Haunted 🔞

33 Capítulo 33 — Compassion


Notas iniciais
Oi, gente! Aproveitem e perdão por qualquer erro de digitação ^^ Tradução do capítulo: Compaixão

No dia seguinte, estou conversando com os meus amigos na sala dos funcionários em nosso tempo livre quando meu celular começa a tocar. É papai.

— Alô?

— Oi, filha... – a voz de papai parece incerta.

— Oi, pai! Tudo bem? Seu avião já pousou?

— Sim... – papai tosse. — Ér... sim, sim, já cheguei, mas...

— O quê? – fico de pé. — Já está em casa? Eu deixei a chave...

— Não, princesa, não é isso. Ainda estou no aeroporto.

— Ah! E por que isso, pai? Algum problema?

— Pensei que você não viesse me buscar.

— Quê? – enrugo o cenho confusa. — Mas eu não fui, pai! Eu estou no trabalho.

— Sim, sim, eu sei, mas você não me disse que o motorista de Steve viria. – anuncia e eu reviro os olhos. — Por que não me avisou, Natasha? Não estava sabendo de nada, filha.

— É, eu também não. – murmuro sem pensar.

— O quê? Eu não te ouvi.

— Nada, nada. – passo a mão pela testa. — Steve deve ter feito essa gentileza, pai. E... bem... ele também não me avisou. Acho que quis fazer essa surpresa a nós dois.

— Ah! Entendo. – papai diz.

— Quem está aí? É Fury?

— Ele diz que sim.

— E como ele é? Sabe, apenas para eu ter certeza de que é ele mesmo.

— É alto, negro e careca. Ah! E parece ser mal-humorado.

— Fury? Mal-humorado? Que nada, pai! – rio só de imaginar a cena de papai e Fury se conhecendo. — Tirando essa última descrição, é ele mesmo. Pode entrar no carro. Ele sabe onde eu moro, poderá te levar até lá.

— Não, Natasha. Eu prefiro ficar num hotel.

— Pai, eu...

— Eu sei que está morando com o Steve... – papai parece desconcertado ao dizer isso e eu me esforço para segurar o riso. — ...mas Rebecca e Darcy estão lá e eu ficarei sem jeito dividindo o apartamento com duas moças. Mesmo que se trate de meninas que vi crescer.

— Certo. Como quiser. – assinto. — Mas pode passar lá, sabe, para dar um “oi” a elas.

— Sim, sim, claro! Pensei em sairmos para jantar hoje. O que acha?

— Ah, eu adoraria, pai! – sorrio. — Eu saio às seis. Passo em casa, tomo um banho e te encontro lá no apartamento. Tudo bem?

— Perfeito, princesa! – mais uma vez, papai tosse. — Ahn... Natasha?

— Sim, pai?

— Vai só você, né? – sinto a ira me subir.

— Sim, pai. Eu não vou forçar a barra entre você e Steve. Mas reconsidere essa... antipatia, certo? Você só o viu uma vez e foi no Natal. Sei que chegou de viagem agora e quer um tempo comigo. Respeito isso e atenderei à sua vontade, mas também ficaria muito feliz se você pudesse sair com o Steve, sabe, para conhecê-lo. Eu posso estar presente, se o isso o fizer se sentir melhor, mas não o repila assim. – faço uma pausa e suspiro quando noto que papai está em silêncio. — Pai, eu te amo, mas Steve é parte de minha vida agora. E eu preciso que você, assim como todos da família, aceitem isso. Ele me faz feliz, pai. Muito! Isso já não é o suficiente para que você dê uma chance a ele?

— Sim! Claro que é, princesa! – papai afirma com a voz tensa. — Desculpa! Eu não... não quero repelir seu namorado. Eu... eu nem tenho que aceitar... que aceitar nada, princesa. Sua felicidade me faz feliz.

— Tudo bem. Obrigada!

— Eu só queria passar algum tempo com você antes de... antes de entender... ér... entender o fato de que você cresceu e... bem... não é mais a minha garotinha e que é preciso te dividir com outras pessoas.

— Está tudo bem, pai. – lembro de quando eu era pequena e papai me segurava nos braços. — Sempre serei a sua garotinha independentemente de qualquer coisa.

— Obrigado, princesa! – papai funga. — Bom, então vou aceitar a carona que seu namorado ofereceu. Ér... tem o número dele?

