Notas iniciais
Beeeeem, aqui está El Capítulo 03 õ/
Eu passei um pouco do prazo, eu sei...Descurpa Dx
Mas é que ficou meio difícil pra postar esses dias...Postas e escrever...Enfim, tá aí...
Dica de Leitura: Não olhe para trás enquanto estiver lendo!
#Brinks
Nota: Pensamentos em negrito.

- O que acha que foi aquilo papai? – Disse a menina que andava meio apressada e começava a ficar ofegante devido aos passos rápidos do pai.

- Possivelmente lobos, minha queria...Há lobos nesta região, não podemos facilitar...!

- Um lobo grande então...- Falou consigo mesma em tom baixo, tal fala não chegou aos ouvidos de seu pai.

A hora não pareceu passar enquanto caminhavam, porém quando chegaram em casa já passara das seis horas da tarde. Naquela hora o céu ainda estava claro, em lugares como estes a noite demora um pouco para chegar. Aneeta entrou, seu pai foi até um tipo de despensa que tinha não muito longe da casa. Guardou suas coisas de lenhador, as lenhas que pegou na pressa e voltou com uma vasília e um saco de ração para alimentar o cachorro de Aneeta, um Husky Siberiano, Hottos.

A menina adentrou sua casa e subiu para o seu quarto, tirou aquele colete e o chapéu de pele e se sentou na cama abrindo sua bolsa e colocando as coisas para fora. Pegou seu caderno e abriu na página que usara mais cedo. Reparou no seu desenho e notou alguns detalhes diferentes. Depois daquela primeira sensação horrível que teve seus traços pareciam ter mudado. Pareciam mais trêmulos e mais escuros...No fim das contas ela preferiu ignorar, mais tarde apagaria aqueles rabiscos indesejados e refaria para ficar do jeito que quisesse e guardar em sua pasta roxa junto com suas outras artes.

Ela então desceu as escadas, foi para a copa, onde sua mãe servia o jantar. A mesa já estava posta então Anneta somente se sentou diante de um dos pratos e sua mãe gentilmente a serviu. Seu pai voltou de lá de fora e também se sentou. Quando todos já estavam servidos Hilde também veio participar do jantar.

A ruiva remexia no prato sem muita vontade de comer, até aquele momento tinha dado apenas algumas garfadas no salmão grelhado:

- Nossa mãe...Hoje a gente viu uma coisa muito estranha...!

- Estranha? – A mãe continuou comendo sem dar muita atenção. Qualquer coisa poderia parecer estranha para um menina que não visitava florestas com freqüência.

- É...Eu vi uma coisa correndo de um lado pro outro...O papai não viu, só eu. E depois escutamos um uivo...

A esposa olhou para o marido que querendo interromper a conversa chamou Hottos que observava as chamas da lareira na sala para pegar um pedaço de peixe:

- Hottos! Vem aqui garoto! – O cão deu um latido e veio abandando o rápido e sem exitar abocanhou o petisco. – Isso! Bom garoto! – Sorriu o pai que voltava a comer seu jantar.

-- x –

Acabaram o jantar, Aneeta recolheu os pratos e talheres levando-os até a cozinha para que Hilde lavasse e guardasse. Enár foi tomar um banho e logo se deitou. Após acabar seus afazeres na cozinha, Hilde logo o seguiu.

A menina trocou de roupa, colocou um pijama de flanela e meias, — Parecia que a noite ia ser fria. – arrumou a cama, com algumas cobertas mais grossas, apagou a luz e sentou na beirada da cama, colocando suas pantufas no tapete ao pé da cama. – caso ela precisasse se levantar a noite e sair do quarto, elas as calçaria – Colocou, então, seus pés para cima, por baixo das cobertas pesadas, se ajeitou e fechou os olhos. Assim que o fez ouviu o cachorro dar um curto latido:

- Boa noite, Hottos...

Falou consigo em tom baixo como se o cachorro fosse ouvi-la e entendê-la.

-- x –

Vejamos...Que horas eram quando Aneeta se deitou? Bem, pareciam ser nove horas da noite ou algo próximo. Mas não vem o caso, a hora em questão já estava um pouco longe das nove. Meia noite e meia, para ser mais exato. Foi nesta hora que a ruiva dos cabelos bagunçados pelo travesseiro acordou de supetão, abriu os olhos rápido como se alguém tivesse lhe jogado um balde de água fria. Ouvira novamente um uivo. Porém, não como aquele uivo que fizera seu pai correr com ela para casa e sim um muito conhecido, fácil de distinguir para ela. Era Hottos. O cachorro soltou um uivo relativamente curto e logo após vários latidos. Latidos fortes, na verdade.

