Notas iniciais
Oi, gente! Quero agradecer a todos que estão acompanhando e a quem comentou no capítulo passado. Obrigada, de verdade! É isso, boa leitura.

Kurt tinha uma expressão animada no rosto que não conseguia esconder. Observou Rachel sentar na sua cama e se ajeito na cadeira falando:

_ Me conte tudo!

Rachel revirou os olhos e contou tudo o que passou com Quinn. O contato conturbado em Columbia, a noite anterior na boate, os desentendimentos, os entendimentos.. Contou tudo. Até porque, Kurt saberia se ela estivesse escondendo alguma coisa.

O garoto escutou tudo fazendo caras e bocas, porém calado. Ele queria saber de todos os detalhes sobre a garota que, pelo que entendeu, mexeu com Rachel.

_ Espera aí Barbra, deixa eu vê se entendi. _ Levantou da cadeira e começou a andar de um lado pro outro, enumerando os fatos. _ Vocês se esbarraram. Teve o lance do trabalho em dupla. Você tentou tirar uma com ela, mas foi ela quem tirou uma com você. Você deu seu número para ela. Ela te ligou uns dias depois para fazer o tal trabalho e você recusou. Saiu, ficou bêbada e ela veio ao seu socorro. Ela se comoveu com todo seu lance de família e te chamou para dormir na casa dela. Ela errou e pediu desculpas e acabou te beijando, você retribuiu. Passou o seu aniversário com ela e não pára de sorrir. Ufa! Até cansei. _ Disse, sentando novamente.

_ Eu não estou sorrindo. _ Negou.

_ Está, sim, Está fazendo agora. _ Apontou, vendo Rachel parar de sorrir.

_ Pensei que você ia dar sua opinião sobre, não só fazer um resumo. _ Disse, olhando pro teto.

_ Você quer minha opinião, Barbra? Aviso logo que irei ser sincero. _ Alertou, Kurt.

_ Eu não sei _ Pensou um pouco. _ Na verdade, quero sim.

O garoto se ajeitou na cadeira e falou:

_ Vou ser sincero, ok? Acho que você gosta dela, digo, de verdade. A maneira como você falou dela é igualzinha a quando você fala de música. Seus olhos, por mais que não quisessem mostrar, brilhavam toda vez que você dizia o nome dela. Mas não acho que ela seja garota para você.

Ela escutou a última frase e questionou:

_ Por que acha isso?

Kurt sabia que ela sabia a resposta, só não tinha coragem de verbaliza-la. Notando isso, foi para cama e deitou-se ao lado dela colocando em palavras o que ela temia ouvir.

_ Ela é o seu oposto, Rach.. Ela é tímida e você nem um pouco. Ela vem de uma cidade pequena e você cresceu no centro do mundo. Ela é ingênua, você tem a malícia. Ela tem rotina, você não sabe o que é isso. Ela segue os padrões e você o repudia. _ Virou-se, e olhou para o perfil pensativo de Rachel. _ Mas sabe, todas essas diferenças não distanciam vocês,ironicamente, elas conectam vocês.

Ele viu Rachel franzir o cenho e permanecer em silêncio, olhando fixamente para o teto. Não queria magoar a amiga, porém Rachel precisava ouvir algumas verdades.

Kurt ajeitou o cabelo em forma de topete e continuou:

_ Mas você sabe porque Quinn não é garota para você, só não tem coragem para falar. _ Esperou Rachel falar algo, porém a morena permaneceu calada. _ É que ela merece alguém que queira namora-la, uma pessoa que queira estar do lado dela. Quando conheci ela, vi como ela era doce, ingênua.. Um coração puro, ouso dizer. Ela não é garota para você porque você pega, mas não se apega, não é mesmo? _ Provocou. _ Não acho que uma garota inteligente como Quinn ficaria com uma garota que tem medo de compromissos. Ela é boa demais para uma pessoa que pensa assim. Mas tudo que eu falei é besteira porque, para você, a Quinn só foi mais uma para sua lista. Acho que está passando The Voice. _ Disse, ligando a TV e fingindo não dar a mínima para o que acabou de falar.

Rachel olhava para Kurt ofendida. Sabia que agia daquela forma, mas ouvir àquilo da boca de seu melhor amigo a magoou.

A morena sentou-se, e falou:

_ Eu ajo assim, não vou mentir. Mas a maneira que você disse parece que eu não tenho coração. _ Afirmou, olhando para o garoto.

_ Não seja tola, Barbra, é claro que você tem coração, apenas o deixa de lado quando se relaciona com alguém. _ Constatou, fingindo estar mais entretido com a TV do que com Rachel.

