Have you seen Chris?
3 Capítulo 3: Bom dia, pensamentos!
Notas iniciais
— Ei, Ben! Ben! Ben, levanta!
***
Acordei destruída naquela manhã. A vontade de ficar na cama pra sempre era grande, mas optei por me revoltar e dar um rumo novo à minha vida. Iria ter um dia normal! Olhei no relógio digital, que ficava ao lado do abajur, no criado mudo, e vi que eram nove horas. Levantei, fui até a secadora de roupas e peguei minhas roupas já limpas, depois tomei banho.
A água quente do chuveiro relaxou minhas costas, mas parecia aumentar ainda mais o corte na minha cabeça. Terminei o banho e voltei para o quarto. Ben aparentemente não havia acordado, ele fez muita coisa por mim enquanto eu estava desmaiada.
Andei pelo quarto e reparei novamente no quadro em que ficavam as suas fotos e anotações. Ele fazia tanta coisa! Olhando mais atentamente, reparei no seu horário de aulas da faculdade. Bati o olhar na terça-feira, dizia: "Ciências Políticas ( 10:30 — 13:00)".
Ciências políticas, ciências políticas, ciências … Ah, claro! Ele disse que tinha que estudar para essa aula, por isso voltou mais cedo para casa. Devia ser importante, não poderia deixá-lo se atrasar. Olhei novamente o relógio: nove e cinquenta. Corri até o quarto de Marisa, bati na porta, Ben não ouviu. Entrei com tudo.
***
— Ei, Ben! Ben! Ben, levanta!
Bati suavemente no pé dele. O garoto dormia todo coberto, as únicas coisas que ficavam à mostra eram as pontas desgrenhadas do cabelo e parte do braço esquerdo que saltava para fora da cama. Seu braço descoberto evidenciava uma pulseira trançada de couro cheia de pequenos nós que ele usava desde muito jovem, sempre achei que combinava com ele. Seus pelos eram ralos e deixavam seu antebraço mais largo, destacando as trilhas de veias calibrosas que saltavam contornando toda a extensão dos braços. Sentindo meu toque em seus pés, o garoto contorceu-se e pôs os pés pra fora da coberta. Era um dia frio. Ri baixinho ao ver que um dos pés dele se encontrava sem meia. Ele era mesmo perdido, pensei. Voltei a chamá-lo.
— Benjie, são nove e cinquenta, você precisa acordar. Sua aula, lembra? Ciências políticas... Ben?
Meu corpo doía demais para que eu pudesse sacudí-lo com mais intensidade.
— Bel? – Ele abriu os olhos, ou melhor, tentava abrir. Tinha uma expressão divertida! Não parecia o garoto sério da madrugada anterior.
— Bom dia! Dormiu bem, sua alteza? – Fiz a reverência mais dramática que pude com minha impossibilidade de curvar o corpo sem cair no chão, mas ele entendeu.
Começamos a rir. Ben sentou na cama, esfregou os olhos e espreguiçou-se ao me perguntar com sua voz sonolenta – e mais fofa – que horas eram.
— Agora já deve estar passando das dez horas.
— Não brinca! Vou chegar muito atrasado. Você não tem aula hoje? – Ele disse.
— Até tenho, mas prefiro ficar em casa, seja lá onde isso fica.
— Se quiser, pode ficar aqui.
— Não, eu tô ok. Acho que vou nos Miller.
Ben fez que sim com a cabeça e falou:
— Quando eu sair da faculdade te encontro em algum lugar para conversarmos sobre ontem. Ainda temos peças a juntar, se lembra?
Fiz cara de tédio e joguei a cabeça para trás, emitindo a voz mais conveniente ao tédio total que eu tinha. A estratégia deu certo! Acabei fazendo Benjamin rever seu convite:
— Ok, ok! Vamos a algum lugar, COMEMOS e conversamos. E aí? – Ele refez a proposta, ironizando minha eterna fome.
— Pode ser…
— “ Pode ser”? É essa resposta que eu mereço? Esperava mais de você, Florence… – Ele replicou dramaticamente.
