Haunted 🔞

4 Capítulo O4 — Give me a chance


Notas iniciais
Oi, meus amores!!! Como estão? Quem estará indo à Bienal amanhã??? Eu!! Okay, vou ter que bancar a babá das minhas irmãs, mas nada vai tirar minha alegria de conhecer pessoalmente autores MARAVILHOSOS! AH! FICO ATÉ ARREPIADA SÓ DE IMAGINAR *u* Anyway... não vou me explicar pela demora porque é aquilo que vocês já sabem: faculdade e banner de capítulo kakakaka Enfim, o capítulo de hoje é dedicado à diva da LOVERomanogersNS, que recomendou "I Put a Spell On You" há uns dias atrás, mas, como a fanfic já foi finalizada, estou dando esse capítulo a você, baby. Espero que você e todos os outros leitores gostem, aproveitem e perdão por qualquer erro de digitação ^^ Tradução do capítulo: Me dê uma chance

— Boa noite! – o garçom nos cumprimenta à mesa. — Senhorita. – ele acena para mim.

— Boa noite! – Steve responde. — Iremos querer dois bifes ao ponto, arroz à piemontese e legumes cozidos.

— Sim, senhor. – o senhor anota a tudo. — Bebidas?

— Traga a carta de vinhos, por favor.

— É para já, senhor.

Steve retira seu casaco e o pendura nas costas de sua cadeira. Em seguida, apoia os cotovelos sobre a mesa e me encara de olhos arregalados.

— Coma tudo.

— Escolheu por mim sem saber se eu gosto dessas coisas!

— Não comece, Natasha!

— Não sou criança, Steve! – reviro os olhos.

— Então pare de agir como uma!

— Do que está falando?

— Você sabe! Da sua ridícula cena de tentar me fazer sentir ciúme.

— Eu não tentei nada!

— Tentou! E ainda usou Miguel, que você diz ser seu amigo.

— E ele é! – exclamo e só então percebo que Steve está certo. Miguel é meu amigo e sei que nutre sentimentos além da amizade por mim. — Sinto muito.

— Sente? Pelo o quê?

— Pelo o que fiz com Miguel.

— E comigo?

— Eu não fiz nada com você! – franzo o cenho. — Não temos mais nada.

— Você me ama, Natasha.

A certeza de suas palavras são tão firmes quanto tijolos. Caem em cima de mim e eu fico sem forças. Mas precisa ter alguma, menina. Vamos!

Ao notar meu silêncio e desconforto, Steve pende a cabeça para o lado e cerra os olhos.

— Ao menos foi o que disse antes de partir. Ou isso mudou?

Mordo o lábio.

— Natasha? – Steve insiste novamente.

— Não, Steve, não mudou. – um lampejo de alegria cruza seus olhos. — Mas isso não importa mais.

— Claro que importa! – ele solta um riso sarcástico. — Eu fui burro de acreditar antes, mas é óbvio que você não se deitou com outros homens.

— E por que é tão óbvio assim? – eu me ofendo com sua certeza a respeito de mim. — Estou solteira e eu tenho todo o direito de continuar minha vida!

— Só se passaram duas semanas, Natasha. – Steve me lança um olhar significativo. — Você não é esse tipo de mulher.

— E como que é ser esse tipo de mulher? – meu lado feminista entra em brasas. — Faria diferença se eu fosse homem como você? Ah, desculpe! Acho que estamos em séculos diferentes! – dou um tapinha de leve em minha testa.

O garçom retorna carregando a carta de vinhos em mãos, o que faz com que Steve precise morder sua resposta sarcástica.

— Iremos querer o Barossa Valley Shiraz. – ele aponta.

— Senhor... – garçom empalidece. — Sinto muito, mas reservamos este vinho para um casal que...

— Pago o dobro! – Steve fecha a carta de vinhos com força. — Acrescente o valor na conta.

— Ér... si-sim, senhor.

Com os ombros encolhidos, o garçom pega a carta de vinhos e se retira. Eu lanço uma cara feia a Steve. Qual a porra do problema dele!?

— Por que fez isso?

— Porque eu quero aquele vinho. – Steve dá de ombros.

— Sabe do que estou falando! Por que está bravo?

— O que você acha?

