Hate The Way I Love You
1 1 - Quando te conheci foi um desastre
Mudar de escola no último ano do colégio era o fim do mundo, mas não era algo que eu pudesse evitar. Meus pais e eu havíamos mudado de cidade por conta do trabalho da minha mãe e a escola mais próxima era essa. Não era de todo tão ruim. As pessoas tinham sido bem gentis e legais comigo, mesmo que alguns olhares ainda me estranhassem, mas era normal, se fosse o contrário, também reagiria assim
Já fazia um mês desde que eu me mudara e quando fui convidada para fazer parte de um grupo de trabalho, fiquei muito feliz. Izabela, a menina que senta na minha frente tinha me chamado para fazer parte do grupo no trabalho de geografia, o que foi ótimo, já que eu estava momentaneamente desnorteada. Pelo que eu tinha percebido, o grupo composto por Izabela, Gabriela e Lucas era um tanto agitado. Sempre comentavam sobre festas, gritaria e muitas coisas loucas que eu mal podia acompanhar, então, numa quarta feira de tarde após o colégio, fomos todos para a casa de Iza fazer o tal trabalho. O irmão do meio, Nicolas, veio buscar todo mundo.— Nicolas! Que música ruim! — Lucas praticamente berrou. — Deixa que eu escolho a playlist.— Ele tem um gosto horrível – Iza comenta.Nicolas tinha o cabelo dourado, diferente do de Iza, mas olhos eram os mesmos. Era bem falante e animado, o sorriso muito gostoso de ouvir.— Duvido que suas músicas tem um teor mais sofisticado – ele disse em tom de brincadeira.— Fala sério – Lucas mudou a música para algo mais eletrônico.— Que horas o Marcus chega hoje? — Iza pergunta.— Ele nem é tão bonito assim – Nicolas fala. — Eu sou BEM mais.— Ah, claro – Lucas debocha. — Você e essa cara de idiota acha mesmo que é mais bonito que o Marcus? A sua sorte é que você é engraçadinho, já o outro… não olha para ninguém. É por que ele faz medicina? Ouvi dizer que esse povo se acha.— Não sei, acho que volta umas quatro. Por que?— Porque a Gabi queria saber.— IZABELA!— Ué, é a verdade. — E então ela olha para mim. — Você não deve estar entendendo nada. Marcus é o irmão mais velho da Iza, faz medicina e é um deus grego. Você vai ver, ainda vou namorar com ele.Dei risada. Como será esse tal Marcus?***— Chegamos. Vem, entra Sam. Vamos para o meu quarto.A casa da Iza era bem grande, tinha até piscina!— Você é nova? — Nicolas me pergunta enquanto tranca a porta.— Ah, é...sim.— Se você nunca viu ela! — Iza ironiza.— Ela podia ter se tornado sua amiga agora, uai.— Eu sou de outra cidade. Meus pais se mudaram por conta do trabalho da minha mãe e… aqui estou eu.— Hum. — Ele me encara. Parecia que estava tentando me ler. Os olhos claros passeando para cima e para baixo, mesmo que mais para baixo, já que eu era baixinha. — Não precisa sentir vergonha, ok? Se quiser alguma coisa, pode me chamar.— Você tá dando em cima dela? — Lucas pergunta. Ele tinha a pele negra, o cabelo raspado e fazia caras e bocas que me faziam rir. Era a melhor pessoa do grupo, com toda certeza.— Claro que não!Dei risada, até porque era a úncia coisa que eu podia fazer.Fomos para o quarto de Iza e começamos a fazer o trabalho, mesmo que na maior parte do tempo riamos de alguma besteira que Lucas dizia e ouvia as fofocas do colégio. Ficamos enrolando e enrolando, mas uma hora o trabalho saiu. Cada um ficou com uma parte da pesquisa para apresentar e eles me garantiram que aquilo era o suficiente.— Vamos comer alguma coisa. Estou com fome – Iza disse, se levantando da sua cama. O quarto era razoavelmente grande e era muito bem decorado. Aparentemente a família dela tinha dinheiro.E então um barulho de porta se fechando ecoa levemente, fazendo a cara de Gabi se iluminar.— Seu irmão chegou! Vamos, vamos – ela pulou da cama mais rápida que um raio. — Quero esbarrar com ele.— Meu Deus, você tem um fogo na pitrica, hein? — Lucas disse e eu dei muita risada.Saímos do quarto quase as pressas e descemos as escadas, bem a tempo de ver o tal Marcus, que fazia o contrário. Ele subia as escadas olhando para cada um de nós, um sorriso falso estampado na sua cara. Ele era muito bonito, realmente. A pele clara, duas covinhas que o deixavam mais sedutor, a sobrancelha grossa e escura combinavam com os cabelos negros projetados num topete mal feito. Os olhos eram tão claros que quase achei que era cego.— Marcus, você não vai cumprimentar meus amigos? — Izabela o para, segurando-o pelo braço.— Ah, claro – sua voz era grossa e rouca, mas, mesmo assim, havia uma melodia ali. — Olá. Agora vou para o quarto e espero que vocês não tenham comido tudo que está na geladeira. — Agora que ele disse mais de meia palavra, pude notar o tom de arrogância que saía de sua boca.— Estávamos indo comer agora – Lucas disse.— Ainda bem que você chegou, hein? — Gabi diz. — Pode ir comer com a gente.— Hm, não sei se tenho o interesse. — E então olhou para mim, como se só tivesse me notado agora.— Ah, essa é a Sam – Iza me apresenta. — Ela é nova, veio de outra cidade. Seja educado ao menos com ela, para que não fique tão na cara o grande imbecil que você é.Ele revira os olhos, sem demonstrar algum tipo de humor.— Daqui cinco minutos eu desço.E então fomos todos para a mesa. Meu Deus, esse era o cara que Gabi era apaixonada? Até me deu medo. Seu rosto se projetava em milhões de frases de arrogância. Será que era mesmo porque cursava medicina? Bom, não que importasse.