— Ó, claro! Adoraria ir com você, minha luz! – Eu respondi irônica, fazendo voz de mocinha de filme romântico antigo.
— Muito melhor assim! – Ele riu.– Então, ok, seis horas no Orange Boutique. Não precisa se arrumar.
— Não ia mesmo.
Sorri e ele deu uma gargalhada gostosa. Depois de alguns segundos, Ben fez menção de se levantar. Fiquei rapidamente de pé e anunciei:
— Estarei te esperando pro café, vou tentar preparar algo com muito queijo enquanto você se troca.
— Bel …
— Nada de “Bel”. – Disse numa tentativa de repetir de forma caricatural sua voz. – Eu vou preparar algo. Você foi um ótimo anfitrião, mas está muito atrasado, então some daqui e vai tomar banho. Você já tá começando a feder e não sou obrigada a conviver com isso uma hora dessas da manhã.
Saí rapidamente em direção a cozinha e deixei Ben rindo sozinho no quarto imitando minha voz. Cheguei à cozinha de Marisa. Havia uma mesa redonda com quatro cadeiras de madeira mogno. A geladeira branca no canto ao lado da pia, além do microondas e da cafeteira, ostentava vários ímãs e sustentava incontáveis bibelôs coloridos. Reparei também em uma figura que estava pendurada na parede, dava ares de lar à casa dos Brendon: era um paninho de prato bordado delicadamente. Tudo era minimamente arquitetado naquele lugar.
Pensei na minha casa, em Vanessa, eu nunca soube o que era uma mãe, nem uma família até conhecer Cathy. Ela, Seth e Diego eram minha família. Ah, e Chris, claro. Chris… Meu coração começou a apertar. Chacoalhei esses pensamentos rapidamente e voltei a explorar a cozinha. Suas paredes amarelas me chamavam atenção. Há algo sobre o amarelo que sempre me deixou feliz. Decidi ter paredes amarelas na minha futura casa. Cats ficaria orgulhosa da minha reflexão sobre cores de parede.
Continuei fuçando a cozinha e abri o forno. Achei uma frigideira lá dentro, usei-a para preparar alguns ovos e tostar todo queijo que eu encontrei. O calor do fogão era agradável porque o tempo estava frio. A manteiga derretia na frigideira, levantando todo o lipídio do mundo no ar.“Um pouquinho de gordura no sangue pra ser feliz”, pensei comigo.
Passados uns cinco minutos, estava tudo pronto. Arrumei a mesa, ajeitei a toalha de renda branca que se estendia nela. Lá coloquei os pratos, dois copos, garfos e facas e a frigideira. Voilá! Lavei a bagunça que havia feito e aguardei meu acompanhante.
Depois de alguns poucos minutos, Ben apareceu na cozinha. Ele estava bem arrumado, típico dos estudantes de direito. Sempre irei o preferir do jeito que nos conhecemos, livre de toda essa pompa, no entanto, tenho certeza que o resto do mundo daria um braço pra ficar com ele assim. Benjie vestia uma blusa social azul-marinho com as mangas levemente dobradas na altura do antebraço. Havia no colarinho e na reta dos botões, pequenas bolinhas brancas. Era uma blusa elegante e combinava perfeitamente com sua calça jeans escura.
O rapaz caminhava secando o cabelo castanho com uma toalha branca que se enrolava no pescoço, inclinava levemente a cabeça para secar melhor. Olhei pros seus pés, ainda usava chinelos. Seus pés eram alvos e exibiam uma quase invisível trilha de pelos claros até a metade.
— E aí, Florence? Quanta coisa gostosa! – Ele friccionava uma mão na outra e tinha uma expressão engraçada: sua boca formava um U.
— Falando nisso, avisa a sua mãe que ela tem que comprar mais queijo!
— Iz! – Ben disse, rindo!
— E presunto. E ovos. Ah, e mais desse suco de uva! Isso é importado? É como beber um arco-íris. HUUUUM! — Esbugalhei os olhos.
Meu companheiro de refeição se estourou de rir e cuspiu metade do suco na toalha da sra. Brendon.