— O número?

— É. Assim posso ligar e agradecer pela gentileza.

— Ahn... bom...

— Juro que só ligarei para agradecer, princesa. É sério.

— Okay. – concordo ainda que indecisa. — Eu te passo o contato dele por mensagem, tudo bem?

— Tudo, princesa! Obrigado! Preciso desligar agora. Eu te vejo à noite.

— Okay. Tchau, pai!

— Tchau, princesa!

Quando desligo o celular, noto que dois pares de olhos me encaram: Samantha e Elliot.

— Papai ciumento? – Samantha ri por trás do copo de café.

— É, tipo isso. – rio também ao me sentar de volta à mesa.

— Faz parte. – Elliot entra na conversa. — Gostaria que o meu repelisse os meus namorados por ciúme em vez de repelir por nojo.

— Elliot! – Samantha exclama com os olhos castanhos marejados.

— Tudo bem. – Elliot dá de ombros. — O foco aqui é zoar a Natasha. Vamos seguir com o plano!

— Ah, não! Façam o favor de me tirarem da berlinda! Muito obrigada! – pego o celular e digito uma mensagem a Steve.

Hey, garoto mandão!

Papai acabou de me dizer que saiu do aeroporto e encontrou com Fury o esperando. Por que não me disse que ele iria buscá-lo?

Enfim, papai me pediu o seu número, assim poderá te ligar e agradecer pela gentileza.

Bjs, eu te amo!

— Gente, só mais uma semana! – Elliot atrai minha atenção e a de Samantha. — Só mais uma semana para sabermos quem fica e quem sai.

— Está com medo? – ela pergunta tensa.

— Não sei. Sabe, passar para cá vai ser um avanço garantido na carreira, mas não passar também não será de todo o mal. Tipo, carregar nas costas o curso da Minds Manhattan enche os olhos de qualquer currículo.

— É, mas perguntarão também por que você não passou.

— E quem perguntará? – Elliot devolve o meu questionamento. — Procuro ter um consultório só meu. E vocês? Irão alugar algum lugar se não forem aprovadas?

Estou pronta para responder quando meu celular vibra. É Steve.

Sim, baby, eu falei para Fury ir buscá-lo. Fiquei preocupado por nossa última conversa ter sido uma discussão.

Não quero que as coisas já comecem más entre seu pai e eu. Achei uma boa maneira de amenizar o que se passou. Desculpa. E tudo bem, eu falo com ele e explico.

Também te amo, delícia!

— Natasha? – Elliot me chama. — Tudo bem?

— Sim. – sorrio enquanto digito a Steve.

Okay. Estou no trabalho. Amo vc!

— Bom, no início, se eu não passar, precisarei fazer o que meu saldo bancário der conta.

— Você não namora Steve Rogers, o bilionário famoso? – Samantha me pergunta confusa com minha fala anterior.

— Sim. – respondo. — Mas não quero que ele consiga as coisas para mim. Quero alcançar meus objetivos por mérito meu. Afinal, não estou com ele pelo dinheiro.

— Claro! Desculpe.

Envergonhada, ela abaixa o olhar. De repente, sua calça parece mais interessante do que Elliot e eu.

— Não. – a culpa me corrói. — Tudo bem. Não quis ser grosseira.

— Você não foi. – Samantha volta a erguer o rosto, mas ainda está sem jeito. — Eu também não namoraria um cara por dinheiro, mesmo que ele fosse rico. Minha pergunta foi mal formulada.

— Eu entendi sua dúvida.

— Tudo bem. – Samantha ri também. — Mas você está certa. É importante sermos independentes. E eu admiro você por isso.

— Obrigada! – sorrio e olho para Elliot. — Sabe, se não passarmos, nós três poderíamos dividir um consultório.

— Como assim? – ele pergunta confuso.

— Poderíamos alternar dias e horários. Assim, abrir um consultório nosso com mais de uma sala ou duas. Termos o nosso próprio espaço e sermos independentes de empresa.

— Eu topo! – Samantha parece contente. — Mas e se um de nós passar? E se dois passarem?

— Nós vemos isso depois. – asseguro. — Vamos combinar uma coisa. – estendo as mãos na mesa e peço que Elliot e Samantha se juntem a mim. — Quem passar, sendo os três, dois ou nenhum, não importa, ajudará o outro. Feito?