— Acho que você está sendo o infantil agora.

— Pode ser, mas a culpa é sua.

— Minha? – repito de olhos arregalados.

— Você me provocou, Natasha!

— Eu não...

— Não falo de Miguel. – anuncia após suspirar.

— Então fala do quê?

— Dessa sua idiotice de ter parado de comer!

— Eu não parei de comer! – revido. — E, ainda que tivesse, não tem o direito de me cobrar!

— Eu me preocupo com você! Isso é o essencial para te deitar de bruços e estapear sua bunda!

A vermelhidão se estende por todo o meu rosto, mas eu não desvio o olhar. O garçom volta até nós pondo a garrafa de vinho e as duas taças de cristal sobre a mesa.

— Pagarei a conta da mesa que havia reservado o vinho. – Steve oferece em sua sutil forma de se redimir.

— Sim, senhor. – o garçom assente e se afasta.

— Já sabe! Coma, Natasha.

— Ou? – dou um gole generoso em meu vinho.

— Não me teste. – os lábios de Steve se pressionam um no outro.

— Você não me teste! Já sabe que não admito mais passar pelas mesmas coisas de antes!

— Não é isso... eu não quero... Natasha, só quero você de volta.

— Já te disse que quer uma coisa que eu não posso te dar.

— Você é tudo que eu quero!

— Não é o bastante.

— Por que diz isso?

— Você sabe! É doloroso demais estar numa relação e não saber sobre as rédeas que a guiam.

— Estou disposto a mudar.

— Também já disse isso. E não deu em nada. – balanço a cabeça para os lados.

— Tudo foi antes de eu perder você. – limpo a garganta na esperança de espantar o nó que a aperta. — Levou uma parte de mim junto de você quando foi embora.

O ar prende em minha garganta ao mesmo tempo que as lágrimas sobem aos meus olhos.

— E o que pretende fazer a respeito?

— Conversar. Propor. Reconquistar você. – seus dedos acariciam o dorso de minhas mãos. — O que me diz?

— Depende do que você dirá primeiro.

— Touché, Srta. Romanoff! – solto uma risadinha. — Eu proponho uma nova chance.

— Como assim?

Antes que Steve possa possa esclarecer, o garçom volta com os pedidos.

— Coma. – Steve ordena.

— Só porque estou com fome! – resmungo e Steve reprime um sorriso.

A carne está macia e suculenta assim que a corto com a faca. O caldo saboreia e escorre por minha língua numa festa de temperos maravilhosa!

— E então?

— Delicioso!

— Que bom! Coma tudo. – Steve limpa os lábios rapidamente. — Mas e aí, Natasha? Está disposta a tentar?

— E a que eu estaria disposta a tentar? Você não pode me afastar e logo querer que eu volte para você num estalar de dedos!

— Mas não foi isso que aconteceu. – diz atento a mim. — Você foi embora.

— E tive meus motivos! Não dá para esquecer das coisas que fez e disse!

Steve inspira e expira várias vezes, olhando fixamente para seu prato antes de erguer os olhos azuis e gélidos para mim.

— Desculpa.

— Desculpa? – ergo uma sobrancelha. — Isso não é uma palavrinha mágica, Steve. Você disse que eu teria que abortar! Tem noção do peso disso?

— Falei sem pensar, Natasha! – ele parece recluso e envergonhado. — Quando se está de cabeça quente você não para para refletir no que diz.

— Também falei coisas no calor do momento, mas isso me machucou muito.

— Eu sei, Natasha. Perdão. – Steve suspira novamente e desvia o olhar. — Eu realmente não sei o que dizer ou fazer para reparar meus erros. Mas obviamente não te forçaria a uma coisa dessas! O que pensa que eu sou?

Diante de sua pergunta, eu suspiro e encaro o fundo de seus olhos azuis, demonstrando que não tenho mais receio de ser direta e sincera com ele.

— Não tenho o poder de ver dentro da sua mente. Claro que quando me disse o que disse eu me assustei. E não pode me culpar por isso.

— Não culpo! – Steve atrai minha atenção. — Só acho que paternidade ainda não é para mim. Dificilmente vejo sendo algum dia, mas definitivamente não agora.

