Have you seen Chris?

2 Capítulo 2: Despedidas e sequestros.


Notas iniciais
E aí, meus leitores lindos? Passo para postar mais um capítulo quentinho pra vocês. Agradeço a todo mundo que leu e compartilhou essa história com seus amigos. Agradeço a todos os leitores fantasmas que ainda não se manifestaram. Podem dar reviews, criticar, elogiar, mandar beijo pra mãe, que seja! Quero conhecer vocês. Esse capítulo foi muito legal de escrever, espero que gostem! Corre lá pra ler, o que será que Chris tem a dizer? E que história é essa de sequestro? Beijo e até as notas de final de capítulo.


一 Izzy! Izzy! Izzy? 一 Ele fazia cócegas em meu nariz pra tentar me acordar.

O vento era frio e me trazia o cheiro distante de amoras frescas. Os cabelos de Chris cada vez mais se emaranhavam com o vento e ficavam mais bonitos, pareciam um grande trigal. Ele encolheu os olhos para poder me olhar entre o reflexo do sol e, com isso, franziu um pouco o nariz. Sorriu. Sorri de volta. Rapidamente Chris se levantou e estendeu a mão para mim. Era hora de ir.

O caminho de volta ao Bushwell foi bem silencioso. Chris fazia questão de me abraçar a cada dez segundos e as únicas palavras que proferia repetidamente eram o quanto eu era especial para ele e em seguida pedidos de perdão e declarações. Seus carinhos me eram agradáveis, mas esse monte de repetição me causava agonia. Alguém estava para morrer ou o que?

一 Acho que vou ficar com a Cats hoje. Ben me conseguiu um emprego, vou cuidar de um garotinho da família dele, a pior criança do mundo, mas vão me pagar com queijo e um dinheiro mais do que razoável. Vale a pena não esfaquear o moleque, vou poder continuar estudando.一 Eu disse, rindo.

Chris sorriu levemente como quem não prestava atenção, mesmo assim, resolvi prosseguir.

一 Parece que você e Ben tinham planejado tudo há um tempo. Como conseguiu convencê-lo a me ajudar?

一 Apareceu a oportunidade e você está sempre na casa dos Miller, além do mais, Benjamin gosta de você, por mais que não pareça às vezes. Por trás de toda essa implicância e olhares furiosos de vocês, sei que existe uma amizade muito grande.

一 Amizade que ele esqueceu. 一 Eu disse tirando minha culpa na situação.

Chris olhou pra mim com o mais lindo dos sorrisos e continuou:

一 Pra falar a verdade, achei por muito tempo que vocês eram apaixonados um pelo outro. Lembra quando nos conhecemos e …

一 Lembro! 一 Intervi rapidamente. 一 Lembro, sim! Mas, olha, nunca houve nada entre nós, era só coisa da cabeça daquelas meninas fofoqueiras da escola. Ele sempre gostou da Cats. Ben só me ajudava com matemática. Só isso.

Menti descaradamente, mas era necessário. Quero dizer, mentira parcial. Benjamin e eu nunca tivemos nada juntos, não nada desse tipo, mas nada como estudos de matemática também. Ainda assim, sou muito grata a ele por outros motivos, por mais que ele não saiba.

Chris tentou brincar comigo e emaranhou meu cabelo enquanto caminhávamos. Parecia mais ameno, mais ele mesmo. Me acalmei mais um pouco com isso. “Chris era muito especial”, pensei, “um cara muito especial”. Olhei para ele e fiquei imaginando se seria ele o meu futuro marido ou sei lá o que que eu fosse preferir no futuro. Fiquei pensando se algum dia eu terei ele acariciando os meus cabelos para me acalmar quando eu tivesse com pesadelos ou beijando a ponta do meu nariz pra me lembrar de como ele é parecido com uma pipoca. Coisas bobas. Coisas de quem gosta de verdade de alguém e eu realmente gostava de Chris.

