Hawk Eye
3 Com a Gangue Shane
Sammy's PoV
Já faziam quase dez minutos que eu estava montada no mecha de Eli Shane. Durante o trajeto, observei os integrantes da Gangue Shane. Tinha uma garota ruiva que não parava de encarar minha enigmo, um ogro das cavernas que parecia assustador e amigável ao mesmo tempo e um toperoide (aquele que eu tinha salvado) que não parava de falar. Eu já estava me arrependendo de não tê-lo deixado com Black e seus capangas.
– Pronto disse que tinha algo de errado com aquela vila de estudiosos obcecados que... — na boa, aquele toperoide estava me tirando do sério.
– Quando ele vai calar a boca? — perguntei a Eli.
– Nunca se sabe. — ele respondeu como se aquilo fosse normal.
Continuamos seguindo em direção à... Na verdade, eu não sabia para onde estávamos indo. Provavelmente a base de operações Shane. Eu já tinha ouvido falar dela, mas nunca soube onde ficava ou como ela era. Isso estava me deixando curiosa.
Como se uma ideia óbvia me ocorresse, perguntei:
– Para onde estamos indo?
– É segredo. — respondeu a ruiva me encarando.
– Ah, me desculpa. Não estava falando com vocês. — respondi sarcástica.
E não era mentira. A pergunta era para Spectro. Afinal, qualquer um da gangue Shane poderia mentir, mas nunca suspeitariam que a mente de suas próprias lesmas os denunciaria. Os guinchos de minha enigmo foram traduzidos em minha cabeça:
– Pretendem interrogá-la antes de levá-la a base. Acho que estão te levando pra fábrica de mechas.
Se tem uma coisa com a qual eu não me sinto bem é a presença de ogros da caverna. Não que eu os odeie ou algo assim, mas já tive tantas experiências desagradáveis com aquela espécie que prefiro não arriscar...
Como o toperoide já estava me tirando do sério, resolvi dar um ponto final naquilo.
– Dá pra você calar a boca? — perguntei grossa.
Na mesma hora todos os mechas pararam onde estavam. A ruiva me olhou como se eu fosse louca, o ogro estava boquiaberto e o toperoide, surpreso. Até o Shane se virou só para me encarar.
– Olha... — prossegui descendo do mecha — Eu agradeço pela ajuda, mas tenho que ir ou não encontro um lugar para ficar antes de escurecer.
– Você fala desse jeito com um de nós e quer sair de boa?! — pergunta a ruiva indignada.
– Quero sim. — respondo — Você devia baixar essa bola, ruiva. Desde que eu cheguei, você não para de me encarar como se eu fosse virar um monstro a qualquer momento e agora vem falar de educação pra mim?! — ela pareceu surpresa, mas com uma pontada de arrependimento no olhar — E tem mais, todos vocês deveriam estar pensando melhor nas suas ações. Vocês acabam de me salvar do Black e agora querem me levar para interrogatório na fábrica de mechas. Isso não faz sentido!
Os quatro trocaram olhares pensativos, embora eu não estivesse entendendo o porquê de tanto drama. Eu queria ir embora, só isso. O que havia de tão surpreendente nisso?
– Como sabia que te levaríamos à fábrica de mechas? — perguntou Eli.
– Hãn... — droga, esqueci que eles não sabiam daquele pequeno detalhe — Tenho meus... métodos.
– Mas... Como? — persiste Eli.
– Não vou falar como sei ou deixo de saber das coisas, ok? Agora, eu tenho que ir. Adeus!
Virei as costas para o grupo e saí batendo o pé.
Eli's PoV
Olha, qualquer um que conseguiu fazer o Pronto ficar quieto por mais de dois minutos tem o meu respeito, ainda mais se conseguiu surpreender a Trixie. Todos nós estávamos tão perplexos com ela que nem continuamos nosso caminho, acabamos debatendo ali mesmo o que fazer.
– Vamos. — disse Trixie irritada — Quero chegar logo em casa.
– Não podemos deixá-la aqui, no meio do nada. — rebati — Ela disse que sequer tem um lugar para passar a noite.
– Isso é verdade. — disse Kord — Mas acho ela estranha...
– Pronto tem certeza de que ela é estranha. — Pronto disse — Viram como ela sabia exatamente o que iríamos fazer? Ela leu nossas mentes, Pronto tem certeza.
– Eli, não está pensando em convidá-la para passar a noite conosco, né? — perguntou Trixie — Lembra o que aconteceu da última vez, com Twist?
Obviamente eu me lembrava daquele traidor. Twist tinha fingido ser nosso amigo. Nós o tratamos como se ele fosse da família e esse tempo todo era um espião...
– Claro que eu lembro. — digo — Mas não quer dizer que aquela garota seja uma espiã também.
– Concordo com Eli. — Kord levantou a mão como se quisesse falar — Não acho que ela seja ameaça. Pelo menos, não uma que não poderemos deter.
– Ela pode ser uma bruxa vodu... — Pronto continuava falando sozinho.
Olhei para Burpy, buscando uma opinião da parte dele. Ele concordou com a cabeça e fez sinal para o caminho por onde ela saíra. Olhei para Trixie com um olhar vitorioso. Ela apenas resmungou:
– Vamos logo com isso.
Manobramos nossos mechas e saímos correndo na direção por onde a garota tinha partido. Não demorou muito para encontrarmos ela. Ela estava parada com o lançador na mão, como se tivesse alguma ameaça por perto. De repente, ela se virou para nós e atirou uma lesma aracnídea, que nos errou por pouco.
– Que droga! — ela gritou ao nos ver — Eu podia ter machucado vocês, sabiam? Achei que eram os caras do Black de novo!
– Se tivesse nos acertado, atirava uma tormato em você. — rebateu Trixie.
A garota gargalhou, como se duvidasse que poderia ser derrotada pela minha amiga. Ela apenas rodopiou o lançador na mão e o guardou. Depois se virou para sair.
– Espera! — gritei chamando sua atenção. — Você tem... um lugar para ficar?
A garota se virou para nós impaciente, mas suspirou ao dizer:
– Não, não tenho.
– Então pode vir conosco. — afirmei — Acho que Trixie pode dividir o quarto com você.
– Ei! — Trixie protestou — Eu não concordei com isso!
– Continuando, — prossegui lançando um olhar ameaçador para minha amiga — você pode passar a noite com a gente. O que acha?
Ela pareceu pensativa e chegou até a consultar sua lesma enigmo, mas acabou concordando. Ela montou em meu mecha novamente e continuamos nosso caminho, dessa vez para nossa base.
– Ah, a propósito, — ela chamou nossa atenção — parem de me chamar de garota. É irritante.
– Bom, então nos diga seu nome. — pedi.
– Samantha Hawk. — ela baixou o rosto. Pelas caras de meus amigos, ela provavelmente era filha de alguém famoso, assim como eu — Me chamem só de Samantha, por favor.
E a partir daí ela seguiu calada o resto do trajeto.
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