He fell in love with her best friend
10 Capítulo 10
Notas iniciais
Assim que o dia amanheceu, dei um beijo na testa da minha esquentadinha, não dormi quase nada a noite, não foi fácil parar mas eu precisava, não era justo com ela e nem comigo, nos entregar daquela forma sem ter a certeza de que pertencíamos um ao outro e que nada mudaria isso. Esse lance de escondido é mais gostoso tem um fundo de razão mas tudo o que eu queria realmente era falar para todo mundo o que a gente sente. Queria poder passear de mãos dadas, poder beijar quando da vontade, essas coisas que “casal” faz, a dúvida é, será que nós somos ou seremos um. Sai todo errado, voltando para minha barraca, tomando cuidado pra que ninguém me visse, e para piorar estava sem camisa, pois dei para a Ka vestir
– Isso são horas? – ouvi alguém dizer e pigarrear
– Você? Achei que estivesse com a Pri – tentei disfarça o susto
– E estava, mais parece que você não sentiu minha falta né – ele ironizou
– Magina Jonny. Fui dar uma volta, estava sem sono – me encontrava absolutamente desconfiado
– Ah tá, e acabou entrando sem querer na barraca da Karina
– Fui levar um remédio de dor para ela
– E sua camisa cadê, deixo lá também
– Para Jonny, não viaja
– Pô cara, para de fingir. Eu sou amigo dos dois e conheço muito bem vocês, está rolando alguma coisa – ele disse com tanta certeza que acabei abrindo o jogo
– É eu tava lá sim, mais deixa esse assunto quieto. Não quero todo mundo comentando e dando palpite
– Vocês estão juntos? Quando tempo faz? – ele me olhava curioso
– Não estamos juntos, só fui ficar com ela já que a Bianca estava com o Duca. Ela é minha melhor amiga Jonny –
– Melhor amiga, sei – ele não se deu por satisfeito
– Parceiro não dormi quase nada essa noite, me dá um desconto – entrei na barraca e ele me seguiu
– E o que você e sua “amiga” estavam fazendo que não dormiu?
– Nada de mais, ela até dormiu mas eu não consegui
– Ela dormiu e você continuou lá, sério tá na cara que você gosta dela, e não me vem com esse papo de amizade
– Quem é você, meu amigo viciadinho não é assim tão maduro – dei uma gargalhada
– Ih, ai tem! Bom, qualquer coisa eu tô aqui brother – ele apertou meu ombro e sorri em agradecimento
– Valeu irmão, vou dormir um pouco – ele pegou umas coisas e sai, me deixando mergulhado nas minhas incertezas
***
Acordei algumas horas depois e encontrei um recado do Jonny no meu celular
“E ai parceiro, não sei bem o que anda te atormentando mas conta comigo, fomos fazer uma trilha e voltamos em algumas horas. Coloca tua cabeça no lugar e faz o que acha certo”
Depois de colocar ordem na minha cabeça, fui atrás da Karina, precisava colocar as coisas em pratos limpos. Procurei o acampamento inteiro, até a encontrar sozinha, sentada próxima de uma pedra enorme de onde dava para ver um pôr do sol lindo. Me aproximei sem que ela percebesse
– Oi minha linda, em que está pensando? – ela se virou pra mim assustada
– Oi Pê, que susto – ela sorriu sem graça
– Desculpa, não quis te assustar. Em que estava pensando?
– Na vida, sei lá – ela estava com um carinha preocupada
– É sobre ontem esquentadinha? Acho que a gente precisa conversar
– É que eu não entendi, achei que estivesse gostando e de repente você para
– E eu estava, você não imagina como foi difícil parar ali, mas não podia continuar
– Pê, por que não podia?
– Não era justo com você e nem comigo esquentadinha. Isso de amizade colorida até me ajudou, pois eu não conseguiria ficar sem seus beijos e seus carinhos, mas minha cabeça tá uma bagunça e essa nem se compara com a que está no meu coração
– Você acha que nós estamos indo longe demais, acha que isso pode comprometer nossa amizade?
