Haunted 🔞

39 Capítulo 39 — Words can bleed


Notas iniciais
Olá! Como estão? Antes de tudo quero saber como está a saúde de vocês, tanto física quanto mental. Estamos passando por um momento delicado no mundo TODO, não só no Brasil. Pessoas estão adoecendo e outras, infelizmente, morrendo. Itália, Espanha, Estados Unidos e China estão sofrendo em massa! Independentemente da filiação política de qualquer um aqui é preciso reconhecer, quer dizer, na verdade DESCONSIDERAR o que o asno que o Brasil chama de "presidente" disse. Caso alguém pense diferente de mim, tudo bem, é um direito. Só peço que não venham discutir comigo nos comentários, porque simplesmente irei ignorar. O planeta Terra está SOFRENDO dessa doença! Precisamos sim nos isolar, ainda que por enquanto. Os idosos são os que mais sofrem, então sim, é preciso que TODOS mantenham distanciamento social. Até mesmo as crianças! Okay. Pessoas precisam trabalhar. Mas essas mesmas pessoas não precisam ir à praia ou se aglomerarem em filas de banco, bares, restaurantes. Mantenham a distância requerida de dois metros. Pensem no próximo. É um momento de TODOS! O Brasil corre o risco, Deus nos livre e guarde, de atingir um grande número de doentes. O perigo não é a doença em si, mas a possibilidade de não haver condições de atendimento médico para todos. Já pararam pra pensar no risco frio e cruel de terem que escolher entre uma vida ou outra? É desumano! E, infelizmente, países da Europa precisaram e ainda precisam passar por essa tristeza imensa. Vamos colaborar da melhor forma que pudermos: fique em casa. Após esse apelo, como cidadã e como humana, vamos falar da fic: perdão pela demora. O banner demorou MUITO pra ser feito no outro blog. Havia se passado 1 mês e nem entrado em andamento, daí precisei encomendar em outro e me foi entregue hoje. Mais precisamente agora à tarde. A fanfic entrará numa nova fase. Uma fase importante e, da melhor forma que acredito ter expressado, realista. Temas polêmicos e reais serão abordados. Espero que embarquem comigo nessa de braços e mente abertos. Tradução do capítulo: Palavras podem sangrar.

O domingo se inicia numa manhã nublada e ventosa. O lado da cama de Steve está vazio.

Após rodar os olhos pelos quatro cantos do quarto, resolvo me levantar. Acabo sorrindo ao ver as marcas de mãos em meus quadris. E meu corpo treme só por recordar da nova posição que Steve me ensinou ontem.

— Vamos, Srta. Romanoff. Fique de quatro por cima de mim.

— Não sei como fazer isso, Steve...

— Suba em mim, amor. O resto eu te mostro.

Foi um prazer descomunal. Ainda me sinto quente e ansiosa só de me lembrar de toques, beijos e apertões que trocamos.

Minhas pernas estão bambas e arrepiadas quando vou até o closet. Noto que o aquecedor está ligado, o que deixa o clima do apartamento em temperatura ambiente. Portanto, pego apenas uma camisa de Steve e um par de meias.

Em seguida, saio do quarto à procura de meu diversos tons. Ao entrar na cozinha me deparo com Jessie, que arruma suas coisas dentro da bolsa. Acredito já estar perto de sair, pois está de óculos e vestida.

— Oh! Bom dia, Srta. Natasha! – seu rosto cora ao notar minhas pernas nuas.

— Oi, Jessie! – sorrio em resposta. — Desculpe. Não sabia que estaria aqui.

— Oh, não se incomode, Srta. Natasha. A casa é sua.

— Ahn... hmm... dia de folga? – aponto para suas vestimentas casuais.

— É. Dormi aqui essa noite, assim fica mais fácil de encontrar minha irmã. Sabe, poupa tempo.

— Sua irmã? – indago, surpresa. — Eu não sabia que tinha irmã.