Rachel passou a mão no cabelo, tentando formular uma resposta.

_ Eu não sou fria, eu só sou livre. _ Afirmou, tentando convencer o amigo.

_ Claro, claro.. Nossa, como ele não escolheu o garoto? Adoro o Blake, mas às vezes ele viaja..

_ Não é medo, é uma escolha não querer namorar.

Rachel tentava mostrar que seu ponto de vista não era fútil.

_ Aham.. Se você se sente bem assim, não há problemas.

O garoto estava percebendo que Rachel estava se questionando por dentro, sabia que ela estava pensando como seria se agisse diferente.

_ Eu e ela nem combinamos, da maneira que você disse.. _ Divagou.

_ Combinam, sim. Formam um casal muito bonito, aparentemente.. O estilista da Cristina Aguilera não poderia escolher uma roupa que não a engordasse? Gente, parece que ela engordou cinco quilos!

Rachel, irritada, pegou o controle e desligou a TV. Ficou um tempo de olhos fechados tentando se acalmar. Quando conseguiu, falou:

_ Eu preciso que você preste atenção em mim e não no The Voice, Kurt. _ Pediu, tentando manter a calma.

Kurt se mantinha sério por fora, mas por dentro sorria com a inquietação de Rachel.

_ Desculpa, Barbra.. O que quer que eu saiba? _ Perguntou, solícito.

_ Eu estava falando sozinha esse tempo todo? Quero sua opinião sobre, sobre..

Rachel não conseguia falar, estava amedrontada com tudo que estava sentindo.

_ Sobre.. _ Incentivou.

Ela fechou os olhos e disse:

_ Sobre Quinn e eu.

Dessa vez Kurt teve que se segurar mais um pouco para não demostrar sua animação por ver Rachel se abrindo.

_ Mas eu já dei minha opinião sobre. Vocês formariam um belo casal, mas você não namora. Simples.

_ Eu sei. Eu só acho que eu poderia.. Ah, sei lá! _ Exclamou, esfregando os olhos confusa.

Estava ali! O que tanto Kurt esperava, estava a sua frente. Provocou e conseguiu que Rachel abrisse uma brecha para que ele conseguisse chegar no seu objetivo. E como se estivesse jogando xadrez, deu o xeque-mate em forma de pergunta:

_ Isso nunca foi um problema para você. Por que, agora, Quinn seria um problema para você?

_ Porque.. _ Deitou-se na cama, fitando o teto novamente. _ Eu gosto dela. _ Confessou, em um sussurro.

Kurt deitou-se ao lado da morena e a abraçou. Ficaram por um tempo abraçados e em silêncio. Ele queria que Rachel soubesse que não era um problema se sentir daquela forma; não era um erro, e sim um acerto.

_ Então.. Você gosta mesmo dela? _ Perguntou, apoiando a cabeça no braço.

Ela tentou buscar nas suas lembranças alguém que ela gostou de verdade, alguém que a fizesse sorrir sem motivo, porém não encontrou. Nunca experimentou a sensação de querer estar perto de alguém ou adiar a partida o máximo possível. Quando estava com uma pessoa era pelo sexo, pelo prazer carnal que a pessoa lhe proporcionava. Agora, era estranho e assustador querer ficar perto de uma pessoa que a fazia sair de seu prumo. Quinn estava se tornando seu desejo e seu temor.

_ Eu gosto, sim. Não sei como ou quando aconteceu, mas eu gosto dela. _ Sorriu, colocando uma mecha de cabelo atrás da orelha. _ Só estou me sentindo estranha, não sei, nunca senti isso. Eu a conheço há uma semana e não consigo parar de pensar como ela agiria, qual resposta daria ou se me beijaria novamente. _ Confessou, suspirando.

_ Barbra, se você continuar eu vou chorar. _ Afirmou, quase chorando.

_ Não seja bobo, kurt _ Falou, empurrando o braço do garoto.

_ Eu nunca te vi assim, sério, estou feliz por você. _ Sorriu para Rachel que retribuiu. _ Mas eu tenho que perguntar, o que você vai fazer com esse sentimento?

Rachel pensou um pouco e respondeu sincera:

_ Não sei.

_ Imaginei que você ia dizer isso. Garotas como Quinn não ficam dando bobeira por aí.. Se realmente gosta dela, diga! _ Enfatizou.

_ Não! _ Exclamou, ficando em pé. _ Eu acabei de perceber que gosto dela, ainda estou absorvendo tudo que aconteceu nessa semana, Kurt, não posso simplesmente bater na porta dela e dizer: Oi, Quinn, eu gosto de você!

