Haunted 🔞

7 Capítulo O7 — Stella Karlwitz


Notas iniciais
Oi!!! Primeiramente, obrigada pelos 103 comentários, 78 acompanhamentos, 38 favoritos, 1 recomendação e 4358 visualizações! Nem demorei tanto, né? E então? Como foram de Natal? Sei que já passou, mas espero que tenham tido um excelente feriado com a família, amigos, Papai Noel... *-------* Anyway... o capítulo de hoje é dedicado à yElisapl, uma nova leitora que começou e já terminou de ler a primeira temporada da fic em questão de rápidos dias kakaka e agora está me acompanhando aqui. Ela recomendou IPASOY e o capítulo de hoje é dela. Espero que goste, meu amorzinho :3 Aproveitem e perdão por qualquer erro de digitação ^^

— Boa noite.

A pessoa repete, e eu me remexo. Mantenha a compostura. E feche a boca! A última coisa que você quer é babar na sua primeira sessão de verdade como psicóloga!

— Ahn... bo-boa noite. – respondo. — Ér... me chamo Natasha Romanoff. – estendo minha mão. — Qual é o seu nome?

— Oi, Natasha. Sou Stella Karlwitz.

Quando a mulher toca minha mão, sinto sua pele macia, fria e firme. Meu campo de visão é totalmente preenchido por sua figura: cabelos loiros, com fios tão claros e lisos, que parecem ser platinados, e olhos verdes esculpidos em uma cor cristalina.

Ela veste roupas elegantes e quentes. Seu casaco de pele cobre todo o busto erguido e pálido. O colarinho de pele sobe por seu pescoço, aquecendo-o e escondendo-o em seu perfume enjoavelmente doce. O aroma preenche a sala e se acumula em minhas narinas.

Durante todo o tempo que nos fitamos, percebo que sua expressão é séria e atenta. Preciso falar alguma coisa. Jura?

— Bom... eu soube que a senhora pediu para uma mulher lhe atender. – pigarreando, solto sua mão e repouso os quadris em minha cadeira larga e preta. — E, de preferência, que fosse jovem.

— Sim. – ela concorda, e minha curiosidade só aumenta.

— E eu posso saber por quê?

A Sra. Karlwitz pondera. Seus olhos verdes movimentam-se para os lados, antes de ela responder.

— Isso é relevante? Faz parte da consulta?

Por algum motivo estúpido e confuso, ela me intimida. Não sei o que responder, mas preciso. Deus, preciso que me ajude!

— Ér... bom, creio que sim. Mas tudo tem o seu tempo. Se estiver disposta a voltar e ter mais consultas, não precisa falar agora. Pode responder quando estiver à vontade para isso.

— Obrigada. – ela me solta um breve sorriso. — Mas acho que posso falar agora.

— Okay.

— Bom... pedi para falar com uma mulher porque achei que poderia me sentir mais... ahn... como posso dizer? Achei que estaria mais confortável, entende?

— Sim. – assinto com a cabeça, pegando a caneta e a prancheta que estão em cima da mesa que fica ao meu lado. — Então, está com algum problema íntimo? Algum problema que... envolva o fato de você ser mulher e se sentir à vontade com uma para conversar?

— Talvez. – a Sra. Karlwitz ergue os ombros. — Podemos dizer que... estou assim por causa de um homem.

— Certo. – começo as primeiras anotações na prancheta. — Pode continuar falando.

— Foi meu primeiro grande amor. – a mulher loira abaixa o olhar e brinca com os anéis que tem nos dedos de cada mão.

— Foi? – indago, e ela olha para mim. — Não o vê mais? Terminaram?

— Não nos encontramos faz um tempo, mas... nos falamos de vez em quando, sabe? Sobre negócios, mas... ainda assim nos falamos.

— Hmmm! Então trabalham juntos? – pergunto, e ela assente. — E como é a relação? Apenas profissional?

— Sim. – responde. — Tem vezes que eu tento aprofundar algo menos frio e distante, mas ele não permite.

— Compreendo. – assinto, enquanto escrevo mais. — E o que sente a respeito disso?

