Haunted House
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Agradeço a todo mundo que mandou reviews, muito obrigada mesmo, e, bem, espero que gostem desse capítulo :)
12:34 AM
— Dizem que a maldição começou há vários anos, durante a construção da casa — disse Santana usando seu tom misterioso, pondo a lanterna por baixo de seu rosto e criando uma imagem fantasmagórica, que não foi muito apreciada por Rachel. — Um dos arquitetos morreu de forma trágica após negar uma sugestão do dono. Quase no final da obra, uma reclamação de um dos pintores por baixo salário também o matou.
— O pintor morreu de tuberculose — Quinn sussurrou no ouvido de Rachel. Um arrepio percorreu o corpo dela por inteiro ao sentir a proximidade que ela e Quinn ainda compartilhavam.
— Cale a boca, Fabray — disse Santana enfurecida, apontando a lanterna para o rosto da garota. Brittany filmava tudo com um sorriso no rosto, misturando-o às vezes com uma expressão interessada. Como ela conseguia luminosidade para filmá-las, Rachel não fazia ideia. — Ou eu corto suas bolas.
— Se ao menos tivesse — ela retrucou maldosamente, tentando enxergar com a luz da lanterna em seu rosto. — Não sou você, Lopez.
— Tudo bem, já acabou! — exclamou Brittany, largando a câmera e puxando Santana para o chão para sentá-la quando a garota ameaçou levantar e atacar Quinn. — Droga, gente, acalmem seus hormônios. Por favor, Santana, continue a história.
Santana bufou, se desvencilhando de Brittany. Pegou de volta a lanterna e a mirou em seu rosto, dando um sorriso escárnio na direção de Rachel.
— Todos culpavam o velho dono da casa — ela continuou em um sussurro. — Lima era uma cidade menor ainda naqueles tempos, quer dizer, o que um velho milionário iria querer numa cidade como essa? Os moradores começaram a acompanhar os passos dele, entender sua vida, sobre como ele quase nunca saía de casa, observavam o fato da comida do velho vim de outra cidade maior, essas coisas. E claro, as mortes.
A essa altura, o corpo de Rachel tremia violentamente, desejando que fosse por causa da proximidade de Quinn, mesmo sabendo que não era. Qualquer barulho que ouvia seguia-se de uma grande palpitação e tudo o que pensava era em como um fantasma poderia matar. O sal que Brittany mencionara funcionaria mesmo como proteção? Ela deu uma olhadela ao redor das garotas, contudo, não havia nenhum branco que indicasse o uso de sal.
Engoliu em seco e quase foi cegada quando Santana mirou a luz da lanterna em seus olhos.
— Com medo, Berry? — perguntou desdenhosa. — Não é o tipo de coisa que se acha em um Game Boy, hein?
— Deixe-a, Santana — pediu Quinn num murmúrio.
— Ora, isso é novo. Por que tá defendendo a anã, Fabray?
— Para que você termine a história e possa voltar a transar com Brittany em um desses quartos.
Rachel prendeu a respiração enquanto Brittany abria a boca em choque. Até Santana pareceu perder o controle da situação, vacilando nas suas próximas palavras.
Então era verdade, pensou Rachel, satisfeita consigo e as corretas teorias que tivera. Brittany e Santana tinham uma relação que ia muito além da amizade. Eram, de certa forma, amantes. Não realmente fiel uma a outra — Rachel já perdera a conta de quantas vezes vira Santana sugando a boca de Noah Puckerman, um jogador de futebol idiota, nos corredores da McKinley —, mas provavelmente eram quem procuravam quando precisavam de algo além de beijos sensuais.
— Eu... é... — Santana gaguejou, seu olhar obviamente em Rachel, temendo que ela pudesse contar alguma coisa a alguém na escola.