— Não tenho nada com isso, Brendon. Já fiz o café, não vou limpar isso tudo.
— Vamos terminar de comer, digo a minha mãe que foi alguma experiência minha.
— Mas você vai ser advogado. Por que você estaria fazendo um experimento?
— Só por isso não posso ser cientista ou aventureiro?
— Acho melhor não, Indiana Jones! Permaneça no seu degrau social e o mundo não entrará em colapso. – Ele riu um pouco.
Sabia que por trás de seu sorriso estava a angústia da madrugada; Sabia porque eu sentia o mesmo. Aquela confusão toda era uma droga. Traidor ou não, sentíamos falta de Chris.
Comemos bem rápido, Ben estava bastante atrasado. O garoto pôs-se de pé ao lado da cadeira em que estava sentado e terminou seu suco de uva em um gole. Ajeitei a mesa. Tentei, minimamente, limpar a toalha cuspida. Ficou um trabalho bem porco, mas ok! Ben caminhou até a porta, puxou sua mochila de couro marrom que estava jogada no sofá confortável da Senhora B. e foi andando até a porta.
— Iz, vamos! Agora precisamos realmente ir.
Ele era tão extremamente organizado. Naquele dia, o garoto estava uma confusão e eu até que entendia. Na verdade, eu entendia profunda e completamente. Ben fechou a porta e forçou a fechadura levemente para se certificar de que estava trancada. Parou virado para mim e disparou:
— Diabrete: seis horas, Orange Boutique, capitche ?
Ele estava cego de pressa. Nota mental: Benjamin tem problemas em se comunicar em um idioma apenas.
— Pode deixar.
— OK, vou indo. Fica bem. Se qualquer coisa acontecer, se você estiver com medo, muita raiva ou receber alguma notícia, pode me ligar!
— Obrigada, Brendon! Até mais.
Ele me puxou para um abraço, um abraço fraternal e quente. A camisa dele era tão cheirosa. Afundei-me em seu peito e meus olhos encheram-se de lágrimas. ” Ben estava atrasado”, me lembrei. Seria terrível eu fazê-lo se dar mal na faculdade só por ser uma garotinha carente. Funguei forte, senti o perfume do amaciante em suas roupas novamente e engoli o choro. Soltei-me dele. Ben estava abalado, mas sorriu antes de acenar e sair andando pelo corredor. Quando ele estava fazendo a curva, lembrei de lhe dizer algo:
—Ei, Benjamin! – Ele olhou rápido. – Belos sapatos.
Ben olhou para os pés, ainda usava chinelos. Ruborizou. Deve ter se imaginado chegando daquele jeito na faculdade.
— Sorte sua eu ter no carrro um par de sapatos desconfortáveis e que não fazem ninguém feliz. — Ele piscou maroto e andou corredor a frente.
Enquanto o menino se afastava, me apressei em apertar a campainha dos Miller. Não era comum eu esperar para entrar no apê deles. Mas, sabe? Havia decidido que iria tentar viver os próximos dias com calma. Cathy abriu a porta para mim. Ela estava bem bonita, usava uma bata de renda com babados azuis e um short rosa floral. Tinha o rosto iluminado, mas, ao olhar pra mim, seu semblante mudou. Ela se tornou uma Catherine bem preocupada.
— Amiga… O que houve? – Sua voz quase sumia.
Minha cara devia estar muito ruim mesmo. Ela me agarrou pelo pescoço e me apertou. Acarinhou minha cabeça e eu quase morri de dor.
— Ai! – Dei um gritinho rápido para que ela me soltasse.
Ben, que provavelmente chegava a escada, voltou correndo.
— Bel? – Ele chamou do fim do corredor.
— Não foi nada. Cat abraçou minha cabeça, machucou bem aqui no curativo.
— Deixa eu olhar.
Ele vinha se aproximando preocupado, marchando com seus chinelos.
— Machucado na cabeça? O que está havendo? Por que você tem um machucado na cabeça que Ben sabe e eu não? – Cat estava furiosa.
