Hate The Way I Love You
2 2 - Se ele é grosso, também serei
Quando cheguei em casa, contei sobre minha experiência com meus novos amigos – e sobre ter derramado suco em cima de Marcus. — Meus pais deram risada desse último acontecimento, balançando a cabeça como se já esperasse algo desse tipo. E de fato, eu era bem desastrada. Sempre batendo o pé em algum lugar ou derrubando alguma coisa.
Minha mãe era muito parecida comigo em alguns aspectos e eu a admirava muito, mesmo que estivesse estressada na maior parte do tempo. Meu pai, pelo contrário, era bem calmo. Os cabelos grisalhos e o olhar castanho – que todos diziam ser um clone dos meus – lhe proporcionavam uma leveza invejável.Fui para a cama depois de tomar um longo banho e então, o resto da semana passou voando. Na quinta, fiquei até tarde com a Iza e Gabi para organizar algumas coisas da formatura – a venda de doces para a arrecadar dinheiro e assuntos gerais, como salão e empresas que pudessem fazer a festa. Na sexta, eu não consegui disfarçar o meu nervosismo. Ainda estava morrendo de vergonha de ira té a casa de Iza após o ocorrido.— Fica tranquila, e é sexta, Marcus nem vai estar lá – ela me tranquilizou.Como de se esperar, Nicolas nos buscou na porta do colégio e então fomos todos para a casa dos Foster com Lucas tagarelando algo sem nexo.— Vocês não querem almoçar? — Nicolas pergunta.— Acho melhor comer petiscos. Colocamos alguns salgados no forno e daí comemos e bebemos. Comida pesada e piscina não da certo.— E seus pais? — Perguntei. Eu ainda não tinha visto os pais de Iza.— Eles aparecem mais de noite, chegam tarde do trabalho. Me dei por satisfeita com essa resposta.Quando chegamos, fomos para o quarto deixar nossas coisas.— Vou me trocar – eu disse, e então entrei no banheiro, ainda não tinha tanta intimidade com as meninas para que me vissem nua.Tirei minha roupa e coloquei meu biquíni. Eu tinha uma certa vergonha do meu corpo, mas tentei deixar isso de lado. Eu era baixa, tinha os seios grandes até, a pele amarelada do verão passado e cabelos longos e lisos. As vezes eu me olhava e queria ter mais bunda, ou um braço menor – talvez uma cintura mais fina – mas nada disso era possível porque a) eu era preguiçosa, por tanto b) não faria academia.Coloquei um shorts para não ficar andando por aí só com a parte de baixo e então, quando abri a porta, dei de cara com Marcus. Meu coração parou – e não foi porque ele estava só de calça.— Meu Deus, que susto! — Coloquei a mão no peito, arfante.— Você está vermelha – depois de ter dito isso, muito provável que eu tenha ficado ainda mais. — Quero usar o banheiro, você pode andar mais rápido?E então me lembrei rapidamente de quarta feira e o quanto ele foi rude e arrogante – e como desprezou o meu pedido de desculpas. — Decidi tentar ignorá-lo.— Me desculpa, Doutor, eu não quis atrapalhar a sua ida ao banheiro. — E então saí. Só não esbarrei nele por educação, já que eu estava na casa DELE.Ele deu um meio sorriso e depois fechou os olhos, mas não disse nada. Entrei no quarto da Iza e contei sobre ter esbarro no irmão chato. Ela ficou surpresa e disse que não esperava ter ele aqui hoje.— Talvez tenha saído mais cedo – e deu de ombros, como se pouco importasse.— Ele vai ficar aqui então? — Gabi pareceu se iluminar.— Sim, que chatice. Espero que não fique me controlando.E então, depois de todos estarem trocados, descemos para a cozinha e começamos a preparar a tal batida de limão. Nada mais era que cerveja, suco de limão, leite condensado e vodka. Achei horrível, mas, eles gostavam. Colocamos um salgadinhos do forno para irem assando e deixamos tudo para lavar depois. Antes mesmo de arrumar as coisas, Lucas pulou na piscina e espirrou água para todo lado.O sol estava forte, quase rachando a minha cabeça. Arrumei minha toalha e me deitei, satisfeita por ser aquecida – pelo menos eu pegaria alguma cor.Nicolas colocou a música no máximo e eu bebia do meu copo bem devagar, aquilo era muito enjoativo, já os outros, bebiam como se fosse a última coisa no mundo. — Vocês podiam dormir aqui! — Iza diz, enchendo mais o seu copo.— Preciso falar para os meus pais – eu disse.— Eu topo, não é como se eu não tivesse acostumada em dormir aqui – Gabi diz, deitada do meu lado. Ela era muito bonita. Era alta, esbelta, o cabelo dourado brilhava com a luz do sol.— Então todos dormiremos aqui – Lucas diz, ainda na piscina e segurando seu copo ao mesmo tempo.— Vamos logo, Sam, toma isso! — Nicolas abaixa ao meu lado, enchendo mais o meu copo.— Isso é muito doce! — Dou risada, mas mesmo assim bebo.— Ah, então você prefere beber a vodka pura?— Uh, vamos fazer um jogo! Aquele do celular, que obriga todo mundo a beber!— Tipo Eu Nunca? — Pergunto. Esse jogo é bem comprometedor.— Sim, vamos lá, pega o seu celular Iza!— Mas vai ser com vodka pura?- Pergunto. Aquilo ia me fazer vomitar até o que não deveria.— A gente mistura com suco e essas coisas. Não precisa tomar o shot inteiro, sei que é forte e eu não quero ninguém vomitando na piscina – Nicolas diz em tom de brincadeira.— Até porque quem vomitou da última vez foi você – Gabriela alfineta e ele mostra a língua.E então nos sentamos numa roda, Nicolas trouxe os copos de shot e a bebida pura. Aquilo já revirou meu estômago inteirinho. Eca.