— O que acontece numa casa assombrada, permanece numa casa assombrada — respondeu Rachel dando de ombros, se perguntando se os sentimentos que estava sentindo para com Quinn fossem fazer o que sua frase mandara: não lembrar nada no momento em que saíssem da casa.
— Beleza. — Santana respirou aliviada. Ela voltou com o sorriso maroto, como se nada tivesse acontecido, e, com a lanterna novamente em seu rosto, estava pronta para prosseguir com a história. — Onde eu estava? Ah, sim. Todos em Lima trataram de culpar o maldito velho e sua misteriosa vinda pelas mortes dos homens. Até que um dia, então, a notícia chegou à cidade: o velho morrera.
— Como eles ficaram sabendo disso, se quase ninguém o via pela cidade? — Rachel perguntou aterrorizada. Fazendo uma viagem mental por sua infância, descobriu que ela jamais havia assistido a um filme de terror, e agora entendia por quê.
— Não souberam. O fantasma dele apareceu para a mulher de um dos mortos.
Quinn revirou os olhos; Rachel a escutou dizendo “que bobagem” num sussurro irritado, possivelmente não querendo levantar mais uma briga com Santana. Brittany filmava as reações das garotas, mas o foco era mesmo Santana, que continuava com aquele seu ar assustador e a lanterna iluminando seu rosto.
— Quando correram para a casa, descobriram que a mulher tinha acertado. O velho estava morto, porém não totalmente. Desde então, ele, em forma de ectoplasma, vaga os corredores dessa casa, assustando os moradores, a deixando solitária, como ele fora em vida, para sempre.
Santana terminou com uma risada maquiavélica, fazendo Rachel pular no mesmo lugar. Quinn balançou a cabeça, cética, e soltou outra risada sarcástica.
— Essa é sua melhor história de terror? — zombou ela enquanto a câmera de Brittany focalizava seu rosto.
— Contada pelo meu avô desde que eu tinha três anos de idade — Santana disse orgulhosamente, tirando a luminosidade da lanterna de seu rosto e colocando o objeto no chão, criando sombras bizarras de um dos colchões na parede atrás de Rachel.
— Seu avô contava esse tipo de coisa para você quando tinha três anos? — indagou Rachel, sentindo-se uma verdadeira perdedora. Seus pais lhe contavam, desde pequena, somente contos da Broadway e cantavam as músicas das peças de teatro. O mais próximo que ela já ouvira de história de terror fora quando ouviu que as pessoas negavam Barbra Streisand por ela ter nariz grande (uma grande afronta para ela, que tinha o nariz um tanto parecido com o de Barbra).
— Pois é, hobbit. — Santana confirmou com a cabeça. — Passei a minha infância escutando histórias de terror como canção de ninar, ao contrário da sua. Algum problema?
— Nenhum — respondeu Quinn antes dela. Sentiu-se protegida, algo que só poderia garantir dentro de casa trancada em seu quarto. — É só essa que você tem, ou eu posso contar uma?
Santana deu de ombros.
— Garanto que Rachel vai ficar mais aterrorizada ainda — Quinn disse, e Rachel estremeceu ao sentir o toque da garota em suas costas.
— Aposta tá feita. — Santana ofereceu a mão direita a Quinn com um sorriso presunçoso.
— Eu estou aqui, sabiam? — Rachel resolveu se pronunciar, mas achando aquele companheirismo algo muito divertido. Ela nunca tivera nenhuma amiga com quem rir antes. Era uma sensação legal.
— A gente sabe — Quinn e Santana disseram ao mesmo tempo, e caíram na gargalhada. Brittany acompanhava tudo com sua câmera na mão, também rindo. Rachel se permitiu um sorriso contido. Era mesmo uma sensação muito boa ter amigos. Depois de segunda, se entrasse às Cheerios, a sensação aumentaria? Quer dizer, a trupe de Sylvester era bem grande...
— Ok, ok — disse Quinn depois que as garotas pararam de rir. — Agora é a minha vez de contar uma história de terror.