Chegamos ao Bushwell. Chris, como nas noventa e sete frases anteriores da nossa volta pra casa, ao me empurrar contra seu peito, repetia pedidos de desculpa. Seus olhos eram lamuriantes e pediam socorro mais do que desculpas.


一 Por favor, para com isso. 一 Minha voz já tremia junto com todo o resto do meu corpo.

Eu perguntei aflitamente por diversas vezes o que estava acontecendo, mas Chris permanecia em silêncio. Depois de três eternos minutos nos encarando, em pé, frente ao 207B do Bushwell, no corredor estreito, Chris resolveu contar o que aconteceu.

一 Tudo sempre dá errado pra mim, Iz. As pessoas sempre têm que ir embora...

一 Não eu.一 Interpelei.

一 Tenho acreditado que até você uma hora irá. É muita coisa nos sufocando: tem o exame pra faculdade, o peso de se estar há quase um ano namorando, nossos amigos. Não sei mais quem eu sou, Iz, nem o porquê disso tudo! As meninas se jogam em mim e eu as afasto dizendo que te amo! Mas como posso amar alguém se eu não ME conheço? Eu nem posso amá-la. É tudo uma farsa, Izabelle! Descobri coisas horríveis a meu respeito e não aguento e nem posso mais seguir com isso. Vamos esquecer tudo, esse namoro, um do outro… Tudo! Não consigo mais fazer isso!

一 Chris, o que você tá fazendo?

一 Parece loucura, mas se você soubesse metade do que eu sei, ia querer me ver longe também.

一 Então me diz o que é e eu decido se quero você longe ou não.

一 Sinto muito, eu ainda adoro você.一 Ele havia encerrado o assunto.

Ao dizer isso, meio que ainda descrente de que tivesse conseguido jogar aquela bomba em mim, Chris tenta apertar minha mão enquanto se vira para ir embora, mas eu não permito, puxo minha mão. Eu estava enojada, morta por dentro. Vendo minha repulsa por seu toque, Chris mecanicamente virou-se de costas e foi embora.

Que motivo mais débil pra jogar tudo que nós tínhamos fora. Algumas meninas dão em cima dele e isso é o suficiente para ter dúvidas sobre nós? Eu depositei minhas esperanças de que eu podia merecer algo bom nele e é isso que eu recebia? Que idiota! Não podia acreditar. Ele sempre foi lindo, popular e nem por isso preferiu se afastar de mim, de Cathy ou de Ben. Por que isso agora? O que diabos ele fez que eu ia querer que ele ficasse longe? Fiquei furiosa e comecei a gritar em plenos pulmões:

一 Idiota, como você pode fazer isso comigo?

Eu estava deixando ele ir e ele ainda estava indo. Corri, eu tinha o direito de saber o que ele escondia de mim, mas bati em algo e fui parar no chão. Minha vontade era de morrer ali mesmo. Tudo foi ficando escuro e o corredor do Bushwell parecia cada vez mais se estreitar. Meu mundo estava caindo, caindo, caindo...


***

Abri os olhos e como ardiam! Minha cabeça latejava. Nunca tinha tomado um porre, mas, se a sensação não era essa, não sabia mais qual poderia ser. Olhei no relógio, eram duas e quarenta, tendo em vista que não havia luz alguma no cômodo, da madrugada. Meu coração estava acelerado, foi um sonho horrível, uma droga de sono! Terminar com Chris teria sido o fim pra mim. Acho que eu não teria mais forças para seguir em frente.

Liberta de qualquer tipo de divagação, acabei por reparar que não estava no apartamento dos Miller e que, na verdade, não tinha ideia de onde eu estava. Era um cômodo amplo e se eu estava em uma cama, tratava-se obviamente de um quarto. As paredes pareciam ser azuis, com a exceção de uma que era listrada com branco e exibia umas quatro prateleiras grossas de madeira que guardavam, por ordem de tamanho, livros e outras coisas que não tinha como identificar no escuro. Paredes listradas...