— Eu respeito isso. – jogo os cabelos para trás. — Mas não pode exigir o mesmo de mim.

— Quer ter filhos? – ele arregala os olhos.

— Por que não? – ergo os ombros. — Obviamente não agora, com apenas vinte e dois anos de idade.

— Mas...?

— Nunca se sabe o dia de amanhã. – completo e Steve assente. — Mas voltando ao que propôs.

— O quê? – seus olhos se arregalam. — Vai me dar outra chance?

— Por que quer outra chance?

— Porque eu te quero de volta. – responde como se fosse a coisa mais simples do mundo.

E por que não pode ser, menina? Ele apenas está sendo sincero e direto.

— Simples assim? – solto um riso nervoso.

— Por que não seria?

— Porque nem tudo é tão fácil!

— Isso pode ser, Natasha. – suspiro ao notar que ele está desesperadamente ansioso. — Eu faço o que você quiser! É só pedir.

— O que eu quiser? – arco com as sobrancelhas desacreditada.

— Sim! Pode apostar que sim!

— Para começar, você precisa entender que as coisas seriam diferentes. – sou firme e direta e Steve apenas assente.

— Okay.

— Você iria querer algo diferente?

— Natasha, eu quero você. – afirma. — Só isso!

— Steve, não sei se você entende o que estou dizendo. – descanso os braços na mesa e pronuncio enfaticamente. — Eu quero algo novo!

— Como?

— Sem regras. Sem punições. – respiro fundo e encaro o fundo preto de suas íris azuis. — E sem mais segredos. Um relacionamento de verdade. Pode aceitar isso?

Steve está tão atento e tenso que eu começo a me preocupar. A única coisa que comprova que ele está respirando é o leve levantar e abaixar do pano de sua camisa.

— Sem mais segredos?

— Sim. – respondo curta e grossa, mas me arrependo em seguida e decido lhe dar um pouco de paz de espírito. — Sei que é difícil para você. E sei que não se tornará um livro aberto do dia para noite. E nem eu estou pedindo isso.

— Mas...?

— Quero sinceridade. É disso que eu preciso e espero num relacionamento.

— Nunca menti para você.

— Eu sei. Mas poderia se esforçar para me contar mais coisas. Não quero um relação no escuro. É horrível! Não passarei por isso de novo! – afirmo com a raiva e a amargura duelando dentro de mim. — Sei que o que tivemos antes foi baseado em regras de um contrato, mas foi muito desgastante. – Steve tenta dizer algo, mas ergo a mão. — Vou ser sincera.

— Por favor.

— Estou tentando seguir com a minha vida. – ele pisca. — Ou estava, até te ver hoje. E você está certo. Eu ainda te amo. – rolo os olhos pelo restaurante e tomo coragem para prosseguir. — Mas eu também aprendi a me amar. A me valorizar. – sinto lágrimas nos olhos, mas não dou abertura para Steve falar. Ainda não. — E eu preciso saber que poderei me entregar de corpo e alma nisso. Eu preciso saber que você vai me respeitar.

— Natasha...

— Não estou dizendo que quero um mar de rosas. Relacionamento algum é assim. Sei que teremos discussões. – Steve apenas acompanha com o olhar enquanto eu enxugo as lágrimas. — Mas é para ser saudável. – apoio as costas contra o conforto da cadeira e cruzo os braços. — Você veio me procurar, então me mostre que está tão disposto quanto quer que eu esteja.

— Natasha, tudo que me disse agora foi perfeito! É isso que eu também quero de você: sinceridade.

— Acho que consigo fazer isso.

— Será diferente agora, Natasha. Acredite em mim.

— Eu realmente quero.

— E você pode, linda! – Steve sorri. — Mas vamos falar de você agora.

— De mim? – ergo o olhar. — Como assim?

O rosto de Steve volta a ficar sério. Sei ele irá dizer algo impactante e eu me preparo internamente.

— Por que não disse as palavras-chave quando foi necessário?

— Ah... – minhas bochechas coram. — Bom... eu... e-eu... não achei que... ér.. na verdade, eu esqueci.

Enquanto ponho mais um punhado de comida na boca, o rosto de Steve se transforma em raiva, dúvida, incoerência, fúria...!

— Você esqueceu!?

— Shhhh! – olho para as outras mesas.

