Notas iniciais
Oie! Estou aqui com mais um capítulo. Quero avisar que a partir de agora a maioria dos capítulos serão escritos em primeira pessoa, com algumas possíveis exceções de capítulos em terceira pessoa. Quero focar na Hayley, nos sentimentos dela e no seu desenvolvimento. Boa leitura!

Acordei no outro dia com vários livros espalhados em minha cama, e lembrei que tinha descoberto um nome para a coruja que ganhei de aniversário. Edwiges. Eu li o nome em um dos livros que estava em meu material escolar e achei bonito. Deixei que o sol iluminasse o quarto um pouco mais antes de ir, com preguiça, até o banheiro. Não demorei muito tempo me arrumando, saindo ainda com o cabelo úmido e o trançando. Queria falar com Hagrid sobre uma coisa que não saia de minha cabeça desde que soube que eu tinha dinheiro, dinheiro meu, que poderia usar para o que quisesse.

Sai do quarto animada, com a mochila vermelha em minhas costas e o dinheiro trouxa dentro. Bati na porta em frente a minha e pude ouvir barulhos do outro lado, e em alguns minutos o gigante de sorriso amigável me olhava.

— Bom dia, Hagrid. – cumprimentei-o – Gostaria de saber se podemos ir em umas lojas trouxas hoje. Eu queria muito comprar umas coisas.

— Claro que podemos, Hayley. – ele saiu do quarto, ocupando o corredor inteiro – Mas vamos comer algo primeiro, está bem?

— Claro! – concordei, animada com a ideia de comer no salão do andar de baixo, as tortinhas eram deliciosas.

Nós comemos conversando sobre o mundo bruxo, pedi que Hagrid me explicasse novamente sobre a escola e as casas, gostando de conhecer um pouco mais cada vez que falávamos do assunto. Vez ou outra alguma pessoa no salão se aproximava de mim, pedindo um autografo ou querendo se apresentar. Era estranho, não conseguia entender ainda que era famosa nesse mundo. Que as pessoas gostavam de mim.

Quando terminamos de comer, e o casal que tinha se aproximado de nossa mesa para se apresentar tinha ido embora, eu liderei o caminho até a saída do lugar. Ao passar pela porta, a atmosfera de magia foi substituída pelo barulho de carros, pela fumaça e por várias pessoas vestidas com roupas comuns. Quando vi que Hagrid estava atrás de mim, andei até uma loja que tinha visto no dia que viemos até aqui.

Ao entrar na loja, senti lágrimas em meus olhos. Tantos cadernos, lápis e materiais que eu poderia comprar! Eu poderia desenhar, sem ter que esconder meus desenhos e sem ter que usar o lápis que nunca acabava. Peguei uma cestinha de compras ao lado da porta e empilhei caixas de lápis de cor, canetinhas, tintas e alguns cadernos de desenho dentro. Coloquei também uma coleção de canetas enfeitadas com pequenas estrelas. Eu tinha comprado penas no dia anterior, mas eu sempre sonhei com canetas e lápis bonitos para fazer meus deveres escolares, apesar de nunca ter tido um. Tia Petúnia me dava os lápis antigos de Duda, e somente os lápis feitos de grafite cinza. Meus tios diziam que os lápis coloridos eram perigosos para mim, que iriam me fazer ter criatividade, e que isso era algo ruim.

Depois da visita até a papelaria, eu fui somente em mais um lugar pois queria comprar um tênis novo. O que eu tinha já estava velho, apertando meus dedos.

☆ ☆ ☆ ☆ ☆ ☆

O mês passou rápido. Hagrid teve que voltar para Hogwarts uma semana depois do meu aniversário, garantindo que eu estava segura no Caldeirão Furado. Eu fazia todas as refeições no salão, sempre conversando com muitas pessoas que queriam sentar comigo. Eu ainda não entendia muito bem isso tudo, mas todos eram muito gentis, o que me fazia ficar feliz com a companhia.

O bruxo que servia as comidas no salão, Tom, me tratava muito bem. E sempre enviava doces e tortinhas para meu quarto. Era legal conversar com ele, que me contava várias histórias sobre a época em que estudou em Hogwarts e sua casa, Lufa-Lufa. O que me deixava mais ansiosa para estar logo na escola, estudando.

Eu tinha visitado o beco diagonal mais uma vez, procurando pelo livro “Hogwarts: uma história” na livraria, Floreios e Borrões. Tom havia comentado sobre o livro e eu o comprei. Meus dias foram consumidos pela leitura dos livros da minha lista de material escolar, pela leitura dos livros que tinha ganhado em meu aniversário e desenhando.