Pensei em como seria bom ter alguém que se preocupasse em montar um quarto assim pra mim. Havia em um dos cantos o que me pareceu uma poltrona bem grande e acolchoada. Ri baixinho ao perceber sobre ela uma pilha de roupas emaranhadas. Todo mundo era como eu, afinal. A cama em que me encontrava era muito confortável, se fosse fácil comprar uma nuvem, sem dúvida, estaria dormindo em uma.

Me movi lentamente, tentando esticar meus músculos e por meus ossos no lugar. Percebi que seria mais difícil do que eu esperava porque parecia que um trator tinha passado por cima de mim várias vezes e dado ré. Tentei me levantar: quanta dor! Definitivamente um trator tinha passado em cima de mim, umas sete vezes pra ser mais precisa.

Como eu gostaria de ficar naquela cama mais um pouco, ela tinha um cheiro tão gostoso, poderia dizer que até um pouco familiar, mas devia ser confusão minha. Sei lá. Talvez eu só estivesse tentando achar familiaridade naquele lugar estranho. Meu Deus, tinha que sair dali. Quem havia me levado até aquela cama? A tranquilidade de um minuto atrás deu lugar a um terrível desespero. Eu tinha sido sequestrada? Mas quem deixaria sua vítima em um cativeiro de luxo daqueles? “Obrigada, sequestrador”, pensei irônica. De qualquer jeito, tinha que sair dali.

Juntei todas as forças pra me levantar e ergui lentamente o pescoço. Ao forçar os cotovelos contra o colchão para tomar impulso, meu olhar se dirige à poltrona no canto do quarto, algo se mexeu. Não era uma pilha de roupas, era uma pessoa. Meu coração parou, ou, pelo menos, era isso que parecia. Não podia respirar. Já era, Izabelle, já era. O vulto se levantou lentamente. Pela penumbra, via-se alguém de estatura normal, notava-se claramente o desenho de braços musculosos provavelmente desnudos. Era um homem. “Já era, já era, já era”, pensei. Entrei em desespero. Antes de ter uma parada cardíaca, ou começar a gritar, o vulto interviu:

一 Izabelle?

Sua voz era rouca e familiar. Parecia preocupado. Mas o que tinha eu com isso? Não precisava de preocupações alheias. Aquela pessoa me conhecia, sabia meu nome e, pelo que tudo indica, me levou a esse quarto sem minha permissão. Fiquei em posição de guarda. Minha testa pingava suor e minhas mãos mal conseguiam permanecer fechadas junto ao peito.

一 Iz, Você está bem? 一 Ele falou comigo novamente.

Descarado. Por que aquele cara fingia estar preocupado comigo? Ele desviou sua rota da cama e fez caminho até um canto oposto do quarto. No canto havia uma mesinha de madeira fina, uma espécie de criado-mudo com uma só gaveta e que sustentava um abajur branco.

Pouco depois, pude ver um pouco de seu rosto. Seu cabelo parecia ser liso e possuir um tom escuro que não consegui identificar pela falta de iluminação. Era um rosto bonito por mais que não desse para reparar muita coisa além do bagunçado charmoso que a possível falta de sono naquela noite trazia ao cara.

O rapaz puxou uma pequena corda que pendia do abajur, aumentando a intensidade da luz que sua lâmpada emitia e pude vê-lo um pouco melhor. Ele se encontrava de braços cruzados sobre o peito que sombreava a camiseta branca de malha. Usava uma calça folgada que parecia fazer par com qualquer coisa no mundo, menos com a blusa que ele vestia. Ainda assim, ou possivelmente, mais ainda por isso, ficava lindo. Se eu não estivesse tão pirada com essa história de sequestro, teria tentado dar um sorriso.

一 Bel,一 ele tornou a dizer 一 como você está?