— Vamos lá! — Iza toca na tela do celular e então uma mensagem:“Quem tiver cabelo comprido deve beber um shot”— Droga! — Eu e Gabi exclamamos. Não enchemos todo o copo porque seria um exagero. Bebi e fiz uma careta – isso aqui é muito ruim.— Só para os fortes!“Lucas, se você tiver usando cueca, beba o seu shot e o do amigo a sua esquerda”— O QUE? Eu já comecei me ferrando!E então bebeu.“Samanta, beba se você tiver menos de 30 anos” — E então eu bebi.A brincadeira se estendeu por um tempo, até que lembramos dos salgadinhos no forno. Eu não estava exatamente bêbada, mas estava ficando. Nicolas foi o que mais bebeu – e não por conta das ordens do aplicativo, mas porque ele encheu demais os copinhos.— Eu vou lá tirar os salgados – eu digo, além do mais, queria usar o banheiro.Fui para o banheiro, fiz o que eu tinha que fazer, lembrei que não tinha passado protetor solar mas ignorei o fato. Na cozinha, desliguei o fogão e procurei por um pano de prato para pegar os salgados que estariam quentes, como não achei, gritei:— IZA, ONDE TEM UM PANO DE PRATO?— Dentro da segunda gaveta – uma voz surge atrás de mim. Não era ninguém menos que o Marcus. Ele estava apenas de calça e com os pés descalços. Ele parecia desinteressado, já que falou comigo mexendo em algo na geladeira.— Ah, obrigada – e então abri a gaveta e lá estavam os panos de prato. Peguei um e abri o forno com delicadeza. Um bafo muito quente invadiu meu rosto e com cuidado, retirei a forma onde estavam os salgados. — Você poderia, por favor, pegar alguma coisa que eu possa colocar os salgados?Ele arqueou uma sobrancelha. Céus, parecia que tinha dificuldade em entender as coisas.— Eu pego, só me diga onde está! — Comecei a ficar irritada.— No armário.O armário era um tanto alto, eu não alcançaria pegar as coisas – e muito provável que eu fosse deixar cair. Respirei fundo, pois sabia que teria que pedir, mas as palavras não saiam da minha garganta. Marcus olhou para a minha dificuldade e, com um meio sorriso, se aproximou de mim e, por trás, abriu o armário e pegou alguns pratos. Quando eu digo “por trás”, eu quero dizer que ele, literalmente, ficou atrás de mim e fez questão em esbarrar levemente seu corpo no meu para pegar as coisas.Colocou o objeto sobre a mesa e disse:— De nada.— Obrigada. Não esperava um ato de gentiliza vindo de você – eu disse meio sem pensar.— Ah, e por que não? — Ele se apoiou em um dos bancos.— Porque… — fiquei meio sem saber o que dizer. Ele era de tirar o fôlego. — Porque você é um grosseiro. Primeiro que na quarta eu não derrubei a porcaria do suco em você de propósito e mesmo assim você fez um grande escândalo. Eu tinha pedido desculpa mas você saiu como uma… criança mimada! Segundo que no banheiro hoje mais cedo foi rude novamente e você nem me conhece, o que dirá que deve fazer com as pessoas ao seu redor. TERCEIRO… — parei – não há um terceiro motivo, mas aí estão – e cruzei os braços. Marcus levantou as duas sobrancelhas e não sabia dizer se a expressão no seu rosto era de diversão ou raiva. Talvez os dois. Obrigada, bebida, por me deixar falar essas coisas.— Está bêbada, não sabe o que está dizendo.— Eu não estou bêbada, Marcus! — Cuspi seu nome. Meu Deus, eu estava realmente rude naquele dia. — Eu só queria que você tivesse sido um pouco mais educado quando eu lhe pedi desculpas aquele dia, oras! Eu ainda tentei te limpar!— Sim, você colocou a mão onde não deveria.Isso me fez ruborescer. Meu deus, eu nem tinha pensado nisso.— Não interessa – eu disse por fim. — Não tenho mais o que dizer. Vou lá comer meus salgados e como eu sou uma pessoa muito diferente, vou deixar alguns nesse prato pra você. — E enfiei de qualquer jeito o alimento dentro do prato. — Obrigada. — E sai, quase que correndo.
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