Suspirando, a Sra. Karlwitz balança seus cabelos loiros e sedosos, para tirar os fios que caíram no rosto. Ela parece estar pensando na resposta.

— Acho que medo. Arrependimento. – seu olhar novamente se abaixa. — Eu o machuquei muito, então nem o culpo por agir do modo que age.

— E quer falar sobre como foi isso? – anoto mais coisas na prancheta.

— Eu o traí. Eu o choquei. Éramos tão jovens. Não sabíamos o que estávamos fazendo. Nós queríamos apenas fugir e curtir a vida, mas... não tínhamos nada. – seus olhos verdes são banhados de lágrimas. — Só tínhamos um ao outro, e eu deixei isso escapar.

Atenta ao seu rosto, eu me movo para esquerda e puxo a gaveta da mesa. Lá de dentro, retiro uma caixa de lenços e a estendo para a Sra. Karlwitz.

— Obrigada. – ela funga e puxa um lenço branco de papel.

— De nada. – tento confortá-la com um meio sorriso. — Acha que pode continuar falando sobre isso? Quer conversar sobre outra coisa?

— Não, eu... – ela faz uma pausa, suspirando. — Eu preciso falar. Preciso... preciso desabafar.

— Desabafar? – indago, surpresa. — Desculpe a pergunta, mas... nunca contou essa sua história para ninguém antes, Sra. Karlwitz?

Observo seus olhos verdes se arregalarem, assim como os meus acabaram de se arregalar. Mas, diferente de mim, ela consegue mantar a pose mascarada, sofisticada e superior. Céus! Uma paciente está me intimidando. Esta é a regra número um do curso de Psicologia: mostre-se de igual para igual com seu paciente, não mostre vergonha e nem superioridade.

— Não.

Sua resposta, mesmo que já estivesse sendo ponderada em minha mente, ainda assim acaba me chocando.

— E faz quantos anos que vive com esse... medo em silêncio?

Novamente, seus olhos movem-se para cima. Ela encara o teto e suspira, parecendo estar calculando o tempo.

— Acho que há uns dez anos.

Mais uma vez, sua fala me espanta. Posso sentir meu rosto se contorcer em curiosidade e estranhamento, mas eu forço minha testa a relaxar.

Mordendo o lábio, desfranzo as sobrancelhas e assinto com a cabeça.

— Certo. – escrevo algo a mais na prancheta. — Quero que saiba que pode se sentir à vontade para falar agora. Tudo bem?

— Obrigada, Natasha. – a Sra. Karlwitz entreabre os lábios, envergonhada. — Oh, quer dizer, eu posso...

— Claro! – sorrio. — Natasha está ótimo. E também pode me chamar de "Nat", se quiser.

— E você pode me chamar de Stella.

— Certo. – com simpatia, eu sorrio para ela.

— Sabe... você parece ser uma moça tão doce, gentil e bondosa. – a loira me fita dos pés à cabeça. — Obrigada.

Não consigo esconder a dúvida e surpresa que surgem em minha face. Posso sentir minhas sobrancelhas elevando-se pela testa.

— Por...?

— Por me ouvir. – ela dá de ombros. — Sério, obrigada.

— Ér... bom... Stella, esse é o meu trabalho. Não estou fazendo favor algum.

— Eu sei. Será paga por isso. – Sra. Karlwitz balança a cabeça. — Mas eu cheguei tarde.

— Não tem que se preocupar com isso. Meu expediente acaba às sete da noite. A senhora chegou antes, portanto, meu dever é atendê-la. – abaixando os olhos, finjo escrever algo na ficha que está sobre meu colo. — Ahn... posso fazer uma pergunta?

— Claro.

Criando coragem, torno a encará-la. Seus olhos são tão verdes piscina quanto os meus. Possuem os mesmos pontinhos cristalinos, desenhados em um azul hipnotizante. Posso passar o tempo todo encarando esses olhos misteriosos, elegantes e ágeis. Não vou mentir. Ela me intimida. Natasha, você não é a paciente. É a psicóloga. Foco!

— E então? – Sra. Karlwitz indaga. — Qual é a pergunta?

— Ahn... claro! Ér... por que me escolheu?