Dito isso ele caminha pelo quarto, se aproxima de mim e faz menção de sentar-se junto a mim na cama. “Bel”... Só uma pessoa no mundo inteiro me chamava assim. Ele parecia apreensivo, mas, depois de finalmente alcançar o interruptor da lâmpada central e mais forte do quarto, se sentou junto a mim. Por que ele estava assim? Por que perguntava tanto como eu estava? Tirando o desconforto inicial com o meu pesadelo com Chris, eu estava muito bem, sim, obrigada! E se não estivesse, por que Ben se preocuparia?

一 Bel, Você está bem? 一 Falando isso, pôs uma das mãos delicadamente em minha testa.

Acordei de um transe profundo:

一 Ben? Que lugar é esse? Eu deveria estar nos Miller.

Olhei o cômodo novamente. Agora tinha certeza: era um quarto. Um quarto ainda mais organizado e high-tech do que na penumbra se podia notar. Havia um quadro grande, na parede listrada e pouco acima das prateleiras, feito de madeira fina que estava abarrotado de anotações em papéis coloridos,alfinetes e fotos de Benjamin, na infância. Acho que este era o novo quarto dele… Ruborizei. Fiquei enfurecida: por que diabos ele teria me carregado até ali?

一 Iz, deite-se você vai se sentir melhor. Toma, beba um pouco de leite.

Olhei para ele de forma desconfiada. Me olhando com ternura, continuou:

一 Vamos lá, garota! É com canela, vai deixar passar essa oportunidade?

Bebi um pouco do leite e comecei a falar:

一 Essa é sua casa? Como vim parar aqui?

一 Deite a cabeça. Sabe-se lá quantas vezes você a bateu...

Minha vontade era de matá-lo, mas precisava de algumas explicações ainda. O que me dava mais ódio era o fato dele parecer estar falando sério sobre a minha cabeça, quanto mau gosto pra uma piada só…

一 Iz, primeiramente, preciso que você escute toda história e tente se lembrar do máximo de coisas possíveis.

Ele me olhava fixamente e erguia o dedo indicador para enumerar e evidenciar a primeira das coisas que eu precisava saber, depois silenciou e ficou aguardando consentimento.

一 Estou bem e se você me perguntar se eu estou bem novamente, juro que quebro seus dentes da frente. Ninguém nunca mais vai querer te beijar se você ficar assim, senhor sedutor!

Um sorriso, que ele tentou camuflar, apareceu leve no canto de sua boca. Benjie era uma pessoa legal. Por mais que eu dissesse o contrário, ele era meu amigo.

一 OK! Você está bem e não falamos mais nisso. 一 Ele colocou as mãos pro alto, dramático, fingindo estar rendido. Abaixando as mãos e tornando sua expressão mais sóbria, continuou a falar:

一 A segunda coisa que eu queria que você soubesse é que nem eu tenho certeza do que aconteceu. Está tudo muito fragmentado pra mim.

Ok, ele só podia estar brincando. Essa cena toda por nada? E como assim “o que aconteceu”? Não! Não! Não! Ben e eu… Impossível! O fim da história verdadeira me fez desejar por alguns segundos que a primeira opção do que poderia ter acontecido fosse verdade.

Benjie me contou tudo. Ele tinha decidido voltar da faculdade mais cedo porque precisava ler o último capítulo de um livro para a aula de ciências políticas do dia seguinte. Quando chegou próximo ao Bushwell, colidiu com alguém que corria desesperadamente em direção a rua. Era Chris, ele estava transtornado. Ben quis saber o que tinha acontecido mas Chris só repetia meu nome e parecia louco.

一 Tentei sacudí-lo, chacoalhei seus ombros. Ele continuou com aquele ar de cientista maluco. 一 Benjamin continuava contando a história.

Eu congelei. Nada havia sido um pesadelo, Chris tinha surtado, Ben tinha visto também. Que droga! Era real. Continuei a ouvir a história, Benjie sabia coisas que eu não fazia ideia. Ele disse Chris pareceu voltar ao corpo por alguns minutos e disse para que ele deveria me ajudar.