— Como assim você se esqueceu, porra?

— Desculpe! Eu não consegui pensar em nada!

— Porra! – ele soca a mesa. — Natasha, as palavras são justamente para...

— Eu sei, eu sei. – mexo as mãos inquietamente. — Eu sei para o que elas são, mas eu não consegui pensar em nada! Caramba! Eu... eu estava... eu estava tão nervosa quanto você. Desculpe!

Steve passa a mão pelos cabelos e me fita de modo indescritível.

— Natasha, eu poderia ter te machucado muito mais. Você devia ter me feito parar.

— Eu sei. – concordo. — Eu também não fiquei satisfeita comigo mesma. Sinto muito, Steve. – abaixo os ombros.

— Tem que me prometer que me dirá tudo o que se passar pela sua mente, entendeu?

— Eu já disse que sim. – grunho entredentes.

Steve me olha com a cabeça pendida para o lado e uma sobrancelha erguida na testa.

— O que passou passou. – admite ao suspirar. — Vamos parar de conversar. Isso só está distraindo você. Ainda tem muita comida aí.

— Você também não está comendo! – seu prato tão cheio quanto o meu.

— Não sou eu que estou pele e osso, Natasha.

— Nem eu! – faço beicinho.

— Mesmo? – Steve pende a cabeça para o lado enquanto põe um pedaço de cenoura na boca. — Quantos quilos perdeu?

— Eu não sei! Em duas semanas não dá para perder muita coisa!

— Meu Deus, Natasha! – Steve atrai atenção de algumas pessoas do restaurante. — Coma!

Em poucos minutos, meu prato está pela metade, mas eu não consigo engolir mais nada. Terminando de sentir a carne descer por meu tubo digestivo, estico a mão e alcanço a taça de vinho. O líquido agridoce ajuda a empurrar a comida para baixo.

Limpo os cantos da boca e reprimo um arroto. Steve percebe e disfarça uma risada.

— Não vai comer mais? – ele aponta para o prato.

— Já estou cheia. – ponho o guardanapo ao lado do prato.

— Tudo bem. – Steve suspira e checa o relógio. — Ao menos comeu bem. – ele me lança um sorriso. — E então? Vamos?

— Sim. – dou de ombros. — Preciso acordar cedo.

— Garçom! – Steve estica o braço e o senhor vem às pressas. — A conta, por favor.

— É para já, senhor!

O garçom se afasta e Steve pega o celular.

— Sim, já terminamos aqui. Sim. É. – ele olha para mim e parece irritado. — Óbvio que deixaremos a Srta. Romanoff em casa!

Sua fala me faz rir. Steve vê e revira os olhos, mas não para mim, para a pessoa com quem fala ao telefone.

— Ótimo! Obrigado, Fury!

Steve guarda o celular no bolso da calça e, em seguida, nós dois nos olhamos intensamente. Algo em mim acende e percorre por meu corpo.

O desejo e a saudade se encontram e fazem minha pele formigar. Tudo em mim é combustão. A vontade de pular a mesa e reivindicar sua boca faz minhas pernas se esfregarem uma na outra.

— Estou do mesmo jeito, linda. – Steve pega a minha mão sobre a mesa. — Céus! Você está fervendo.

— Steve... – solto um riso nervoso por causa de sua fala.

— Natasha, eu poderia muito bem te levar para minha casa e matar a saudade que sinto de cada pedacinho do seu corpo. – suas pupilas se dilatam e eu sei que as minhas fazem o mesmo.

— Mas...?

— Você tem trabalho amanhã. E precisa dormir, como acabou de dizer.

— Mas eu...

— Agora que comeu precisa ter uma boa noite de sono. E já está tarde. – Steve suspira mais uma vez e beija minha mão. — Mas não pense que estará livre no sábado.

— Você que pensa! – ele franze o cenho.

— Como assim?

— Terei que receber minha prima. – explico. — Ela vai passar uns tempos comigo até arranjar um apartamento.

— Que horas ela chegará?

— Pela manhã.

— Ficará com ela o dia todo?

— Não preciso ficar o dia todo. – dou de ombros. — Ela não é do tipo calorenta.

— Então será toda a minha à noite.

— Só à noite? – ergo uma sobrancelha.