— Posso apresentá-la à senhorita. – Jessie parece meio sem jeito ao responder.

— Claro, claro! – concordo. — Estou ansiosa. Aposto que deve ser um encanto também.

— Oh! Obrigada, Srta. Natasha. – Jessie pega sua bolsa antes de fechá-la e a pendurar no ombro. — Até amanhã.

— Até. Ah! Onde está Steve?

— No escritório. – Jessie responde. — Está numa reunião.

— Reunião?

— Sim, Srta. Natasha. São funcionários do Sr. Rogers. – Jessie explica.

— Ah. Certo. Obrigada, Jessie. Tenha um bom dia.

— Igualmente.

Depois que Jessie deixa o apartamento, eu me viro e caminho até o escritório. Steve numa reunião em pleno domingo? Por quê?

A porta está encostada e, do lado de fora, consigo ouvir seus grunhidos furiosos.

A princípio é só ele quem fala, mas depois escuto mais vozes. No total somo três: Steve, outro homem e, por último, uma mulher.

— Não sabemos o porquê de nada disso, Steve. – a voz masculina diz. — Nem sabíamos que ela apresentaria essa defesa.

— Na verdade nem sabemos se ela poderá se safar mesmo com isso. – agora é a feminina.

— Ela já se safou, Gamora!

— Pode tentar recorrer.

— Como? Isso fugiu das minhas mãos, eu não posso fazer mais nada! Acha que eu teria permitido se estivesse ciente?

— As coisas ainda podem se reverter, Steve. Nada é certo ainda.

— Bom, Sharon estar plenamente descansada na casa da irmã deixa bem certo. – Steve se pronuncia. — O que Peggy tem a dizer sobre isso?

— Disse que seguiu os conformes da lei a favor de sua cliente. – a tal Gamora responde. — Alegou prisão domiciliar sob prescrição médica.

— E vocês deixaram essa passar? Claro, para variar. – Steve retruca. — Que bela equipe eu tenho!

— Sabe que somos. – a voz de homem grunhe. — Qual é, cara? Ninguém tem culpa do que está acontecendo. Em pleno domingo você nos arrasta para esse problema todo. Somos amigos há anos. Eu...

— Não existe amizade entre patrão e empregado, Wilson! Você mais do que ninguém deveria saber disso, não? – Steve cobra, e eu consigo ouvir um “boom”, como se ele tivesse batido em algo. — Principalmente se são empregados incompetentes e desleixados.

— Eu nem faço parte da sua equipe! Sabe que trabalho por fora.

— E ainda assim faz merda!

— Steve, ofender quem sempre esteve com você, tanto dentro quanto fora do trabalho, não fará as coisas se resolverem. – Gamora intervém. — O Wade está certo. Todos nós sabemos que Sharon precisa de ajuda médica. Ficar em prisão domiciliar pode ser o certo a se fazer no momento. E terá vigilância. Ela não escapará.

— Ah é? E você me garante isso, Gamora? Aposta seu emprego nessa merda toda?

— Você já sabia desse acordo.

— Não sabia que Sharon ficaria em prisão domiciliar, caralho! Ninguém havia me contado isso! Acha mesmo que eu concordaria com essa merda?

— Mas disse que Natasha...

— Natasha não me disse que Sharon ficaria sob supervisão de Peggy.

— Steve...

— Achei que se trataria de uma clínica, com médicos e guardas cuidando da segurança! Mas em casa? Puta que pariu!

— Sharon está mudada, Steve. – o tal Wade comenta. — Aparentemente está reagindo aos medicamentos.

— Aparentemente? E vocês acreditam nessa proeza?

— Não custa darmos o benefício da dúvida.

— Custa quando a vida da minha mulher está em risco, porra! – Steve rosna.

— Estava e está fora de nossas mãos, Steve. — o tal Wade interrompe. — Não temos culpa.

