Notas iniciais
Oi, meus lindos leitores!!!!! Eu amei escrever esse capítulo e, sinceramente, espero que vocês também gostem de lê-lo =D Perdão por qualquer erro de digitação e aproveitem ^^

Assim que volto do almoço e entro na sala dos funcionários, Sra. Jenksey vem até mim.

— Sabe a menina que você atendeu hoje mais cedo? – eu assinto de prontidão. — Pois bem, de manhã ela veio acompanhada da tia, não dos pais. Eles não estavam sabendo da procura de ajuda terapêutica.

— Puta merda! – arregalo os olhos. — Desculpa, Sra. Jenksey, eu...

— Natasha... – ela pausa e morde o lábio. — ...os pais estão na mesma sala na qual você atendeu a menina. Pegue as coisas necessárias e vá.

— Será uma consulta?

— Não. Apenas uma conversa. E com o advogado da empresa presente.

— Estou em problemas? – a preocupação me atinge num suor frio pela coluna.

— Apenas vá. E aceite as orientações de nosso advogado caso necessário.

▪️▪️▪️

Sabrina e um casal que está sentado ao seu lado me encaram nervosos. Suponho que sejam seus pais.

Do outro lado da sala, um homem sentado na cadeira a qual eu devo me sentar me estuda dos pés à cabeça e com as mãos cruzadas nos joelhos.

— Oi, Sabrina! – recebo um mínimo sorriso em troca. — Boa tarde! – estendo a mão para a mulher negra, que se levanta. — Sou Natasha Romanoff, a psicóloga que atendeu Sabrina.

— Prazer, Srta. Romanoff! – ela me responde. — Sou a Sra. Gauthier. Ér... Loretta Gauthier, e este é meu marido. – a Sra. Gauthier aponta para o homem de pé ao seu lado.

— Prazer. – ele aperta minha mão. — Jack Gauthier. – o homem faz uma pausa e me estuda com os olhos. — Parece muito jovem para ser psicóloga. – resmunga ao me soltar. — Tem licença, menina? – engulo seco com sua grosseria. Respire, Natasha.

— Sim, Sr. Gauthier. – falo com voz firme. — Apesar de parecer muito jovem, como o senhor disse, tenho meu diploma de graduação completo e com excelentes referências.

— Por favor, sentem-se. – o homem que suponho ser o advogado da empresa intervém como uma repreensão à minha resposta. — Bernard Griffin. – ele aguarda por meu aperto de mão.

— Prazer, Sr. Griffin.

— Prazer, Srta. Romanoff. – devolve carrancudo. — Já conversei com o Sr. e a Sra. Gauthier sobre a parte legal do acontecido. – Sr. Griffin suspira antes de continuar. — Sei que são os mentores legais de Sabrina, mas ela foi trazida pela tia, que também é uma responsável legal, uma vez que seja sua irmã, Sra. Gauthier.

— Eu sei. – a Sra. Gauthier assente. — Ér... por favor, vamos nos tratar apenas pelos primeiros nomes, certo? –ela pede e nós assentimos. — Bom, antes de tudo, Natasha, meu marido e eu não estamos bravos pelo ocorrido.

— Não?

— Não. – o Sr. Gauthier confirma. — Ficamos apenas surpresos. Descobrir que nossa filha veio a uma consulta com uma psicóloga sem nos avisar não é algo que qualquer pai aceite numa boa.

— Eu compreendo. – olho rapidamente para Sabrina. — Ahn... será que podemos ter uma conversa em particular, apenas o senhor, sua esposa e eu?

— Claro! – a Sra. Gauthier concorda. — Sabrina, querida, espere por nós lá fora. – ela acaricia os cabelos da filha.

— Tá. – a menina se levanta e sai da sala.

— Ahn... por favor, Sr. Griffin. – olho para ele e indico a porta atrás de mim com a cabeça.

— Fui resignado para...

