He got a soul as sweet as blood red jam
2 Blackberry
Notas iniciais
Ele segurava meu queixo a medida que se aproximava; seu hálito cheirava maçã verde com canela. Sua pele estava um tanto quanto gelada.
— O que pretende fazer? — questionei.
Meu corpo estava petrificado desde quando ele colocou o dedo em mim. Meus olhos estavam vidrados nos dele.
— Você — começou ele, de forma suave. — tem medo?
— Medo? Medo de quê? — minha voz quase não saiu.
Deu-me um longo beijo.
— Você tem cheiro de amora — disse-me, rindo.
— Isso é bom, certo? — todo meu rosto coloriu-se de vermelho.
— Sim — confirmou.
Coincidentemente encontrei Naruto-kun na floresta ao fundo da parede com os rostos dos hokages. Eu estava colhendo amoras silvestres para fazer uma torta para o chá com as minhas amigas. Naruto-kun, pelo o que percebi, estava treinando. Estava sem camisa e com o corpo coberto por suor.
— Boa tarde, Naruto-kun! — sorri para ele, tentando parecer amigável.
— Olá, Hinata-chan! — cumprimentou, oferecendo-me água.
Disse-lhe que estava bem e sem sede.
— O que faz por aqui? — continuou.
— Vim colher algumas amoras.
Era a primeira vez que tínhamos uma conversa tão longa. Das outras vezes, eu ficava muito nervosa e só perguntava como ele estava antes de sair correndo.
Vasculhei o mais depressa que pude minha mente em busca de algo interessante para conversarmos.
— Quer um pouco de amora? — indaguei, lhe mostrando a cesta quase cheia.
— Acredita que nunca comi amora? — riu de si mesmo.
Fiz uma cara de espanto.
Coloquei a cesta no chão, escolhi as melhores frutinhas que havia colhido. Caminhei até onde ele estava. Pedi para que juntasse as mãos para receber as frutas.
Minhas mãos tremiam só por chegar perto dele.
Agachei-me próximo a ele.
— Amoras são doces, então não tenha medo de morder. Pelo o que sei, elas são parentes distante das uvas.
— Peguei a garrafa que ele carregava. Derramei um pouco d’água sobre as bolinhas vermelhas para retirar um pouco da sujeira.
— Essa espécie de amora é a mais doce, por isso eu gosto dela para fazer minha torta. — completei.
Naruto-kun pegou uma delas, levantou-a; ergueu de modo que ficasse contra a luz do sol.
— Achou algo interessante? — questionei. Peguei uma e fiz o mesmo. Entretanto não achei nada.
— Nada em especial. — ele sorriu tão intensamente que me deixou envergonhada.
— Poderia contar-me mais sobre essas frutinhas fascinantes? — pediu-me.
— Eu não sei muita coisa sobre elas.
Recolhi a cesta. Separei mais algumas e lhe entreguei.
— Sei apenas o suficiente para escolhê-las como obra-prima.
Ele chacoalhava as frutas em suas mãos. Eu percebi que ele estava com um pouco de receio de experimentar.
— Não irá experimentar? — perguntei, encorajei-o mostrando um sorriso.
— Por que eu devo? — indagou.
— Se você comer ao menos uma te convido para minha casa. Poderá tomar chá e comer torta de amora.
Escolhi uma e ergui até a altura da sua boca, para que ele pegasse. Num movimento rápido, agarrou a fruta dos meus dedos com a boca.
Deixei a cesta com as frutas cair e metade do meu trabalhou espalhou-se pelo chão. Minhas bochechas estavam vermelhas.
— Desculpa, Hinata-chan. Não era minha intenção fazer você perder sua colheita.
Ele, sendo gentil como sempre imaginei que fosse, despegou as frutas que eu havia lhe dado na cesta.
— Irei te ajudar a colher mais. — mostrou-me um lindo sorriso.
Seu cabelo estava aceso como uma tocha de fogo amarelo, graças a luz do sol que recaiu sobre sua cabeça.
— Não precisa, sério, eu consigo sozinha! —agradeci a ajuda.
— Eu faço questão, Hinata-chan.
Ele acompanhou-me até a mais densa parte da floresta onde tinha as melhores amoras. Depois de uma longa caminhada, colhemos o suficiente para duas tortas. Andamos mais um pouco até um pequeno riacho onde lavei as frutas e nos refrescamos.
Voltamos pelo mesmo caminho, rumo à vila.
— A propósito, eu gostei das amoras.
— Elas não mordiam, como eu disse.
Rimos um pouco.
— Como prometido — comecei. — esteja na minha casa amanhã às 17 horas para experimentar a torta.
— Pode deixar. Estarei lá! — garantiu-me.
Ele parou bruscamente.
— Você fica ainda mais bonita com a luz do sol sobre você.
— Eu gosto de você, Nar... — comecei
Mordi meus lábios, incrédula. Como eu fui capaz de deixar aquelas palavras escaparem? Eu estava ficando louca?!
Olhei para o chão, a visão estava um pouco embaçada por causa das lágrimas que nasciam.
Ele aproximou-se me mim e tirou um pedaço de folha seca que estava presa em meu cabelo.
— Sinto muito! — disse-lhe.
— Não sinta. — pediu ele.
Caminhamos em silêncio até o centro da vila.
— Amanhã estarei lá.
— Estará mesmo?
— E por que não?
Separamos-nos. Chorei o caminho todo até em casa. Guardei as frutas na geladeira, fui para meu quarto onde chorei ainda mais deitada na cama.
Acordei na manhã seguinte com os olhos inchados. Pelo visto eu tinha chorado enquanto dormia. Dirigi-me até à cozinha onde tive pressa em aprontar o lanche para as meninas e o Naruto-kun.
Esperei por ele até duas horas depois que minhas visitas saíram. Não recebi nenhuma mensagem ou recado informando que se atrasaria ou não viria. Eu tinha feito uma torta só para ele. Minhas lágrimas caiam dentro da xícara ainda com chá de maçã verde e canela. Eu tinha sido estúpida por achar que ele iria depois das besteiras que eu havia dito. Uzumaki Naruto nunca que teria olhos para uma garota como eu, fraca e sensível. Uma garota que ele teria que proteger o tempo todo.
Meu rosto estava inchado quando vesti um casaco aleatório e decidi ir à casa dele. As ruas estavam bem iluminadas e muitas pessoas estavam fora de casa. Carregava comigo o bolo que tinha feito para ele. Precisei mudar de caminho quando avistei Sakura-chan ao longe. Eu não queria responder nenhum questionamento sobre o motivo de eu estar chorando. Toquei algumas vezes a campainha, achando que ele estava lá dentro e só não queria me atender. Sentei no chão e esperei algum tempo. Fiquei gritando o mais alto que pude, “Naruto-kun, sou eu Hinata-chan!. Perdi as esperanças alguns minutos depois. Coloquei o embrulho sobre o carpete de boas vindas, colei um pedaço de papel escrito “Sinto muito!”e fui embora.
Ele abaixou e recolheu meu seco. Ficamos nos encarando durante algum tempo.
— Gostaria de ir ver as estrelas? — fez-me o convite.
— Adoraria! — eu disse.
Ele puxou-me pela mão, guiando-me mais uma vez através da multidão. Foi engraçado, eu passar por toda uma situação dramática meses antes para naquele momento eu estar vivenciando a coisa mais bela que poderia me acontecer.
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