— Quem não tem culpa é a Natasha, porra! – Steve grita, e eu me encolho.

Sei que é errado ouvir atrás da porta. A vontade de voltar para o quarto e respeitar a privacidade dos três me faz recuar alguns passos, mas volto para o mesmo lugar ao ouvir mais falas furiosas vindo de Steve.

— Ela é a única inocente nessa história toda. Porra! Foi ameaçada com um tesourão, teve o carro destruído e agora corre o risco de ter que enfrentar quem fez tudo isso com ela cara a cara, já que Sharon está cheia de defensores.

— Mas isso não vai acontecer. Sharon terá o tratamento de que precisa. Não poderá sair de casa. – Gamora bufa. — Pelo que Peggy alegou, ela e Natasha conversaram e chegaram a um consenso: foi decidido que Sharon ficaria sob custódia psiquiátrica até estar apta a voltar a conviver em sociedade.

— Peggy garantiu que não trapaceou em nada no documento. Natasha leu linha por linha antes de assinar. – Wade reforça.

— É, estou vendo que leu! Realmente Natasha fez um ótimo negócio em ser boazinha! – Steve aumenta a voz.

— Steve, pega leve... – Gamora murmura.

— O que Peggy tem de malandragem, vocês têm de burrice! Porra! Você é a melhor espiã e assassina da S.H.I.E.L.D., Gamora, como você mesma gosta de se autodenominar! E acredita mesmo que Sharon se comportará estando com chances de fugir?

— Nada garantiria que ela também não fugisse da clínica.— Wade diz.

— Puta que pariu! Será que alguém aqui tem cérebro? Estou cercado de incompetentes?

— Steve...

— Natasha também foi muito idiota de fazer isso e nem me consultar! Só para variar, ela me desobedeceu e resultou nessa merda!

Na hora que ele me ataca, eu me esqueço de tudo: esqueço de que estou escondida, esqueço de que estou apenas com uma camisa branca transparente e esqueço de que duas pessoas estranhas me verão assim além de Steve. E uma delas é um homem.

— Como é?

Dou um chute na maçaneta e entro no escritório. A porta bate na parede ao lado com a força que usei. Três pares de olhos me encaram petrificados.

— Repete! Quero ver me chamar de idiota na minha frente, Rogers!

— Natasha...

Steve arregala os olhos para a minha vestimenta. Ele reconhece sua camisa e depois franze a testa, com raiva, por perceber que estou assim na frente de seus funcionários.

— Enlouqueceu de vir aqui assim? Vai se vestir.

— Vai se foder! – cruzo os braços e encaro Gamora e Wade.

A lembrança familiar do rosto da morena roda em minha cabeça, mas não tenho exatidão de onde a conheço. Percebo que estou a olhando demais e sem dizer nada, então tento disfarçar o constrangimento.

— Oi.

— Ahn... oi. – Gamora parece tão desconcertada quanto eu ao se levantar da cadeira. — Wade. Vamos indo.

— Certo. – o rapaz à minha direita olha para cima ao passar por mim. — Até mais, Rogers. Faça contato.

Ambos saem tão rápido quanto entrei. Ficamos apenas Steve e eu, cada um de um lado da mesa que divide o escritório.

— Como você se atreve a me chamar de idiota?

— E como você se atreve a interromper minha reunião e, ainda por cima, vestida assim? – ele fica de pé e aponta para mim.

— Sério, Steve? – forço um riso. — Vai me cobrar satisfações pelo modo que estou vestida? Preferiria que eu entrasse aqui como, nua?

— Natasha...

— Não venha distorcer as coisas! – grito ao me aproximar. — Você me chamou de idiota para os seus funcionários! Quem você pensa que é?

— Você é idiota, Natasha!

— Você dobre a sua língua...

— Como concorda em deixar Sharon se safar? – Steve descansa os punhos na mesa. — Você perdeu a porra do juízo? Por que não me contou do que se tratava?

