Hate That I Love You
1 One
Notas iniciais
Não faço idéia se a one vai agradar ou não. Espero que sim.
Escrevi essa história sem um título, mas como minha amiga Carol ama a música Hate That I Love You da Rihanna, e a letra combinava com a história, resolvi batizá-la assim.
Tenho que agradecer a @FuckMeRob, @_MaaaLuutz, @Pattitorres e a @MaahRobsten por me viciarem em fanfics e me apresentarem as melhores.
Um beijo enorme e um muito obrigada pra minha amiga linda @__Tod que betou essa one e também criou a sinopse.
Então, acho que é isso. Boa leitura. E torçam pra que eu termine as outras histórias.
Beijos,
@Mahpinheir0.
POV BELLA
Numa tarde qualquer em um Shopping, enquanto observava alguns modelitos, eis que ouço uma das vozes que menos me agradaram durante os dois últimos anos no colégio.
- Isabella?
- Rosalie.
- Não acredito no que meus olhos estão vendo. É você, Bella. Segunda carteira perto da janela... Parece que foi ontem. Você não parece muito mudada. – Eu usava um jeans skinny de lavagem clara, uma t-shirt cinza e sapatilhas. Cabelo castanho, com algumas mechas ruivas naturais também. Basicamente igual à época do colégio mesmo.
- Você, no entanto, parece ainda mais bonita, Rosalie. — Rosalie tinha os cabelos loiros e longos como sempre com a diferença de que agora tinha franja. Estava elegantemente vestida num vestido branco com alguns detalhes em goiaba. Nos pés, uma sandália nude, perfeitamente combinando com o vestido. Ela sempre foi a perua da nossa sala no colégio.
- Não vamos ficar conversando aqui. Você ainda gosta de chocolate quente?
- Sim, ainda gosto.
- Chocolate quente e Edward. As duas coisas que você mais adorava.
- Gostava mais de Edward que de chocolate. Muito mais.
- Sim, eu também, Bella.
- Eu escrevi alguns e-mails para Edward depois que vocês brigaram.
- Muitos e-mails.
- Como você sabe? Voltaram a se ver? Diziam que estava tudo acabado...
- Eu dizia que o odiava. E ele, que não queria ouvir falar de mim.
- Sim, e depois?
- É uma longa historia, mas resumindo... Edward é meu marido.
- Vocês se casaram?! – Não esperava por isso. Nunca imaginei que Edward pudesse ter se casado com Rosalie.
- Isso te incomoda?
- Não, de forma alguma. Mesmo quando era apaixonada por ele, ele aparentemente não gostava de mim mesmo.
- Ah, que isso, Bella. Eu sei que Edward gosta de você, te admira muito... Mas não há um garçom aqui?
Pedimos nosso chocolate quente, conversamos sobre nossas vidas desde a formatura e lembrei que tinha outro compromisso. Rosalie me pareceu muito mudada, mas não sei se pretendia vê-la novamente.
POV EDWARD
Cheguei em casa e Rosalie estava toda tagarela, tanto que já estava incomodando. Contando o que fizera durante o dia.
- Edward, não faz ideia de quem encontrei hoje.
- Não faço mesmo. Alguém que eu conheça?
- Isabella Swan. Lembra?
- Ah, estudava na mesma sala que nós, correto?
- Isso. Era apaixonada por você, lembra disso também?
- Mais ou menos.
- Então, agora ela trabalha com moda. Mas continua cool, como era. Toda simples. Tão diferente de mim que sempre fui elegante.
- Ah, sim.
- Uma coisa é certa. Perdeu a timidez. Lembra de como ela era tímida?
- Lembro apenas que falava sem parar, como uma máquina.
- Não, ela só fazia isso com você. Era você quem a fazia falar e falar. Edward, eu disse a ela que você sempre a admirou. Não falei demais, né?
- Temos que ficar falando sobre ela esta noite? Eu tinha em mente um modo bem melhor de passar o tempo.
O que eu estava fazendo?
Beijando Rosalie, e pensando em Bella. Mas que merda, Edward. Você não é mais um adolescente.
Deixei Rosalie, liguei o som e tomei uma dose de whisky.
POV BELLA
Rosalie me ligou, querendo conhecer meu estúdio de moda. Não podia escapar. Ela vinha aqui hoje mesmo. Tomara que não se torne um grude na minha vida, que esta realmente boa do modo atual.
- Jacob, pode me ajudar aqui?
- Claro, Bella. Ouvi você marcando visita pra hoje. Quer que organize alguma coisa em especial?
