, pois me ignorou quando acenei para ele no refeitório na hora do almoço.
Thomas, que estava sentado ao meu lado, começou a falar.
– Cara, você beija tão mal que ele não quer nem falar com você? – eu abri a boca para falar, mas ele me interrompeu – Eu vi vocês se beijando na festa. Pensei que você tivesse namorada, e que fosse hétero.
– Eu tenho namora e sou hétero. – respondi na defensiva – O que aconteceu depois?
– Olha cara, eu não sei. Eu estava meio bêbado, sabe? – respondeu, esfregando os olhos por baixo dos óculos escuros e virou a cabeça para mim – Você gostou de beijar ele?
– Que? Cara, eu sou hetero.
– Se você diz... – rolei os olhos.
– De qualquer modo, eu não lembro como foi.
Fiquei o resto do almoço ouvindo Thomas falar sobre as dezessete meninas que ele pegou na festa, e sobre como uma delas, uma tal de Andy, era realmente bonita e beijava bem, e ele havia pego o número dela.
Passei a tarde andando pelo campus com Roger e seu amigo, Luke. Luke tinha 21 anos, era baixinho e tinha olheiras horríveis. Ele também estava na classe de filosofia.
– ... então, assim como a visão de Tales, os filósofos procuravam desafiar as explicações estabelecidas em mitos, e formulavam novas explicações racionais. – Luke terminou de explicar me olhando com curiosidade. – Entendeu?
– Sim, mas cara, eu já sabia isso. – Disse enquanto andava em direção ao prédio principal.
– É o assunto favorito dele – Roger se pronunciou. – Ele ia falar você sabendo ou não.
Chegamos ao prédio principal e pegamos nossos horários. Me despedi dos garotos e voltei para o meu dormitório. Peguei meu celular na escrivaninha, me joguei na cama da esquerda e disquei o número de Katherine. Foram precisos seis toques para que ela atendesse.
– JAMES! Oi... – Ela atendeu com a voz ofegante. – Por que ligou agora? Estou meio ocupada...
– Só queria conversar com a minha namorada... – Respondi, ouvindo ela sussurrar algo. – Quem está ai?
– Ah... minha... mãe. Olhe, posso ligar mais tarde? Estou realmente ocupada. Beijos. – Então ela desligou na minha cara.
Comecei a pensar no que ela estaria fazendo, e a resposta era óbvia: ela estava me traindo, e não fazia nem três dias desde que a vira. Passei a mão pelo cabelo e olhei para Thomas, que acabara de entrar no quarto.
– Cara você viu minha carteira ai em algum lugar? – Perguntou enquanto procurava em sua cama. Ele se virou para mim. – Me ajud... Ei, que cara é essa?
– Acho que Kath está me traindo.
– Ah. – Ele assentiu com a cabeça, olhando para baixo. – Pera, que? Vocês vão terminar? Posso pegar ela?
– Vai. Se. Foder. – Disse pausadamente.
– Ei, ei. Não to falando sério. – Ele disse rindo. Sentou-se ao meu lado e passou o braço pelos meus ombros. – Mas cara, já era de se esperar. Relacionamentos a distância não existem.
– Mas...
– Mas nada. – Ele me cortou. – Nós vamos sair para beber, e você vai pegar uma garota muito gostosa. E eu também vou, óbvio.
– Isso não é uma boa ideia, sabe? As aulas começam amanhã, e temos que acordar cedo e...
– Blá blá blá, é por isso que você é corno. Você precisa se divertir. – Ele disse se levantando e tirando um maço de cigarro do bolso. – Começando agora.
– Eu não fumo...
– Agora fuma. – Thomas me entregou um cigarro e um isqueiro.
– Você sabe que não devemos fumar aqui dentro, né? – Ele me encarou, então peguei o cigarro e o isqueiro de sua mão, dando de ombros.
Acendi e dei uma tragada curta. Tossi tanto que acredito que meus pulmões poderiam sair pela minha boca.
– Eeeei, calma aí, cara. – Ele riu. – Tenta de novo.
Tentei mais uma vez, dessa vez sem tossir. Uma sensação boa invadiu meu corpo. Soltei a fumaça e sorri para o ruivo que me encarava com um sorriso no rosto.
* * *
Fumei mais dois cigarros, enquanto Thomas já havia fumado 5. Passei o perfume que Natalie havia me dado e desci até o saguão, e vi Clark sentado no sofá. Ele estava com uma aparência horrível. Não percebi quando o vi no almoço, mas agora conseguia notar um corte em sua boca e acima da sobrancelha, um olho roxo e um hematoma em sua mandíbula. Ele me viu, e logo desviou o olhar.
– Ei, cara. – Chamei sentando ao lado dele no sofá. – O que houve?
– Acho que está óbvio que me bateram. – Ele disse com um pouco de raiva em sua voz rouca.
– É, mas por que?
– Olha, eu não posso falar com você, ok? – Clark se levantou e foi embora.
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