— Quê?

— Surpresa com a sua ingenuidade? – debocha. — Peggy mais uma vez te passou a perna e você, mais uma vez, foi uma tremenda palerma?

— Para! Eu sabia do que se tratava quando assinei. E conversamos sobre isso. Você já estava ciente da minha decisão.

— Não estava ciente de que ela ficaria em prisão domiciliar, caralho!

— Ér... t-tudo bem, mas... eu...

— E mais! Prestou atenção aos detalhes do documento? – Steve repete, com a voz carregada de raiva.

— Por quê?

— Não prestou, né?

— Steve... – pisco, tensa. Será que deixei algo passar? Eu estava apreensiva com a visita de Peggy. Será que algo escapou aos meus olhos? — O que tem escrito lá?

— Puta que pariu, Natasha!

— Será que pode parar de xingar e conversar comigo? – minha voz sai trêmula.

— O tempo de prisão domiciliar é de três meses. Só três meses, porra!

— Três meses? – repito. — Eu... não... desculpa, Steve.

— Desculpa? – ele me encara de cima a baixo. — E exatamente pelo quê?

— Eu... não... sei. Acho que deixei escapar. Não fica bravo comigo.

— Bravo? – Steve solta uma risada tensa. — Acha que estou bravo com você, meu amor? – seu tom sai irônico e raivoso.

— Steve... por favor... olha, Gamora tem razão. Temos que dar à Sharon o benefício da dúvida.

— Como pode dizer isso sobre uma pessoa que tentou te matar?

— Não foi exatamente assim. E ela não tornará a fazer o que fez.

— Quer apostar quanto? – rebate. — Partiu para cima de você com um tesourão e destruiu seu carro. Quer mais sinais de psicopatia? Você é psicóloga. Não deveria reconhecer esses lapsos?

— Ela estava instável, Steve. – meus lábios tremem. — Agora receberá a ajuda necessária. As coisas vão melhorar. Ela pode realmente...

— Ah, Natasha! Faça-me o favor! – Steve soca a mesa novamente. — Até quando vai viver nesse mundo de fantasia? Acorda!

— Pare de gritar comigo! – exclamo, de repente sentindo o ódio ocupar o lugar do medo. — Por que toda essa raiva para cima de mim?

— Eu não estou com raiva de você, meu amor. – responde rispidamente, com os olhos mais suaves. — Estou com raiva do que você fez pelas minhas costas.

— Mas não foi pelas suas costas! – resmungo, chorosa.

— Você não me contou, Nat. E nem ia me contar. Foi pelas minhas costas.

— Mas não foi minha intenção prejudicar ninguém!

— E qual era sua intenção, Natasha, pelo amor de Deus?

— Eu sei que aos seus olhos eu errei, mas...

— Aos meus olhos? Não, Natasha, você não errou aos meus olhos! Você simplesmente foi burra! Estúpida! Imbecil! – ele grita mais alto.

— Não fale assim comigo. Você não tem esse direito! – grito de volta com os lábios trêmulos.

Steve nunca me tratou assim. Nem em nossa última tórrida discussão no final de janeiro. Estou com medo de seu comportamento. E não por consequências físicas, mas sim pelas consequências sentimentais que já estão resultando em meu coração.

— Caralho! Você deixou livre a porra da mulher que tentou machucar você!

— Ela não está livre! – grito, com os olhos ardendo com lágrimas não derramadas. — Sharon receberá o atendimento médico que precisa.

— E melhorará rapidinho em três meses, não?! Ainda por cima em casa!

— Ela se sentirá mais segura!

— Caralho, Natasha!

— Não grita comigo! – tento segurar, mas as lágrimas rompem sem parar. Steve encara o meu rosto, mas não se deixa abalar.

— Pare de chorar! Não vai me comover!

— Eu não quero...

— Você enche a boca para falar que tem vinte e dois anos e é adulta, mas age como se tivesse três! Só é mulher adulta para que então, para foder?

