Haunting

4 Parte IV


Notas iniciais
O início de uma peça chave para os acontecimentos futuros e o que vai determinar o destino de vários personagens da história.

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Lania passou a tarde toda empacotando algumas caixas com roupas e alguns brinquedos para a Laura. Esta ficava brincando, mas vendo a mãe exausta, mas ainda empacotando algumas roupas, ela pega alguns dos brinquedos que ela havia pego e ajuda a mãe a guardar nas caixas também. Ambas terminam, quase a noitinha. Laura ficou com apenas o ursinho sem cabeça na mão, para ficar brincando, enquanto que a mãe, extremamente exausta, foi tomar um banho, agradecia por ter uma banheira, pois poderia deitar a cabeça e relaxar.

Laura ficou brincando com o ursinho, um pouco sem entender o porque dele não ter mais a cabeça, mas tinha uma vaga lembrança do ocorrido, mas não se importava, agia com naturalidade. Lembrou que a mãe dela queria jogá-lo fora, mas ela chorou, querendo o ursinho para ela. Lania ainda tentou falar que iria comprar um mais bonitinho, mas ela negou. Sem entender, Lania entregou o ursinho de volta, após dar uma sacudida na poeira dele e ver se não tinha nenhum caco de vidro preso no mesmo.

Laura brincou mais um pouco com o urso, mas depois parou, viu algo que chamou a sua atenção, que vinha do quarto. Lentamente deixou o ursinho ao seu lado e caminhou em direção ao quarto. Ouvia gritos, bem próximos: tentava apenas distinguir de onde. Olhou pela janela e, sem perceber, se cortou em uma lasca de vidro, mas nem se importou, voltou a olhar pela janela, não viu nada de anormal, quando, de repente, olhou para o lado e viu uma mulher ser arremessada pela janela e caindo com tudo em cima de um carro. Desesperada, queria gritar, mas sentiu novamente: aquelas dores, que tanto lhe incomodaram e recordou por completo os acontecimentos do dia anterior. Caiu de joelhos no chão, começou a chorar e a gritar e novamente, as ondas iam sendo emitidas.

Lania se secou e, pôde ouvir um grito, bem longe. Ou estaria perto? Não poderia precisar, devido ao barulho da água escoando pelo ralo da banheira. Abriu a porta as pressas e viu o ursinho largado no chão e se desesperou: \"Laura.... LAURA! CADÊ VOCÊ!?!\" Olhou em todos os cantos, por alto, mas não a encontrou, começou a ouvir os choros vindo do quarto dela e correu para lá. A encontrou, pressionando a cabeça, em pânico. Ao dar um berro de dor, Lania se apavorou: ela fora arremessada contra o chão, por algum tipo de onda invisível.

Começou a se desesperar e tentou novamente a se aproximar da filha e a abraçá-la, para ver se conseguia, pelo menos, amenizar o sofrimento de sua filha. \"O que... O que está havendo, minha filhinha...\". Chorava, mas continuava tentando, mas cada vez mais era arremessada para trás, até que ela parou por alguns instantes e conseguiu segurar sua filha, aplicando alguns carinhos e a abraçando firmemente. Aos poucos, aquela cena bizarra começava a ceder e a garotinha, exausta, a desmaiar nos braços de sua mãe. Ficaram assim por quase uma hora e ela viu a marca de sangue na janela. Olhou a mão de sua filha e viu o pequeno corte. Vendo que ela dormia, foi em direção a janela e não viu nada incomum, a não ser o sangue.

\"O que será que ela estava fazendo?\" Virou-se de costas e estava voltando para a sua filha, quando ouviu um barulho de janela quebrando e um grito de alguém caindo, batendo forte no que parecia ser metal. Voltou correndo e viu uma mulher estirada, em cima de um carro. Em pânico, pegou a filha, que começava a despertar depois do barulho, e a levou para o seu quarto, certificando-se que, pelo caminho, a porta de entrada estava trancada e ficou acariciando a filha, até que ela voltou a dormir. Lania permaneceu acordada a noite inteira, pensando. Depois disso, a vizinhança iria se tornar um inferno, iria o quanto antes mesmo, tirar sua filha dali.

