Haunted 🔞

27 Capítulo 27 — Nothing more


Notas iniciais
Hey! Pra quem me segue no twitter sabe que eu disse que atualizaria a fic ontem, mas não tive tempo. Cheguei muito tarde do estágio e não tive disposição nem pra comer, gente. Fui direto pro banho e do banho pra cama. Anyway, cá estou eu hoje. Perdão por qualquer erro de digitação e aproveitem. Tradução do Capítulo: Nada mais

— Eu ainda não entendo. – murmuro ao lado de Steve e Darcy no sofá. — Sharon não estava internada?

— Foi o que Peggy disse. – Steve responde tão atônito quanto eu.

— Pera aí! – Darcy intervém. — Natasha, o que está acontecendo? Quem é essa mulher?

— Uma ex. – Steve responde por mim. — Ela tem problemas. Não aceitou o fim de nossa relação e culpa a Natasha.

— E já chamaram a polícia? – Darcy pergunta, nervosa.

— Não. Nós não achamos que seria... – minha prima me interrompe furiosamente.

— Ela arranhou seu carro! Isso é vandalismo, Natasha! – rebate. — Estão esperando o quê? Querem que ela atire em algum de vocês?

— Não! – Steve diz. — Você está certa. Só não quero assustar a Nat.

— Ah, ela já está bem assustada! E não é com o envolvimento da polícia, isso eu garanto! – minha prima bufa. — A porta está bem trancada e tem um carro de escolta lá embaixo, né? – Steve e eu assentimos. — Certo. Então eu vou dormir. – ela se levanta do sofá e nos olha. — E aconselho o mesmo para vocês.

— É. Tem razão.

Steve e eu seguimos para o meu quarto enquanto Darcy segue para o dela. Eu me deito na cama e Steve me abraça por trás. De conchinha, eu tremo em seus braços.

— Não precisa ter medo, meu amor. – ele beija meu rosto. — Eu estou aqui e nada vai acontecer com você.

— Isso não me preocupa, Steve. – digo de volta com a voz embargada. — Só estou confusa. Pensei que tivéssemos deixado tudo para trás. Ninguém parece aceitar isso: nem Sharon, nem Blanche...! Até quando isso vai durar?

— Eu também não sei, minha linda. Mas já estou cuidando disso. – Steve me garante. — Está tudo bem. Vamos resolver isso juntos. – seus braços me viram de frente para ele. — Não sairemos um do lado do outro, okay? Confie em mim.

— Eu confio. – nenhum pingo de dúvida passa por minha cabeça no momento em que digo isso. — Eu realmente confio em você.

— Obrigado, linda. – Steve beija minha testa.

— Já conseguiram encontrá-la?

— Não. Teriam me avisado.

— Deus! Essa mulher me odeia mesmo, não é?

— Não se preocupe. – Steve me aperta contra seu peito. — Ninguém vai machucar você.

— Steve, eu não sou de vidro. – eu o empurro para longe e me sento. Steve imita os meus movimentos.

— Como assim?

— Isso! – soco o colchão. — Você querendo me proteger! Eu não gosto disso! Você me subestima demais!

— Amor, eu só quero garantir que fique segura.

— Okay. Eu entendo. E também quero que você fique seguro, mas não monitoro cada passo que você dá. Isso é doentio!

— Tem uma diferença, Natasha: Sharon não está atrás de mim, está atrás de você. Se é doença eu ficar preocupado e querer garantir que nada te aconteça, então que se foda, eu sou doente então! – Steve eleva o tom de voz.

— Ninguém está atrás de mim, Steve!

— Natasha! Porra! – ele grita ainda mais alto. — Sharon tentou te atacar com uma tesoura e agora fez isso no seu carro! Sua prima tem razão: é preciso que ela atire em você para você entender que é perigosa?!

— A questão não é essa, Steve!

— É claro que é!

— Não, não é! – minha garganta está doendo de tanto gritar e prender o choro.

— Natasha, ela está atrás de você porque acha que terminei com ela por sua causa. Você é um alvo para ela.

— Não importa! – retruco já nervosa. — Você não deve se sentir responsável por mim. E se eu não te conhecesse? Teria que sair dessa sozinha!

Steve abre a boca pronto para rebater, mas a fecha rapidamente e gagueja. Ele parece confuso. E o brilho de seus olhos, que antes era de raiva, agora parece ser de dor. Um brilho opaco, que causa tristeza em quem observa.