Nicolas apareceu da sala, o rosto amassado, como se tivesse acabado de acordar.— Ótimo, vamos comer – ele disse e então se sentou do meu lado na mesa. Iza trouxe pedaços de bolo, frutas e sucos para bebermos. — Nossa, beber suco de limão me faz lembrar aquela batida da festa de sexta. Era tão boa.— Realmente, deveríamos fazer.— Vamos fazer nessa sexta! — Gabi ficou animada enquanto prendia o cabelo dourado num coque.- Aí podemos vir aqui depois do colégio, beber e pular na piscina, como nos filmes.— Ótimo, adorei – Lucas bate palmas.— Você vem? — Nicolas olha para mim. — Aí podemos ver quem é a verdadeira Samanta!— Claro, beber é comigo mesma – digo. Eu já tinha tido algumas boas – e más – experiências com bebidas.— Estão combinando de beber? — Marcus aparece do corredor, só de calça, exibindo seu abdômen perfeito. A saliva da minha boca desceu seca pela minha garganta. Tentei disfarçar que não havia reparado em nada. — Até parece que não tem mais nada para fazer.— É sexta! Não é como se fosse não fizesse o mesmo – Iza argumenta.— Eu já tenho 23 anos. Vocês tem o que? 12?— Para de ser tão chato – Nicolas fala. — O sua noção de protetor já ultrapassou a hora. Iza já é crescida, ano que vem faz 18 anos. Não muda nada.Marcus se senta ao meu lado direito da mesa, pegando um copo e depositando o suco de limão, que para mim, estava muito azedo. Tentei localizar o açúcar na mesa e quando achei, me apoiei na mesa para pegar. Quando voltei, esbarrei na jarra e ela virou em cima do… Marcus. PUTA. MERDA.Ele teve aquele lapso de susto que todos tem quando algo inesperado acontece – como um suco sendo derramado – e então eu automaticamente enchi minhas mãos de papel toalha.— Meu Deus do céu, me desculpa! — E coloquei todo o papel em seu colo.Nicolas e Izabela não paravam de dar risada enquanto minha cara ficava roxa de vergonha.— Que merda! — Ele disse, pegando mais papel.— Me desculpa mesmo, eu só ia pegar o açúcar.— Você podia PEDIR para alguém mais próximo!— Você era a pessoa mais próxima e eu não me atreveria a pedir algo pra você!— Era minha calça nova!— Eu já pedi desculpa, caramba! Não foi de propósito.Ele bufou, irritado. Droga, Samanta.— Tudo bem. — Ele parecia tentar forçar uma calma inexistente. — Eu vou subir. — E então saiu da mesa e todos ficaram em silêncio.— Nossa gente, me perdoem. Foi sem querer.— Ah, não liga para ele não, adora um escândalo.— Quem dera eu tivesse tido a oportunidade de ter colocado minhas mãos no colo dele — Gabi dá uma risadinha, mesmo que eu tenha sentido um certo incômodo no seu tom de voz.E então, depois de tentarem me convencer que eu não tinha feito nada de errado, ficamos mais um tempo conversando até que Gabi e Lucas foram embora – porque seus pais tinham chego para buscá-los – e eu fiquei esperando a minha mãe, que como sempre, estava atrasada.— Ainda estou me sentindo mal. Acho que nunca mais vou vir aqui – Digo para Iza.— Relaxa, boba. Foi um acidente. Sexta vamos beber bastante e você esquece esse trauma – ela da risada. — Obrigada por gritar com o meu irmão. As vezes ele acha que é a única voz do mundo.— Eu não gritei com ele.— O que? “Eu já pedi desculpas, caramba!” — e então dá uma gargalhada. — Foi de nervoso.— Aí, agora estou me sentindo ainda pior.Ouço uma buzina, o que significava que minha mãe tinha chego.— Tchau, Iza, e me desculpa mais uma vez.
Fale com o autor