— Pensei que já tivéssemos discutido isso. – noto que ela olha para os lados. — Não vim aqui no intuito de escolher especificamente você.

— É... eu sei. – sinto meu rosto corar. — Desculpe.

— Não há motivos para se desculpar. Entendo a curiosidade. Faria a mesma coisa.

Sorrio para ela e, quando estamos prontas para voltarmos à sessão, meu celular começa a tocar em cima da mesa.

Um suor frio percorre toda a extensão de minhas costas. Sinto minha espinha gelar. Mas que diabos!

— Pe-perdão, Sra. Karlwitz. – gaguejo, enquanto me levanto às pressas e pego o Iphone. — Pe-perdão mesmo, eu...

— Combinamos que seria Stella, querida. – ela está calma e me encara de modo passivo. — Pode atender, deve ser importante.

— Ér... não. Não, eu... – olho para tela e vejo quem é. Em seguida, checo as horas. Ainda me restam trinta minutos. Ele está adiantado. Mas e se for algo importante?

— Natasha, eu preciso ir ao banheiro. – ela sorri e se encaminha até a porta que fica no canto da sala. — Pode atender.

Acompanho-a com o olhar. Seu andar é sofisticado, calmo e equilibrado. Céus! Até mesmo o jeito que ela se move é calmo e bem articulado. Ela deve ser da Inglaterra. Então só os ingleses podem ser chiques? Tá dizendo que você e o resto do mundo são uma merda? Agora não, Little Red! Xô!

Em minha mão, o telefone continua a tocar. Eu pisco e decido, furiosamente, atender à ligação.

— Steve!

— Oi. – a voz dele parece insegura. — Tudo bem?

— Eu estou trabalhando. – grunho. — Você interrompeu a primeira sessão que estou tendo com uma paciente.

— Perdão. – ele parece arrependido. — Não queria atrapalhar, só liguei para avisar que vou sair do trabalho agora e ir te buscar.

— Bom, não sei que horas eu vou sair. Mas vou terminar essa consulta. E passarei da hora, porque você interrompeu.

— Natasha...

— Tenho que repor os minutos.

— Okay. Desculpe.

— Só me ligue para emergências.

Não espero por sua resposta. Afasto o celular da orelha e encerro a chamada. Como ele ousa fazer isso comigo?! Pensei que tínhamos conversado sobre espaço!

Suspirando, vejo que a Sra. Karlwitz sai do banheiro. Seu rosto está corado, mas não possui nenhum traço de emoção. Seus olhos seguem a linha reta do caminho que ela percorre até chegar ao sofá que estava sentada. Estão gélidos e neutros.

— Bom... mais uma vez, desculpe, Stella. – coloco o telefone no modo silencioso e me sento na cadeira. — Não vai se repetir.

— Tudo bem. – ela ainda não me olha. — Todos nós cometemos equívocos. Somos humanos, não?

— Sim. É... – mordo o lábio e pego novamente a prancheta que estava em minhas mãos. Faço anotações. — Bom, ainda temos meia hora, mas... é claro que iremos repor os minutos que perdemos. Eu...

— Acho que não. – com a sua interrupção, eu ergo o olhar e vejo que, agora, Stella também me encara. — Eu preciso ir. Está tarde.

— Tarde? – indago, checando a hora em meu relógio de pulso. — Ainda não são nem sete horas, que é a hora que eu deveria sair, mas vou ficar. Não se preocupe. Teremos a consulta completa, Stella.

— Parece que você não entendeu, mocinha. – há certa acidez em seu tom de voz. Eu me silencio, corando. — Eu disse que está tarde. E não gosto de repetir as coisas.

— Mas...

— Não insista. – estufando o peito, a Sra. Karlwitz se levanta e veste o casaco grosso. — E não se preocupe. Pagarei o horário todo.

Sua forma fria e desrespeitosa me ofende. Sinto meus olhos arderem e pesarem. Não. Não posso chorar. Não posso chorar por isso. Eu nem a conheço. Não posso deixar que domine minhas emoções assim. Eu jurei nunca mais ser submissa de ninguém. Não sou do Steve, tampouco serei dela, que é uma estranha.