— Tem razão, Nat. – admite com a voz baixa.

— Como assim?

— Se você não me conhecesse, não estaria em perigo.

Sua voz fica ainda mais baixa e tensa. A culpa corrói dentro de mim de forma devastadora. Quando penso em puxá-lo para um abraço, Steve sai da cama.

— Steve... – tento ir até ele do outro lado do quarto, mas Steve ergue a mão para me manter afastada.

— Não, Natasha. Não há o que ser dito. Parece que... parece que só agora a ficha caiu. – com os ombros trêmulos, Steve não encontra meu olhar. — Eu só trouxe desgraça para você. Desde que me conheceu foi assim. Sempre.

— Não! – não espero que Steve me afaste. Marcho até ele e seguro seu rosto. — Nunca mais repita essa merda! Você está me entendendo, Rogers?

— Natasha...

— Eu não quis magoar você. Desculpa. Sei que me ama e que quer me proteger. Eu entendo isso. Mas você não me faz sentir como se fosse sua parceira, e sim uma menininha. Isso não é certo!

— Eu só quero te proteger de todas essas merdas, Nat.

— Mas eu não quero ser protegida. Eu tenho esse direito, não tenho? A vida não é minha?

— É minha também. – ele acaricia meu rosto. — Eu já te disse isso: você é a minha vida agora, Nat.

— E você também é a minha. – beijo seus lábios. — Eu te amo muito! Muito mesmo! E você nunca me trouxe desgraça alguma, Steve. Muito pelo contrário!

— Mas, se você não tivesse me conhecido, não estaria...

— Feliz. – sorrio ao interrompê-lo. — Feliz, completa, apaixonada... o que mais você quer?

— Não tente me animar. – Steve comprime os lábios, mas acaba sorrindo também. — Eu te deixei exposta.

— Como assim?

— Fiz pessoas virem a você. – ele passa a mão pelos cabelos. — Sharon, Blanche...

— Mas a culpa não foi sua. A vida é um risco a todo o momento desde que viemos ao mundo. – digo. — Não cabe a você cuidar disso, meu amor.

— Mas, de certa forma, a culpa é minha.

— Steve, você não tem culpa alguma do que te aconteceu no passado. – murmuro. — Pare com isso. Estamos juntos agora. O presente é o que importa.

— Não quando a sua vida está...

— Chega! Eu não quero mais falar nesse assunto! Steve, a única maneira de conseguirmos enfrentar isso é permanecendo juntos, okay? Eu preciso de você assim como você precisa de mim. Aceite e abrace isso, por favor.

— Tudo bem. – ele se dá por vencido e beija meu rosto. — Eu amo você.

— Eu também te amo. – eu o puxo para um abraço apertado. — Muito!

⚫⚫⚫

Dois dias se passam e eu ainda me sinto perdida em pensamentos e preocupações. Faço tudo automaticamente: acordar, tomar banho, preparar minhas coisas para o trabalho, tomar um café rápido, escovar os dentes e sair. Nesta manhã, eu mal senti o gosto do beijo de Steve.

No trabalho, seguiu-se tudo da mesma forma: aula, consultas e dissertações. Os cumprimentos que recebi e retribuí aos meus colegas também foram automáticos. Eu me senti um robô durante todo o tempo. A única coisa que roda em minha cabeça é O que você tem que eu não tenho?

À noite, Steve e eu estamos terminando de jantar quando meu Iphone toca.

— Alô?

— Natasha?

— Oi, pai!

— Você está bem? – franzo o cenho com sua pergunta preocupada. Steve nota minha expressão e também enruga a testa.

— Bem? Estou. Por que não estaria?

— Ahn... ér... nada. Nada, nada, é que... bem... estamos há um tempo sem nos falarmos e a sua voz pareceu um pouco murcha, então...

— É, eu sei. – assinto ainda curiosa. — Mas está tudo bem, pai. Não se preocupe. Só estou cansada. E você? Trabalhando muito?

— É, digamos que sim. Mas até que gosto.

— Eu também. Isso ajuda a me distrair. – mordo a língua logo em seguida. Merda! Você fala demais!

— A distrair? Como assim?

— Ah... ér... você sabe. – solto um riso nervoso. — Algumas pessoas preferem compras, bebidas, chocolate... eu gosto do trabalho.