– Ka, a verdade é que o que gente tem vai muito além de uma grande amizade. É maravilhoso te ter como melhor amiga, só que não é suficiente, não quando minha cabeça diz que é só atração física e meu coração rebate com a cena dos seus olhos, seu sorriso, nossos beijos sendo repetidas em minha mente
– Eu sei que a gente vem tentando administrar todo esse sentimento doido, negamos para todo mundo e pra gente mesmo o que sentimos, mas isso tá me deixando louca
– Esquentadinha, eu só não podia ire até o fim contigo sem ter certeza de que pertencemos um ao outro, sem saber se você me quer tanto quanto eu te quero e não falo de sexo, falo de ser o motivo pela qual a outra pessoa sorri
– Ah meu guitarrista, saiba que a confusão em sua cabeça não é a única, eu sinto sua falta quando você vai embora, mesmo que tenham se passado apenas segundos, eu sinto falta de acordar do seu lado e sentir seu cheiro me envolver, e eu tenho medo, medo das proporções que esse sentimento vem tomando
– É como se ele se alastrasse dentro de mim, as vezes sinto como se cada célula do meu corpo precisasse de você, como se eu fosse uma parte sua e vice-versa. Não quero te assustar, nem forçar nada, só queria poder dizer pro mundo inteiro que nós pertencemos um ao outro
– Eu tenho medo, medo de não dar certo e eu te perder. Tenho medo que independente do nome que a gente dê nossa relação mude e não sei se aguentaria não te ter por perto. Você sabe que eu não sou de falar mas única coisa que eu te peço é que fique. Fique quando eu menos merecer, eu preciso de você para continuar sorrindo
– Esquentadinha, eu também penso em todas essas coisas, mas estou cansado de fingir que não me importo quando você treina com aqueles fortões, cansado de fingir que vou na sua casa só para estudar, cansado de te apresentar como minha amiga quando a minha vontade é te apresentar como minha namorada – ela me olhava em choque, seus olhos brilharam ao ouvir a palavra namorada
– Você quer dizer que? – ela esperava uma resposta, que era óbvia demais
– Que, você tem que vir comigo – a puxei pelo braço de volta ao acampamento vazio
– Cadê todo mundo?
– Acho que estão fazendo trilha, ou sei lá. O Jonny disse que voltariam em algumas horas
– Por que me trouxe até aqui? – senti certa ansiedade em seus olhos
– Calma esquentadinha, eu preciso do meu violão – fui até a barraca e trouxe o violão comigo, ela me olhava imóvel
Não sei bem o que se passava em minha cabeça, e na dela não ousei imaginar. Antes que o medo fosse maior, a abracei tentando acalma-la e a puxei sentando em baixo de uma árvore um pouco afastada, não queria que chegasse alguém que nos atrapalhasse
– Pedro você está me deixando nervosa, fala ou canta logo – eu ri da sua angustia
– Esquentadinha e apressadinha, meu Deus – recebi um olhar bravo, ela ficando ainda mais linda toda bravinha
Comecei a tocar os acordes de introdução, ela me olhava com aqueles olhos azuis nos quais eu me perdia com facilidade. Meio sem jeito comecei a cantar
– Não liga pra minha voz – ela sorriu delicadamente assentindo
”Eu não sossego até que eu possa provar
Que esse seu jeito é só pra não se entregar
Se faz de fera só pra resistir
Da minha ideia em te fazer sorrir
Olhinho bem fechado
Sorriso assim de lado
Será que é muito cedo
Pra eu ser seu namorado?
Não sei se você sabe
Desde o primeiro dia
Agora eu te confesso
O quanto eu já sabia amar
E com você meu mundo faz sentido
E o seu lugar é bem aqui comigo
Eu já sabia que ia acontecer
Eu e você!”
Assim que terminei de cantar ela estava estática com os olhos marejados e não disse nenhuma palavra, eu fiquei meio apreensivo
– Você não gostou? – ela finalmente se permitiu deixar a lagrima escorrer e isso derreteu meu pobre coração de musico
– Pê-pedro é linda, eu não sei o que dizer, tô aqui chorando igual uma idiota – acariciei seu rosto enxugando as lagrimas que insistiam em cair
– Ôh minha linda, não hora. Gosto de te ver sorrindo e você não é idiota, é linda– nos abraçamos e ela
– Então, acho que você está me devendo uma resposta – olhei fixamente em seus olhos azuis
– Eu já disse maluco, não sei o dizer, a música é perfeita. Você que fez? Pra mim?
– Sim e sim. Mas na música havia uma pergunta, então minha esquentadinha mais linda, será que é muito cedo pra eu ser seu namorado?
– Você tá querendo me matar né? Claro que não é cedo, namorado – ela se lançou em meus braços e eu senti que mais do que nunca ela era minha e nada poderia mudar isso
– Será que eu vou sobreviver eu sogrão cruel? – ela soltou uma gargalhada e tomou meus lábios, num beijo terno porém feroz e profundo
– Talvez eu fique viúva de namorado e melhor amigo ao mesmo tempo – brincou
– Acho tão lindo você falando namorado, deixa eu aproveitar enquanto o mestre sogrão ainda não sabe. Vem cá esquentadinha – a puxei pela cintura depositando beijos em seu pescoço, até chagar na boca, ela brincava com o meu cabelo enquanto me beijava
– Namorada, quando a gente vai contar para todo mundo sobre o nosso namoro?
– Nós não precisamos, vamos apenas curtir enquanto o pai não volta – ela sorriu e eu beijei a abraçando forte
Voltei para o acampamento, agora feliz e sem nenhuma preocupação, ela era minha, minha namorada esquentadinha, e não existia coisa melhor. Recebemos alguns olhares maliciosos, quando chegamos todos já haviam voltado das trilhas. A abracei, sem dizer nada, ela me lançou um sorriso em resposta e fomos almoçar. Não sei o que pensaram mas eu realmente não me importava, eu não precisava aceitação de ninguém, só precisava estar ao lado dela e ser o motivo pelo qual aquele sorriso assim de lado aparecia
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