— Eu sei. E agradeço pela cooperação da empresa. Sei que está aqui para ajudar e orientar a discussão. Mas não acredito que seja necessário. Creio que o Sr., a Sra. Gauthier e eu teremos uma produtiva e pacífica conversa.

Sr. Griffin me olha a contragosto quando desiste e sai pela mesma porta do que Sabrina. Fico a sós com os pais à minha frente e me sento em minha cadeira de costume.

— Antes de tudo, posso perguntar uma coisa? – os pais de Sabrina assentem. — É para a senhora.

— Só... Loretta. – ela impõe.

— Certo. A pergunta é para a senho... ér... é para você, Loretta. – repito e continuo ao vê-la balançar a cabeça. — Como é sua relação com sua irmã?

— Com Lavonne?! – indaga surpresa. — Ótima! Somos irmãs, crescemos juntas e nos damos muito bem!

— Ér... eu... sinto muito, Loretta, não quis ofender. De maneira alguma!

— Mas...? – o Sr. Gauthier cobra visivelmente tenso.

— Bom, o fato da irmã de sua esposa ter trazido a sobrinha sem o consentimento dos pais é algo a ser questionar. – explico.

— Eu entendo. – Loretta assente. — E concordo. Também ainda estou tentando entender por que Lavonne fez isso. Ela apenas... não sei... deve ter atendido a um pedido de Sabrina.

— Lavonne nos apoiou muito quando adotamos Sabrina. – o Sr. Gauthier pronuncia. — Ér... – olha para Loretta rapidamente e só continua quando ela afirma com a cabeça e segura sua mão. — Bom... minha esposa e eu... ér... minha esposa e eu tentamos ter filhos...

— Eu sou estéril. – Lorettaa revela com o rosto sério.

— Eu... e-eu sinto muito. – murmuro após arquejar. — Sinto muito mesmo.

— Depois de tanto tentar sem obter resultado, resolvemos adotar. E então conhecemos a Sabrina. Ela sempre foi uma menina muito doce e ainda é. Conversamos muito. Não permitimos que um pedaço de papel a faça se sentir menos filha do que suas amigas com seus pais.

— Eu compreendo. – balanço a cabeça atentamente. — Mas, por mais que aja comunicação entre pais e filhos, nem tudo os jovens gostam de dividir, Sra. Gauthier.

— Como assim? – ela questiona e eu trato de explicar da maneira mais calma e direta possível.

— Sabrina tem quinze anos. Ela está crescendo e tendo outras visões do mundo. Está começando a sentir novas sensações e coisas novas estão acontecendo com ela. – observo os rostos atentas de Loretta e Jack. — Nem tudo ela conseguirá ou até mesmo irá querer dividir com os pais.

— Nós entendemos e respeitamos isso. – Sr. Gauthier diz. — Mas ela tem amigas. Por que vir a uma psicóloga?

— Bom, só tivemos uma sessão, então é difícil ter uma análise única do que Sabrina esteja sentindo. – falo. — Mas, se permitirem, podemos continuar. Ela pareceu se sentir muito à vontade comigo.

— Nós consideramos isso. – Loretta diz. — Até porque, foi ela quem nos contou sobre sua vinda até aqui.

— Viram só? Ela não quer esconder nada de vocês. Filhos que não se comunicam com os pais jamais revelariam uma coisa dessas. – recebo sorrisos em troca. — Sei que são os pais dela e que Sabrina é menor, mas preciso que entendam e concordem que nem tudo o que conversarmos aqui será passado a vocês. Sabrina precisa confiar em mim.

— Não queremos invadir seu espaço. – o Sr. Gauthier garante. — Só queremos ter a certeza de que esteja tudo bem com ela.

— Eu entendo. – digo. — E sei que Sabrina também entende. E está feliz por ter pais que a amam e se preocupam com ela.

— Obrigada!

Algumas lágrimas caem dos olhos de Loretta. Eu me debruço e pego a caixinha de lenços dentro da gaveta.