— Meu bem, você realmente existe?

— Sim, pai! – rio de seu espanto. — Mas e aí? Não tem feito nada além de trabalhar?

— Na verdade, não. E é por isso que resolvi tirar umas férias.

— Férias? – indago. — E para onde?

— Nova York. – surpresa, deixo a linha em silêncio. — Nat? O que foi? Atípico demais?

— Bom... na verdade e acho que sim. Acho que dá para usar essa palavra. – confirmo.

— E por quê?

— Você mora em Chicago, pai, então eu esperaria que tirasse férias num cruzeiro para Itália ou... ahn... uma viagem a... não sei... Las Vegas? Mas não vir para Nova York! Qual é a graça disso?

— Las Vegas é uma boa mesmo! Talvez na próxima, princesa. – papai ri. — Mas tudo o que quero agora é me livrar dessa tensão.

— No que estava trabalhando?

— Um caso em Atlanta. Terminei há dois dias. Enfim, queria fazer uma surpresa, mas achei que seria melhor te avisar. Assim você já fica sabendo que eu chegarei.

— Ah... ér... claro, pai! Claro! – fico empolgada em ver papai. — Faremos alguma coisa juntos?

— Sinceramente, eu espero que sim, princesa! O que acha de irmos ao cinema? Ou sairmos para jantar?

— Ótimo! – Steve sorri ao notar minha alegria. — Você e Steve poderão se conhecer. – meu namorado volta a franzir a testa. Namorado... essa palavra ainda é estranha. Little Red!

— Será bom mesmo. – papai diz. — Mas eu prefiro passar os primeiros tempos só com você. Okay?

— Tudo bem. – seguro a risada. — E nem pense em pagar um hotel! Ficará lá em casa, pai.

— Natasha...

— É sério, pai!

— Certo. Certo. – papai aceita a derrota.

— E você e Steve podem sair juntos também.

— Ér... filha, eu...

— Ele não se importará. – olho de relance para Steve, que me encara de olhos arregalados. — Ele sabe que será importante para mim. E não me negará. – dou língua ao loiro à minha frente. — E então? O que me diz?

— Bom, sendo assim, eu concordo, princesa. Por você. Mas vamos com calma.

— Tudo bem. – solto uma risadinha.

— Okay. – papai aceita após suspirar. — Chegarei em dois dias pela noite, certo? Eu ligo para avisar.

— Okay. Iremos te buscar no aeroporto.

— Não, não precisa, princesa.

— Que isso, pai?! Eu faço questão!

— Vai sozinha?

— Bom... Steve pode ir comigo. – respondo indecisa. — Tudo bem?

— Claro, claro! Ahn... e... como vocês... estão?

— Bem. – rio por dentro. — Pai... quer mesmo ter essa conversa por telefone?

— Não, não, você está certa, mas... só gostaria de saber se... ér... se vocês... ahn...

— Pai? – chamo, tensa. — O que foi? Pode dizer.

— Vocês estão... bom... estão morando... juntos?

— Não, pai. – ele suspira aliviado, o que me faz rir. — Nós revezamos entre aqui e lá.

— “Aqui e lá”? E onde é "aqui" agora? Você está na casa dele?

— É, pai. Lá no apartamento não temos tanta privacidade assim, já que Darcy e Rebby moram lá também. Na verdade, a Darcy está só por um tempo enquanto não acha um apartamento para ela, mas a Rebby...

— Rebby?

— A Rebecca, pai. – explico.

— Ah, sim! Entendo. Então estão todos crescidos, não?

— É... tipo isso. – comento.

— Ah! Já ia me esquecendo! – papai ri antes de voltar a falar. — Preciso que me ajude a comprar um presente para Amy.

— Amy? – indago, confusa, e só então percebo a que papai está se referindo: o aniversário de Amy será sábado!

— É, Natasha, um presente para Amy. – papai parece me repreender. — Por acaso esqueceu do aniversário de sua prima? Ela vem planejando essa festa há anos!

— Eu sei, eu sei. – fecho os olhos. — Desculpa, pai, não foi por mal.

— Filha! Namorar não significa...

— Não é isso, pai! – eu o corto. — Não precisa me dar esse tipo de sermão, não foi por isso. É apenas muito trabalho.

— Hmm... é importante que priorize sua família.