— Natasha, não provoque...

Quando noto que o garçom volta à mesa, eu me solto de Steve e soco as mãos no colo. Só a ideia do senhor ter escutado nossos planos quentes e animados me faz ter um incêndio no rosto.

— Aqui está, senhor.

O garçom deposita duas contas sobre a mesa, a nossa e a do casal do qual Steve fez questão de roubar o vinho.

Por um momento, eu me sinto chocada quando Steve se apressa em abrir a carteira e dar o dinheiro requisitado acompanhado de uma gorjeta generosa, mas logo percebo que esse é ele: ouro em pessoa.

— Obrigado, senhor! – o velho sorri e cora. — Tenham uma boa noite! Senhorita.

Novamente, quando se afasta, volto a encarar Steve. A tensão sexual que paira entre nós é tão forte que quase pode ser vista.

— Srta. Romanoff, se continuar me olhando assim, receio que daremos um espetáculo de sexo no restaurante.

Por incrível que pareça, não coro com suas palavras diretas e ousadas. Pelo contrário. Isso acelera ainda mais calor que me percorre. É como se Steve tivesse atirado álcool, gasolina e óleo diesel em meu fogo interior.

— E o que pretende fazer a respeito, Sr. Rogers?

Sua língua rosada e molhada umedece seus lábios. Tenho vontade de encontrá-la com a minha. Para me aquietar, mordo o lábio.

— Pretendo fazer muitas coisas, Srta. Romanoff. – ele afrouxa o colarinho. — Mas por hora irei me contentar em admirá-la.

Fico surpresa e tímida com suas palavras.

— Admirar? A mim?

— Sim. Faz tempo que não vejo esse rosto lindo.

— Steve... – solto um riso tímido. — Faz apenas alguns dias que...

— Foram dias demais, Natasha! Não desdenhe disso.

— Não estou. – logo trato de me justificar. — Foi tão tórrido para você quanto para mim. Não pense que não fiquei mal.

— Sei que ficou. – Steve lança um olhar severo para meu corpo. — Posso perguntar uma coisa?

Sua dúvida me faz rir.

— O que é tão engraçado, Srta. Romanoff?

— Você me pedindo permissão! – reviro os olhos e Steve suspira.

— Não revire os olhos. Minha palma da mão ainda coça.

— Não se esqueça das mudanças que conversamos.

— Você não quer nada do tipo?

— Como assim "nada do tipo"?

— Hmmmm... uma foda sacana?

— Foda sacana? – começo a rir. — Okay... eu gostava das fodas sacanas.

— E as palmadas?

— Palmadas? – repito sem fôlego.

— É. Você quer?

— E você quer?

Steve pisca, parecendo estar buscando alguma resposta no fundo de seu subconsciente. Os segundos de silêncio parecem décadas. Séculos. Milênios.

Jamais esperar por uma resposta foi tão agoniante e sufocante quanto agora.

— Steve?

— Porque eu preciso, Natasha. – Steve toma ar antes de continuar. — Eu preciso... preciso de um certo controle. Por favor.

Noto a vulnerabilidade em seu olhar. Eu a reconheço. Estava ali há dias atrás quando parti de sua vida.

Na verdade está ali desde que eu saí daquele elevador e esbarrei com Steve pela primeira vez. Esteve sempre ali.

— Quer ir mais a fundo nisso? – pergunto cautelosamente. — Quer entrar em algum tipo de detalhe, mesmo que pequeno?

— Eu não sei, eu... – mais um suspiro escapa de seus lábios. — Eu só sinto... só sinto que preciso de algum tipo de segurança.

— E sua segurança é me castigar?

— Não! – Steve franze o cenho. — Não, eu não quero... não quero machucar você. Não quero que seja minha submissa. Só quero que... que confie em mim.

— E como eu posso fazer isso? O que você quer exatamente? Eu fui direta com você. Seja comigo também.

— Eu também preciso de algum traço de Dominador. Sinto muito, mas eu ainda preciso disso.

— Mais... mais do que precisa de mim? – arrisco a pergunta e Steve suspira de modo alto.

— Não. – responde com o cenho franzido. — Você sempre será o mais importante! Mas a dominância também significa muito para mim. Não mais que você, mas também tem seu significado.

