Ficou um clima tenso na aula de artes depois de eu ter sido pega devorando Ash com os olhos... E com a mente também...

Por isso, quando a professora liberou a turma, eu fui a primeira a sair. Sem sequer me despedir de Ethan, eu saí correndo com a minha mochila para o vestiário do ginásio, me trocar para a aula de dança que era em 30 minutos. Fiz um rabo de cavalo de qualquer jeito e fui para onde o pessoal estava.
– Ai deliciaaa — falei sorrindo maliciosa para Lea que estava de top e calça, com o casaco amarrado na cintura
– E você está toda escondida hoje porquê? — ela perguntou com uma sobrancelha arqueada olhando para o meu casaco fechado até o pescoço
– Teremos um novo companheiro de classe — falei revirando os olhos — não quero ninguém de olho no meu corpinho
– Tarde de mais safada — disse Evan, meu gay preferido no mundo todo — Eu já estou de olho em você há meses — ele sorriu malicioso e veio em minha direção

Ele chegou bem perto de mim e foi descendo o zíper do casaco bem lentamente enquanto nós dois rebolávamos sensualmente e fazendo caras de safado. Quem vê até pensa que Evan é hétero, já que ele não é uma biba boiola, e essa cara de safado dele convence qualquer uma.
– Cheguei na melhor parte!!! — gritou Andrew me fazendo rir e me afastar de Evan terminando de abrir o casaco e rodando no ar jogando para Andrew

E foi aí que eu notei que ele estava acompanhado dos outros caras.
– O que vocês estão fazendo aqui? — perguntei para eles
– Nós viemos ver vocês as gatas dançando... — respondeu Derek
– E isso não inclui você — falou meu irmão fazendo careta
– Ah é? — arqueei uma sobrancelha... Eu domino essa arte — Pois sou eu quem vai dançar agora — falei e mandei Evan colocar nossa música

Tirei minha calça, ficando só com o shortinho de lycra que eu estava usando por baixo. Todas as meninas usam, poisem alguns movimentos é mais confortável dançar com ele.
– Ela tá ficando pelada, a coisa tá séria — brincou Lea e eu dei um tapa em sua bunda ao passar por ela

Quando Buyou da Keri Hilson começou a soar nos auto falantes do som, o pessoal que já tinha nos visto dançá-la vibraram. Quando Evan voltou para o meu lado ele me deu um leve empurrão no ombro e susurrou " Senti falta dos nossos shows, piranha" me fazendo rir.

Eu adorava dançar com Evan, ele sempre me ajudava com novas coreografias e nós arrasávamos nas aulas com elas. Essa música era a nossa preferida até hoje, e quando a parte em que nós rebolamos até o chão, toudos soltaram gritaram elogios. O que eu amava.

Quando se trata de dançar, eu sinto a necessidade de ser o centro das atenções, ser aquela que se sobressai dentre os outros dançarinos. O mesmo quanto eu toco algum instrumento. Mas quando canto, sinto que estou sendo despida na frente de todos, pois canto com o meu coração e ser elogiada por isso me deixa mais que envergonhada.

Mas agora é hora de dar um show. E foi o que eu e Evan fizemos, recebendo palmas por nossa breve performance.
– Totosaaaa — chamou Lea já sem a sua calça — Que tal agora dar um presentinho para os garotos? — disse ela sorrindo maliciosa
– Pena que a Clea não está aqui para essa — falei dando de ombros

Bring it back do Travis Porter é uma música que nós três dançamos o tempo todo. Até fizemos uma coreografia louca de twerk, só por diversão, mas já dançamos isso numa festa, bem louconas e de vestido... Não é uma combinação muito boa
– A gente faz sem ela mesmo — ela falou e pediu para alguém colocar essa

Duas garotas gostosas (sem querer me gabar), twerking, de shortinho de lycra e top... Os meninos que estavam nos assistindo foram a loucura, principalmente o meu irmão, mas foi uma loucura diferente. Quando acabamos, os meninos aplaudiam e assobiavam alto. Eu e Lea nos curvamos em agradecimento e pelo canto do olho eu o vi ali parado nos observando com a cabeça jogada para o lado e um sorriso de canto. Ash.

Me levantei rapidamente e peguei minha calça, vestindo-a o mais rápido possível para que ele não tivesse mais nenhum minuto de diversão observando o meu lindo bumbum redondo. PFF... Sou apaixonada pela área traseira do meu corpo.

Voltei a dançar com o pessoal. E algumas garotas resolveram dançar uma coreografia que a professora nos ensinou no semestre passado da Tinashe — 2 on e mais outras do Matt Steffanina... Enquanto eles continuavam dançando, eu parei para beber água. Meu olhar que viajava pelo lugar, se prendeu em Ash, que se balançava distraidamente junto com a coreografia. Ri de leve e dei a volta para chegar por trás dele.
– Não quer se misturar? — perguntei assutando-o e ri com isso
– É melhor deixar os experientes dançarem... — falou modesto dando de ombros e parando de se mover com a música
– Você conhece o Matt — afirmei
– Talvez — ele disse sorrindo de canto
– Vem garoto novo. Quero ver o que você sabe fazer — disse e o puxei pela mão para o meio do ginásio — HEY — gritei para a galera reunida — Quem aí quer ver o novato se mexendo? — perguntei mais alto que a música e todos vibraram em concordância — Vai deixá-los na mão? — perguntei pra ele com um sorriso presunçoso no rosto
– Eu danço, mas você me acompanha — ele disse me desafiando — Todo Matt precisa de sua Dana
– Serei sua Dana — sorri — mas só por hoje — completei — Qual você quer primeiro? — perguntei

Nós dançamos Wiggle, Turn Down For What, Feelin' Myself e 23. E posso dizer que fiquei mais impressionada ainda com esse cara... Como se não bastasse Deus ter lhe dado essa beleza incomum, ele também desenha bem (pelo que Ethan me falou), provavelmente toca algum instrumento já que se inscreveu na aula de música e esse viado dança que é uma beleza.