— Eu sei. Eu sei, pai, desculpa. – suspiro antes de continuar. — Sabe, inclusive eu falei com a tia Alek esses dias.

— Aleksandra? Que bom! E o que ela disse?

— Ela me explicou por que não pôde ir à minha formatura. – papai fica mudo. — E ela também me disse que você sabia. – revelo decidida a acabar com o suspense. — Por que não me contou, pai? Ou melhor: por que não pagou a passagem para ela?

— Porque ela não aceitou, Natasha. – papai suspira.

— É óbvio que ela diria que não, pai, mas deveria ter feito do mesmo jeito! Tá, eu sei que o dinheiro é seu e eu não devo impor isso a você, mas também sei que não te faria falta.

— Princesa, não precisa se justificar. Era a sua formatura, entendo que gostaria da sua tia lá, mas eu não pude fazer nada.

— Não pôde ou não quis? – Steve aperta minha mão sobre a mesa. — Ér... quer dizer... esqueça. Já passou.

— Sinto muito, Natasha. Não quis magoar você. Eu estava ocupado demais com trabalho.

— E a tia Alek sem nenhum.

— A culpa não é minha, Natasha!

— Não estou dizendo que é, pai! Mas você poderia ter ajudado de alguma forma.

— EU SEI!

Papai grita e eu sinto meus olhos marejados. Antes que eu diga mais alguma coisa, Steve puxa o celular de minha mão e fala por mim.

— Sr. Romanoff? É Steve Rogers. Sim. Sim, eu sei que... não, ela está aqui, mas abalada. É. Não, espere. Eu... eu acho melhor continuarem essa conversa depois. É, eu sei que o senhor vem. É, mas... não, senhor, eu não sou nenhum chefe, mas acho... não. Não, Sr. Romanoff, eu não decido por sua filha, mas estou com ela agora e estou vendo que ela está chorando. – fico tentada a fazer Steve parar de falar essas coisas a papai, mas ao mesmo tempo não quero. — Eu... Sr. Romanoff, por favor... eu sei... olha, desculpe ser rude e me meter, mas acredito que o senhor também não quer que sua filhe chore. Então, para o bem dela, e até mesmo pelo do senhor, por hoje já chega. Até! – Steve encerra a ligação e põe o celular sobre a mesa. — O que foi, linda? – ele me puxa para seu colo.

— Nada. – escondo o rosto na curvatura de seu pescoço.

— Vocês discutiram sobre o quê?

— Nada importante. Sério. – limpo os olhos e o nariz. — Além disso, sábado vai ser a festa da minha prima.

— Darcy? – Steve ergue uma sobrancelha.

— Não. – dou um tapa de leve em seu peito. — Minha outra prima. Filha do irmão de papai. – explico. — Quer ir comigo?

— Claro, lindinha.

Steve estica o rosto e beija minha bochecha. Em cima da mesa, o Iphone começa a tocar, mas tanto eu quanto Steve ignoramos.

— Pare de chorar. – ele acaricia o local onde me beijou. — Quer conversar?

— Não. Está tudo bem. – tento passar confiança. — Acho que só estou nervosa. O que aconteceu me deixou tensa. E estou descontando em todos.

— Ainda não descontou em mim. – Steve brinca.

— Então espere a sua vez. – ele ri e aponta para a sopa em meu prato. — Não aguento mais. – Steve me olha feio.

— Natasha...

Nós dois somos interrompidos quando meu Iphone começa a tocar novamente. Cansada e irritada demais para falar com papai, eu desligo o celular.

— Tem muita coisa acontecendo. – olho para Steve. — E acho que eu não estou sabendo administrar nada.

— Linda, você só está assustada. Mas não está sozinha. – ele torna a acariciar meu rosto. — Estou aqui para tudo.

— Eu sei. – assinto. — Bom... acho que preciso de um banho. – Steve me acompanha ao ficar de pé, mas eu o corto. — Eu... eu preciso de um tempinho sozinha. – seu sorriso morre.

— Tudo bem.

— Não fique chateado. – abraço sua cintura e repouso a cabeça em seu peito. — Mas preciso ficar um pouco sozinha, sabe, para pensar.

— Eu sei, amor. – Steve levanta a minha cabeça e acaricia meu rosto. — Leve o tempo que quiser. Estarei te esperando. Volte quando estiver pronta.

— Eu te amo. – sussurro e faço beicinho.

