Haunting

2 Parte II


Notas iniciais
Continuação do anterior. Após a morte do policial e o retorno da jovem menina e sua mãe para casa. Foi bem interessante a idéia de mostrar e separar o capítulo bem na parte em que o policial morre.

Apesar da tragédia e os paramédicos tentarem algo, havia sido inútil: o guarda havia morrido no momento do acidente. As pessoas ainda corriam, tentaram colocar a culpa no caminhoneiro, mas ele tinha testemunhas que o policial havia saído do carro em cima da hora e, mesmo que tentasse frear -coisa que ele havia tentado-, seria impossível de ter evitado a tragédia.

Mas alheia a situação, Lania estava com o ouvido colado a um dos telefones públicos do hospital, tentava várias vezes ligar para a casa de sua mãe, mas pelo visto, ou não teria ninguém, ou não queriam atender o telefone. \"Bem, ela nem tem como saber que sou eu ligando.\" Suspirou, ao colocar o telefone no gancho, queria ver se a filha estava bem, depois tentaria de novo.

Estranhou o movimento no hospital, mas nada mais importava, apenas queria ver a filha, não demorou muito e chegou ao leito aonde ela estava. Exibiu um sorriso ao vê-la dormir serenamente. Sorriu um pouco ao vê-la calma.

\"Espero que a agitação do hospital não a desperte...\" pensou. Logo estava acariciando gentilmente os cabelos de sua filha.

Após algumas horas, uma enfermeira olha as duas e, com um sorriso gentil, tocou gentilmente no ombro da Lania, que havia adormecido ao lado da filha, tão exausta que ela estava.

Lania tinha recém chegado do trabalho, quando encontrou o quarto da filha em destroços. Se desesperou e, ainda mais ao ver sua filha desmaiada. Não havia sido a primeira vez que isso tinha ocorrido, mas havia se desesperado com o tamanho estrago causado. Percebeu que os vizinhos haviam alertado a polícia e os bombeiros, que entraram logo em seguida, levando a menininha, ainda desmaiada, numa maca até a ambulância. Lania a acompanhou.

Lania precisou que, esses eventos haviam se tornado piores, quando ela havia se separado e se sentia culpada, em parte, pelo que ocorria. Mas sua filhinha já apresentava alguns comportamentos anormais desde que era um bebê: certa vez, havia deixado-a deitada no bercinho e, havia deixado uma mamadeira em cima de uma cômoda, a uns dois ou três metros do bercinho, para atender a um telefonema e, quando retornou, ouviu o choro e, ao ver, viu que a mamadeira estava caída dentro do berço, sujando a bebezinha de leite. Teve outros eventos, que ela se lembrava, mas este havia sido, de todos, o que ela havia estranhado, já que o marido estava fora e não havia mais ninguém na casa. Mas nunca se importava: sempre amou sua filha, mesmo ela sendo sempre um pouco diferente das demais crianças. A amava e, como mãe, era algo que nem poderia ser discutido.

Lania, sendo despertada pela enfermeira, esfregou os olhos, na tentativa de afastar o sono e havia se assustado, procurando a filha, mas vendo que ela ainda dormia ao seu lado, tranquilizou.

E: \"Calma, calma...\" sussurrando, a enfermeira começou a conversar com Lania. \"Sua filha está bem, estamos apenas deixando-a sob observação, mas logo você poderá levá-la para casa.\" Sorriu, e Lania se acalmou mais um pouco.

Havia sido a melhor notícia que havia tido nesta noite. Agradecia, em parte, de ser uma noite de sexta. Teria o final de semana para pensar e decidir o que iriam fazer. Mas tentava evitar de se preocupar: iria deixar para pensar melhor amanhã, hoje queria apenas esta com sua filha e mal aguardava a hora de serem liberadas. Iria dar um banho na menininha e ela própria tomar um e brincar com sua filha.