Neste momento eu estou com vontade de esquecer a raiva que eu tenho dele e lhe dar um beijo na boca, pouco me importando se alguém ia ver. Engraçado, já que eu só tenho raiva dele por ele ser tão maravilhoso e beijável, mas trata todo mundo bem, menos eu.
– Nada mal — falei a contragosto enquanto todos os outros alunos o parabenizavam
– Vou fingir que você também não gostou — ele disse sorrindo

Não um meio sorriso, não um sorriso debochado, não um sorriso malvado, não um sorriso sem graça. Um sorriso de verdade. Puta que pariu! Alguém me mata agora... Eu não quero mais viver depois de ter visto a mais pura perfeição em forma humana. Não obrigada.
– Tchau — foi tudo que eu consegui falar antes de sair andando para a arquibancada onde os meninos estavam sentados
– Qual o seu problema? — ele me perguntou puxando meu braço antes que eu conseguisse chegar no meu destino
– Qual o seu? Vai me arrastar pra sua caverna agora? — perguntei irritada soltando meu braço de seu aperto
– Se for preciso, vou — ele falou tão irritado quanto eu — Vem — ele falou e começou a me puxar para fora do ginásio
– Não vou — falei tentando me soltar — Me larga ou eu grito — ameacei já que ele era mais forte que eu
– Pode gritar, mas você vai me ouvir antes — ele disse sem parar de me arrastar

A minha curiosidade foi maior que a raiva. Eu queria ouvir o que esse maluco, bipolar queria me falar. Então quando vi Tyler se levantando da arquibancada com um olhar preocupado eu levantei a mão sinalizando que não precisaria da ajuda dele e parei de lutar contra as grandes passadas de Ash, o acompanhando no mesmo ritmo.

Ele só parou de andar quando chegamos na frente dos vestiários, e mesmo assim não soltou meu braço, com medo de eu fugir antes de ouví-lo.
– Você está tentando me marcar? — perguntei olhando para a mão que agarrava meu braço
– Você é muito irritante — ele disse entredentes e soltou meu braço
– Você é muito mais — rebati esfregando a área vermelha em meu antebraço esquerdo
– Você me conheceu ontem — ele começou — O que, em nome de Deus, eu te fiz pra você ficar me olhando com raivinha o tempo todo? — perguntou como se estivesse ofendido e eu abri a boca incrédula
– Você tá de sacanagem né? — perguntei com raiva — Você que age como um idiota, e é só comigo, porque com as outras pessoas você é no mínimo simpático... Até com a Natasha — pronunciei o nome dela com nojo na voz
– Bateu a cabeça, só pode — falou com o tom e o sorriso debochado que eu aprendi a detestar em 48 horas — Sempre que eu olho pra você, você me encara como se quisesse me matar — falou e eu bufei — tipo agora — apontou para os meu olhos
– Porque eu realmente quero. — gritei — Eu fui simpática com você quando veio me pedir informação, você cagou e andou pra mim. Depois quando fui com meu irmão, te chamar para se sentar na nossa mesa, você simplesmente fingiu que eu nao estava ali e só respondeu Tyler... Nem olhar na minha cara olhou. — cutuquei seu peito com força — E é assim desde então... Você sorri pra todo mundo, mas quando olha pra mim, você fecha a cara ou só fica de deboche. Eu odeio deboche. ODEIO.
– É isso que você acha? — ele perguntou suavizando a expressão — você não entendeu nada — ele riu — Eu não caguei pra você naquela hora no corredor... Você ficou me encarando um tempão com uma cara estranha, depois sorriu pra mim, toda simpática. Pensei que você fosse meio maluca, por isso só agradeci e fui embora. Depois quando você foi me chamar com Tyler, eu achei que vocês fossem namorados, e não queria arrumar confusão com ninguém no meu primeiro dia de aula, ainda mais porque estava babando pela namorada dele. — ele disse sorrindo e eu devo ter ficado com cara de retardada — Depois disso, eu não estava debochando... eu achava engraçado as coisas que você falava ou fazia, mas como você me olhava de cara feia, eu tentava segurar o riso. Não é deboche — ele falou sorrindo de um jeito que eu achava que era deboche, mas pelo visto não é.
– Preciso assimilar isso tudo por um momento — falei confusa

Então ele não tem nada contra mim? Não estava debochando, não foi grosso de propósito... Eu me sinto meio idiota agora.
– Então nós estamos numa boa? — perguntei insegura
– Pelo que parece sim... — ele deu de ombros e sorriu — amigos? — estendeu a mão
– Vou pensar no seu caso... — falei cruzando os braços — Ainda estou ressentida por não ter me deixado bater naquele cara ontem
– Da próxima eu bato nele pra você então — ele disse e me puxou pela cintura para me abraçar
– Ok, talvez eu seja sua amiga — falei desconcertada com o abraço

OOOOH homem gostoooooso. Mesmo por baixo da camisa eu consigo sentir o abdomem sarado dele encostando no meu.
– Agora vamos voltar antes que seus amigos venham me assassinar — ele falou se afastando e sorrindo
– Jurava que ia ganhar um beijo — murmurei revirando os olhos
– O que? — ele perguntou e eu arregalei os olhos
– Nada. Só falei que estava com sede — menti

Ele olhou para a minha cara como se não acreditasse na desculpa idiota que eu dei. Mas agradeço por ele não ter feito mais perguntas.