— Eu te amo. – Steve sorri antes de me dar um selinho.

Após nos separarmos, eu sigo para o corredor enquanto escuto Jessie e Steve retirarem os pratos da mesa.

Assim que viro em direção ao seu quarto, a campainha toca furiosamente seguido de socos na porta.

DIM DOM

Estou a um passo de ficar para saber do que se trata quando gritos ferozes e desiquilibrados invadem o apartamento.

Minha curiosidade fala mais alto e eu corro de volta até o corredor, mas paro ao reconhecer a dona da voz berrando a plenos pulmões: Peggy.

— Que porra você fez, Steve?!

— Peggy! – Steve repreende quando a porta torna a se fechar. — Pode nos deixar a sós, Jessie. Por favor.

Não ouço a resposta de Jessie. Provavelmente ela deve ter apenas se afastado de volta à cozinha silenciosamente.

— É tudo culpa dela, né? – Peggy indaga e eu temo que o "ela" seja eu.

— Não a meta nisso! Aliás, ela foi a vítima. – Steve intervém e a minha dúvida vira certeza.

— Você me disse que não levaria nada às autoridades! Porra, você me deu a sua palavra!

— Isso foi antes, Peggy. – ele rebate. — Só da Sharon ter ameaçado Natasha com aquela tesoura já era motivo para estar presa. Eu fui burro demais ao dar uma chance a ela e a você!

— Uma chance? A nós?! Seu cretino hipócrita! Ela está assim por sua culpa! – Peggy grita e sua voz parece ficar dividida entre a dor e a raiva.

— Isso não é justo, Peggy. – o rebate de Steve vem carregado de tensão. — E você sabe disso.

— O que eu sei é que minha irmã era completamente normal antes de te conhecer!

— Normal, Peggy? – Steve parece rir nervosamente. — E o incidente em Houston? Como chama aquilo?

— Foi apenas um reflexo do trauma que ela sofreu! – Peggy exclama e suspira logo em seguida. — E por que estou explicando isso, hein? Quer saber, Steve? Nós nunca o julgamos por você ser como é. – rebate e eu pressiono a mão na boca para não deixar escapar nenhum som. — Não é justo que faça isso com ela.

— O que não é justo é vocês terem escondido de mim.

— Eu não escondi nada de você! E Sharon te contou...

— Não. Eu descobri sozinho. Quer dizer, descobri uma parte.

— Descobriu fazendo suas pesquisas doentias! Isso que é crime!

— Pode não ser certo, mas foi preciso. Somente assim que consegui saber onde estava me metendo.

— Onde estava se metendo? E você é algum Santo?

— Peggy...

— E daí que Sharon tenha cometido erros no passado? Você não tem moral alguma para nos martirizar por isso! Porra, você tem traumas também, não tem? Deveria compreendê-la antes de julgá-la!

— Eu não estou julgando! Apenas disse que, se eu soubesse, eu jamais teria...

— Até parece! – Peggy debocha. — Como se você se importasse, Steve! Como se você realmente se importasse com as mulheres que já passaram por sua vida patética e solitária! Você é um doente!

— Levarei em consideração o fato de você estar nervosa e fingirei que não ouvi isso. – Steve rebate, mas parece sentir as palavras duras de Peggy. — E quanto ao que disse antes sabe que não é verdade. Eu investigo cada detalhe da vida delas. Conto com você para isso, inclusive.

— E eu estou cansada desse joguinho sujo! Se quiser continuar com isso, então que continue, mas chega para mim! Não farei parte mais desse trâmite psicopata! – acusa. — Aliás, Natasha sabe que você também tem uma ficha dela?

— Sim, ela sabe. – Steve confirma. — A propósito, sua irmã fez questão de literalmente jogar o dossiê em cima dela.

— E ainda assim ela continuou com você? – Peggy parece incrédula. — Então está explicado por que vocês são tão perfeitinhos um para o outro! Os dois se merecem porque os dois são loucos! Nem sei quem é pior: você ou...

— Quieta! Não fale dela, entendeu? – Steve ruge.

— Ahhhhh! Então ela está aqui? – começo a ficar preocupada. — Mas que pergunta a minha, não?! É claro que ela está aqui! Aquela não é bolsa da donzelinha? – Peggy ri debochadamente. — Claro! E onde mais ela estaria, não é?

— Peggy...