— Não me preocupo com o dinheiro, Sra. Karlwitz. – afasto a prancheta de meu colo e fico de pé.

— E se preocupa com o quê? – ela indaga, cheia de ironia. — Ou, melhor dizendo, preocupa-se com quem? Comigo? Não me faça rir, garotinha.

— Não sou garotinha. – rebato. — Meu nome é Natasha Romanoff, sou uma psicóloga formada e o fato de eu ter apenas vinte e um anos e ter terminado a faculdade recentemente não me desmerece na profissão. Vamos nos tratar pelos sobrenomes então, tudo bem?

— Certo. – ela sorri falsamente. — E devo chamá-la de Dra. Romanoff, então?

Ela aperta os olhos em minha direção. Caso ela tivesse os poderes do Ciclope, eu já estaria feito cinzas no chão. Seu olhar me queima e parte ao meio, mas eu aplico minha camada de ferro.

— Não. Psicologia não é Medicina. E eu ainda nem comecei meu mestrado, quanto mais meu doutorado. Depois que concluir o doutorado, poderei ser chamada de doutora, apesar de minha profissão não exigir tal nomeação.

Noto que a Sra. Karlwitz me fita de modo perplexo. Ela não esperava tal amadurecimento meu? Pois muito bem, eu também não. Estamos quites.

— Eu preciso ir. – ela pisca e aperta as alças de sua bolsa sobre o ombro.

— Espere. – peço, mas ela me ignora e abre a porta. — Sra. Karlwitz, por favor, eu não...

Paro de falar quando ela se vira para mim. Seus cabelos loiros, sedosos e brilhantes se mexem em um movimento vivo e rico em sedução. Fico paralisada, presa na cor fria e neutra de seus olhos.

— Sabe... agora eu entendo tudo. – franzindo o nariz, ela novamente me analisa dos pés à cabeça. Por que essa mania, Jesus? — Agora eu entendo realmente tudo.

— Como assim? – indago e, só então, noto que estamos no meio do corredor. De longe, vejo que a Sra. Jenksey nos observa. Provavelmente, tão surpresa quanto eu.

— Até mais, Natasha.

Tento dizer algo a mais, mas a Sra. Karlwitz desaparece de meu campo de visão. Quando apresso os passos, tudo que ainda consigo ver são as portas de ferro do elevador se fechando. É inútil tentar chamá-la. E desprovido descer as escadas atrás dela. É apenas uma paciente, Natasha. Terá outros. Talvez, tão ou mais loucos do que ela.

— Natasha?

Permaneço de costas, fitando meu reflexo solitário e apático através das portas bem polidas e limpas do elevador.

— Natasha?

Sinto o toque da Sra. Jenksey em meu ombro direito. É isso que me faz suspirar e girar para poder fitá-la.

— O que aconteceu?

Sua pergunta é a que todos querem saber. Até mesmo eu.

— Não sei. – balanço a cabeça. — Estávamos indo bem, até que meu celular começou a tocar no meio da sessão. Desculpe, Sra. Jenksey, eu não estava esperando receber a ligação. E eu não quis atender, mas a Sra. Karlwitz insistiu e disse que iria ao banheiro enquanto eu atendesse. Eu juro que atendi e não demorei mais de um minuto no telefone, pois repreendi a pessoa que me ligou. Quando ela saiu do banheiro, estava... estranha. Distante. Como se tivesse visto um fantasma.

— Natasha, sabe que os procedimentos são...

— Eu sei, eu sei, mas... ela mudou de repente. Foi muito confuso. Assustador.

— Isso não justifica. – a Sra. Jenksey me fita com repreensão. — Não receberá o pagamento desta consulta.

— Tudo bem, eu... eu já não aceitaria mesmo. – mordo o lábio. — O que precisa que eu faça agora?

— Nada. – ela ergue os ombros. — Sua sorte é que isso é um estágio. Caso o contrário, estaria demitida.

— De-demitida?

— Sim.

— Mas eu...

— Pegue suas coisas e vá.

— Eu ainda tenho vinte minutos de expediente.