— Obrigada! – repete ao secar o rosto. — Então agora você conversará com ela?

— Como já tivemos uma sessão mais cedo, acho conveniente não forçar muito. Se Sabrina realmente estiver com algum problema, não é saudável pressioná-la. Assim poderá se sentir acuada e se fechar.

— Então o que recomenda? – pergunta o Sr. Gauthier.

— Recomendo que tenhamos uma outra sessão, mas não hoje. – eu me estico até a outra gaveta, pego algo de dentro e estendo aos pais de Sabrina. — Aqui está o meu cartão. – espero até que o Sr. Gauthier o segure. — Liguem para mim e marquem.

— Mas quando? – pergunta o pai de Sabrina. — Amanhã?

— Não. Como eu disse, é importante não pressionarmos Sabrina. Portanto, sem mais sessões hoje ou amanhã.

— Então...? – a mãe de Sabrina indaga, confusa.

— Acredito que seja conveniente a partir de semana que vem.

— Semana que vem?! – a Sra. Gauthier arregala os olhos. — Mas até lá muita coisa pode acontecer!

— Sim, e é por isso que precisamos dar esse espaço a ela. – explico. — Sabrina precisa se sentir livre, precisa compreender que estamos dando tempo ao tempo a ela. A terapia não pode significar algo obrigatório, como se fosse mais uma matéria do colégio ou uma lição de casa. Aqui, nesta sala e comigo, Sabrina precisa se sentir à vontade. Ela precisa acreditar que está com uma amiga, não pode me ver só como mais uma adulta na vida dela.

— Tem razão. – Sr. Gauthier reflete. — Tudo o que não queremos é assustá-la.

— Eu sei disso. – assinto. — E também sei que não vão.

— Obrigada, Natasha! – a Sra. Gauthier suspira e se levanta acompanhada do marido. — Por tudo.

— Só faço o meu trabalho. – aperto a mão dos dois antes de nos dirigirmos para fora da sala.

Na recepção, Sabrina está sentada numa das cadeiras tomando um café enquanto a Sra. Jenksey conversa com ela na cadeira ao lado.

— Oi, filha. – a Sra. Gauthier se aproxima e chama atenção de Sabrina.

— Oi. – ela responde insegura.

— Está tudo bem, Sabrina. – o Sr. Gauthier garante. — Não estamos zangados com você. Entendemos que queira conversar com pessoas diferentes de nós.

— Mesmo? – Sabrina arregala os olhos.

— Sim, querida. – afirma a Sra. Gauthier. — Nós já tivemos sua idade e sabemos que nem tudo, por mais que queiramos, conseguimos contar aos nossos pais. E isso não é errado, não precisa se sentir mal por isso. –ela recebe um sorriso caloroso e um abraço apertado de Sabrina.

— Eu sabia que vocês entenderiam! – Sabrina me encara. — Então iremos continuar?

— Quando você quiser. – digo suavemente. — Estarei aqui sempre que precisar, Sabrina. – ganho o mesmo sorriso que Sabrina direcionou aos seus pais.

E são em horas como essa que eu tenho orgulho da profissão que escolhi. São em horas como essa que me sinto importante, que sinto como se tivesse vindo ao mundo com uma missão a cumprir e que estou no caminho certo.

São em horas como essa que eu sinto como se todos os problemas do mundo não fossem graves ou simples, apenas... problemas. Sem classificação, sem diferença, apenas partes da vida. Pequenas partículas que constroem cada dia de nossa jornada.

▪️▪️▪️

Após me despedir da Sra. Jenksey e de meus colegas, saio do prédio e encaro a calçada ocupada de neve e pessoas.

Não sei o que sinto ao não avistar o carro de Fury me esperando do lado de fora. O que houve? Afinal, ao que tudo indica, Sharon está à solta. Steve não se preocupa mais comigo? Nós terminamos? É isso? Então não fazemos mais parte da vida um do outro?