_ Por que, não?

_ Porque seria burrice!

_ Burrice será se você não dizer!

Rachel semicerrou os olhos e observou seu amigo com as duas mãos na cintura, passando uma imagem irredutível. Estava com medo de pronunciar seus sentimentos para seu amigo, mais ainda para Quinn.

_ Ok, eu confesso, estou com medo!

_ Ah, ha! Eu sabia!

_ Na verdade, estou morrendo de medo. _ Confessou, deixando seu peso cair sobre a cadeira. _ Ela é diferente, Kurt, não é igual as garotas que eu já fiquei. Tem todo aquele ar inteligente, instigante, mas por outro lado é meiga e verdadeira. E eu sou.. Eu. _ Sorriu, desdenhando de si mesma.

_ Pode parar com esse desanimo, Barbra, isso não combina com você! _ A repreendeu, indo até ela. _ Você é Rachel Barbra Berry! _ Segurou seu rosto entre mãos. _ Linda, inteligente, gostosa e com uma voz sem igual! Não admito que você se menospreze.

_ Mas..

_ Nada de mas! _ Interrompeu, a levantando. _ Repita comigo: Meu nome é Rachel Berry e Quinn Fabray será minha namorada.

_ Kurt, é muito cedo para eu dizer isso, não sei nem se a gente vai ficar novamente.

_ Então eu posso apresentar um futuro namorado para ela?

_ O quê? Claro que não!

_ Mas é isso que vai acontecer se você não agir. Pense, Barbra, ela sorrindo com outra pessoa, viajando, fazendo planos, beijando, transa..

_ Já entendi seu ponto. E não, ninguém vai sonhar em tocá-la! Porque meu nome é Rachel Berry e Quinn Fabray será minha namorada!

_ Essa é a Rachel Berry que eu conheço!

...

Rachel respirou o ar do outono nova-iorquino, quando saiu do taxi. Estava em frente ao luxuoso hotel onde morava e já conseguia sentir o desgosto dos país a invadindo. Cumprimentou alguns funcionários e reparou Pablo, seu amigo que trabalhava como recepcionista, a chamando discretamente.

_ Estou muito ferrada? _ A morena perguntou, vendo o amigo fazer uma cara aflita.

_ Nunca vi seus país como estavam ontem a noite, procuraram você por toda Manhattan. _ Disse, apoiando-se no balcão, chegando mais perto dela. _ Rachel, você está muito ferrada!

_ Merda. _ Sussurrou. _ Agora eu tenho que enfrentar as feras. Me deseje sorte! _ Pediu, caminhando até o elevador.

_ Rachel! _ Pablo a chamou.

A morena virou-se, dando atenção ao recepcionista.

_ Valeu a pena?

Rachel sorriu com as lembranças do dia do seu aniversário e respondeu:

_ Você não faz ideia.

Ela entrou no elevador e apertou o botão da cobertura, se preparando para tudo o que ouviria. Não demorou muito para que o elevador chegasse ao seu destino, ela tirou a chave da bolsa e girou torcendo para seus pais não estarem em casa.

Ao fechar a porta atrás de si, parou em frente ao espelho e sentiu as famosas borboletas entrarem em ação. Ainda estava com as roupas de Quinn, estavam um pouco folgadas, mas isso era o que menos importava. Levou a gola da camisa até ao nariz e respirou o cheiro de Quinn. Ela revirou os olhos, percebendo como tudo aquilo parecia clichê.

_ Eu posso saber aonde você esteve nos últimos dias?

Rachel se assustou quando ouviu a pergunta de seu pai Leroy.

_ Eu estive por aí.. _ Disse, indo para o seu quarto.

_ Senta aí. _ Ordenou, apontando para o sofá. _ Não pense que vai se livrar dessa.

Ela obedeceu com relutância.

_ Eu queria saber o que se passa na cabeça de vocês jovens de hoje em dia? _ Perguntou, ajeitando a blusa de botões que usava. _ Porque eu e seu pai demos um duro danado para preparar uma festa ao seu gosto. Contratamos seu DJ favorito, chamamos seus amigos e os nossos, preparamos uma homenagem para os seus 19 anos e você, simplesmente, não apareceu! Você sumiu por dois dias! Dois dias! Sem deixar nenhum recado, nenhuma ligação, Rachel! _ Esbravejou, Leroy.

Rachel escutava tudo sem expressão alguma, estava acostumada a ouvir sermões quase que semanalmente. Sabia que Leroy a repreenderia, em forma de grito, por tudo o que fizera. Porém, depois que acabasse seus argumentos, iria dormir como se nada tivesse acontecido.