- Não precisa, não é uma cliente, só uma colega do colégio que reencontrei e vem conhecer meu trabalho. Nosso, na verdade, né. Falando em nosso... Cadê a Alice?
- Ainda não voltou de viagem. Você não recebeu o sms dela?
- Não. Dizia o que?
- Jasper deu a ela um anel “enorme”. Todo escandaloso, como ela gosta. Noivado.
- Ó céus. Perdi a sócia por mais uma semana pelo visto. Já vou começar a pensar no meu vestido de madrinha.
- Que horas sua amiga vem?
- Já deve estar chegando, seu nome é Rosalie. Não precisa ser muito amoroso, tá.
- Tem algum guapo nesse amor de vocês?
- Só nunca fui muito com a cara dela. É muito perua.
- Alice também é. E é sua melhor amiga.
- Interfone. Ela chegou. Que tal você ir tomar um café, sei lá.
- Tchau, Bella. Só volto amanhã. Boa sorte com sua “amiga”.
Rosalie chegou, E tentei desviar a atenção da minha vida pessoal para o que mais poderia ser do seu interesse: Moda.
- Você tem coisas lindas aqui. O que achou desse? Melhor que o outro?
- Todos ficaram ótimos em você.
- Nossa, que tom de desprezo. Se estiver te incomodando, é só dizer. Eu vou embora.
- Não é isso. Tô com a cabeça em outro lugar. Preciso ver uma casa hoje... Não é fácil achar uma casa. Ou são velhas e feias ou custam muito caro.
- Um apartamento serviria?
- Você tem algum pra vender?
- Eu não, mas há um apartamento a venda no nosso prédio. Tenho certeza de que você gostaria dele.
- Morar... no prédio de vocês?
- Não parece ótimo? Não vejo a hora de contar pro Edward. Vou me trocar e vamos falar com o proprietário.
- Ah, melhor não. Combinei de ver essa casa hoje. Uma outra hora quem sabe vejo esse apartamento.
- Qual é, Bella? Vamos ver a casa, depois vemos o apartamento.
Rosalie ficou por quase meia hora me enchendo para ver esse tal apartamento. A ideia era tentadora. Eles moravam perto do estúdio e seria ótimo pra mim. Mas não sabia se seria a coisa certa. Por fim, fui conhecer o apartamento, e foi amor à primeira vista. Do jeito que eu estava procurando.
Em poucos dias me mudei. Rosalie me ajudou com tudo, já que Alice ainda não havia voltado de viagem e Jacob estava até o topo com modelos novos pro estúdio.
POV EDWARD
Não estava acreditando no que ouvia. Eu que pensei que não ouviria mais se falar em Bella. Agora Rosalie só fala nessa mulher. E o passado bate a porta, que inferno.
- Nem te conto como foi difícil convencê-la.
- Porque insistiu tanto?
- Bella pra mim, é como uma irmã. Será ótimo tê-la tão perto.
- Que bom pra você.
- Não entendi. Você não gostou? Talvez... não. Você mesmo me disse que eram apenas amigos e que não tirei você de ninguém...
- Disse e confirmo. Fui eu quem perdeu a cabeça por você. E eu disse isso claramente para Isabella, na época.
- Então qual o problema?
- Nada. Apenas preferiria não vê-la novamente.
- Fala baixo, ela pode ouvir. Eu a convidei para jantar e ela deve estar chegando.
- Ah não? Jura? – Não era possível, Rosalie gostava de testar minha paciência. – Era mesmo necessário?
- Não seja egoísta. Ela parece tão só.
- Ta bem, mas que não se torne um habito, por favor.
Bella bem que poderia resolver não vir. O ruim é que morando no mesmo prédio mais cedo ou mais tarde iria vê-la novamente.
POV BELLA
Rose é um pouco invasora. E o seu dinamismo me perturba. Contrato, mudança... Fizemos tudo em pouquíssimos dias.
E esta noite quer que eu vá jantar com eles. Ainda tenho que arrumar umas coisas, mas não pude dizer não.
Pelo menos já tenho algumas coisas organizadas. Quando passei em frente a um espelho vi que estava tremendamente horrível. Que olheiras imensas. Edward não poderia me ver em piores condições.
Mas que importância tinha isso? Já está longe o tempo em que meu coração batia loucamente todas as vezes que eu o encontrava. Somos adultos agora.
De qualquer forma precisava de um banho.
Como Edward era bem mais alto do que eu, assim como Rosalie, escolhi usar salto, uma sandália preta e um vestido com uma saia mullet de Poá, em branco e preto. Sequei o cabelo e o deixei solto mesmo.
