Notas iniciais
Espero que gostem e boa leitura (: xx

8h 45min, péssimo horário pra acordar em um sábado, mas foi o que aconteceu, eu não estava dormindo bem, tinha sonhado com eu voltando pro Brasil e Harry achando uma “nova” namorada me senti tão mal, no sonho, que acordei chorando. Ana parece que acabou acordando também, veio para minha cama me acalmar. Disse que Harry nunca ia me esquecer e que a distancia não iria conseguir destruir o nosso sentimento , me senti melhor mesmo que eu não acreditasse... Nesse instante meu celular vibra. Uma mensagem de Harry:


“Precisamos nos encontrar urgente! Na praça perto da sua casa ás 11h pode ser? xx”


Então respondi:


“Pode, mas aconteceu alguma coisa?”


E ele:


“Mais ou menos, mas queria te contar pessoalmente”.


Mostrei para Ana as mensagens, ela achou a mesma coisa que eu, não era estranho, é só, diferente do normal, diria anormal talvez... Ficamos tentando decifrar o que era, até que mais uma mensagem chega:


“Malu, por favor, evite contar pra qualquer pessoa do nosso encontro na praça, principalmente pra sua mãe... xx”.


Tá agora era estranho, mas as coisas já estavam tão estranhas e bobas ultimamente que eu até deixei passar.
Então eu e Ana fomos assistir TV, até que o apresentador nos informa as horas 10h45min... Eu tinha 15 minutos pra tirar o pijama que eu estava até agora e ir ao encontro de Harry na pracinha, acho que estava cedo, mas como eu ia precisar sair discretamente decidi começar logo; Pedi pra Ana que se alguém perguntasse por mim era pra responder que fui ao supermercado, caso perguntassem qual pedi que ela dissesse que eu não tinha falado, caso perguntassem o que eu fui comprar ela responderia pipoca, porque queríamos assistir um filme e a pipoca tinha acabado... Depois de treinarmos as respostas, coloquei uma roupa comum e fui ao encontro de Harry. Chegando na praça Harry já estava me esperando com uma cara de preocupação e ansiedade ao mesmo tempo , cumprimentei ele com um selinho, ele retribuiu , mas logo depois voltou a cara de preocupação e disse :


— Precisamos sair daqui ...


— Vamos a onde?


— Ainda não sei, mas eu não posso correr o risco de alguém nos ver aqui...


— Credo Harry parece que você vai me contar um segredo de estado.


— Haha – ele não consegue segurar o riso. — Não é pra tanto! Haha – ele ri mais ainda.


Mas rapidamente a sua feição volta a ficar seria, ele me puxa pela mão e me manda entrar no carro, não posso dizer que não fiquei assustada, porem obedeci.
Já estamos à uma hora andando de carro até que pergunto:


— A onde a gente vai?


— Eu não sei, aonde você quer ir?


— Em qualquer lugar que você possa me contar o que você vai me contar...


— Ok, vamos para o apartamento que eu e Louis morávamos...


— Mas ele não estava à venda?


— Sim, mas foi um amigo meu que comprou.
— Ah bom.


Chegando lá, um homem alto e aparentemente jovem abre a porta pra gente Harry pergunta se podemos usar o quarto por um momento, ele faz um gesto malicioso pra Harry e nos dois começamos a rir:


— Então... – digo logo que chegamos ao quarto.


— Pois é eu tenho uma coisa pra te contar que você pode não gostar muito... então quantos anos você tinha quando seu pai morreu ?


— 6, 7 anos, por quê?


— Quantos anos eu tinha quando meus pais se separaram?


— 6 ,7 anos, eu não estou entendendo aonde você quer chegar Harry...


— Você acha mesmo que sua mãe veio pra Londres e conhece assim todo mundo por um acaso?


— Sei lá, ela pode ter morado aqui antes , eu nunca perguntei sobre isso ...


— Você sabe quem atropelou o seu pai?


Meu coração gelou nesse momento, tá certo que eu não sabia, mas o rumo dessa conversa estava me deixando nervosa...


— Quem? – gritei


— O meu “pai” – Harry começa a chorar


— O que? Como assim? – eu falo surpresa


— Eu sou filho do seu pai Malu!