Menina, você não pode ficar sem celular. Vá até a casa dele e pegue. Até porque pessoas que você conhece irão te ligar, então precisa atendê-las. Tem razão, Little Red. A minha vida não pode parar por causa do Steve, pois garanto que a dele não parou.

Correndo até o meio fio, faço um sinal com o braço e espero até que o táxi pare perto de mim. Eu abro a porta, cumprimento o motorista e digo o endereço da casa de Steve.

Em poucos minutos chegamos até lá. O porteiro, que já me conhece, me cumprimenta com o costumeiro e educado "Boa noite, Srta. Romanoff!", o que me faz retribuir.

Não estou nervosa nem preocupada. Estou normal. Mas sempre estou assim até me deparar com Steve e sentir meu sangue borbulhar de tensão. Ele é assim: uma hora me distrai, uma hora me deixa mais apreensiva do que criança no escuro.

Assim que o elevador chega ao seu andar, eu saio e caminho até a porta antes de tocar a campainha.

— Oh! Boa noite, Srta. Natasha! – Jessie me cumprimenta assim que me vê.

— Oi, Jessie. – cumprimento de volta. — Posso entrar?

— Oh! Claro! Desculpe! – Jessie ruboriza quando passo por ela.

— Steve está aqui?

— Sim. – ela fecha a porta. — Está com convidados. O Sr. e a Sra. Rogers vieram...

— Natasha! – reconheço a voz atrás de mim e me viro. — Steve não avisou que você viria! – Sarah vem até mim com os braços abertos.

— Oi! – retribuo seu abraço. — Ér... eu... acabei de sair do trabalho.

— Bom, então chegou na hora certa. Deve estar com fome. – Sarah pega minha mão. — Uau! Mas esse corte te deixou muito mais linda, se é que é possível.

— Obrigada!

— Venha comigo, querida. Já vamos jantar. Eu vim apenas pegar uma bebida para Penelope. – sua fala atiça minha curiosidade.

— Ah... Penelope. – tento não demonstrar ciúme ou nervosismo. Mas quem raios é Penelope?

— Ela voltou de viagem há dois dias. E resolvemos fazer uma surpresinha a Steve. – Sarah abre a geladeira e pega uma garrafa d'água.

— E de onde ela voltou? – cruzo os braços sem querer demonstrar interesse.

— Steve não te disse? – Sarah não espera por minha resposta. — Penelope chegou do exterior. Estava terminando seus estudos.

— Que legal! – mexo o pé me corroendo por dentro. — E em que ela se formou?

— Penelope é enfermeira!

Sarah se estica e pega um copo enquanto Jessie abre o forno e retira um salmão de lá. A cor do peixe está bem vermelhinha e vem acompanhado de douradas batatas assadas.

— Ela nos enche de orgulho!

— É, eu imagino. – murmuro querendo desesperadamente ir para casa.

Se arrependimento matasse, eu já estaria enterrada. Por que raios vim para cá?! O celular, idiota!

— Steve a adora! – Sarah se vira para mim e sorri. — Achamos que não se dariam bem no início, mas depois que se conheceram ficaram muito próximos. – ela ergue os ombros e indica a sala com a cabeça. — Vamos, querida! – chama, nem me dando tempo de responder.

De cabeça baixa, eu apenas a sigo enquanto nos dirigimos até a mesa de jantar.

— Olha quem eu encontrei na cozinha! – Sarah atrai a atenção de todos para mim.

Steve ergue a cabeça e para de sorrir assim que me vê. Ele fica de pé rapidamente e deixa cair no chão a revista que folheava.

Ao seu lado, uma mulher loira, linda e de olhos azuis segue seu olhar e também me encara. O primeiro a vir falar comigo é Joseph.

— Natasha! Steve nem comentou que você também viria. – ele me cumprimenta com dois beijos no rosto seguidos de um abraço. — Acho que quis nos fazer uma surpresa.

— É... – concordo ainda sem conseguir desviar meu olhar de Steve.