Por volta da meia noite, a menininha foi liberada pelos médicos. Lania preencheu todas a papelada e, logo que terminou, segurou e abraçou sua filha no ar, feliz de vê-la bem. A menininha, extremamente feliz, abria os braços, sorrindo muito. Ela olhou para a sua mãe e, sorrindo, perguntou: \"Sorvete!?!?\"

Lania riu e, segurando ainda sua filhinha no ar, disse meio desanimada: \"Bom, agora está tudo fechado, mas mamãe tem sorvete em casa e eu preparo algo especial para você, ok fofinha?\". A menininha, feliz, sorriu e concordou com a cabeça. Mãe e filha pegaram um táxi e, em pouco tempo, estão abrindo a porta de casa.

L: \"Bom, hoje, a fofinha vai dormir comigo, tá?\" acariciando a cabeça da menininha.
M: \"...tá!...\" se sentando no sofá e olhando para a Lania, que ia em direção ao banheiro, preparar o banho da sua filha. Quando retornou, levou um susto ao ver sua filha parada, de cabeça baixa e de costas para ela, parecia caminhar em direção ao quarto.

L: \"F-filha!??! O que foi!?\" Chamou a garota, mas ela continuava a ir até o quarto e, quando ela entrou, desapareceu na escuridão, procurou a garota e nada, desesperada, já ia correndo para a saída, achando que a garotinha havia saído pela janela, mas se assustou em ver a menininha ali, parada no mesmo lugar aonde esteve.

L: \"Laura, minha filha...!?! M-mas como?\"

A menininha Laura apenas a olha, com o seu costumeiro sorriso. \"? O que foi, mamãe?\"

Lania, meio assustada e confusa, atribuiu ao stress do dia o evento e, segurando sua filha no colo, a levou para o banho.

Ajudou a menininha a se lavar, enquanto que ela sorria e brincava com um patinho de borracha, batendo-o na água e formando ondinhas, com o cabelo todo ensaboado. Logo as duas terminam de se banhar e a Lania prepara um milkshake para a filha, com um pouco de sorvete que tinha na geladeira.

L: \"Prontinho! Vê se tá gostoso!\"

Laura toma, toda feliz e ficando com um bigodinho no rosto e rindo. \"Aaahhh... delicioso, mamãe!\" e voltava a tomar mais um pouco. Lania ficava apenas acariciando o cabelo e sorrindo para sua filha.

Apesar de todos os problemas que ela estava passando, Lania realmente ama a sua filha. Ficava magoada com as pessoas que diziam que ela era estranha. Era o tipo de amor materno verdadeiro: ambas realmente se amavam e, mesmo com todas as preocupações que ela trazia, ela nunca havia desistido de cuidar dela.

Lania também havia tido um problema durante a gravidez e, mesmo tendo um parto de risco, ela conseguiu ter uma menina saudável, mas, devido ao problema, ela não poderia ter mais filhos. Mas que importava? Laura estava bem e saudável. Era uma menina muito bonita e era sua primeira gravidez e, devido ao problema, a sua última. Dava todos os mimos e carinhos a menininha, que sempre adorou mais a mãe do que o pai, que sempre era ausente nos cuidados para com ela.

Quando eles se separaram, Lania atribuiu os problemas que a filha apresentava, devido as constantes brigas que o casal enfrentavam. Jurou a si mesma, assim que obteve a guarda da filha, que iria cuidar dela ao melhor possível. Mas seus problemas começaram a surgir, quando precisava deixar a Laura em casa sozinha, depois da escola: Laura sempre fora taxada e marcada nas escolas que ela foi matriculada. Os coleguinhas a maltratavam e a ofendiam, além de várias vezes a empurrarem. Soube de uma vez que, um dos coleguinhas de aula a havia empurrado de encontro a uma parede e ela ficara com o braço roxo por uma semana. Ouviu alguns boatos que o mesmo garoto, havia caído da escada, quebrando as duas pernas momentos depois de ter feito isso. Tentaram associar os fatos, mas Lania interveio em proteger sua filha e o caso acabou ficando definido como um simples acidente.