Forço os pulmões a receberem uma grande quantidade de ar antes de soltá-la lentamente.

— E como eu posso não ser uma submissa assim?

— Você não é. Nunca foi! Eu não vou castigar você. Não vou criar regras. Peço apenas certas brincadeiras. Não precisamos usar o quarto.

— Então está dizendo que quer uma relação casual comigo, mas também quer fugir um pouco do que seria "cotidiano"?

— É. Podemos ir por esse lado. O que me diz?

Não paro para pensar. Abro a boca e digo:

— Okay.

Steve pisca ainda processando minha resposta.

— Okay?

— É. Okay.

— Sem "mas"?

— Confio em você. – aperto suas mãos. — Disse que não vai me machucar e eu confio em você. Steve, você me assegurou que as coisas serão diferentes. E eu realmente quero e vou acreditar em você.

Quando penso em me debruçar e beijá-lo, algo nos impede: seu celular. Steve solta minhas mãos e atende à ligação.

— Alô?!

O mau-humor é mais do que receptível em sua voz e rosto.

— Certo. Vamos sair. – ele desliga o celular antes de se levantar e vir até mim. — Fury chegou.

Steve puxa a cadeira para eu levantar. Agradeço com um sorriso e ele beija meu rosto enquanto me ajuda a vestir o casaco.

— Frio? – ele nota que eu tremo assim que saímos do restaurante.

— Sim. – assopro as mãos.

— Não trouxe luvas?

— Não. Nem toca. Esqueci.

— Certo. – Steve disfarça sua carranca. — Vamos.

Ele esfrega meu braço e nos aproximamos do carro. Fury nos cumprimenta com um aceno de cabeça.

Eu me abaixo e entro no carro seguida de Steve. Quando ele fecha a porta, Fury dá a partida e arranca com o Audi.

Ao meu lado, Steve passa o cinto ao redor do peito e, em seguida, faz o mesmo comigo.

— Você sempre esquece, né?

— Foi mal. – solto uma risadinha e Steve beija meu rosto.

— Que som mais gostoso de se ouvir...!

Sinto os olhos arderem e, em seguida, solto um longo e audível bocejo.

— Sono? – Steve me olha com ternura.

— Sim... – sorrio.

— Pode dormir, linda. Demoraremos uns minutos até chegar à sua casa.

Ele se debruça e me rouba um selinho. Quando se afasta, eu o encaro de modo perplexo. O que foi isso?

— Por que me beijou?

— Você não gostou?

— Eu não disse isso. – descaradamente mordo o lábio, pois sei o efeito que isso causa em Steve.

— Então por que a pergunta? – ele puxa meu queixo para baixo.

— Porque me pegou de surpresa.

— Gosto disso, Srta. Romanoff.

— Steve!

— Estamos juntos agora.

— E o que isso significa?

— Significa que sou seu e você é minha. Vamos nos deixar levar. Eu disse que senti a sua falta. E que preciso de você. Não menti. Não sei o que quer dizer. Não sei o que significa em termos. E na verdade não me importa! A única coisa que sei é que eu te quero. Nada mais.

— E isso é o bastante?

— E por que não? Eu vim atrás de você. Eu me abri para você. Eu... eu disse coisas que, em outros tempos, jamais teria coragem de falar. Isso não conta em nada para você?

O brilho desfocado que se estampa nos olhos de Steve me alveja de tiros. Estou sendo uma monstra. Realmente preciso reconhecer que ele deu um grande passo hoje e é óbvio que isso conta! Principalmente depois de tudo o que passamos.

— Não deixarei que fique longe de mim novamente. – seus olhos não abandonam os meus. — Ainda mais depois de tudo o que conversamos no restaurante. Não posso aceitar um "não" de você sabendo que quer isso tanto quanto eu. – Steve foca a atenção em meus lábios antes de subir de volta aos meus olhos. — Você entende isso?

— Sim. – respondo quase sem voz. — E espero que você também entenda que eu não estou disposta a ir para longe de você, Steve. Mas eu quero...

— Eu sei. – ele sorri para mim. — Eu já sei o que é. E peço que continue confiando em mim.

— Eu confio. – afirmo. — Não tenha dúvidas quanto a isso.