— Feito! – os dois respondem ao mesmo tempo, e nós três apertamos as mãos.

▪️▪️▪️

Meu relógio diz que já são seis horas. Não tive sessão hoje no último horário, mas decidi ficar até o final apenas para garantir.

Elliot e Samantha estão atendendo pacientes e eu estou sozinha na sala dos funcionários comendo uma maçã quando meu celular apita.

Oi, linda! Estou aqui embaixo te esperando.

Sorrio enquanto digito a resposta.

Okay. Vou descer.

Junto minhas coisas e me despeço dos funcionários com quem encontro antes de tomar o elevador.

Ao chegar ao térreo avisto o carro de Steve. É apenas o dele, então Fury deve estar em casa ou fazendo outro trabalho. Será que ainda está servindo de motorista de papai?

— Oi, delícia! – Steve me cumprimenta assim que paro em sua frente.

— Oi! – ajeito o cachecol no pescoço. — Cadê o Fury?

— Soube que vai jantar com o seu pai hoje, então pedi para que ele ficasse a postos. – responde rapidamente.

— Quê? – enrugo a testa. — Steve, meu pai não vai gostar disso.

— Eu falei com ele, Natasha. Disse que seria um gesto de gentileza. Ele pareceu relutante no início, mas aceitou.

— Como assim relutante? – repito nervosa. — Contou a ele alguma coisa? Contou... contou sobre Sharon?

— Bem...

— Porra, Steve! – empurro seu peito.

O ar está gelado demais, portanto volto com a mão para dentro do bolso do casaco.

— Não acredito que fez isso! E sem me consultar! Não precisava preocupar meu pai desse jeito!

— Natasha, era a única maneira de ele aceitar.

— O que disse a ele exatamente?

— Podemos entrar no carro e conversar no caminho? – Steve olha rapidamente para seu relógio de pulso. — Ele me disse que vocês sairiam para jantar às oito.

— Tá, legal!

Abro a porta sem esperar seu costumeiro cavalheirismo. Bufando, passo logo o cinto de segurança pela cintura enquanto Steve dá a volta e se senta no lado do motorista.

— Não fique brava. – ele liga o carro. — Não era a minha intenção chatear nenhum de vocês dois.

— Steve, apenas diga o que você contou ao meu pai.

— Se está preocupada com os detalhes, deveria saber que eu não seria tão meticuloso assim.

— Steve!

— Eu disse a ele parte da verdade: uma ex minha que não aceitou o fim da relação e culpa você. Basicamente o que dissemos à Darcy.

— Falou do carro? – pela expressão de Steve, já tenho minha resposta. — Puta que pariu! Mais alguma coisa que tenha feito pelas minhas costas?

— Nat... – ele se mexe desconfortavelmente.

— Como meu pai reagiu?

— Ficou preocupado.

— Contou também que Sharon ainda não apareceu?

— Precisei. Mas tentei ser o mais sutil possível. – Steve para quando o sinal fica vermelho e eu aproveito esse momento.

— Então depois me ensine como usar tamanha sutileza na hora de contar a um pai que a filha está sendo perseguida por uma doida com sede de vingança! – Steve absorve minha ironia sem dizer nada. — Ainda sem notícias dela? – pergunto após suspirar.

— Talvez estejamos perto de encontrá-la. – murmura pensativo.

— Como assim?

— Coloquei minha equipe em busca. Parecem terem visto uma moça com as características físicas de Sharon. Assim que for encontrada irá direto para...

— Steve, espere. – eu o interrompo.

— O que foi?

— Entendo que foi errado o que fez, e muito, mas não acha que Sharon precisa de médico em vez de algemas?

— Natasha, eu também acho, mas Peggy não quer uma coisa nem outra. E não arriscarei deixar Sharon à solta. Ela pode fazer algo muito pior do que apenas arranhar seu carro, assim como já tentou fazer antes.

— Eu sei, mas... por que não tenta levar o caso a uma audiência como sugeriu antes? Lá, com a ordem do juiz, Peggy não poderá intervir.

— Não sei se conseguiríamos...

— Steve, tanto a garagem da torre de Tony quanto garagem do seu prédio têm câmeras. – o sinal volta a ficar verde e o pé de Steve afunda no acelerador. — Há provas o suficiente para ser uma causa ganha.