— Então ele conseguiu! – Bucky — Como vai, coisinha ruiva? Tirou para lavar? – seus dedos roçam meus cachos curtos.

— Ah... é... tipo isso. – desvio minha atenção de Steve. — Quanto tempo!

— Quase uma eternidade. – Sarah repreende acariciando os cabelos da menina loira. — Natasha, esta é Penelope. Penelope, esta é Natasha, namorada da Steve.

— Oi! É um prazer finalmente te conhecer! – a moça sorri gentil e educadamente ao me estender a mão.

Preciso lutar contra a vontade de esbofetear seu rosto por ter a encontrado tão perto de Steve quando cheguei, ainda mais o fazendo rir, e aceito seu cumprimento.

— Igualmente.

— Natasha, venha ao escritório comigo. – Steve pede.

— Ah, Steve! – sua mãe reclama. — Viemos comemorar a chegada de Penelope! Não é para você arrastar Natasha para longe, ainda mais que veio direto do trabalho. Deve estar com fome!

— É rápido, mãe. – ele diz assim que Jessie chega com o salmão. — Venha, Natasha. Por favor.

Steve me estende sua mão. Eu a seguro e ele nos conduz pelo corredor, mas eu paro abruptamente ao dar de cara com a última pessoa que gostaria de ver.

— O que você... – começo, mas Sarah sorri atrás de mim.

— Ah! – ouço seus passos. — Esta é uma querida amiga da família. – Sarah apresenta quando para ao meu lado. — Natasha, esta é Blanche Ozanan. Blanche, esta é Natasha Romanoff, a moça de quem tanto falamos!

— Muito prazer, Natasha! É uma honra conhecê-la!

Blanche me estende sua mão com um falso sorriso no rosto. Steve aperta levemente minha mão esquerda, indicando que eu devo agir conforme as boas maneiras exigem. E sei que é por sua mãe.

— Prazer também.

— Ouvi falar muitas coisas sobre você. – sua voz destila veneno. — Principalmente sobre como mudou a vida de Steve.

— Ela é um anjo. – Sarah toca meus cabelos curtos.

— Eu imagino. Não poderia esperar outra coisa de uma moça que estivesse com Steve. – Blanche devolve, cínica.

— Ér... eu... não quero incomodar. – sussurro e Sarah me interroga com o olhar. — Não sabia que estavam tendo um jantar em família, eu posso...

— Natasha, você é da família! – afirma docemente. — Joseph e eu queríamos fazer uma surpresa para Steve. Mas quem teve a surpresa fomos nós. – ela faz uma pausa e sorri. — Blanche quem teve a ideia, Steve! Não gostou? – Sarah toca o ombro do filho e ri.

— Sim, mãe, você já disse. – Steve assente. — Bom, com licença, mas preciso falar com Natasha.

— Oh! Claro, claro!

Sarah balança a cabeça e pega Blanche pela mão. Aliás, preciso me lembrar de desinfetar a minha.

Elas se afastam e Steve e eu voltamos a andar até o escritório. Ao entrarmos, Steve fecha e tranca a porta.

— Não me disse que viria. – ele atrai minha atenção. — Quer dizer, não que você precise avisar, amor...

— Claro que eu preciso, a casa é sua. Mas tudo bem. Se eu soubesse que estava dando uma festa, acredite, não teria vindo. – cruzo os braços e me viro para encará-lo.

— Não é uma festa. – rebate, tenso, antes de suspirar e pousar as mãos na cintura. — Você... você está bem?

— Ótima! – devolvo. — Claro, não que você se preocupe quanto a isso.

— O quê? – indaga com a testa franzida. — Que história é essa?

— Bom, como disse, estou ótima, mas tem uma doida à solta. – provoco. — Claro, não que isso faça diferença para você. Sabe, uma discussão e você nem se preocupa mais comigo.

— Natasha... – Steve suspira ao passar a mão pela barba. — Do que você... ahn... está falando... de quê?