Steve me dá mais um selinho e me puxa para perto. Seu rosto se apoia em minha cabeça e isso me soa reconfortante.

Antes de tentar embarcar num breve descanso, solto mais um sorriso discreto. Será que as coisas realmente darão certo agora?

▪️▪️▪️

— Chegamos. – Steve beija minha orelha.

— Já? – eu me espreguiço com um bocejo.

— Sim. Aqui. – ele pega minha mão. — Tenho uma coisa para você.

— Como assim?

Steve abre o compartimento que fica na parte de trás do carro antes de me estender uma caixa de papelão embrulhada em papel de presente.

— O que é? – pego a caixa.

— Abra e descubra. Mas não aqui! – completa ao ver que eu tinha começado a puxar o laço.

— Por quê?

— Srta. Romanoff, siga as instruções que lhe dei e descobrirá.

— Okay. – solto um suspiro derrotado. — Um beijo de despedida?

Steve sorri e se aproxima antes de seus lábios pressionarem suavemente os meus. Por um momento é apenas um toque gentil e carinhoso. Mas, após alguns segundos de boca contra boca, Steve grunhe e me faz arfar.

Sua língua invade e explora minha boca e eu gemo em resposta. Abro os olhos e encaro os seus fechados. Sua respiração parece chumbo batendo contra meu rosto. Steve morde meu lábio inferior antes de encostar a testa na minha.

— É melhor subir agora!

— Ou...?

— Ou arrancarei suas roupas e farei amor com você aqui mesmo. E com Fury como plateia.

A ficha cai sobre mim e meu rosto explode de vergonha. Puta que pariu! Eu me esqueci de Fury! Steve percebe meu desconforto e acaricia minha bochecha.

— Ele está com fones de ouvido.

Arrisco um olhar para Fury, que bate os dedos contra o volante ao som de alguma coisa que está ouvindo. Quando volto a encarar Steve, ele está sorrindo.

— Boa noite! – pisco para ele antes de tocar no ombro de Fury e me despedir dele.

— Boa noite, Srta. Romanoff!

Steve me acompanha até a porta antes de dizer adeus com mais um beijo. Não satisfeito, ele pressiona os lábios por todo meu rosto e minhas mãos antes de finalmente voltar ao carro.

Fury só dá partida quando vê que eu estou dentro da portaria e em segurança. Não demora até que eu chegue ao apartamento. Assim que entro e fecho a porta, jogo a bolsa e o casaco no sofá.

Rapidamente rasgo o presente que Steve me deu e me deparo com um fundo de veludo vinho sob meu antigo Iphone e um novo Ipad. Meus olhos brilham de surpresa.

Sem pensar duas vezes, pego o celular e vejo que já está ligado. Está tudo do jeito que tinha deixado. Mensagens, aplicativos, músicas... abro o WhatsApp e falo com Steve.

Caro Sr. Rogers, muito obrigada pelo presente! Eu amei!

Boa noite.

Bjs, sua Nat.

Ainda não creio em tudo que aconteceu hoje. Festa de Rebby, o reencontro com Steve, a volta com Steve, a conversa com Steve... Steve, Steve, Steve. Tudo ao meu redor é ele. Meus pensamentos, sentimentos, ansiedade...!

O medo de me machucar de novo também é presente, mas a confiança e amor que sinto por ele são ainda maiores.

Foi assim que você caiu do precipício, menina. Vale a pena arriscar, Little Red. Certeza? Não, mas eu vou. Se Steve está disposto, eu também estou. Eu o amo mais do que tudo.

Notas finais
Sei que o capítulo, aliás, a fanfic, em geral, por enquanto está seguindo os acontecimentos do livro "Cinquenta Tons Mais Escuros", mas será assim só no início, tá bom? Eu elaborei diferentes ideias pro tema da fic. Claro, a base vem do best-seller da EL JAMES, mas o mistério está todo inventado por mim. De qualquer forma, obrigada a todos que comentaram nos capítulos anteriores. Nos vemos na próxima, queridos e queridas. Beijocas ^^ Ps: há uns dias atrás restaurei uma one-shot ROMANOGERS. Se quiserem ler, aqui está o link: https://fanfiction.com.br/historia/606274/Friends/