— Não tem mais. Está sendo dispensada. – diz, dando as costas a mim.

— Sra. Jenksey, sinto muito, eu não queria... – tento segui-la, mas ela é irredutível.

— Eu já disse, Natasha. Pegue suas coisas e saia. Você estará de volta na segunda e até o final do mês.

— Até o final do mês? – indago, e ela se vira para mim.

— Sim. É quando o estágio acaba. E aí, somente aí, saberemos se merece ou não permanecer em nossa empresa de Psicologia. Seu erro de hoje vai contar muito no futuro. Saiba disso.

— Eu sei.

— Tome cuidado. – ela maneja a cabeça e suspira. — E na segunda, quando chegar, marque uma consulta para você com um psicólogo.

— Okay, mas... é realmente necessário?

Rapidamente, arrependo-me da pergunta que fiz, pois o olhar que a Sra. Jenksey me lança é o suficiente para que eu cate todas as minhas coisas e saia correndo daqui.

Após respirar fundo três vezes, ela passa as mãos pelos cabelos e olha para mim.

— Acabou de atender uma paciente, Natasha. – Sra. Jenksey me repreende com o olhar. — Deveria saber que todo psicólogo precisa de um psicólogo. É um ciclo.

— Sim. Sim, eu sei... mas eu nem sei se posso chamar isso que tive agora de "consulta". Foi tão pouco tempo.

— É, diga isso ao psicólogo ou à psicóloga que escolher.

— Certo.

Sem mais nenhuma palavra, Sra. Jenksey se vira e segue para as escadas. Eu permaneço imóvel. Suspirando. Tremendo. De olhos arregalados. Deus! Caso isso não fosse mesmo um estágio, eu realmente poderia estar no olho da rua. Com nem mesmo um mês de trabalho.

Mas é culpa dele! Para que diabos me ligou?! Ah, ele vai me ouvir!

▪️▪️▪️

Quando o elevador chega ao térreo do prédio, vejo que são sete e sete. As portas se abrem e eu apresso os passos. De dentro do edifício, posso ver o carro de Steve. Ao passar pelas portas giratórias, vejo que ele sai de dentro do veículo e me fita com um sorriso no rosto. Tal sorriso vai diminuindo gradualmente, enquanto eu me aproximo e bufo.

De pé, em sua frente, ignoro sua tentativa de me dar um beijo. Viro o rosto, e seus lábios chocam-se contra minha bochecha.

— Oi. – Steve parece confuso. — Ainda está brava?

— O que você acha? – devolvo, e ele engole seco.

— Acho que não farei amor com você essa noite.

Meu rosto relaxa, mas eu não quero sorrir.

— Steve, o que você fez foi muito grave. Fui repreendida, perdi a paciente e ainda tive que escutar que, caso isso não fosse um estágio, eu já estaria na rua. – ao me relembrar de tudo que ele ocasionou, sinto a raiva voltando dentro de mim. Agradeço por isso, pois não posso deixar que Steve me distraia. Eu realmente estou furiosa com ele.

— Desculpe. – murmura, estendendo o braço. — Entre no carro, vamos conversar no caminho de casa.

— Da minha casa. – afirmo, saltitando no banco até repousar do lado esquerdo da janela. — Boa noite, Fury.

— Boa noite, Srta. Romanoff. – diz, ao mesmo tempo que Steve senta-se ao meu lado.

Antes que ele comece com o discurso, eu puxo o cinto de segurança e o prendo ao redor de meu corpo. Em seguida, bufo, cruzo os braços e fito qualquer ponto que não seja seus encantadores, hipnotizantes e manipuladores olhos azuis. Tenho que me concentrar na raiva que estou sentido. E olhar para dentro das íris mágicas de Steve, por mais furiosa que eu esteja, não irá garantir que meu ódio continue. Ele sabe como me distrair, acalmar e persuadir. Ele sabe como eu reajo aos seus estímulos, toques, olhares e falas. Ele sabe como eu reajo a tudo que ele faz. Steve me conhece melhor do que ninguém, até melhor do que eu mesma me conheço. Ele é o meu eu masculino. Ele é o meu tudo. Ele sou eu, dentro de uma dimensão confusa, perdida e sombria.