Sem conseguir pregar um olho direito, conseguindo dormir, muito mal, umas 2 horas e, mesmo assim, tivera inúmeros pesadelos, sendo um deles que sua filha havia tido outra crise, Lania desperta, olha a filha e tranquiliza: ela dormia tranquilamente, como um anjinho. Acariciou levemente a cabeça dela, que permanecia dormindo, ainda abraçada ao ursinho sem cabeça. A cobriu e foi preparar algo para o café e, depois, estariam colocando suas coisas \"nas costas\" e partindo para a casa de sua mãe. Torcia que tudo desse certo, mais pela sua filha do que por ela mesmo.

Logo o café estava pronto e ouviu alguém bater na porta. Suspirou, lembrando dos acontecimentos da noite seguinte. Se aproximou da porta e viu, pelo olho mágico, que era a polícia. Parou um tempo, e logo abriu, sem remover a correntinha.

L: \"Pois não?\"
G: \"Bom dia, senhora. Estamos aqui para fazermos algumas perguntas.\"
L: \"Er... me desculpe, meu senhor... Eu estava para acordar a minha filha agora.\"
G: \"Não vai demorar mais do que 10 minutos. Podemos entrar?\"

Lania suspirou. Os policiais, sentados a sua frente, ficavam olhando-a. Lania tentava se controlar: não tinha culpa do que havia acontecido, mas estava com medo por sua filha, sozinha no quarto e, ao mesmo tempo, evitar de parecer suspeita.

L: \"Perdoem-me meu nervosismo. Se quiser fazer uma investigação na casa, não será problema algum. Mas é que, recentemente...\" Fez uma pausa. \"... eu e minha filha estamos tendo alguns problemas e ela acabou de voltar do hospital. Então eu estou muito preocupada com ela.\"
G: \"Nós entendemos. Poderia nos mostrar o apartamento, só queremos investigar.\"
L: \"É sobre... o acontecimento de ontem, não?\"
G: \"Sim... então, queríamos saber: sabe de algo sobre o ocorrido, viu algum suspeito, ou alguma informação que possa nos ajudar?\"
L: \"Bem, meu senhor. O que eu sei é que eu fui buscar minha filha no antigo quarto dela... Foi quando eu ouvi o barulho da vidraça se espatifando e o grito da jovem até ela cair lá embaixo.\"
G: \"Poderia nos mostrar o quarto, se não for incômodo?\"

Lania levou os policiais até o quarto, eles estranharam a destruição do local, mas ficaram em silêncio, até que ela mostra a janela. Os policiais perceberam que daquela janela tinha uma fácil visão do local aonde a equipe da perícia fazia as últimas investigações.

Laura despertou, vendo e sentindo algo de errado na casa, sacudiu a cabeça, na tentativa de afastar o sono, depois ficou sentada na beira da cama, meio cabisbaixa, depois virou para o lado e ouviu a sua mãe falar com alguém. Mesmo que, aonde ela estava, não poderia nem ouví-la, mas sentia que alguém falava com ela, fechou os olhos e viu, em su mente, que eram dois policiais. Lembrou do hospital, quando aquele policial deixou sua mãe triste, e lembrou de quando o policial sofreu aquele \'acidente\'. Sim, provavelmente vieram prender sua mamãe por causa daquilo. Precisava fazer alguma coisa, mas não conseguia pensar em nada.

Lania continuava mostrando o local, até que, um dos policiais, não conseguindo se segurar, perguntou.

G: \"O que... o que houve naquele quarto?\" O outro policial olhou para ele com aquele olhar, que não deveria ter feito aquela pergunta.

Lania ficou em silêncio, olhou para o quarto antigo de sua filha e, aonde ela, estaria dormindo agora. Suspirou, e olhou para o policial que tinha feito a pergunta.

