Haunted
1 Prólogo
Notas iniciais
O pai era lenhador, a mãe vendia o que produziam na feira da cidade e as crianças...Eram apenas crianças, curiosas e destinadas a explorar, a crescer, se feliz e ter uma família!..Ou não. Todos os dias o pai, Enár, saia para trabalhar. Ficava o dia inteiro cortando a lenha para abastecer a casa fria naquelas noites enquanto Hilde, sua esposa, e as crianças, os irmãos Dyllan e Jessen, iam para a feira da cidade vender seus produtos.
--x--
O dia tão esperado para os mais jovens havia chegado. Naquele dia não teriam que acordar cedo, afinal, mereciam um descanso. Se levantaram, Dyllan olhou da janela do quarto no andar de cima, o céu estava azul, sem nuvens, parecia que o dia seria o dia mais bonito daquele ano. Desceram correndo, ignoraram o chamado da mãe para o café e foram até a varanda, de pijama mesmo. Chegando lá, viram Enár afiando seu machado.
– Ainda não foi trabalhar, pai? – Disse se aproximando, Dyllan
– Quantas horas acha que são? – Jessen falou imitando a mãe quando os chamava logo cedo para a feira. Enár apenas deu um leve sorriso com a fala e gesticulação do garoto.
– Acharam que eu iria trabalhar sem vê-los hoje? Logo hoje?
Eles não responderam. Jessen ficou observando seu pai trabalhar ali mesmo, afiando seu machado sem tirar os olhos do mesmo por nada, até que foi interrompido por Enár que se levantou, deixando o machado no chão encostado a parede.
– Aonde vai? – Perguntou Jessen seguindo o irmão ao sentar-se no banco antes ocupado pelo pai que cabia os dois muito bem.
Os irmãos nunca haviam saído dos arredores daquela fazenda. Seus pais sempre os proibiram, diziam ser perigoso e aquelas coisas todas que pais e mães costumam inventar para protegerem seus filhos. Olhavam para além da estradinha que ligava àquela fazenda ao mundo, entre as árvores, entre a floresta. Imaginavam o que podia ter lá...O que era tão perigoso? Porém suas reflexões foram interrompidas pelo ranger da porta. Era Enár que voltava vestido para trabalho com seu chapéu de pele e veja só, outros dois em mãos. Os olhos dos gêmeos brilharam ao verem os chapéus e o pai se agachando a frente deles. Hilde, vinha logo atrás, encostando no marco da porta aberta.
– Isso...É pra gente?! – Dyllan falou animado
– Claro! Afinal, hoje vocês completam seus 12 anos, não? Agora vocês já têm idade para me acompanhar, podem deixar o serviço das mulheres e me seguirem no trabalho dos homens!
– Puxa...Obrigado pai! – Jessen abraçou o maior enquanto o gêmeo pegava um dos chapéus e já experimentava.
– Vou ficar com esse aqui! – Dyllan pegara o marrom
– Então o meu será este cinza!
Já passara da hora do lenhador cumprir com suas tarefas, então, apressou os garotos para tomarem café e se vestirem adequadamente. Sem demorar, pois a euforia não os deixava, já estavam prontos. Pegaram uma serra para dois, na qual cada um segura de um lado, e levaram seus carrinhos de mão. Qualquer ajuda naquele emprego era bem vinda, ainda mais uma jovem e cheia de vida como aquela.
Andaram alguns minutos e já se viam no ‘local de trabalho’. Uma pequena clareira. No meio, um pequeno tronco que Enar usava para dividir as toras em duas. Chegando, colocaram os instrumentos próximos ao tronco e antes que pudessem começar, Jessen reparou:
– Pai...Onde está seu chapéu? – O lenhador passou a mão na cabeça conferindo a ausência.
– Boa pergunta...Fiquem aí...vou ver se o deixei pelo caminho.
Ele saiu. Aquela chapéu era muito importante para ele, tinha desenvolvido apego ao objeto, ganhou quando seu pai o levou para a floresta pela primeira vez, para aprender a sua atual profissão, coisa que nunca esqueceria. Aquele chapéu era uma das coisas que mantinha a memória de seu pai sempre viva para o lenhador, parecia que seu pai sempre estava ali consigo.
Enfim, foi simplesmente o pai virar as costas que Dyllan, sempre curioso, já começava a dar voltas pela clareira, que tinha uma forma circular. Mais ao fundo desta, começava a escurecer-se, devido a proximidade das árvores.
– Garoto...Você não para quieto!
– Ah, deixe de ser chato, Jessen e...Espera!
– O que foi?
– Olha aquilo ali!
– Aquilo o que? – Disse o que era 3 minutos mais novo se virando na direção apontada pelo irmão. O outro apontava para o “fechamento” da clareira, onde ainda não havia sido aberta uma passagem. Entre algumas árvores um pouco mais a frente puderam ver algo se mexer. – Fique calmo, deve ser apenas algum galho solto...
– Eu estou calmo! – Disse ele se aproximando.
– Dyllan, o papai disse pra gente esperar!
– Acalme-se, só vou ver o que é!
Sem conseguir deixar o outro, Jessen foi junto, porém, seu irmão já estava a uma certa distância, bem próximo do fim da clareira. Quando o alcançou tocou seu ombro, um pouco ofegante. Achou estranho. O irmão estava parado e perplexo.
– Dyllan?!
O garoto olhava em linha reta, intacto. Para onde estava olhando? Jesse ouviu um uivo o que chamou sua atenção para a mesma direção do irmão. De onde estava o pai parou de procurar o tal objeto importante, também ouvira o uivo. Seus filhos poderiam estar em perigo! Voltou correndo. Quando chegou viu seus dois filhos adentrando a floresta densa.
– MENINOS! NÃO...VOLTEM AQUI. AGORA!
Eles não o ouviram. Correu novamente atrás das crianças que já havia adentrado a mata fechada, depois de alguns passos largos e apressados chegou ao local que desejava. Porém, ao chegar não viu mais ninguém. Nenhum rastro na folhagem, nenhuma pegada na terra, nenhum uivo ou qualquer barulho. Ficou naquela região até o pôr-do-sol, gritando pelas crianças, procurando qualquer pista, procurou onde lembrou e onde pôde, mas não encontrou.
Completamente desmotivado voltou para casa e ao abrir a porta se deparou com Hilde em frente à lareira, sentada na poltrona. Ele se aproximou dela. Aquilo jamais seria algo fácil de contar.
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