一 Bel, sinto muito! Tentei correr atrás dele, mas não o alcancei. Lembrei-me de você e resolvi voltar rápido para ver se algum acidente havia acontecido. Subi as escadas de incêndio o mais rápido que pude. Fui checando corredor por corredor para te achar. Encontrei você desmaiada, em frente ao apartamento dos Miller, sua cabeça estava muito próxima a um vaso de planta no canto do corredor, acho que você bateu a cabeça ali, seu rosto estava molhado, parecia que você havia chorado muito. Bati enlouquecidamente na porta dos Miller. Não havia ninguém em casa. Quando dei por mim, você estava no meu colo, apagada, a caminho do meu quarto. 一 Ele muda o ritmo da história. 一 Bel, olha, vou te contar uma coisa mas você tem que jurar que não vai morrer de vergonha ou me matar, ok? 一 Ele olhou pra baixo envergonhado e confuso.

一 Tá bem. 一 Essa era minha voz? Era eu falando, mas não parecia eu. Era tudo sem vida e sei que Ben sentiu o mesmo, ele me olhou caridosamente e prosseguiu:

一 Seu corte... eu precisava limpar e evitar que infeccionasse. É que o suor pode causar… Que droga! Só sinto muito. Juro que se não precisasse… Cat não me atendia e não dava pra esperar até minha mãe voltar do plantão, ela só volta hoje às oito da noite, seriam quase dezoito horas de risco de infecção. Limpei você e seu corte. Não foi nada muito sério, fiz um curativo, troquei sua roupa e coloquei você aqui.

Eu olhei pro meu corpo e, depois de ter toda minha cabeça girando na mais terrível vertigem do mundo, reparei nas minhas roupas. Eu usava uma blusa imensa marrom, calça de moletom branca e meias. Eram roupas de Benjie. Ele continuava a se desculpar incansavelmente, mas eu, estranhamente, não sentia vergonha. Me sentia grata e triste, muito triste por ter chegado a esse ponto e muito grata por ele ter feito tudo isso por mim.

Nossa relação sempre teve muitas barreiras; Éramos amigos, mas vivíamos brigando porque, se por um minuto que fosse não fizéssemos isso, as pessoas entendiam mal. Em último esforço, estendi meus braços e os envolvi no pescoço de Ben. Minha cabeça caiu fracassada em seu peito.

一 Obrigada 一 Falei baixinho.

Comecei a chorar, meus soluços pareciam gritos de tortura. Nunca senti nada tão genuíno, nem meus sentimentos por Chris. Meu pescoço era tomado por um nó de angústia. Chorava, chorava, chorava. Ben não falava mais nada, juntou meus cabelos em uma das mãos e alisava-os. Suavemente me embalava. De um lado pro outro. De um lado pro outro. Eu dançava em uma nuvem melancólica.

Ele tentava me confortar, por certo, mas eu sabia que ele, assim como, ou mais que, eu, estava despedaçado. Ao menos cinco minutos torturantes passaram. Respirei fundo. Era hora de continuar a tentar entender. Olhei pra ele, seus olhos estavam marejados e sua respiração estava limitada. Percebi que tinha um nó no peito. Chris desde a adolescência foi um irmão pra Ben. Estávamos sozinhos.

一 Obrigada, Benjie, nunca serei suficientemente grata.

Eu me afastei um pouco dele e voltamos a posição de antes do choro.

一 Não quero gratidão, só fiz o necessário. Sempre fomos amigos, não fomos? Ah, se você quiser suas roupas, elas estão na secadora, posso trazê-las a você.

一 Eu-eu estou bem assim. Suas roupas são bem limpas, pras minhas ficarem desse jeito, você vai ter que lavá-las umas três vezes, pelo menos. 一 Dei um soquinho amistoso em seu ombro.