— Como assim você é meu irmão?


— Não, quem não é filha do seu pai é você! Inclusive nem filha da sua mãe você é!


Meu mundo cai e eu desabo no chão chorando, como assim eu era adotada? Tudo então que eu sabia até hoje era mentira?! Harry senta comigo no chão e beija minha testa, eu esquivo. A culpa não era dele, porém eu no momento eu estava confusa demais pra querer ter algum tipo de afeto com Harry.


— Harry você pode, por favor, explicar essa historia direito?


— Ok, foi bem assim, a sua mãe, a minha mãe e a mãe de Ana eram vizinhas. A minha mãe e o meu falso pai eram casados, só que a minha mãe traia ele com o seu falso pai... Ta entendendo?


— Acho que sim – disse eu soluçando por causa do choro.


— E nessa traição, minha mãe acabou ficando grávida de mim.


— E a minha mãe? Já namorava o meu suposto pai? Ou era casada?


— Na verdade não, eles eram amigos, mas pode ter certeza quando eles começaram a namorar seu suposto pai largou de vez a minha mãe, ele sempre foi fiel a sua mãe. E eles sabiam que eu passaria a existir por isso se mudaram pro Brasil, pra se livrar de qualquer confusão que eu pudesse causar. Só que seu suposto pai ainda queria ter um filho ou uma filha, ele queria assumir a minha guarda, mas para o seu Des não descobrir a historia toda eles resolveram tentar ter outro filho, Você. O problema é que sua mãe é infértil, o que de certo modo faz a sua existência passar a ser praticamente impossível... Ai a mãe da Ana entra na historia... Você já percebeu que você e a Ana fazem aniversario no mesmo dia? Tem a mesma idade?


— Na verdade não... Eu nunca tinha perguntado o aniversario de Ana...


— Pois é , acontece que vocês são irmãs.


Pronto naquele momento eu paralisei, travei como a minha mãe podia ter simplesmente me dado pra outra pessoa assim, fiquei realmente chocada , e ai sim eu deitei no colo de Harry e chorei , chorei muito, ele acariciava meu cabelo, mas nada me deixava mais calma, nem as macias, porém grandes mãos do Harry brincando com o meu cabelo. Passei uns 5 minutos chorando depois parei de chorar e comecei a encarar a parede na minha frente e não pensar em nada , até que Harry parece me fazer uma pergunta , ele pergunta uma vez , mas eu não consigo ouvir , pergunta novamente ai sim eu ouço :


— Malu? Eu acho melhor eu não contar mais nada... Quer que eu te leve pra casa?


— Não, conta mais, por favor, é melhor sofrer de uma vez do que sofrer aos pouquinhos...


— Ta certo, bem uma hora meu falso pai ia desconfiar que eu parecia muito com o seu falso pai e essa hora , foi a hora que a casa desabou eu ouvia gritos do quarto dos meus pais que diziam que minha mãe ia queimar no inferno ou coisas do tipo , eu e Gemma chorávamos e rezávamos para que essas brigas parassem , e pararam com a separação do meu pai e da minha mãe, só que mal sabíamos que meu pai era capaz de coisas bem piores como matar alguém ... Ele então foi pro Brasil, atrás do seu pai, para mata-lo, mas não atropelado como foi feito, mas sim com tiros.


— Então meu pai morreria de qualquer forma?


— Provavelmente sim, ou talvez não...


— Talvez não?


— Meu suposto pai estava indo direto ao hotel em que vocês estavam no Rio, na época.


— Nós não estaríamos lá...


— Pois é – diz ele com uma lagrima escorrendo no rosto. — Você não se lembra daquele dia?


— Lembro muito bem, eu fui atravessar a rua sem olhar porque queria ver uma exposição de castelos de areia e quando eu achava que ia ser atropelada, sinto um empurrão caio no chão e ralo o joelho, mas pelo menos não sou arremessada por um carro... – digo chorando – Depois o meu pai fica no chão e o motorista segue caminho, antes que alguém chegue e ele seja preso...


— Você lembra as ultimas palavras do seu pai?