— Ela vive embaixo da sua asa, porra! Você a trata como se ela tivesse o quê, uns... dez anos de idade? Acorda! Ela não passa de uma interesseira! Não é diferente das outras!

— Já chega! – Steve grita de volta. — Para que veio aqui afinal? Para isso? Então pode ir embora!

— Não, não foi para isso! Eu jamais perderia o meu tempo falando da Natasha! – Steve parece retrucar, mas Peggy o corta. — Você sabe muito bem para que eu vim! Foi por uma causa importante de verdade!

— Então...

— Tem ideia de onde eu acabei de vir agora, Steve? Não? Da cadeia!

Neste momento, eu mordo o lábio para impedir que o grito saia. Steve colocou Sharon na cadeira e não me contou???

— Ela arranhou o carro da Natasha. – Steve responde calmamente. — Ela já tentou machucar a Nat e agora arranhou o carro dela. Você quer que eu fique de braços cruzados diante de tudo isso? Você disse que ela estava na clínica.

— Ela estava! – Peggy rebate nervosa. — Mas ela é adulta. Não posso prendê-la lá.

— Ela é uma ameaça, Peggy. Se não ficar na clínica, ela ficará na cadeia.

— Steve! – Peggy exclama. — Dê uma chance a ela. – Steve permanece em silêncio. — Por favor, Steve. Eu reconheço que ela errou. E sei que Natasha deve estar assustada. Com razão! Eu também estaria. Mas Sharon não fez por mal. Ela... ela tem traumas. Você sabe...

— Sei que é sua irmã e quer protegê-la, Peggy, mas não tente me fazer acreditar que uma pessoa que ameaçou outra com uma arma branca e depois arranhou seu carro não tenha feito nada disso por mal. – Steve interrompe e eu ouço Peggy suspirar. — Entendo que Sharon tenha problemas. E é justamente por isso que não pode ficar solta. O fato de ela ter traumas não justifica o que fez. Sendo assim, todos os crimes do mundo seriam julgados dessa forma. Sei que você está abalada por sua irmã, mas no fundo também reconhece que estou certo.

— Steve, mas ela não...

— Sinto muito, mas livre, ela pode voltar a qualquer momento. E acabar conseguindo o que quer: machucar Natasha.

— Steve, ela não quer machucar ninguém! Meu Deus! Sharon só precisa de apoio!

— E ela não receberá esse apoio da minha parte!

— Mas...

— Peggy, a escolha é sua: clínica ou cadeia. Nas ruas, nem pensar.

— Não cabe a você decidir isso, sabia? Porra, você fez tudo pelas minhas costas!

— Faria diferença se você ficasse sabendo?

— Eu sou sua amiga!

— Estou te ligando sem parar, caralho! Você não retornou nenhuma ligação!

— Você sabia que eu trabalho? Eu não fico de férias! E nem atendo somente a você! Por incrível que pareça, o mundo não gira apenas para Steve Rogers e sua donzelinha indefesa!

— Peggy...

— A primeira coisa que ouvi de Daniel assim que cheguei à minha casa hoje foi que você soltou um mandato de busca para Sharon!

— Ela está foragida.

— Foragida?? Meu Deus, Steve! – Peggy bufa.

— Então onde ela está?

— Eu... e-eu não sei... mas não é uma fuga! Ela não está se escondendo, só está... só está... eu...

— A polícia a encontrará. E ela terá bastante tempo para pensar no que fez.

— Não é mais Dominador dela, sabia? – Peggy alfineta e o ar fica preso na minha garganta. — Nem o meu! Irei levar isso aos tribunais se for preciso.

— Sério? – Steve deixa um riso debochado escapar. — Quer mesmo levar aos tribunais um caso que sabe que vai perder?

— Eu não vou! Não é à toa que sou uma advogada de sucesso corriqueiramente disputada!

— Qualquer juiz determinará que sua irmã precisa de ajuda. Acha que a lei será realmente a seu favor e deixará passar duas ocorrências violentas já registradas?

— Seu filho da puta! Você me disse que não tinha feito a primeira queixa!

— Não, mas farei, se você insistir nessa ideia de processo. Sharon precisa de ajuda, Peggy, quer você queira ou não.

— E não será numa cela imunda que ela ganhará essa ajuda, meu Deus! E muito menos num hospício!