BLAFT

Eu nunca bati em Steve. Nunca mesmo. Nem nunca tive vontade nem motivos. Mas, agora, não pude me segurar. Quando dou por mim, minha mão já acertou sua bochecha esquerda.

Recolho o braço como se tivesse levado uma queimadura. O arrependimento vem em cheio, mas a mágoa e a raiva também. Estou dividida e não sei para qual lado cair.

Lentamente, Steve se volta para mim e caminha para perto. Eu me viro ao ver que segura o pulso da mão que usei para atingi-lo. Seus dedos pressionam com força, não na intenção de me machucar, mas no limite certo para me intimidar.

— Eu mereci esse tapa. – murmura ao balançar meu braço. — Eu reconheço. Mas foi a primeira e última vez. – afirma, com a voz tensa e grave. — Você entendeu, Natasha?

Cuidadosamente, seus dedos me soltam e eu deixo o braço cair.

Encaro seus olhos em busca de perdão ou conforto, mas Steve parece uma placa de gelo à minha frente. Sei que fui longe demais, mas não posso fraquejar. Ele me feriu também. E não posso assumir toda a culpa sozinha.

— E eu te digo o mesmo. – rebato, e ele franze o cenho. — Foi a primeira e última vez que se dirigiu a mim com essas palavras horríveis. – sinto os olhos pesados de lágrimas. — Você está bravo comigo, mas isso não te dá o direito de me ofender com palavras chulas e cruéis.

— Eu não quis... – Steve pisca e suspira ao acariciar o local do tapa. — Natasha... porra. – ele puxa os cabelos antes de olhar para mim. — Eu estou nervoso. Sharon não está onde deveria estar. E a culpa é sua.

— E você me atacar faz alguma diferença? – sinto as lágrimas escaparem. — O tapa que eu te dei não foi nada perto do quanto você me machucou com o que disse. – revelo. — Se tem alguém aqui para sentir medo, esse alguém obviamente não é você!

— Medo? Não precisa ter medo. – Steve volta para atrás da mesa. — Eu não vou deixar que nada te aconteça.

— Por que eles estavam aqui? – ignoro sua promessa e cruzo os braços. — Vieram apenas te avisar sobre Sharon? – pergunto, e Steve suspira.

— Para que quer saber, para fazer outra burrice?

— Você quer falar de burrices? – sinto o sangue ferver. — Tá! Então se prepare para o que vai ouvir: burrices, né? Okay! Você está certo! Eu sou muito burra! Sou muito burra mesmo, Steve! Vamos listar as minhas burrices uma a uma, em ordem dos fatos: ter entrado naquele elevador, ter esbarrado em você e ter te conhecido. Ter acreditado que você era alguém que nunca foi. Ter aberto mão de quem eu verdadeiramente sou por alguém que eu achei que valesse à pena... ah! Ter me apaixonado por um homem que me ataca em vez de conversar comigo e me compreender! Defender um homem que me sufoca num relacionamento abusivo!

— Relacionamento abusivo? – Steve me encara de modo acusador. — Eu nunca encostei a mão em você!

— Não??? – rio, incrédula. — Tem certeza? Reveja a sua linha do tempo! Eu listei alguns momentos meus de burrice, mas também posso listar os seus. Você quer?

— Fazia parte de um contrato, Natasha. Você aceitou e consentiu com tudo que aconteceu! Eu nunca te espanquei, porra. Meu Deus, Natasha, como tem coragem de me acusar disso?

— Então só conta como agressão se me der um tapa na cara? – Steve fica em silêncio. — Devemos lembrar de que já quase fez isso uma vez?

— Natasha... – rosto de Steve fica branco. — Pare. Eu nunca... jamais...

— Você me bateu, Steve, não importa o lugar do corpo. E agressão não é só física, mas verbal e psicológica também.

— Pelo amor de Deus! Como você ousa...