No dia primeiro de setembro, Hagrid apareceu no salão enquanto eu tomava café da manhã. Ele estava animado, conversando sobre dragões e me ajudou a descer o grande malão que tinha sido entregue em meu quarto alguns dias atrás. Todos os meus uniformes, além de várias roupas que me lembravam muito a moda trouxa, estavam dentro com um bilhete em uma caligrafia delicada me desejando feliz aniversário e boa estadia em Hogwarts. No dia que o malão tinha sido entregue, eu pedi a Tom que enviasse algumas tortinhas para a loja de Madame Malkin, junto com um bilhete agradecendo-a pelo carinho. Eu tinha roupas que me serviam perfeitamente, nenhuma peça sequer na cor rosa, e que eram incríveis. De alguma forma Madame Malkin sabia exatamente o que eu gostaria.

Ao chegarmos na estação de trem, Hagrid me ajudou a colocar o malão e a gaiola de Edwiges em um carrinho e disse que precisava voltar para Hogwarts, sumindo logo depois de me dar um bilhete de trem. Balancei a cabeça, assustada com o fato dele ter desaparecido do meu lado. Ao ler o bilhete, fiquei com medo. No bilhete dizia “plataforma 9 e ¾”, e eu não consegui achar. Achei a plataforma 9, achei a plataforma 10, mas nada entre elas.

— Com licença. – chamei um guarda que passava, que olhou feio para a coruja em meu carrinho – Onde é a plataforma 9 e ¾?

— Não tem nenhuma plataforma com esse número, garota. – o guarda parecia irritado, e saiu andando – Esses jovens de hoje falam besteira e me fazem perder tempo...

Não consegui ouvir mais o que ele falava pois ele se afastava cada vez mais, e eu senti meu coração se apertar. Como eu chegaria até a escola assim?

— Trouxas! – ouvi alguém falar, a voz parecia estar se aproximando – Todos os anos é a mesma coisa, cheio deles...

Me apressei em seguir em direção a voz, que vinha de uma mulher baixinha de cabelos ruivos cercada por crianças ruivas. Observei enquanto ela dizia para um dos mais altos, Percy, que fosse em diante... ele saiu correndo em direção a uma pilastra e sumiu. Esfreguei os olhos, prestando atenção. Dois meninos ruivos, iguais, estavam reclamando pela mulher ter trocado os nomes deles... e então também correram em direção a pilastras e sumiram!

— Com licença! – eu chamei a atenção da mulher, que estava falando com um menino da minha altura também de cabelos ruivos – Você poderia me ajudar?

— Claro que sim, querida! – a senhora abriu um sorriso caloroso – Meu nome é Molly, imagino que esteja procurando a plataforma?

— Sim... eu não sei como chegar até ela. – ofereci um sorriso tímido.

— Oh, é a primeira vez de Ron também! – ela disse animada, colocando as mãos no ombro do menino, que deu um aceno tímido – Tudo que você precisa fazer é ir em direção a barreira entre as plataformas, está vendo? Vá direto para a barreira e não pare, não tenha medo. Se estiver ansiosa sugiro que corra em direção a ela. – a senhora apontou para o lugar que falava – Vamos, vá antes de Ronald. Estaremos logo atrás!

Ansiosa, endireitei o carrinho para estar alinhado com a barreira e respirei fundo, fechando os olhos por um segundo antes de correr em direção a barreira. Não diminui a velocidade, mas fechei os olhos quando cheguei perto. Mas não bati na barreira, e quando abri os olhos pude ver um trem enorme vermelha soltando fumaça e muita gente na plataforma. Além das pessoas, pude ver corujas em gaiolas, gatos andando ao lado de crianças e em seus colos. Pais abraçando os filhos, amigos se cumprimentando. Assim como no Caldeirão Furado, a atmosfera era completamente diferente da estação de trem em que estava a apenas alguns instantes.

Segui algumas crianças em direção a entrada do trem e observei algumas das cabines do trem. Quando achei um vazio, perto do fim do trem, coloquei a gaiola de Edwiges no banco ao lado da janela, para que ela pudesse ver o lado de fora e tentei, com dificuldade, colocar o malão no lugar em cima dos bancos. Não consegui, e o larguei no meio dos dois bancos, tentando pensar em uma forma de colocar o malão no lugar.

— Precisa de ajuda? – uma voz perguntou da porta, espiando dentro do vagão.

— Por favor! – sorri vendo um dos irmãos ruivo.

— George, venha ajudar! – ele gritou no corredor.

Em minutos, meu malão estava no lugar em cima dos bancos e os dois irmãos estavam conversando animadamente comigo sobre Hogwarts.

— Mas nós não sabemos seu nome. – um dos gêmeos disse, esperando uma resposta. Eu sabia que quando falasse meu nome eles me tratariam de forma diferente.

— Ah. – eu coloquei o cabelo atrás da orelha – Eu sou Hayley. – mas os gêmeos não falaram nada, me encarando com as bocas meio abertas – O que foi?

— Você realmente tem a cicatriz. – um deles finalmente disse, colocando a mão na nuca – Nós não sabíamos...