— Nada, ué! Do que tem para eu falar? – eu me faço de desentendida.

— Porra, Natasha, seja direta! – Steve explode.

— Não tenho que ser direta!

— Do que você está falando? – ele me cobra nervoso. — Você... ah! – Steve solta uma risada debochada. — Acha mesmo que... espera. Está me dizendo que...

— Esqueça!

— Fury não tirou os olhos de você o dia todo. – afirma e eu fico calada. — Você está brava comigo, então eu pedi que a vigiassem de longe. Sei que não gosta quando...

— O quê? – arregalo os olhos. — Vigiassem? Você perdeu o juízo?

— É apenas por precaução. – explica. — Sharon está...

— Foda-se!

— Natasha...

— Chega, Steve! Entrega logo o meu celular, assim eu posso ir embora e você continuar com a sua reunião animada.

— Para com isso, Nat. Você ouviu minha mãe. – ele se defende. — Chegaram aqui de repente com Penelope.

— Ah! Então ela era mesmo a surpresa? – passo a mão na boca.

— Sim. – responde, mas logo arregala os olhos e bufa. — Porra! Natasha! Mas não é isso que você está pensan...

— Corta o papo, Steve! – exclamo. — Não é sempre o mesmo clichê? Só não contava em ser mais uma marionete disso. Achei que seria original.

— Do que está falando? Penelope não é...

— Já não basta eu encontrar com aquela mulherzinha na sua casa e ainda por cima preciso conhecer uma nova?

— Natasha, minha mãe não sabe nada sobre meu passado com Blanche! Elas são amigas. E Penelope é...

— Eu só vim aqui pegar o meu celular. – olho ao redor. — Pode me devolver? Preciso ir para casa.

— Acha mesmo que vai para casa? – indaga, mas anda até a mesa de madeira mogno e abre a primeira gaveta. — Agora que minha mãe te viu, eu duvido que te deixe sair daqui sem jantar conosco. – Steve me entrega o Iphone.

— Tudo bem. – pego o aparelho nas mãos. — Então eu fico. Mas única e exclusivamente por sua mãe. Nem por um segundo pense que farei isso por você!

— Eu não disse nada, linda! – Steve ergue as mãos inocentemente.

— E não me chame assim!

Antes que ele diga qualquer outra coisa, viro de costas e abro a porta. Ao voltarmos à mesa de jantar, vejo que todos já se sentaram e se serviram.

Quando penso em puxar a cadeira, Steve faz isso por mim. Não querendo dar crise de pirraça na frente de sua família, agradeço sua gentileza e me sento, mas não olho em seus olhos. Fico entre ele e a tal Penelope e tenho vontade de morrer, pois à minha frente, para completar, está Blanche.

Assim que sirvo a comida em meu prato, meu estômago ronca. Torço para que eu tenha sido a única a ouvir, mas meu rosto queima de vergonha quando noto que Steve me direciona um olhar de repreensão.

— E então, Natasha? Como vão as coisas? – pergunta o pai de Steve antes de dar um gole em seu vinho. — Já saiu o resultado do estágio?

— Sairá em uma semana. – respondo.

— Está nervosa? – Bucky questiona.

— Não. – um alívio percorre dentro de mim. — Por mais estranho que pareça.

— Sei que se sairá bem, querida. – Sarah afirma mastigando o peixe. — Hmmmmm! Mas que salmão delicioso! Jessie sempre acerta no ponto! Por que não a chamamos para se sentar à mesa conosco?

— Ela não se sente à vontade, mãe. – Steve remexe a comida no prato.

— Então faremos com que se sinta!

Sua mãe se levanta e vai até a cozinha. Escutamos alguns murmúrios e, em poucos segundos, Sarah volta à sala com um belo sorriso no rosto e uma Jessie encabulada atrás dela.

— Jessie, você é da família há muito tempo. Pegue um prato, uma taça e coma conosco à mesa.

— Sra. Rogers, eu...