— Eu sei. Mas Peggy está irredutível.

— Por que não falamos com ela? Tínhamos combinado isso.

— Calma, Natasha. – Steve suspira tenso. — Vamos falar disso amanhã, pode ser? Esta noite quero apenas que saia com o seu pai e distraia a cabeça. Curta a sua família, sim?

— Okay. – assinto. — Tudo bem. Por papai. Mas falaremos disso amanhã!

▪️▪️▪️

Estou terminando de calçar minhas botas de cano curto quando ouço a voz de Darcy me chamar.

— Natasha?

— Pode entrar, Darcy! Já estou vestida! – tiro a toalha molhada da cabeça.

Minha prima abre a porta do quarto e me encara.

— Tem uma moça te esperando aqui. – revela.

— Moça? – confusa, tento imaginar quem pode ser. — Eu nem ouvi o interfone. Subiu direto? Quem é?

— Parece que ela se apresentou ao porteiro como Gwen, mas aqui disse que se chama Peggy. – Darcy esclarece. — Ela é perigosa que nem aquela que destruiu o seu carro? Devo chamar a polícia?

— Não! – oculto a parte que Peggy é sua irmã. — Não, não precisa, eu a conheço. Só nos dê licença.

— Claro! – ela faz uma pausa e suspira ainda segurando a porta. — Então posso dizer a ela que você já vai par a sala?

— Sim. – sacudo a toalha nos cabelos mais uma vez. — Diga que já vou. Obrigada!

— Tá. – Darcy fecha a porta ao sair do quarto.

Em seguida, escuto uma troca baixa de vozes e saltos ecoando pelo chão. Suspirando, vou até a minha cômoda e pego o pente a fim de desembaraçar os nós do cabelo.

Depois que penteio os fios, deixo que sequem naturalmente. Com um último e decidido suspiro, abro a porta e vou até a sala.

Darcy me encara da cozinha antes de terminar o copo d’água que bebe, colocá-lo na pia e se dirigir para o quarto. Rebby ainda não chegou e eu conto com isso para conversar com Peggy a sós.

— Oi. – murmura sentada na poltrona.

— Oi, Peggy. – respondo incerta. — Como vai?

— Exausta. – ela suspira e retira os óculos que cobrem seu rosto.

Por incrível que pareça, Peggy está usando óculos escuros em plena noite de inverno. Mas logo entendo por quê: seus olhos estão vermelhos e inchados. Eu quase sinto pena dela. Quase.

— Sei que nosso último encontro não foi dos melhores, mas eu não sei mais a quem recorrer. – Peggy guarda os óculos na bolsa.

— O que houve? – eu me sento no sofá em frente à poltrona.

— Sabe o que houve, Natasha.

— Peggy...

— Não sei mais o que fazer, Natasha. Estou desesperada!

Um frio na espinha me percorre pela espinha, pois estava falando com Steve exatamente sobre isso poucas horas antes.

— Eu sei que disse atrocidades a você na última vez em que nos vimos e que não tenho direito algum de te pedir isso, mas eu... e-eu estou... estou engolindo todo o meu orgulho para te suplicar compaixão!

— Peggy...

— Por favor! Não tem mais ninguém que possa me ajudar, que possa a ajudar!

— Chegou a falar com Steve? – pergunto ainda abalada. — Afinal vocês são amigos...

— Steve e eu somos amigos até a página dois, Natasha! – diz secamente. — E, quando se trata de você, ele fica cego para tudo e todos!

— Eu sinto muito. – sem saber o que fazer, cruzo os braços. — Imagino o quão difícil deve estar sendo para você.

— Não faz ideia!

— Eu sei. Ainda sem nenhum sinal dela? – indago. — Steve me disse que sua equipe avistou uma mulher parecida com Sharon.

— Onde?!

— Ele não me disse. – murmuro. — Peggy, não adiantará nada trazer Sharon de volta se você não aceitar que ela precisa de ajuda.

— Não aceitarei que minha irmã fique presa! – afirma com os olhos manchados de lágrimas. — E só você pode impedir isso, Natasha!

— Mas foi Steve quem deu a queixa.

— Não importa! A vítima é você! – ela rebate. — Você pode ajudar Sharon, Natasha. Por favor! Só você pode fazer com que ela não seja trancafiada numa cela imunda, com pessoas que realmente cometeram crimes horríveis!