_ Eu estou cheio disso, Rachel. Não quero ter que chegar em casa, depois de um dia cansativo, e lidar com uma adolescente mimada que acha que pode fazer o que bem entender! _ Estourou e virou-se, não conseguindo olhar para a filha. _ Seu pai está esperando você no escritório.

O rosto moreno se contraiu, fazendo suas sobrancelhas se juntarem. Hiram era o tipo de pai que deixa a educação a cargo da mãe. Entretanto, não havia mãe ali, Rachel tinha dois pais e era Leroy quem fazia esse papel de educador. E quando, Rachel, ouviu que seu pai estava a esperando, sentiu um frio na barriga nada parecido com o de minutos atrás.

Ela levantou-se e, como seu pai, não olhou para ele. Caminhou até o escritório e deu duas batidinhas, antes de escutar a voz grave pedindo que entrasse.

Hiram estava sentado atrás de uma mesa de madeira, mogno, vestindo um terno azul escuro Berry. Um notebook estava aberto, sobre a mesa, e Rachel percebeu que ele estava trabalhando. Aparentava cansaço excessivo e as olheiras fundas comprovavam o seu pensamento. Ele apontou a cadeira, em forma de pedido, para que Rachel sentasse e a morena aceitou. Tirou os óculos de grau e a observou por alguns segundos, até que falou:

_ Seu pai está muito desgostoso com o seu sumiço. Ele pediu para que eu conversasse com você sobre a sua falta de consideração.

Rachel contou até dez, controlando a vontade de responde-lo.

_ O que você tem a dizer sobre o isso?

_ Nada. _ Respondeu, indiferente.

_ Não brinque comigo, Rachel. _ Pediu, calmo, ajeitando sua gravata.

_ Não queria estar presente, só isso. _ Disse, sem olhar para o pai.

_ Você tem 19 anos. Tem idade suficiente para saber que sair sem avisar seus pais é imprudência, ainda mais no dia do seu aniversário. Se não queria estar presente, por que não nos comunicou? _ Perguntou, querendo entender sua filha.

_ Para quê? Para ouvir os gritos de vocês, dizendo que sou minada e sem juízo? Preferi não avisar. _ Falou, o fitando.

_ Alguma vez eu já gritei com você? _ A questionou, sério.

_ Não.

_ Então, me explique porque sumiu sem deixar notícias.

Ela pensou um pouco e, ponderando se contava a verdade ou não, optou por ser sincera.

_ Todo ano vocês fazem do meu aniversário um grande evento. Nunca me perguntaram se eu realmente queria estar presente ou se queria algo mais reservado. Estava ali forçada, para não decepciona -los, estava para manter as aparências. Sempre foi uma data triste para mim. _ Confessou, segurando à emoção. _ E aí eu resolvi que esse ano seria diferente, que me divertiria, mesmo que fosse sozinha. Fui para uma boate e bebi mais que eu imaginava poder. Fiquei bêbada, é claro. Mas o Blaine estava lá e ligou para.. _ Pensou um pouco. _ Uma nova amiga me buscar. Sabe o porquê ele não ligou para vocês? Porque eu pedi. Não por medo, e sim por não querer a falsa presença de vocês. _ Confessou, deixando as lágrimas escorrerem livremente por seu rosto.

Hiram levantou-se, indo até a morena. Ouvir sua filha dizer que sua presença era uma farsa o machucou. Não tinha a consciência que sua filha se sentia solitária e carente de atenção paterna por todo esse tempo. Puxou-a para um abraço apertado que Rachel retribuiu sem pestanejar. Eles eram a família um do outro, só não se tratavam assim.

Há muito tempo Rachel não se sentia segura da forma que estava agora, nos braços do pai. Era como se nada pudesse atingi-la, nada poderia passar pela barreira que os braços do pai formavam em volta dela. Apertou-se mais ao abraço, pedindo que seu pai ficasse ali para sempre; que todas as lágrimas lavassem tudo que estava encoberto pela sujeira do medo.

_ Eu te amo! _ Enfatizou, emocionado. _ Sei que não sou um pai muito presente, mas nunca se esqueça que você é tudo para mim e para o seu pai. _ Declarou-se.

_ E-eu.. _ Rachel, tentava falar, mas não conseguia devido a emoção.