Olhei pra Ben e disse:
— Ei, está tudo bem. Cats está aqui. Você tem aula e está absurdamente atrasado, Senhor Perninhas Grossas.
— Que apelido inacreditavelmente ruim, Izabelle. Estou horrorizado, meus parabéns. – Ele disse ironicamente e tornou a falar, mas, dessa vez, direcionando-se a sua vizinha. – Enfim, Catherine, cuide dela. Ela vai te contar tudo. Vou lá.
Ele saiu correndo. Nota mental: quando está com pressa, ele consegue se despedir em uma única língua! Parabéns, Brendon.
— Ei, mocinho, você me deve explicações.
Cathy berrava e levantava as mãos. Seu cabelo negro e encaracolado voava sem rumo enquanto a garota se descontrolava.
— Cats?
Catherine se libertou do seu surto psicótico e olhou pra mim, seus braços penderam e seu cabelo voltou ao lugar.
— Oi, amiga. Vamos entrar. — Sua voz era piedosa.
Ela me abraçou pelo ombro e me conduziu a sala de um modo quase formal que eu nunca tinha visto antes. Sentei-me no sofá listrado super colorido ( assim como todo o resto da decoração) da sala dos Miller. Cathy foi até a cozinha que era limitada somente por uma meia parede de tijolos de vidro com um balcão de madeira. Buscou para nós dois copos de suco e, voltando, os colocou em porta-copos na mesinha de centro. Provei o suco, era de morango e tão doce quanto qualquer coisa que pudesse vir de Catherine Miller. Minha amiga sentou-se e voltou a falar:
— Diga, Iz, estou angustiada. Você e Ben de segredinho, um corte na sua cabeça, vocês dois com cara de destruídos. O que aconteceu? Foram assaltados?
— Cathy, não estamos de segredinho. É uma história tão longa que não sei nem por onde começar. – Fiz uma pequena pausa. Cathy espremeu os olhos suplicando que eu prosseguisse. — Na verdade, Ben só entrou na história porque ele não conseguiu te encontrar de jeito algum. Ele foi gen…
— Arrá! Uffa, entendi. Achei que aquelas ligações todas e mensagens de “ cadê você?”, “ preciso da sua ajuda” e “ Me responda, preciso te encontrar” eram uma loucura dele dando em cima de mim, ou sei lá. Que bom que não foi nada.
— Miller, você quer ouvir ou não? – Ela sacudiu a cabeça afirmando com os olhos esbugalhados.– Então, Fui passear com Chris ontem a tarde, lembra?
Ela confirmou e bateu os dedos indicadores um no outro achando romântico. Ignorei. Contei para ela a história toda, não omiti nenhum detalhe do que Chris fizera comigo, de como tudo aquilo era extremamente confuso e cansativo.Cathy parou de achar tudo aquilo fofo na primeira frase. Continuei:
— Aquela conversa parecia um pesadelo horrível, mas não era. Chris me deu o fora, eu esbravejei, o chamei de várias coisas. Ele só virou de costas e saiu andando. Me arrependi de deixá-lo ir e corri atrás dele. Tropecei em um vaso de plantas do corredor e caí. Daí o corte na cabeça, o curativo e tudo.
— Meu Deus, Izzy! Eu-eu, eu só não consigo acreditar nisso tudo. Chris sempre foi um príncipe, como, do nada, Puft?
Ela estava incrédula e sua pele, sempre morena e viva, parecia pálida. Chris sempre fora muito amigo dela e, pelo que vejo, não comunicou nada sobre o término nem com ela, nem com Ben.
— E essa sua cabeça? Deixe-me ver isso melhor. – Ela retornou a falar. Puxou minha testa com delicadeza e olhou o curativo feito pelo vizinho. – Foi um machucado e tanto. Quando voltei, o chão estava com respingos de algo que pensei ser resquício de alguma brincadeirinha do priminho do Ben.
— Henry?
— Henry. – Ela concordou.– Mas era sangue. Sangue seu. Iz, sinto muitíssimo.
— Tá tudo bem.
— Não, Izzie, não está! Você sabe disso! Você caiu no chão e ficou lá por sabe-se lá quanto tempo. Depois acordou e teve que fazer esse curativo sozinha. Deve ter sido uma tortura.