— Mas Steve te deu opção, Peggy! – exclamo exasperada. — Você não quer a sua irmã presa? Tudo bem, posso entender isso! Certamente eu teria a mesma atitude! Mas Sharon precisa de ajuda! Ela precisa de um acompanhamento médico! Eu trabalho com isso e sei do que estou falando. Eu vi sua irmã!

— Eu sei! E Sharon terá o tratamento adequado.

Peggy assente com o nariz escorrendo. Eu me debruço, abro minha bolsa sobre o sofá e entrego a ela um lenço retirado do pacote.

— Obrigada. – murmura antes de assoar o nariz.

— Se está dizendo que sabe, então mudou de ideia? Finalmente reconheceu?

— Por mais que me doa, está óbvio que um acompanhamento médico é infinitamente melhor do que uma prisão. E Sharon não está com as chances a seu favor.

— Peggy...

— Por favor, Natasha, eu já até preparei uma declaração!

Peggy abre sua bolsa e retira um envelope antes de me estendê-lo. Após abrir, eu me deparo com um documento redigido de ponta a ponta.

— Aí diz que você está de acordo com Sharon se recuperar com assistência médica. Por favor, Natasha! Sei que sou a última pessoa a quem você iria ajudar, mas não quero minha irmã numa cela suja e escura. Assine! Dê o seu consentimento!

— Tudo bem. – dou uma atenta checagem ao documento. — Eu assino. Onde é?

— Na linha pontilhada no final da folha. – responde com a voz embargada ao me estender uma caneta. — Você leu? Não quero que Steve me acuse...

— Ele vai ficar nervoso. – confirmo antes de ler mais uma vez. — Ahn... Sharon se recuperaria em casa?

— Como uma prisão domiciliar. – esclarece. — Ficará sob meus cuidados e de Daniel, fora o psiquiatra que irá conduzir seu tratamento. Por favor, Natasha! Sharon terá vigilância vinte e quatro horas por dia. Eu mesma me ausentarei do trabalho para me assegurar disso!

— Steve será contra. – suspiro antes de assinar. — Mas falarei com ele. Aliás, estávamos conversando sobre isso hoje mesmo.

— E?

— Ela é a sua irmã, Peggy. Mesmo que tenha errado, seu amor por Sharon não morre. Não a condeno por tentar ajudá-la.

— Obrigada! – Peggy força um sorriso. — Parece que você tem mais coração do que o Steve.

— Não se trata de coração. – rebato após desenhar minha rubrica no local correspondente. — Steve ficou assustado. Eu também fiquei. E você também ficaria, se alguém tentasse te machucar fisicamente e depois destruísse o seu carro.

— Eu não te culpo, Natasha. E nem quero justificar as atitudes de Sharon, mas... e-ela tem problemas.

Peggy começa a chorar enquanto me estende outro documento, mas logo trata de explicar do que se trata ao me ver franzir a testa.

— Assine este também. É o mesmo, apenas uma cópia para ficar com você. Pode ler e conferir também.

— Certo. – leio novamente para me assegurar. — Desculpe perguntar, inclusive não precisa me responder, mas que tipo de problemas sua irmã tem?

— Não sei. Ela chegou a tentar fazer terapia por um tempo, mas nunca deu muito certo. A verdade é que Sharon estava indo bem até ver a foto de vocês no jornal. – Peggy olha para mim. — Ali ela entrou em colapso. De novo.

— Sharon me disse que observava o Steve. – murmuro. — Como?

— Era importante para ela saber coisas dele. Sabe, sobre sua vida. E eu achei que não tinha mal em contar a ela. Pensei que estava a ajudando. Estúpida! – Peggy se condena — Jamais imaginei que pudesse prejudicar alguém com isso.

— Não tinha como prever o que iria acontecer, Peggy. Não te culpo pelo que aconteceu.

— Eu me culpo sozinha. – ela assente ao fungar. — Quando Sharon viu a foto, simplesmente parou de tomar os remédios. Descobri que havia parado de ir às consultas quando a doutora me ligou. Quando a confrontei, ela disse que se sentia mais segura e que queria levar uma vida normal apenas por um momento. Sendo assim, não consegui forçá-la, Natasha. Sinto muito, mas não pude ir contra! Minha irmã estava voltando a ser a menina que sempre foi e eu não pude ir contra isso!