— Lembro! Foram: “Uma vez alguém me disse “Na vida todos temos um segredo inconfessável, um arrependimento irreversível, um sonho inalcançável e um amor inesquecível.” Um sonho inalcançável foi não poder criar um filho, até que ele mesmo tenha outro, um amor inesquecível com certeza foi essa menininha ai, o meu grande arrependimento foi ter fugido da verdade, a mentira só causa dor e sofrimento e o meu segredo inconfessável parece ter sido descoberto quando olhei na cara daquele motorista.” Depois ele simplesmente fechou os olhos pela ultima vez... – falei tentando não chorar. O que foi impossível!


Fiquei chorando ali no chão por longos 15 minutos, Harry se levanta estendendo a mão para mim me levantar. Levanto-me e fui em direção ao carro, quando íamos saindo o menino que morava na casa olha para mim e fala:

- Aconteceu alguma coisa?

- Não, eu estou bem! – Menti.

Eu estava desabando por dentro, e não sabia o que fazer. Entro no carro limpado as lágrimas, andamos um pouco pela cidade e depois ele me levou para casa, quando paramos na frente de casa ele me dá uma beijo na testa e fala:

- Fique bem..

- Vou tentar.

Saio do carro, e entro em casa. Não tinha ninguém então resolvi ligar para Niall:

- Nialler ..

- Oi Malu. Tudo bem?

- Não está nada bem. Você pode vir aqui?

- O que aconteceu Malu? – Ele fala preocupado.

- Você pode vir aqui? Eu te explico melhor.

- Claro, estou indo.

Me despeço dele e então desligo. Vou para sala. Menos de meia hora ele chega:

- Espero ter chegado a tempo. – Ele fala. E eu me abraço nele.

— Eu preciso de você.

- Eu estou aqui, por favor, fique calma e me explique.

Ele senta ao meu lado, e eu pego uma das mãos dele segurando forte. Explico toda a situação chorando e ele não conseguiu segurar e chorou junto a mim. Ele tentava me consolar a todo custo, mas não dava. Depois que acabamos, ficamos no silencio nos encarando:

- Putz, minha mãe já deve está chegando! – Falo desesperada tentando limpas as lágrimas.

- Vem, vamos sair daqui para pensar um pouco.

Ele me pega pela mão e me leva até o carro. Estamos indo a lugar isolado da cidade grande. Lá ficamos conversando por um tempo. Minha cara de choro já tinha sumido, mas a minha dor ainda não. Ele me leva em casa. Eu não queria ficar lá, eu não conhecia ninguém mais, daquela casa. Tudo tinha ficado estranho, eu não sabia o que fazer da minha vida, minha vontade era de sumir e nunca mais voltar. Chegando em casa minha mãe e de Ana estavam conversando na sala. Entro e vou direto ao meu quarto:

- Oi né Malu. – Minha mãe fala.

- Oi. – Falo seca.

Subo a escada correndo e indo direto ao meu quarto. Eu não queria nem mais olhar na cara da minha ‘’mãe’’ por que me esconderam isso todos esses anos? Eu estava com muita raiva então decidi não sair do quarto, senão eu ia falar coisas sem pensar. Também eu não queria conversar sobre o assunto. Esperarei um momento melhor para conversar sobre isso. Então, para mim parar de pensar sobre isso, resolvi dormir. Deite-me a cama e fiquei olhando para o vazio do quarto. E logo adormeci. Acordo com minha mãe gritando:

- ABRE ESSA PORTA AGORA.

- Espera.

Me levanto e vou abrir a porta:

- O que você estava fazendo?

- Dormindo, por que agora nem isso eu posso?

- Muito mal educada você hem. Então vim aqui te dizer que estou indo a uma festa com a mãe de Ana, e que segunda estamos voltando para o Brasil.

- O QUE BRASIL?

- Sim, sua casa é lá e não aqui.

- Merda. – Falo baixo.

- Eu ouvi.

- Era para ouvir mesmo.

Fecho a porta na cara dela. Quando ela falou aquilo, meu mundo então desabou. Só mais 1 dia aqui? Como assim? Imediatamente pego meu celular e mando uma mensagem para Harry:

‘’ Oi, então mandei essa mensagem para dizer que estou indo embora depois de amanhã, segunda .. Enfim era isso mesmo. Te amo e boa noite (: xx’’

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