Ela sofria ao imaginar todas aquelas coisas. Expliquei como Benjamin havia me encontrado e cuidado de mim da melhor forma que podia. Contei que ele foi o último a ver Chris e que ele parecia estar enlouquecendo. Contei de como Benjie subiu todos os degraus da escada, investigando andar por andar até me encontrar desacordada em seu corredor. A morena naquele momento já tinha a boca em formato de O e suas mãos apoiavam o queixo. Ela sempre foi um tanto teatral.
— Na verdade, não devo ter ficado no chão muito mais que vinte minutos.
Ele me carregou ainda desacordada no colo até a casa dele, limpou meu machucado, fez um curativo – apontei pra lateral da cabeça –, me pôs na cama dele e ficou me espiando, esperando que eu acordasse ou precisasse de algo.
— Era pra ser eu a fazer isso, não ele.– Ela disse.
— Cats.
— Não, Izzie! Eu devo desculpas a ele e a você. Não acredito que pude ser tão egoísta. Claro, todos que me procuram estão dando em cima de mim. Você é linda mesmo, Catherine.— Ela estava de pé e sacudia as mãos para o alto. Estava fora de si. Se ironizava e ficava mais raivosa. — Me desculpa, amiga, você é minha irmãzinha. Sinto muito. Sinto muito mesmo.
— Ei, está tudo bem. Benjie me ajudou e é nosso amigo também, lembra? Você não pode estar em todos os lugares e abraçar o mundo inteiro de uma vez. Além do mais, os Brendon tinham queijo, o daqui já tinha acabado. Você me fez quase um favor, Catchup.
Ela riu, descrente do meu trocadilho ridículo, e me abraçou ao dizer:
— Você é louca mesmo, né? Queria saber quando você e Ben vão parar de dar apelidos estranhos às pessoas e a chamar todo mundo pelo sobrenome. Sinceramente, faz anos que espero vocês pararem com isso, cachinhos dourados.
— Viu? É por isso que não paramos, somos bons nisso, você é péssima, admita. “Cachinhos dourados”? Quantos anos você tem? 79? Bisavós dão apelidos melhores. – Brinquei.
— Eu sei, agora você precisa descansar. Vou preparar o almoço, enquanto isso, você descansa.
—Não MESMO, Miller! Essa loira aqui– apontei pro meu peito – não descansa sem ter sua comida, nem com a cabeça rachada.
— Ok, Iz. Deita um pouco, pelo menos.
Me deitei. Olhei no relógio e já era meio-dia. Resolvi ver como Ben estava, ele também estava bem abalado ontem. Mandei uma mensagem:
“ Ei, Nerd! Gostando dos sapatos? Espero que você esteja bem. ”
Pouquíssimo tempo depois, recebi uma resposta:
“ Oi, Bel. Os sapatos estão ótimos, assim como eu. Ficarão melhores ainda quando eu jogá-los na lixeira mais próxima.”
Respondi:
“Ben, Benjie, Benjamin… De quantas maneiras diferentes se pode escrever seu nome?”
Ele:
“Na mesmíssima quantidade de motivos que posso arrumar pra afirmar que você é chata, Florence.”
Eu ri. Ele parecia estar se distraindo, respondi:
“ OK, até mais. Se algum valentão mexer com você, me avise. Você está em aula, alguém tem que ser inteligente aqui. Vá estudar. Não vai querer que você morra de fome por minha causa, vai? ”
Benjamin:
“Talvez fosse um bom motivo para se morrer, mas enfim... Qualquer coisa, estou por aqui, comedora de queijo. Vá descansar. Lembre-se: Orange Boutique, seis da noite.”
O melhor a fazer era descansar. Não iria esperar que a sombra de Chris e do dia de ontem voltassem a me atormentar antes do almoço. Jogada no sofá, estiquei melhor o corpo e cruzei os pés, afundei-me o mais confortavelmente que pude no acolchoado do braço do sofá, tentando não reabrir o corte da minha cabeça, e dormi.
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