— O palco é todo seu — Brittany falou, passando a lanterna para Quinn. Ela a colocou para iluminar seu rosto, virando-se para Rachel, o sorriso enorme, os olhos verdes brilhando intensamente.
Rachel ficou sem palavras, o ar lhe faltou, hipnotizada pelo olhar de Quinn. Era... lindo, cheio de felicidade, que jamais vira em nenhum olhar dela antes. Rachel nunca beijara alguém na vida, pois ainda não tinha encontrado o momento perfeito para isso, mas ao encarar firme o olhar de Quinn, teve uma certeza: o seu primeiro beijo teria de ser com ela. Sem preconceitos, sem pais, sem ninguém ao redor para zombar de Quinn ou dela.
Rachel Berry finalmente achara um objetivo para aquela aventura: beijar Quinn Fabray até o fim da noite.
01:30 AM
— Não acredito que você passou a última hora contando um episódio de Supernatural. — Santana bufou e rolou os olhos. Quinn apenas deu de ombros. — E nem é um dos melhores episódios, pelo amor de Deus.
— Qual é, Sant, esse episódio é ótimo — Brittany retrucou. Ela já largara a câmera e escutava atentamente a discussão. — Eu lembro que você ficou duas horas embaixo dos cobertores com medo.
— Brittany! — disse Santana, as bochechas ficando vermelhas. — Esse tipo de coisa a gente não comenta.
— E além disso, meu objetivo era assustar Rachel — falou Quinn, arqueando a sobrancelha para a garota ao seu lado. — Olha só para ela.
Quinn tinha tido um sucesso maravilhoso em sua missão, Rachel pensou de olhos arregalados. A história de Quinn sobre uma bruxa que na verdade era uma deusa pagã que matava crianças durante a noite de Halloween a deixara bem aterrorizada.
Mesmo montando seu plano de beijar Quinn, ela não deixou de prestar atenção no conto, mas parou de imaginar completamente como seria beijar aqueles lábios finos quando a garota começou a descrever a morte de uma das crianças. Todas as imagens ficaram em sua cabeça, e eliminaram qualquer possibilidade de beijo, quase a fazendo vomitar.
— Como uma garota cristã com os pais mais católicos do planeta pode narrar perfeitamente a morte de uma pura e inocente criança? — Santana perguntou cética.
— Todos nós temos dons e segredos que ninguém sabe — Quinn respondeu sombria, assustando Rachel um pouco. O que Quinn queria dizer com isso?
— Talvez essa seja a hora de nós soltarmos esses segredos, então! — Brittany exclamou animada. — Eu não vou ligar a câmera, o que nos deixa seguras.
Rachel e Quinn se entreolharam, preocupada com seus próprios segredos enquanto Santana já concordava com Brittany.
— Por que não? — Quinn deu de ombros. — Eu nunca participei de um jogo assim. Só falta as bebidas — ela confidenciou para Santana e as duas riram, compartilhando uma piada que Rachel não fazia ideia qual era.
— Ok, eu vou primeiro. — Brittany cruzou as pernas e sentou por cima delas, a expressão indecisa. Rachel franziu a testa; que segredo ela contaria? — Bem... Lord Tubbington está começando a engordar e temo que ele esteja viciado em cigarros.
Rachel abriu a boca para soltar uma risada, porém parou ao ver a expressão de Quinn. Transformou-a num forte acesso de tosse, mas um pouco mais aliviada. Se Brittany contara uma bobagem com aquela, ela definitivamente poderia dizer qualquer coisa. O problema era inventar uma mentira rápida e coerente.
— Santana, sua vez.
A garota demorou vários minutos pensando, até que disse:
— Na sexta série, eu ataquei a professora com navalhas na escola em que eu estudava. Aí eu fui transferida para o McKinley.