— Então onde? – Steve grita em tom de deboche. — Nas ruas, à solta, podendo ferir Natasha quando bem entender?

— Eu me encarrego de cuidar dela. – Peggy garante. — Irei me responsabilizar por ela, Steve.

— Já disse isso antes. Ela tentou atacar Natasha duas vezes. Por sorte, na primeira não tinha nada que pudesse de fato feri-la. Na segunda, Fury e eu estávamos lá para impedir. Na terceira, foi somente um carro. Mas e se ela tivesse conseguido? Diga, Peggy. Como faria agora? E se Sharon, em vez de amassar e arranhar o carro de Natasha, tivesse... ahn... não sei... cortado o freio? Você passaria pano para isso também?

— É claro que não! Eu não estou tirando sua razão nem de Natasha! Eu sei que foram delitos consideráveis! Mas eu... ela... é minha irmã, Steve! Não posso desistir dela. Só uma chance! É só o que peço. Por favor!

— A vida de Natasha não é brincadeira. – Steve repreende. — Todas essas chances que está pedindo... você acha o quê? Sua irmã não está acima de ninguém, muito menos de Natasha, que não fez nada contra ela. Na verdade, ela nem sabe que eu registrei a queixa contra Sharon. – afirma, dando certeza à duvida que já tinha.

— Então como você conseguiu sem o consentimento dela? Afinal o carro...

— O carro pode ser da Natasha, mas Sharon invadiu o prédio que eu moro.

— Eu não sei mais o que fazer... – Peggy se desesperada com o cerco se fechando cada vez mais para Sharon.

— Peggy, estou te dando duas alternativas: ou a cadeia, ou a clínica. E você tem como mudar o destino de sua irmã. Você sabe onde ela está.

— Claro que eu não sei, porra! Acha que eu já não teria a resgatado se soubesse? Como consegue ser tão frio...

— Peggy! Pense!

— Não! – ela grita chorando. — Steve, por favor, reconsidere. Eu vou cuidar dela. – implora antes de voltar a gritar. — Porra! Ela é minha irmã! E ficou assim por sua culpa! Você estragou tudo! – ouço passos e temo que Peggy esteja indo atacar Steve, mas também sei que ele não permitirá. — Você e seus joguinhos doentios que a destruíram! Você é o culpado de tudo isso!

Arrisco um passo para o lado e vejo Peggy erguer a mão para cima de Steve. Quando penso em intervir, Steve segura seu pulso e impede o ataque.

— Nem pense nisso.

Seus olhos estão fixos nos dela. Sei que agora preciso me meter antes que tudo piore e Steve faça algo do qual se arrependa.

— Steve, solte ela. – saio do corredor e me revelo para ambos.

Steve arregala os olhos na minha direção enquanto Peggy se solta furiosamente.

— Escute a sua cadela! – ela cospe em minha direção.

— Cala a boca! – Steve avança para cima de Peggy, que quase perde o equilíbrio ao recuar os passos.

— Steve! – puxo sua camisa. — Não faça isso! – ele olha para mim. — Chega! – arfo e olho para Peggy. — Eu... eu sinto muito. Sinceramente. Por tudo.

— Quanto você ouviu?

— Tudo. E sinto muito mesmo por seja lá o que tiver acontecido à Sharon.

— Ah! Obrigada, mas não precisa mentir! – ela rebate e olha para Steve. — Sabe de uma coisa, Steve? – indaga com a respiração acelerada. — A mesma pergunta que Sharon fez à Natasha e a você, eu faço agora: o que ela tem de tão diferente? – a voz de Peggy está coberta de veneno. Um veneno sufocante e que me deixa com a garganta apertada. — Ela ainda é uma menina!

— Eu tenho vinte e dois anos. – isso atrai a atenção de Peggy. — E não fale de mim como se eu não estivesse aqui.

— Desculpa, Srta. Adulta. – ela debocha e Steve cerra os punhos. — É tão metida a crescida! Não sabe nada do que acontece à sua volta, Natasha! Não enxerga um palmo na frente do nariz!

— Peggy... – Steve começa, mas eu ergo a mão e peço a ele.

— Não. Deixe-a falar. – olho em seus olhos antes de me virar novamente para Peggy. — E então? O que é? – ergo os ombros. — Pode me dizer. O que eu não enxergo?

— Bom, se você não enxerga, não sou eu quem vai te mostrar. – Peggy ironiza. — Se bem que... nem tinha como você descobrir mesmo.

