He Loves Killing

1 Capítulo Único - O Homem No Final Do Beco


Eu estava sozinha naquela escuridão.

Naquela noite gélida, a neblina me cercava não importava o quanto eu andasse, não conseguia ver o que havia na próxima esquina. As ruas estavam vazias e quietas, apenas as luzes dos postes iluminavam meu caminho por aquele bairro, parecia que eu era a única pessoa no planeta.

Um homem passou atrás de mim, eu não o vi naquele momento e não sabia para onde ele foi. Saí andando em direção à minha casa, o vento soprou em meu rosto, era uma noite típica daqueles meses antes de o inverno chegar.

Eu virei naquele beco em que eu passava todos os dias depois de sair do trabalho, andei mais um pouco e observei uma sombra à minha frente, um homem estava parado encostado em uma mureta, fumava um cigarro qualquer e sorriu para mim.

– Quer um cigarro? — Perguntou ele.

– Não, obrigada. — Respondi, voltando ao meu caminho para casa.

– Tem certeza, moça? — Insistiu ele.

– Sim. Não quero cigarros, obrigada. — Eu disse, forçando um sorriso e voltando a caminhar.

Neste momento, o homem começou à caminhar na mesma direção que eu, já estava com medo de aquele homem ter más intenções, e se ele estivesse me seguindo? E se ele fosse um estuprador? Ladrão ou psicopata? Eu aumentei meus passos, na esperança de sair dali sem demonstrar medo. Embora isso fosse idiotice.

Minha respiração ficava mais ofegante à medida que eu andava mais rápido, de repente, outras duas sombras apareceram na minha frente, dois homens surgiam de cada lado dos becos, caminhando em minha direção... Dava para ver nos olhos deles toda a maldade que eles tinham em mente. Olhei para trás para tentar fugir, mas aquele homem dos cigarros caminhava da mesma forma em minha direção...

Eu estava cercada.

– Me passe o dinheiro, senhorita. — Exigiu ele, apontando um revólver para mim. Os homens se aproximavam cada vez mais.

– Por favor... Não atire... Eu vou te dar o dinheiro... — Dizia eu, assustada.

Eu abri a minha bolsa com calma para pegar meus documentos, mas ele o retirou da minha mão com força.

– Jack! O que faz aqui? — Ouvi outra voz falando de modo irônico.

– Michael?! Fica quieto aí! Não se meta nisso, Mike! — Gritou o homem logo depois tirando o revólver de perto de mim e o apontando para um homem parado no final do beco.

– Não sabe que roubar é feio, Jack...? E vi que fez novos amigos... — Continuava dizendo aquele homem no final do beco, eu só conseguia ver a sombra dele, mas parecia vestir um sobretudo e um chapéu.

– Some daqui, pirralho... Ou eu dou um tiro nessa tua carinha de boneca! — Dizia o assaltante, gritando com o cigarro na boca e mexendo seu revólver no ar, apontando-o para o homem no final do beco. Ele o chamou de Michael... Esse deve ser o nome dele.

Michael começou à caminhar em direção à mim, a luz do poste iluminou por um momento o rosto dele, ele olhava pra mim... Deus, como ele era jovem! Parecia ter uns dezesseis anos... Eu olhei em seus olhos e havia muita maldade neles... Maldade, violência e impiedade... Mas era diferente dos outros bandidos. Ele sorriu e deu uma piscadela.

– Você sabe que eu sou insistente...

– Ensinem uma lição pra esse merda!

Os dois caras mostraram canivetes em suas mãos e caminharam na direção do tal Michael. Ele simplesmente tirou dois revólveres do seu sobretudo e disparou, os dois capangas caíram no chão na hora.

– Mike, fica parado aí ou eu mato ela! — Gritou o assaltante, que me pegou pelo pescoço e me puxou para ele, com um revólver apontado para a minha cabeça. Eu fiquei assustada, não queria morrer naquele beco sujo, escuro e frio.

– Tudo bem... Tudo bem... Estou largando as minhas armas... Deixe ela em paz, isso é entre você e eu... O que acha de me matar ao invés de uma vagabunda que não tem nada a ver com isso?

Eu estava inconformada com o que ele disse, ele simplesmente me deu uma piscadela, eu não podia ir lá e lhe ensinar uma lição por ter um revólver na minha cabeça. Não sabia se ficava irritada ou desesperada.

– É... Você tem razão... — Disse o assaltante enquanto ria, ele tirou o revólver da minha cabeça e me libertou, eu saí correndo e me escondi atrás de uma mureta qualquer, os dois ficaram frente à frente, o assaltante com seu revólver e o tal Michael sem nada, suas armas estavam no chão, não teria como enfrentá-lo... Ele morreria injustamente. E ainda sim me salvara de um roubo seguido de morte... Ou não?

– Têm certeza de que quer me matar com este revólver? — Perguntou ele.

– Claro... — Respondeu o assaltante, levantando o revólver em direção à Michael.

Porém, algo incrível aconteceu.

Antes que o assaltante puxasse o gatilho, o misterioso Michael pegou algo de dentro de seu sobretudo, algo que refletiu a luz do poste e o jogou em direção ao bandido.

O cigarro ainda chamuscado caíra no chão, deixando um rastro de fumaça por onde caía. O bandido agora se ajoelhava no chão frio e úmido. Sangue era jorrado como se fosse uma mangueira. Michael foi até ele e pegou o revólver, o encostou no abdômen de seu adversário e puxou o gatilho à queima roupa. O bandido caiu morto no chão e mesmo assim ele parecia olhar para mim, o sangue agora escorria de sua boca e do ferimento em sua garganta, causado pela lâmina que Michael jogou.

Os olhos do assaltante, tomados pelo mal agora pareciam demonstrar sofrimento...

– Saiba que eu tenho certeza que você não é nenhuma vagabunda... — Disse ele, estendendo a mão para eu me levantar do chão frio. Apesar de tudo, ele pelo menos era cavalheiro.

– Tudo bem... — Eu respondi... Estava assustada demais com o que acontecera e por isso me esqueci de agradecê-lo... Ele simplesmente pegou seus revólveres no chão e caminhou para o fim do beco.

Quando me dei conta do que tinha acontecido, corri até lá, mas o homem que salvou a minha vida tinha simplesmente desaparecido em meio à névoa...

Um tempo depois, fiquei relembrando da forma que ele matou aqueles bandidos... Parecia mais que ele adorava matar... Parecia uma forma de punição, justiça e prazer por parte dele.

Qualquer noite gostaria de encontrá-lo de novo.

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