Brittany não expressou reação nenhuma, como se já soubesse do fato. Quinn sorriu e bateu um high-five com Santana. Rachel, contudo, ficou um pouco chocada, mas logo lembrou de que estava falando com Santana Lopez, e então somente forçou uma risada. De algum modo, uma admiração por ela cresceu em seu peito. Aquela garota era mesmo impossível.
Santana ergueu as sobrancelhas para Rachel, como se a ousasse a contar aquilo para alguém. A garota apenas deu de ombros e acenou a cabeça para Quinn, a próxima a contar algum segredo.
— Sua vez, Fabray — Santana disse com um sorriso maligno.
— Meus pais dizem que “ser gay” é errado, mas eu discordo deles. Já briguei com os dois por causa disso e meu pai quase me expulsou de casa.
Rachel engoliu em seco. Isso não ajudava sua atração por Quinn diminuir, simplesmente reforçava o pensamento de que a garota era um anjo em forma de ser humano e que teria de beijá-la logo. Brittany não entendeu a frase de Quinn; Santana, contudo, a olhou agradecidamente por quase cinco segundos, o que Rachel achou que provavelmente seria um recorde.
Quinn se virou para Rachel.
— Sua vez, baixinha — disse, e Rachel não notou nenhum tom de sarcasmo; era um apelido usado carinhosamente, que a fazia ter certeza do que deveria dizer.
— Talvez, acho, estou gostando de alguém — Rachel murmurou, abaixando os olhos para que não pudesse se trair ao olhar para Quinn.
— Isso não é um bom segredo — disse Santana, rolando os olhos.
— E é uma garota — continuou Rachel sem dar atenção a ela. — Mas nunca vai acontecer.
— Você é gay? — indagou Quinn com curiosidade.
— Ninguém deveria colocar esses rótulos bobos — disse Brittany de repente. — Eu e Santana nos beijamos praticamente todos os dias e ninguém nos chama assim.
— Por que vocês fazem isso escondidas — deixou escapar Rachel. — E vocês estão no topo da pirâmide. Vocês também saem com garotos na frente de todo mundo. Não vale.
— E daí? — continuou Brittany, franzindo o cenho para Rachel. — Ninguém deveria se rotular dessa maneira.
— Britt ainda acredita no amor — Quinn disse enquanto Santana suspirava pela garota apaixonadamente.
— Eu também acredito! — exclamou Rachel, levantando a cabeça, indignada. — Mas sei o que meus pais sofreram e eu não mereço mais sofrimento do que passo!
Fez-se um silêncio perturbador. Rachel ofegava, seus olhos postos em Quinn. A garota tinha uma expressão arrependida. Rachel desejava não ter dito aquilo, mas os comentários de Brittany sobre o que falara a haviam lhe deixado irritada. Ela não gostava quando pessoas entravam naquele assunto perto dela; sentia-se na necessidade de defender seus pais e todo mundo mais. Nunca havia parado para pensar, entretanto, que talvez estivesse apenas tentando defender a si mesma.
— Rachel... — chamou Quinn de mansinho, pondo a mão em seu ombro. — Nós... a gente...
Quinn não terminou a frase, sua voz quebrou ao trocar um olhar com Santana. Rachel deu de ombros. Ela sabia que nenhuma das três se desculparia pelo tratamento dos últimos meses, pois na segunda, se não conseguisse o uniforme das Cheerios, elas continuariam a tratando mal na frente dos outros. E justo quando ela pensava que teria algum amigo...
— Rachel...! — Ela ouviu o grito de Quinn enquanto se levantava e corria para o quarto mais longe daquela sala de estar.
Notas finais
Bem, espero que tenham gostado e novamente peço para que mandem reviews com suas sugestões e comentários :D
PS: Pra quem lê Running Away, até domingo tem um capítulo novo, eba! KKK
PS²: O episódio sobre de Supernatural que as meninas estão falando é o sétimo da quarta temporada.
Beijos e até o próximo capítulo :*
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