— Você dizia que mandava em mim, sentia ciúme de tudo, queria me controlar e agora está me xingando por um erro que, segundo a sua mente abusiva, eu cometi! – ele tenta falar, mas eu prossigo. — Porra nenhuma! Eu fiz o que eu quis, o que achei que era certo! São os meus princípios, não seus!

— Essa sua ideia de mundo colorido é muito nobre! – ironiza. — Nitidamente o que deveria se esperar de uma menininha como você!

— Menininha? E por quê? Porque sou mais nova do que você? Então sinto muito se é isso, se sou jovem e ingênua demais para você...

— Natasha...

— ...um cara que teve que trepar aos treze anos de idade para se sentir amado, já que não era pelos próprios pais!

No momento em que as palavras saem, já é tarde para voltar atrás.

Os olhos de Steve se arregalam e marejam. Tão atônita quanto ele está, eu apenas o assisto soluçar e se sentar na cadeira atrás da mesa.

Seu olhar está vago e perdido. Meu coração aperta. A que ponto chegamos? Acordei numa manhã com saudades de seus toques e beijos. Não se passou nem meia hora e já nos machucamos mais do que lutadores em um ringue de luta.

— Steve... – eu o chamo. — Amor? Perdão. – balanço a cabeça.

— É isso que pensa de mim? – ele pergunta, com a voz e cabeça baixas.

Vejo lágrimas saírem de seus olhos, e isso me mata mais do que qualquer tiro no coração poderia fazer.

Estou sangrando, e todo esse derramamento de sangue é graças às palavras que escutei e pronunciei. Nunca vi Steve chorar, e nunca achei que viveria para ver.

— Não!

Desesperada, eu me sento em seu colo. Steve não me repele, mas também não me toca. Fico dividida entre o medo e a culpa.

— Eu falei sem pensar. Foi na hora da raiva.

— Justamente por isso, Natasha. Você falou o que estava no seu coração.

— Não! – exclamo, chorando. — Eu te amo! Desculpa! Por favor! Eu não quis te machucar. Não nesse sentido, eu só... eu... você me feriu. – afirmo, e ele olha para mim. — Eu só queria que sentisse o que senti.

— Parabéns!

— Não! – nego. — Eu te amo. Por mais machucada que eu esteja, ver você sofrer jamais me fará sentir bem. – explico.

— Você me ama? – Steve ergue a mão e acaricia meu rosto. — Você me acusou de bater em você e ser abusivo. Como pode me amar assim?

— Eu não quis dizer... eu não... não era...

— Em algum momento eu te fiz sentir medo de mim? Você já...

— Steve... – aspiro. — Eu... eu sei que você jamais... jamais me agrediria assim. Eu sei que tudo envolveu um contrato e que ambos assinamos e concordamos com cada termo. – afirmo. — Steve, eu sei que posso dormir ao seu lado todas as noites sabendo que irei acordar todas as manhãs e você não terá me machucado. Eu sei que posso confiar em você, de olhos fechados e sem ter medo.

— Então...?

— Você é controlador. – choro. — Sempre esteve acostumado a isso. E eu... acho que... acho que peguei isso como... como uma maneira de te atacar. – explico. — Eu não quis diminuir você. Só quis te agredir como me agrediu. Desculpa. E desculpa pelo tapa. – beijo sua bochecha e logo sinto Steve acariciar meu rosto em resposta.

— O tapa que você me deu não doeu nada perto do que me disse.

— Eu sei. – balanço a cabeça. — Por favor, Steve, não... eu... me perdoa!

— Nat... me perdoa também. – Steve limpa minhas lágrimas e franze o cenho. — É característica de todo agressor se desculpar com a vítima, né? – ele solta um riso forçado.

— Pare com isso! Eu sei que jamais me machucaria intencionalmente. Desconsidere as coisas horríveis que eu disse. Nada saiu do meu coração, foi apenas da boca para fora.