— Ai!

Exclamo, após sentir algo ter beliscado minha coxa. Mesmo através do tecido da calça, o calor de Steve queima minha pele. A raiva começa a se dissipar. Tento fazer de tudo para trazê-la de volta e prendê-la em mim, mas a sensação mágica que estamos obtendo somente pela conexão do olhar é ainda mais interessante.

— Desculpe. – diz. — Eu te chamei, mas você não respondeu.

Enquanto ele fala, eu abaixo o olhar e fito sua boca. Sua linda, gostosa e macia boca. Lábios finos e gentis, mas que também são quentes e firmes.

— Estava distraída. – aproximo o rosto e sinto minha pulsação acelerar.

— Eu percebi. – Steve inclina-se na minha direção. O ar do carro fica mais quente e abafado. Penso em abrir a janela, mas teria que quebrar o contato que estamos tendo.

— Steve... ainda estou brava com você. – murmuro, e ele sorri.

— Eu sei. – sua mão pega a minha. Ele beija, morde, lambe e chupa meus dedos. — E estou fazendo de tudo para que você continue assim.

— Por quê?

— Porque, por mais que eu queira fazer amor com você, não quero algo lento e monótomo. – ele se aproxima e beija o canto de minha boca. — Quero deitar você embaixo de mim, beijar todo o seu corpo e me enterrar em você. Quero prendê-la em meus braços e sentir que você é só minha, Natasha.

— Steve... – aspiro, sentindo que seus lábios pressionam meu pescoço. — Steve... Fury vai nos ver.

— Não vai. – afirma, ainda me beijando. — Eu pedi que ele subisse a divisória.

— Eu nem notei que você tinha isso. – murmuro, vendo a divisória preta que nos permite ter privacidade.

— Pus hoje mesmo. – Steve me dá um chupão, e eu gemo. — Ah, Natasha... – suas mãos apertam meus seios. — Eu quero tanto sentir você de novo.

— Eu também.

Nervosamente, subo os braços e bagunço seus cabelos loiros com o uso de meus dedos. Estico a cabeça para trás, dando-lhe mais acesso ao trabalho que realiza em meu pescoço. Seus beijos são languidos, estalados e cheios de desejo. Toda a raiva que eu sentia se transformou em ansiedade e luxúria. As comportas da paixão se escancaram diante de nós.

— Steve... Steve, para. – ele grunhe, mas eu sou forte. Empurro seus ombros e ele se afasta.

— Natasha! – exclama, com o rosto corado, respiração ofegante e lábios vermelhos e inchados. Tento vontade de mordê-los e chupá-los, mas me contento com um selinho. — Vem cá. – ele puxa meu rosto e tenta aprofundar o beijo, mas eu me afasto novamente. — Natasha!

— Steve, vamos nos acalmar, certo? – jogo meus cabelos para trás, passando as mãos pelo pescoço. — E não se esqueça do que você fez. Poderia ter custado meu emprego.

— Tudo bem, desculpe. Não sei mais o que dizer.

— Pedir desculpas não muda o que aconteceu, Steve. – digo. — Não faça mais isso, tudo bem?

— Natasha, eu não sabia que você já estava atendendo. Perdão.

— Eu não estava atendendo. – falo, e Steve se confunde. — Quer dizer, em duas semanas de estágio... não sei, eu achei que não fosse conseguir alguém tão cedo, mas... uma mulher chegou e pediu que eu a atendesse.

— Uma mulher?

— É. Ela queria alguém jovem. E que fosse uma moça, para se sentir mais à vontade.

— Entendo. – Steve balança a cabeça e pega minha mão. — E como ela era?

— Não posso comentar sobre a sessão, Steve. É sigiloso.

— Eu sei, eu sei. Só... quero saber como ela é.

— Ah... ela parece ser rica e... inglesa. Tem um sotaque estranho. Parece que ela tem muitos problemas, e eu realmente queria ajudá-la, mas... não sei se ela vai voltar a falar comigo. – abaixo a cabeça, e Steve acaricia meu queixo.