— Se você teria a cicatriz ou se era uma história. – o outro gêmeo completou – Mas todos estão esperando...

— Que você esteja em Hogwarts esse ano. Vai estar no mesmo ano que Ron, nosso irmão mais novo.

— Temos que ir agora, mas foi um prazer te conhecer!

Eu observei os dois irmãos saírem do trem e irem até a mãe, Molly, que eu conseguia ver da janela da cabine em que estava. Eles contaram sobre mim, e eu pude ouvir a mãe os repreendendo por me tratarem de forma diferente. Mandou que fossem legais comigo, que não me importunassem e que se comportassem durante o ano letivo. O irmão mais alto, que imagino que seja o mais velho, se aproximou da família e se despediu da mãe, dando um beijo na testa da menininha que estava ao lado dela. Descobri que seu nome era Percy e que ele era monitor.

Um apito alto soou, e os gêmeos se despediram da mãe com um abraço e então beijaram a irmã em cada bochecha antes de entrar no trem, ajudando o irmão mais novo com o malão. Suspirei, desejando ter pessoas que me amassem como aquela família parecia se amar. Peguei um dos cadernos que comprei e comecei a desenhar o trem, pois eu queria documentar toda a minha experiência no mundo mágico. Depois de um tempo, o mais novo dos irmãos ruivos apareceu na porta. Parecia ansioso, trocando o peso de um pé para o outro enquanto me olhava.

— Posso me sentar? – ele apontou pro banco a minha frente – Todas as outras cabines estão cheias.

— Claro! – respondi, fechando o caderno com o lápis no meio e o deixando ao meu lado – Você é o irmão dos gêmeos né?

— Sou sim. – o menino tentou colocar o malão no compartimento em cima do outro banco, e não conseguiu – Meu nome é Ronald Weasley, mas todo mundo me chama de Ron.

— Eu sou Hayley. – disse, ajudando ele a colocar o malão no lugar.

— Eu sei. – ele disse, e ficou vermelho – Meus irmãos falaram sobre ter te ajudado – ele completou, sentando no banco.

— Eles foram muito legais. – sorri – Não conheço ninguém e não estava conseguindo levantar o malão.

Conversei com ele por um bom tempo antes de outra pessoa aparecer na porta, dessa vez uma garota de cabelos e olhos castanhos já vestida com o uniforme trazendo um malão atrás dela.

— Se importam? – ela perguntou – Não tem mais lugar.

— Entra. – eu levantei, ajudando a menina a colocar o malão do lado do de Ron – Meu nome é Hayley, esse é Ron. Acabamos de nos conhecer.

— Somos do primeiro ano. – completou Ron.

— Meu nome é Hermione Granger, eu também sou do primeiro ano. – ela disse, sentando no banco em frente do meu – Não nasci bruxa, eu estou perdida. Vocês são de família bruxa?

— Sou sim. – Ron respondeu, eu escolhi não responder a pergunta – Tenho 3 irmão que estão em Hogwarts ainda e mais dois que já se formaram. Fred e George estão no terceiro ano, e Percy está no quinto ano e é monitor da Grifinória.

— E você? – Hermione perguntou pra mim.

— Eu cresci no mundo trouxa. – ofereci uma meia resposta, envergonhada e feliz por alguém não saber quem sou.

Ron parecia que ia falar alguma coisa, mas foi impedido por uma mulher empurrando um carrinho de doces. Ela perguntou se nós queríamos algo, e Ron disse que tinha trazido um lanche de casa. Eu perguntei se ela tinha as tortinhas que tinha amado, e comprei algumas tortinhas e também uns doces com imagens que se mexiam na embalagem. Dividi tudo com Ron e Hermione, descobrindo que ela também tinha comprado e lido o livro sobre Hogwarts. A viagem foi divertida, e eu fiquei feliz que tinha feito dois amigos antes mesmo de chegar na escola.

Quando já estava escurecendo, os irmãos de Ron apareceram e o levaram para um dos banheiros para se trocarem. Eu fechei as cortinas da cabine, Hermione ficou do lado de fora para impedir que alguém entrasse, e coloquei o uniforme. Era uma saia preta, uma camisa branca, gravata e uma capa preta com o mesmo símbolo que estava nas cartas que chegavam na casa de meus tios. Lembrando das cartas, fiquei assustada em como tudo parecia ter acontecido há tanto tempo. Deixei que Hermione entrasse na cabine de novo enquanto colocava as meias ¾ e a sapatilha preta. Pouco tempo depois os gêmeos deixaram Ron na cabine e nos desejaram boa sorte na seleção das casas. Quando eles sumiram por entre todos os alunos no corredor, avisando que deixássemos nossas coisas na cabine, o trem já estava parando. Estávamos chegando em Hogwarts.

Notas finais
E então, o que acharam? Me contem nos comentários! Eu estou bem animada hahaha Até logo! ♥