— Confesso que você mexeu com um medo que sempre esteve aqui.

— Medo? Como assim? Medo de quê?

— De ninguém me amar.

— Eu te amo! – mais lágrimas saem em cachoeira. — Eu amo você! Por favor! Sua mãe te ama, Steve, sua família inteira te ama! Você acredita não ser amado por ninguém, quando na verdade está cercado de tanto amor que mal consegue ver! Eu sei que eu exagerei. Eu fui uma monstra. Desculpa.

— Eu disse coisas horríveis também. Eu sei. – ele assente. — Mas foi na hora do desespero. Estou nervoso com tudo isso. Preocupado com você.

— Por quê?

— Sharon não está mais presa. O que a detém agora é um condomínio. Apenas. E sob vigilância da irmã.

— Além de irmã, Peggy também é uma agente da lei. Ela e seu marido. Eles não vão aliviar para Sharon, Steve.

— Prisão domiciliar não é tão segura assim. – explica antes de respirar fundo.

— Não vai acontecer nada comigo. – garanto sutilmente, estudando seus olhos tensos. — Vai ficar tudo bem. Nós vamos ficar bem.

— Natasha...

— Não sou de vidro, Steve. Acha mesmo que Sharon pode me ferir assim tão facilmente?

— Ela esteve perto de conseguir em todas as vezes em que executou planos contra você.

— Mas não conseguiu!

— Quando encontrou com você no banheiro poderia ter te machucado. – murmura, rouco. — Ou feito pior. E ninguém estava lá para proteger você.

— Eu sei cuidar de mim. – resmungo. — Você insiste em me ver como uma donzelinha constantemente em perigo. Steve, eu não sou nem nunca fui assim! Eu sou independente!

— Não se trata de um discurso de empoderamento feminino, Natasha. – Steve bufa. — Você é forte e corajosa. E eu te amo por essas e outras! Mas a preocupação que eu tenho em relação à Sharon te machucar não desaparecerá do nada.

— Ela não vai me machucar. Você realmente acha que sou indefesa a esse ponto?

— Eu acho que Sharon é louca, Natasha. Na verdade, eu sei. E você mais do que ninguém deveria saber ou ao menos pensar o mesmo. – afirma, nervoso.

— Não estou dizendo que discordo de você! Só estou dizendo que não precisamos nos preocupar tanto assim.

— Como não, porra? – Steve segura meus braços. — Ela já demonstrou ser perigosa em mais de uma ocasião, meu amor!

— Eu sei que...

— E não vou ficar sentado de braços cruzados esperando que Sharon tente algo contra você novamente e acabe conseguindo. – ele suspira ao segurar meu rosto.

— Nem eu quero isso, Steve. Nem nunca te pedi...

— Você é a minha vida, Natasha! Entendeu? Minha vida!

— Steve...

— E eu morro se algo te acontecer!

Notas finais
Perdão se houve erros de digitação. O que acharam do capítulo? E essa discussão? Não me matem! Lembrem-se: apesar da minha fanfic se tratar de um romance, eu sempre tento, o máximo que eu posso, também transpassar assuntos importantes e realistas. Espero que colaborem comigo nesse compreendimento. E, apesar do meu apelo lá em cima, vamos também nos lembrar que pânico não adianta. Na verdade não adianta e nem é preciso. Basta fazermos a nossa parte: lavar as mãos, usar álcool em gel, botar as roupas pra lavar, limpar nossos celulares, chaves, sapatos sempre que voltarmos da rua. E, o mais importante, priorizar a estadia em casa. Só sair se for realmente necessário. Essa doença pode ser perigosa, mas juntos somos a cura. Não há motivo para histeria! Basta sermos sensatos. Vai passar :) Até a próxima e se cuidem ^^ Ps: obrigada pelos 388 comentários, 145 acompanhamentos, 70 favoritos, 9 recomendações e 25222 visualizações.