— Faça isso ou será demitida. – Steve ordena, como sempre, do seu jeito sutil de ser.

— Apesar da grosseria, precisarei apoiar meu filho. – Sarah intervém, mas não sem antes lançar um olhar zangado a Steve.

— Obrigada! – Jessie faz o que lhe foi concedido.

— E então, Blanche? – Joseph mastiga o pedaço de salmão que tinha espetado com o garfo. — O que achou de Natasha? Não é uma graça?

— Claro! – ela afirma. — Um doce de menina! Steve tirou a sorte grande.

— Concordo. – Sarah sorri para mim. — É muito especial para nós, querida.

— Obrigada! – sorrio e corto um pedaço do peixe.

— É uma ótima oportunidade para nos conhecermos. – a tal Penelope diz ao meu lado. — Fico feliz de ver que você realmente existe, pois nem acreditei quando me falaram por telefone.

— Ah! – sem saber o que dizer, sinto o rosto ruborizar. — Imagina! Ér... Sarah e Joseph que são... ér... muito gentis.

— Não seja modesta, Natasha. – Blanche comenta e eu preciso me controlar para não espetar seus olhos com o garfo. — Já era tempo de nosso querido Steve encontrar alguém que o completasse e o fizesse feliz. – ela toma um gole de vinho. — Não acha, Sarah?

— É claro!

— Perdão, Natasha, meu bem. A família te adora, e com toda razão, mas queremos saber muito sobre a viagem de Penelope. – Joseph ri amigavelmente para mim.

— Claro, claro! O jantar é para ela. – eu assinto educadamente.

— Pai, por favor! – a mulher ao meu lado ri, e eu deixo o garfo cair contra o prato.

Vários pares de olhos claros se viram para mim e eu enrubesço. Steve ri baixinho à minha esquerda. Já eu não acho a mínima graça. Steve tem uma irmã! Tem uma irmã e nunca me contou?!

— Natasha, você está bem? – Sarah pergunta preocupada.

— Ér... sim. Sim. Sou apenas... ér... descuidada. – solto um riso nervoso e volto a comer em silêncio.

Por baixo da mesa, a mão de Steve aperta meu joelho e sobe pela coxa. Só de raiva, fico as unhas contra sua pele e arranho com força.

Ele grunhe, afastando o toque e voltando a comer. O alívio me acalma quando percebo que não chamamos atenção.

— Fico feliz de já ter terminado.

Penelope diz e só então me lembro da fala de Joseph. E de ela ter o chamado de "pai"!

— O estudos no exterior quase me mataram! Já estava à beira de um colapso!

— Mas agora desfrutará de tudo o que conquistou, querida. – Sarah sorri.

— Sim. E você merece, docinho! – Joseph pisca para Penelope. — Eu me orgulho muito de você!

— Obrigada! – Penelope devolve o mesmo sorriso e dá um gole em seu vinho. — Mas vamos mudar de assunto. – a voz de Penelope me chama atenção enquanto seus olhos me encaram sobre o ombro. — Então, você é a famosa moça que roubou o coração do meu irmãozinho!

— Ah... ér...

— Sim, ela é, Penelope. – Steve olha rapidamente para Blanche, que mexe na comida distraidamente. — A única.

— Por isso é famosa! – Penelope brinca. — Sinto muito por não termos nos conhecido antes, Natasha. Mas saiba que estou aberta a uma amizade.

— Claro, eu também. – confirmo, vendo Penelope suspirar antes de voltarmos a comer.

O jantar se segue de conversas costumeiras e paralelas enquanto eu respondo ao que me perguntam de modo educado e breve. E, por mais estranho que pareça, Blanche permanece da mesma forma que eu.

▪️▪️▪️

Steve me encara do outro lado do sofá quando eu pego a bolsa e anuncio que irei embora. Ele tenta ao máximo fazer contato visual comigo, mas eu ignoro enquanto me despeço de Sarah e Joseph.

Quando vou falar com Penelope, ela me puxa para o canto da lareira.