— Tudo bem. – seguro minhas próprias lágrimas. — Tudo bem, Peggy. Tudo bem mesmo.

— Obrigada por me ouvir! E por entender. Acho que eu só precisava disso.– ela limpa os cantos dos olhos com o lenço.

— Seu marido sabe de alguma coisa que Sharon fez?

— Apenas o suficiente. – diz e eu não pergunto mais nada. — Bom, acho que já vou indo. Vejo que vai sair. – Peggy aponta para minhas roupas.

— Ahn... é.

— Até mais, Natasha. Ah! Se realmente for Sharon essa mulher que avistaram, a polícia entrará em contato com você para confirmar sua decisão.

— Okay. E eu irei confirmar. – fico de pé ao mesmo tempo que ela. — Ahn... Peggy?

— Sim? – ela se vira.

— Tem uma coisa que quero falar com você há um tempo, mas nunca tive a oportunidade.

— O que é?

— Quando Steve e eu nos separamos antes, nós tivemos uma briga. – digo. — E começou com ele me acusando de estar grávida. – Peggy permanece neutra. — Serei breve: por que disse isso a ele?

— O quê?! – ela arregala os olhos confusa. — Eu não disse nada!

— Disse, Peggy! – afirmo. — Meu último encontro com você foi em Los Angeles. E o idiota do meu primo fez uma brincadeira estúpida sobre isso! Você estava lá e ouviu. Então só pode ter sido você!

— Natasha, eu não tenho por que mentir! – ela parece realmente tão confusa quanto eu. — Confesso até que passou pela minha cabeça você estar grávida, mas eu jamais diria isso a Steve sem ter certeza.

— Então você disse a alguém. – deduzo. — A quem?

— Ér...

— A quem você disse, Peggy? Quem pode ter contado isso a Steve?

— Bom, eu fiquei preocupada com essa suspeita. – começa. — Eu... eu conversei... conversei com Blanche. – arregalo os olhos. — Ela sempre sugeriu submissas a Steve. Era a única pessoa com quem eu poderia falar, mas eu jamais imaginei que ela fosse contar a ele. Eu nem me lembro como o assunto surgiu. Desculpa, Natasha, mas não tive a intenção de causar briga alguma. – apesar de ter errado do mesmo jeito, Peggy parece sincera.

— Então foi ela? – passo os dedos pela boca. — Foi ela quem pôs isso na cabeça de Steve?

— Eu acredito que sim. – Peggy responde. — Eu não falei nada com ele, Natasha!

— E por que falou logo ela?

— Já disse: ela é a única que sabe dessas coisas.

— E por que ficou preocupada com a possibilidade de eu estar realmente grávida?

— Ainda pergunta, Natasha? – Peggy solta um sorriso lento e forçado. — Steve não nasceu para ser pai, para ter uma família.

— Você poderia estar enganada, não? Afinal, ninguém também nunca achou que ele fosse se apaixonar.

— Sim, é verdade. Mas você envolve o sexo também, Natasha. – argumenta. — Ele pode até amar você, e eu acredito que sim, mas é tudo um pacote. Agora uma criança? Responsabilidade? Exemplo? Steve não está preparado para isso, Natasha. – afirma calmamente. — E você também sabe disso.

— As coisas mudam.

— Sim. E nada impede que mude com ele também. Mas sinceramente, Natasha, seja honesta comigo: você realmente tem na sua cabeça a imagem de você, Steve e um bebê? Você realmente consegue visualizar esse retrato de família, mesmo que não agora ou amanhã, mas daqui a alguns anos? – pergunta e eu fico sem falas. — E então, Natasha? Você consegue realmente enxergar uma família com Steve?

Notas finais
Obrigada pelos 364 comentários, 143 acompanhamentos, 69 favoritos, 9 recomendações e 23452 visualizações! Bom, meus amores, desde já quero desejar um ÓTIMO NATAL a vocês! Que Papai do Céu visite sempre a casa de vocês, abençoando, iluminando e trazendo muita luz, paz, saúde e proteção! Caso não tenha postagem até semana que vem, eu já lhes desejo um ÓTIMO ANO NOVO também! Vamos com tudo pra 2020, galera! Com fé essa fanfic termina ano que vem kakakaka porque quero finalizar logo *u* Boas Festas, queridos! E obrigada por tudo ^^ Beijocas!