— Desculpe. – ele ergue meu rosto. — Sei o quanto isso deve ser importante para você. Jamais faria algo para te prejudicar, Natasha. Ainda mais se tratando disso. – ele se aproxima e me fita de pertinho. Sua testa encosta na minha. — Perdão, linda.

É inevitável o sorriso que se forma em meu rosto. Steve o cobre de beijos. Eu o sinto aumentar à medida que o corpo de Steve vai se apertando contra o meu.

Novamente, estamos numa batalha de língua, dentes, boca, mãos, gemidos... faremos sexo aqui no carro! Precisamos nos controlar.

— Sr. Rogers. – ao ouvir a voz de Fury, tento me afastar, mas Steve não deixa.

— Sim, Fury? – ele ri e morde meu pescoço.

— Chegamos.

— Certo. Pode abrir a porta.

Ouço mais barulhos e fico desesperada. Steve não me larga, apesar de meu esforço para empurrá-lo para longe.

— Steve! – exclamo, com o rosto corado. Ele sorri e me beija novamente. — Steve, para! Você tem que me soltar!

— Calma. – sussurra, beijando minha bochecha.

A porta é aberta. Solto o cinto de segurança e saio de dentro do carro. Vejo que Steve sai do outro lado.

Rapidamente, saio do meio da rua e junto minha mão com a dele.

Ele murmura algo para Fury, que assente, deseja boa noite para nós dois e volta ao carro. Noto que estamos em frente ao meu prédio.

— Pensei que estivéssemos indo para a sua casa. – comento.

— Você disse que queria vir para a sua. – Steve me puxa pela calçada até chegarmos à portaria do edifício. — Abra logo a porta, Natasha. Quero muito fazer amor com você.

O desespero e calor presentes em sua voz é tudo que eu preciso para agilizar o girar das chaves na fechadura. Uma vez que a porta está aberta, adentramos o prédio e nos dirigimos ao elevador.

Dou graças aos céus por já estar parado no térreo. Adentro e aperto o botão do sexto andar. Steve praticamente me come com os olhos. Decidindo provocá-lo ainda mais, eu mordo o lábio e faço cara de inocente. É mais do que suficiente para que ele surte, empurre meu corpo contra a parede, prenda meus braços acima da cabeça e choque sua boca contra a minha.

Sinto sua ansiedade em me ter. Seu desejo em me possuir. Sua vontade em beijar, tocar e amar cada pedacinho de meu corpo, pois é tudo igual em relação a mim. Sua língua duela contra a minha. Ele aperta meus pulsos, fazendo-me gemer em resposta. A dor em minha pele queima meu peito. Eu o desejo tanto! Eu o amo tanto!

Fugindo de seu beijo sufocante, viro o rosto e sinto os lábios se amassarem contra meu pescoço. Pego ar. E só então percebo o quão intoxicada estou por esse homem. Meu homem. Meu diversos tons. Eu o amo mais do que tudo. Mais do que qualquer briga, mágoa, raiva ou irritação. Ele é meu e eu sou dele. Somos um conjunto só, uma pessoa só, um amor só.

DIM

O elevador dá um solavanco e para. Steve ainda não me solta. Ele chupa meu pescoço e prende meus braços para trás, com o uso de uma mão só.

O calor esquenta todo o meu corpo e desce para um lugar só. Sinto a umidade lá, misturada com o fogo e a paixão. Tudo em mim acende e apaga, para só então acender ainda mais forte.

— Chegamos, Srta. Romanoff. – Steve toma as chaves da minha mão e abre a porta. — E você é todinha minha.

Notas finais
Tadinha da Nat. Não teve uma experiência legal com uma primeira paciente, né? :/ Vamos esperar que seus próximos pacientes a façam feliz e orgulhosa do próprio trabalho, né? :D Hmmm e essa fala final do Steve? Hmmmmmm (͡° ͜ʖ ͡°) Por favor, comentem, estou sentindo falta de MUITA gente que tava na primeira temporada. Preciso saber a opinião de vocês pra fic poder continuar, pra saber se eu tô fazendo certo, se tô agradando :) Beijocas e feliz 2018 pra nós, galera!!!!