— Do que está falando? – pergunto nervosa.

— Investigue. – Peggy aponta entra ela e Steve. — Assim como ele me mandou fazer. – eu me viro para Steve.

— Do que ela está falando? – cobro. — Steve! Do que Peggy está falando? Responda!

— Não dê bola para isso. Amor... – Steve me segura.

— Amor, nada! – sacudo os braços e me solto dele. — O que você não me contou?

— Nat... eu... nada! Olha, tente entender...

— ENTENDER?! – grito com lágrimas escorrendo pelo rosto. — ENTENDER O QUÊ?

— Pare de gritar. – Steve pede com a voz baixa.

— Você nunca vai entender o que é um relacionamento. – murmuro. — Não é tudo à base de sexo, Steve!

— Natasha, não abaixe o nível...

— VAI PRO INFERNO! – rebato antes de me virar para Peggy. — E você? O que ganha ao vir aqui e nos transtornar? E eu sinto muito, mas nada disso vai livrar Sharon.

— Talvez não, mas é o máximo de vingança que consigo por hora. – afirma com ódio nos olhos.

— Cala.A.Porra.Da.Boca! – Steve grunhe, mas eu decido falar.

— Chega! – exclamo.

— É, chega! – Peggy apoia e eu olho para ela. — Deixe Sharon em paz, ou eu mesma farei questão de terminar o que ela começou.

— Como você... – Steve começa.

— Está avisado. – Peggy afirma.

— Peggy... – ela olha para mim com desprezo e marcha até a porta antes de sair do apartamento.

Eu permaneço parada na sala, tensa e assustada demais para falar alguma coisa.

Jesus...! Que angústia! De soslaio, vejo Jessie reaparecer, mas ela nota que Steve e eu ainda estamos nervosos e resolve recuar para a cozinha.

— Natasha... – Steve pega minha mão. — Por favor.

— Não. – balanço a cabeça. — Estou cansada, Steve. – viro as costas e caminho até minha bolsa.

— Aonde vai? – questiona com a testa franzida em um V.

— Para casa. – ando até a porta.

— Para casa? Por causa de Peggy? Natasha, ela só encheu...

— Não venha atrás de mim. – encaro Steve por cima do ombro. — E nem ouse tentar me impedir de ir.

— Não! – ele me puxa pela cintura.

— Steve, não me toca!

Eu tento lutar, mas Steve é mais forte do que eu e consegue me trazer de volta ao apartamento enquanto fecha a porta com o pé.

— Saia da minha frente!

— Natasha, você está nervosa. Não pode sair daqui agora. Por favor, vamos conversar.

— Não há o que conversar! – rebato. — Com certeza você me contará uma mentira idiota e eu serei mais idiota ainda ao acreditar. Já chega!

— Natasha, por favor...

— Se você não me deixar sair daqui por bem, eu chamarei a polícia. – Steve arregala os olhos. — Agora!

— Espera. – ele ergue a mão. — Você está muito nervosa. Vamos conversar um pouco? – abro a boca para rebater, mas então decido entrar no seu jogo.

— Tá bom. Pode me dar um pouco d'água para eu me acalmar?

Steve assente aliviado e vai até a cozinha. Eu aproveito sua distração e corro para a porta. Não espero o elevador. Opto pelas escadas, querendo me distanciar de Steve e tudo que o envolve agora.

Quando chego à rua, estou ofegante e suada. Fury me aguarda ansiosamente. Provavelmente Steve falou com ele enquanto eu descia, como sempre, querendo me controlar.

Fury abre a porta do carro para mim, mas eu nego com a cabeça e começo a andar pela calçada.

— Srta. Romanoff? – ouço Fury me chamar, mas não paro. — Srta. Romanoff, aonde vai? – ele tenta de novo. — Natasha!

— Quero ficar sozinha, Fury!

Grito sem me virar, apenas continuando a andar. E não me importo com nada. Com mais nada.

Notas finais
Obrigada pelos 331 comentários, 139 acompanhamentos, 64 favoritos, 8 recomendações e 20149 visualizações. Parece que a Nat se cansou mesmo, hein O.o Confesso que fiquei um pouco chateada com o número de comentários do capítulo anterior kakaka vocês acharam chato por causa do jantar e não ter grandes emoções? :( Até a próxima! Beijocas!