— Oi. – sorri rapidamente. — Olha... eu... sou mulher e sei ler uma. – fico tensa. — Reconheci seu olhar quando me viu com Steve.

— Ér... eu...

— Eu entendo. – ela assente. — Steve nunca falou de mim, não é?

— Bom, ele... na verdade, não. – murmuro.

— Tudo bem. – Penelope sussurra. — Bom, é uma história um pouco dolorosa. Mas, agora que você já me conhece, o Steve não tem mais como esconder. Converse com ele.

— Desculpa, Penelope. Sei que pensei besteira.

— Não precisa se desculpar.

— Penelope. – Steve surge ao meu lado e interrompe nossa conversa. — Minha mãe está te chamando. – ela suspira antes de ir. — Natasha, podemos conversar?

— Já fizemos isso, Steve. Aliás, por que não me disse logo que Penelope é sua irmã?

— Eu tentei.

— Não, Steve. – interrompo. — Não falo de hoje. Por que não me disse sobre ela antes? Por que nunca me contou que tem uma irmã? Meu Deus! Como pôde me esconder isso?

— Com licença. – Blanche vem até nós quando Steve se prepara para me responder. — Já me despedi de seus pais e de Bucky, Steve, e agora restou você. – ela sorri e põe a mão sobre seu ombro. — Até mais, querido! A propósito, recebi um documento nada conveniente hoje. Conversaremos melhor sobre isso.

— Não há o que conversar, Blanche. – Steve aceita seu abraço de despedida, mas sei que é apenas por Sarah. — Você está fora. – ele sussurra contra seu ouvido, mas eu consigo escutar.

— Como eu disse, nós conversaremos melhor. – Blanche acaricia seu rosto antes de se virar para mim. — Natasha! – sorri, mas nota que eu não retribuo e murmura entredentes. — Sabe tão bem quanto eu que isso é apenas por Sarah. Seja a garota boa e gentil que você sempre é e ande logo isso!

— Até mais. – estendo a mão para ela, pois é tudo que farei. Sarah nenhuma no mundo me fará abraçar essa mulher, pois pegar em sua mão já é uma tortura!

— Sinto muito por isso. – Steve murmura quando ficamos a sós.

— Eu também. – olho para ele. — Então, você quer conversar? Certo. Mas é para conversar. Ou seja, contar as coisas! Se eu descobrir que está escondendo mais alguma coisa de mim, eu sumo de uma vez por todas de sua vida. – afirmo. — Vamos logo.

Assim que entramos no escritório, Steve tranca a porta antes de se sentar ao meu lado no sofá.

— Natasha...

— Sem delongas, Steve. – cruzo os braços. — Sinceridade, por favor! Ao menos uma vez na sua vida!

Notas finais
Link que não abriu no capítulo (Sabrina) --> https://data.whicdn.com/images/220674844/original.gif Sei que a primeira parte do capítulo pode ter sido chata pra alguns leitores, mas eu acho super importante, principalmente pelo fato da história ser narrada sob a perspectiva da Natasha, apresentar também as particulares da personagem, ou seja, o seu dia a dia no trabalho. O enredo não gira em torno SOMENTE do romance dela com Steve. Sim, é a temática da fanfic, mas a história em si também aborda outros assuntos, dentre eles, a vida particular da Nat. Ela ama o seu trabalho e leva muito a sério, então eu quis abrir esse momento pra ela, até mesmo porque quando a Nat está fazendo o que ama, ela consegue se desligar de tudo ao redor, que foi o relato dela depois que terminou a conversa com os pais de Sabrina :3 Obrigada pelos 346 comentários, 142 acompanhamentos, 68 favoritos, 8 recomendações e 21432 visualizações :3 E aí??? O que acharam da Penelope? Esperavam por isso? Hmmmmmmmm Até a próxima, meus amores!!!! Por favor, acompanhem, favoritem, recomendem e comentem ^^ Beijocas!!!