Após outros casos, os coleguinhas de classe passaram a ter tanto medo de aula que Lania foi obrigada a retirar sua filha da escola. Tentou mais uma vez, mas também acabou acontecendo o mesmo. Suspirava ao lembrar disso, mas ao ver os olhares felizes de Laura, a faziam esquecer por completo a tristeza: ela era realmente linda, como podiam dizer tais barbaridades dela? Acariciou novamente os cabelos da filha, que fechava os olhinhos, feliz ao sentir o carinho, terminando de tomar o milkshake.

Logo que terminou, Laura botou o copo em cima da mesa e lambendo os lábios, na tentativa de limpar o bigodinho formado.

L: \"Prontinho?\" Lania acariciou os cabelos da sua filha, que sorriu de volta, concordando com a cabeça. \"Então ok. Vamos escovar os dentinhos e depois para a cama. Quer que eu conte uma historinha?\" Sorrindo para a filha, que respondeu: \"Quero, mamãe! Me conta aquela que eu tanto gosto?!?\" Fazia aquele olhares implorativos, que sempre derretia o coração da Lania que, sorrindo, concorda com a cabeça:

L: \"Sem problemas... mas tem que escovar logo os dentinhos, senão não vou contar, ok?\" Rindo, viu a filhinha indo para o banheiro mais do que depressa, enquanto que ficou lavando o copo e o liquidificador.

Laura pegou um pequeno banquinho e abriu o espelho-armário e pegou a escovinha e a pasta de dente, mas ao fechar, viu seu reflexo no espelho, ficou se olhando por algum tempo e pôde ver que, o seu reflexo desaparecia, aparecendo a sua mãe, no lugar, vendo que ela lavava o copo liquidificador, só que, ela o deixa cair e começa a chorar. Laura assistia tudo, como se estivesse vendo de uma câmera interna, através do espelho.

L: \"... Por quê... por quê as coisas tem que ser assim...?\" Lania se virou, vendo se sua filha estava ali, não queria chorar e demonstrar fraqueza na frente dela: era tudo o que ela menos precisava naquele momento, após ter saído do hospital. Fungou um pouco, tentando se recompor e enxugando as lágrimas. Suspirou fundo e guardou o copo do liquidificador e estranhou a demora da filha. Rezando para que tudo estivesse bem, ela foi de encontro ao banheiro e dando pequenas batidas, percebeu que a porta se abria e viu a filha ali, olhando-a.

L: \"... O que... O que foi minha fofa? Já escovou os dentinhos?\" Tentava forçar um sorriso, na tentativa de espantar a tristeza que tinha lhe abatido, momentos antes, mas Laura permanecia olhando-a, com uma expressão num misto de serena e preocupada.

L: \"T-tem... algo de errado, minha fofinha? O que houve? Fale com a mamãe, por favor...\" se ajoelhou perto da filha que, logo imediatamente ela ter feito isso, Laura veio de encontro a ela e, estendendo os bracinhos, abraçou a sua mãe. \"Vai... ficar tudo bem, mamãe...\"

Lania estranhou. \'Laura, você?! C-Como?!?\' Não conseguia pensar muito. Ao sentir o abraço de sua filha, começou a chorar desenfreadamente. Havia prometido ser forte, mas desabou naquele momento. \"Mamãe... promete... que nunca, nada de mal... vai lhe acontecer...\" Voltando a chorar.

Laura, apenas abraçando-a, continuava com a mesma expressão. \"Eu sei, mamãe... Eu também, não vou deixar nada de ruim acontecer pra você.\"

As duas ficaram abraçadas. Lania chorando muito, enquanto que Laura permanecia serena, abraçando a sua mãe.

Notas finais
Foi divertido e interessante mostrar o relacionamento mãe e filha e, também, em mostrar como as duas se adoram, mesmo com tantas dificuldades.