_ Shii. _ A silenciou, colocando o dedo sobre os seus lábios. _ Não precisa falar. Depois conversamos sobre o que aconteceu, ok? Agora, você vai dormir e descansar um pouco.. _ dizia, ajeitando o cabelo da filha. _ Amanhã você tem aula e se continuar chorando irá acordar com o rosto todo inchado e ficará difícil de eu arrumar um genro. _ Hiram brincou, fazendo Rachel sorrir.

_ Acho que nunca vai acontecer de você ter um genro. _ Falou contra o peito do pai. _ Eu prefiro as meninas. _ Confessou, sem graça.

Hiram arqueou as sobrancelhas, surpreso.

_ Eu não sabia disso, mocinha! _ Disse, sorrindo. _ Temos que conversar mais sobre.. tudo! Reformulando minha frase: Se continuar chorando, irá acordar com o rosto todo inchado e ficará difícil de eu arrumar uma nora. _ Corrigiu, sentindo Rachel se apertar mais a ele.

Ela acordou, no dia seguinte, sorrindo com as lembranças da noite anterior. Se alguém lhe perguntasse como ela esperava que a noite terminaria, sua resposta, com certeza, seria o oposto do que aconteceu. Não foi um sonho, aconteceu. Ela estava feliz por não ter que fingir a não existência dos pais, feliz por seu pai reconhecer que esteve ausente como ela esteve.

Foi sincera e recebeu sinceridade em troca.

Às vezes mentimos sem intenção alguma de magoar alguém — queremos solucionar e acabamos agravando — Entretanto, mesmo não sendo a intenção magoar, magoamos. Se não for a pessoa que escutou, a pessoa quem criou sairá magoada. A mentira é uma faca de dois gumes; Ela sempre fere, independente de qual seja a sua posição.

....

_ Se você ficar se mexendo, não vou conseguir acabar a maquiagem. _ Kurt repreendeu Rachel, dentro do seu carro.

A morena ligara para o garoto pedindo que o mesmo a buscasse em casa, estava ansiosa com a possibilidade de ver Quinn de novo. Não seria uma novidade ver a garota, mas essa era a primeira vez que a veria sabendo que gostava dela.

_ Será que ela já chegou? São oito e meia, não era para ela ter chegado? Será que aconteceu alguma coisa? Acho melhor eu ligar. _ Rachel disparou tudo sem respirar.

_ Wol! Devagar, gafanhoto, devagar. _ Pediu, tirando o celular da mão de Rachel. _Você tem que se acalmar, Barbra, vai dar tudo certo.

Ela olhou para a janela do carro e depois para o amigo que mexia na sua maleta de maquiagem.

_ Eu não vou conseguir, Kurt, eu nunca fiz isso na minha vida! _ Exclamou, olhando para o campus de Columbia. _ Se pelo menos meu corpo cooperasse, não aguento mais essa ansiedade. _ Confessou, deixando o peso do seu corpo cair sobre o banco do carro.

_ Fez o que, Rachel? Chamar alguém para sair? _ Perguntou, ajeitando a roupa da morena. _ Tenho certeza que você já fez isso milhares de vezes.

_ É diferente. Antes eu tinha uma segunda intenção, sabia exatamente o que falar. Tenho medo de falar alguma besteira e ela perceber que não sou boa para ela. _ Confessou, suspirando.

_ Você está se escutando? Essa na minha frente não pode ser Rachel Berry. A Rachel Berry que eu conheço vai sair por essa porta, chamar uma loira linda para sair hoje a noite e terá um sim sonoro como resposta.

_ Você acha mesmo que ela vai aceitar?

_ Tenho certeza que sim. _ Kurt garantiu, abrindo a porta do carro.

_ Estou nervosa. _ Confessou, colocando a bolsa sobre o ombro.

_ Isso é bom, Barbra. Quando a gente sente o frio na barriga, quer dizer que alguma coisa importante está para acontecer.

Ela saiu do carro e pensou como sua vida tinha mudado desde que Quinn esbarrou nela há uma semana atrás. Sua maneira de pensar, de agir, de entender o que antes era um completo mistério. Tudo, agora, parecia ter alguma influência da loira. Sorriu com o pensamento de que no primeiro contato tinha achado a garota uma completa arrogante. Agora, sua opinião não poderia ser mais distinta.

Rachel respirou fundo e falou:

_ Deus te ouça, Kurt.

Notas finais
Kurt se redimindo por ter atrapalhado o beijo delas. Momento tenso/ verdadeiro com os pais. Rachel assumindo que gosta da Quinn!! No próximo capítulo ( posso adiantar, porque já estou na metade) terá Brittany, Santana e muita interação Faberry! Agora, deixe-me saber se gostaram do capítulo. Um beijo e até o próximo o/