L: \"Eu disse que, minha filha tinha recém voltado do hospital, não?\" Olhou para os dois, vendo que eles concordaram. \"Então... minha filha está passando por algumas crises. Como vê, estou recém divorciada e, creio que...\" começa a ficar um pouco triste. \"... isso tudo está sendo uma experiência traumatizante para ela. Tentei colocá-la em creches, mas ela já foi expulsa de duas e, estava para ver outra quando... ontem... ela...\" voltando a chorar. \"... destruiu tudo no quarto dela e, bem... havia sido levada para o hospital, pois não despertava...\"

G: \"S-sinto muito, minha senhora. Mas... sabe que...\"
L: \"Sei... eu estava para me mudar, para a casa de minha mãe. E esse evento atual, me fez acelerar o processo. Hoje mesmo eu estarei me mudando com ela...\" Enxugando algumas das lágrimas, que ainda insistiam em cair.
G: \"Bom, desculpe-me ser meio frio, mas terá que nos passar o seu novo endereço, no caso de precisarmos de mais informações sobre os eventos de ontem a noite.\"
L: \"Tudo bem...\" Toma nota do endereço num papel e entrega aos policiais. \"Bom, vocês já viram tudo aqui, não? Desculpe-me, mas tenho que cuidar da minha filha...\"
G: \"Oh, mil perdões. Sim, sim, já estávamos de saída... Bom, tenha um bom dia, minha senhora e, boa sorte para a senhora e sua filha.\"

Lania agradece e, em seguida, fecha a porta do apartamento. Suspira, um pouco exausta, olhou mais uma vez pelo olho mágico, apenas para se certificar que os policiais iam embora. Acalmando-se, voltou a cozinha. O café já estava meio morno, mas ainda estava bom, logo ia chamar a sua filha e tomar um café com ela.

Os policiais saem do apartamento, meio em silêncio e entram na viatura. Já haviam questionado toda a vizinhança e não conseguiram descobrir nada: o motivo da morte da jovem e o paradeiro do criminoso e, muito menos sabiam quem ele era. A única certeza que tinham é que não havia sido suicídio: a jovem apresentava algumas marcas roxas na altura do pescoço e alguns outros hematomas no corpo, que não foram causados pela queda. Nem perceberam que passavam por um sujeito com um sorriso sarcástico no rosto, que riu quando eles passaram. Ele olhou para cima e viu a janela do apartamento vizinho aonde os guardas e aquela mulher estavam. \"Heh, será que ela me delatou?\" Havia visto a mulher de relance, mas agora havia a visto melhor, quando ela apontou da janela de seu apartamento. \"Vadia!...\" Cuspiu no chão e saiu, andando em direção a cidade e evitando se aproximar muito da viatura.

Os policiais nem percebem o estranho sujeito passar e ir embora do local, ligam o carro, ainda conversando algumas coisas.

P1: \"Nada até agora, sob o paradeiro do sujeito... Mais um caso para os não solucionados, Carl?\"
Carl: \"Sei lá, Jake... aff, \'bora passar em algum lugar para pegar algo para comer... já vi que hoje a gente vai fazer serão só por causa disso...\"

Jake liga a viatura e partem.

C: \"E as coisas lá na sua casa, Jake?\" Olhando o parceiro.
J: \"Ahh... na mesma... ela tá falando agora que quer o divórcio... vê se pode?!\" Olhando para Carl.
C: \"Feh, era só o que faltava, hein!? Hmpf...\"

Carl se vira para frente e fica branco, tendo apenas tempo de gritar: \"JAKEEE!\"

Jake se vira e olha uma garotinha parada no meio da rua, cabisbaixa, seus cabelos negros cobrindo o rosto. Sem pensar duas vezes, girou o volante a toda para um dos lados e pressionando os freios instintivamente, o carro começa a rodopiar e, em seguida, ruma em direção a um poste e, sem conseguir frear a tempo, o carro bate com tudo nele.

Notas finais
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Quis deixar o drama dos acontecimentos para a próxima parte, mas foi um dos capítulos que mais me divertiu e, ao mesmo tempo, o que me deu idéias para fazer os elos entre todos os demais.