A menina achou que se ignorasse o cão ela poderia voltar a dormir tranquilamente. Mas seus esforços foram em vão uma vez que o cachorro latia bem próximo da sua janela. Latia alto e repetidas vezes, um latido atrás do outro, sem pausa. Isso fez com que a garota saísse de dentro das suas cobertas para mandar o cachorro se calar. Levantou meio tropeçando e nem calçou as pantufas, já que não ia sair do quarto. O mesmo estava bem escuro devido a janela de madeira fechada. Ela se levantou, abriu o vidro e logo em seguida a parte de madeira, colocando a cabeça pra fora:

- HOTTOS! FICA QUETO! EU QUERO DORMIR!

O cachorro ao ouvir o nome olhou rapidamente para o rosto da dona na janela, que na verdade não era muito visível, já que não era alta. Quando olhou o cão ficou em silêncio. Um silêncio momentâneo porque assim que voltou seus olhos para onde apontava com o focinho – o matagal que se estendia a perder de vista próximo ao limite do terreno da casa com as árvores – e assim soltou mais latidos:

- HOTTOS!

Dessa vez o grito fora maior. Hottos então abaixou a cabeça e voltou para a casinha, próximo a “dispensa”, onde guardavam sua ração. A menina ainda ficou na janela se perguntando o porque de toda aquele barulho, não era muito comum o cão latir daquele jeito àquela hora, a menos que algo o incomodasse.

Lá fora estava escuro, então, não pôde ver muito. Ficou olhando para aquela região mais um pouco. Algo pareceu se mexer, mas para ela, apenas um galho de árvore devido a força do vento. – que já estava entrando pelo quarto a essa altura e resfriando o cômodo – Quando ia fechar a janela escutou um barulho. Uma coruja, talvez? Reparou de novo no mesmo local onde vira aquele galho se mexer e viu uma massa branca, ficou olhando e logo ouviu novamente o barulho da coruja. É...No fim das contas a tal da coruja poderia estar ali no meio. Mas será que Hottos teria se distraído com algo tão bobo..? Quer dizer, bobo a vista dela...Enfim, a menina deixou a janela e foi deitar novamente, fechou o vidro e se enrolou nas cobertas pegando no sono outra vez rapidamente.

--x—

Mais horas se passavam. Aquela noite parecia mais longa que as outras...Talvez pelo fato de levantar no meio dela e ficar “observando a paisagem”.

Aneeta se remexeu na cama. Estava virada para direita, de frente para a parede – Já que sua cama ficava encostada nela – e ao remexer-se voltou-se para o outro lado, para a beirada da cama. O quarto de Aneeta Mendeleev era relativamente simples: Retangular, lilás, uma cama encostada a direta do quarto e a sua esquerda uma escrivaninha, onde ela podia desenhar e fazer as lições da escola. Ao lado uma cômoda e ao lado da cômoda um baú com alguns brinquedos e pertences da garota. Na parede, logo em cima da cômoda, um espelho e nas outras paredes um pintura que ela fizera na cor branca e de frente para esta pintura a janela, com uma cortina branca que ia do teto até o chão. A janela ficava entre a escrivaninha e a cama de Aneeta. Quando aberta durante a noite, a luz da lua iluminava o assoalho e tapete com a luz fraca.

Fora justamente a luz da lua e o frio que entrava que incomodaram Aneeta. A menina se esqueceu de fechar a parte de madeira da janela então o quarto estava mais frio, protegido apenas pelo vidro. Quando abriu seus olhos junto a mais uma remexida na cama notou algo diferente. Dessa vez, algo no chão. Quando olhou para a sombra da janela logo a sua frente desenhada no chão viu que ali tinha algo a mais. Uma sombra a mais. Via uma figura comprida e fina, como um tronco de árvore – porém um pouco mais larga no topo – e deste tronco saiam ramificações. Ramificações um pouco mais finas que a aste principal. No entanto, aquilo não poderia ser uma árvore já que aquelas ramificações mexiam. E não era o tipo de movimento que o vento faz, balançando de um lado para o outro, elas pareciam se contorcer, ondulantes.

Pois bem...A menina achou que aquilo poderia ser coisa da sua imaginação, afinal de contas ela tinha uma bem fértil. – era uma das coisas que estão incluídas no pacote de “alma de artista” – Procurou fechar os olhos. Os fechou com força mantendo aquele pensamento que todas as pessoas têm quando vêem algo estranho: Não é real! Não é real! Não é real! Ela repetia em sua mente na esperança que funcionasse.

Então, relaxou os olhos cerrados com força, respirou fundo e os abriu lentamente, com receio de ver aquilo desenhado no chão. Para sua infelicidade ainda estava lá e dessa vez parecia maior. Aneeta teve aquela sensação novamente, a primeira da floresta: A sensação de estar sendo observada. Se focou um pouco mais tentando decifrar o que era pela sombra – de maneira nenhuma ela se atreveria a olhar para a janela ou levantar para fechar a outra parte ou a cortina – e quando se focou viu que a sombra parou de se mexer. Todas aquelas ramificações, todos aqueles tentáculos, ficaram intactos.

Sem mais vontade de continuar olhando a ruiva fechou novamente os olhos com força, afundou a cabeça no travesseiro e tentou dormir novamente.