一 Tá certo. Olha, posso ligar pra Catherine de novo, se você preferir. Você deve estar bem desconfortável aqui.

Ele tentava ser educado e parecia estar sempre frustrado por não conseguir fazer com que eu me sentisse bem.

一 Brendon, para de ser nerd-educadinho. Se você não se importar, posso passar o resto da noite aqui. Já são quase quatro da manhã, Cat já deve estar voltando e, outra, se eu cair da cama e bater de cabeça de novo, não vou saber fazer um curativo tão bom quanto esse. 一 Disse apontando para lateral da minha cabeça. 一 Pela manhã, vou embora. Quando você acordar, não estarei mais aqui. Juro por todo queijo do mundo! 一 Brinco.

一 Para de bobeira. Você dorme aqui e não sairá desta casa enquanto não me contar o que aconteceu antes do que sei. Temos que juntar as peças desse quebra-cabeça. Sei que está tudo muito dolorido, mas algo não está fazendo sentido, temos que descobrir o que é. Combinado?

一 Combinado.

一 Ok, mas agora vamos dormir! Boa noite, Bel! 一 Ele deu duas batidinhas no meu joelho e sorriu.

Ben havia sido muito gentil comigo. Lembrei do nosso abraço desesperado a alguns minutos. Nunca tinha abraçado Ben; Não em menos de cinco anos; Não fora de datas comemorativas; Não além daqueles abraços que a educação exige: um abraço de parabéns, de feliz natal, feliz ano novo. Fora esses projetos de abraço, há tempos não ficamos assim. Não depois que os comentários começaram no ginásio; Não depois que dar bom dia a ele na escola, significava aos outros um casamento. Foi um abraço angustiante, na pior das situações que pudéssemos imaginar, mas foi libertador. Não ligava mais para o que iam dizer, Benjie era meu amigo. Ele se deslocava em direção a porta um pouco devagar demais. Queria que ele soubesse como me sinto, nada mais justo.

一 Ei, senhor fortinho?

Ele olhou, rindo sinceramente com minha zombaria:

一 Diga, Florence.

一 Hoje foi uma droga de dia, mas fico feliz que está tudo bem entre a gente! Você é um bom amigo.

一 Bel, acho que você bateu sua cabeça forte. Foi uma pena eu não ter filmado isso pra te chantagear pro resto da vida. 一 Rimos um pouco. Por um minuto, meu coração se aliviou. 一Boa noite, diabrete.

一 Boa noite, engomadinho! E sobre o abraço … 一 Abaixei o olhar, não sabia se Brendon ia levar o seu ato protetor instintivo na boa.

一 Ninguém precisa saber se isso for fazer mal a sua reputação de destruidora de corações de nerds. Hasta la vista! 一 Ele piscou com um dos olhos e acenou.

一 Ninguém liga pro seu espanhol. 一 Ri.

一 Tem muita gente que liga, sim. Trégua, certo? Estou no quarto da minha mãe. Qualquer coisa, berre!

一 Pode deixar. Boa noite, Benito!

O dia havia sido tão ruim que ele nem respondeu ao apelido que mais odeia. Só me olhou e franziu o nariz, depois saiu e fechou a porta atrás de si. Um silêncio estranho flutuava no lugar. Não queria pensar em Chris, mais uma gota de lágrima e não sei mais do que seria paz de fazer. Queria dormir. Só dormir.

Fiquei cantando músicas aleatórias até sentir as primeiras pontadas de sono. Quando a sonolência chegou, virei-me na cama. A parte não machucada da minha cabeça afundou no travesseiro fofinho e limpo de Ben. Dormi.

Notas finais
Nossa, hein! Quantas emoções... Quero saber o que vocês acharam. Falem comigo! Em dois dias posto mais um capítulo. Divulguem, releiam, amem essa história junto comigo. kkk Até mais, meus leitores lindos. Beijo da tia. ♥