Maldito jantar.
Entrei no elevador e subi 2 andares. Toquei a campainha... Seja adulta, Isabella. Adulta.
- Olá Isabella. – Ou ele havia esquecido que não gostava de ser chamada de Isabella, ou o fez de propósito.
- Olá Edward. – Ele continuava idêntico. Tirando pelo terno. O corpo magro, alto. O mesmo cheiro, o mesmo olhar, o mesmo sorriso. Depois de anos era Edward Cullen na minha frente.
- A última vez que há vi éramos adolescentes, e agora estamos quase chegando aos cabelos brancos. – Estaria eu tão horrível assim?
- Não exagere.
- Bem, estou feliz que tenha vindo morar perto de nós. Assim pode fazer companhia pra Rose.
- Sim, claro.
- Ainda falta muito para o jantar ficar pronto, querida? Quero que Bella experimente daquele whisky que ganhamos no natal.
- Bella, confessa, já viu Edward tão falante assim?
- Ah, deve estar emocionado em me ver – nós rimos – Lembra de como eu falava quando estava emocionada?
Rosalie saiu e foi em busca do tal whisky.
- É tão idiota, né – ri de mim mesma, lembrando do passado – Quando eu te via, Edward, minhas pernas tremiam, minha garganta secava e eu falava como uma louca. Lembra da última vez em que dançamos? Nem sei quantas vezes pisei no seu pé. Me dá vontade de rir sempre que penso nisso.
- Sim. Eu me lembro... de outras coisas que aconteceram naquela noite.
Evidentemente diferentes das coisas de que você se lembra. E não me dão nenhuma vontade de rir.
- Desculpa, Edward. É só uma lembrança boba. Me perdoa?
- Te perdoar de que? – Seus olhos azuis queimavam enquanto olhavam os meus – De ter se transformado em uma mulher enquanto naquela época era uma... uma menininha? Sempre me lembrei de você assim todos esses anos.
Ainda bem que o timing de Rosalie era perfeito.
- Achei o whisky, estava na cozinha mesmo.
Graças ao bom Deus, o jantar ficou pronto logo, e fiquei pouquíssimo tempo lá depois disso. Falei que tinha muito trabalho no dia seguinte o que não é mentira mesmo. Foi agradável, mas algo estava me incomodando.
Acho que é exatamente o que Edward disse, eu me tornei mulher.
Nessa noite ele parecia mais embaraçado que eu. Não me emocionei nem um pouco. Não digo que tenha sido como encontrar um estranho, mas quase. Me pergunto o que eu via nele, quando garota...
Foi um dia cheio. Cama por favor.
ALGUNS DIAS DEPOIS....
- Oi, vai usar o elevador?
- Você não quer que eu suba todos esses andares de escada, espero.
- Fiz uma pergunta idiota. É que... vê-la me causa uma sensação estranha. Vou me acostumar, mas por enquanto fico meio sem jeito. Isso não significa que eu não tenha gostado de você vir morar aqui...
- Está bem. E agora, que tal se você apertasse o botão pra subirmos?
- E pensar como era tímida? – Edward tinha um olhar matador, desde sempre, mas o tempo lhe fizera muito bem.
De repente o elevador para entre dois andares.
- O que será, agora?
- Droga, parou. Uma vez quando eu era criança, fiquei presa por quase uma hora. Pensei que ia enlouquecer. Desculpa, sei que pareço idiota, mas faz alguma coisa, eu passo mal.
- Calma Bella, não vai acontecer nada.
- Eu sei, mas tenho medo, já disse.
- Ai está a Bella de antigamente. Agora sim, te reconheço. – Edward me abraçou, e me encostei em seu peito. Era tão confortável.
O elevador voltou a funcionar.
Meu Deus, o que esta acontecendo comigo? Estava tremendo. Não é medo o que estou sentindo.
- Viu, não há mais problema.
Não é possível, era como se eu ainda fosse apaixonada por ele. Assim que ele me abraçou meu coração começou a bater como louco.
- Chegamos ao seu andar. Não vai descer?
- Ah sim, claro. Pensei que pararíamos primeiro no seu andar e depois no meu. Pensei que fosse um daqueles elevadores com memória, que mesmo que você aperte primeiro o botão do andar mais alto, ele para por ordem...
- Ai esta você falando pelos cotovelos de novo. — Morde essa língua, Isabella! – Tudo culpa do susto que levou. Por um instante eu a vi como quando estava apaixonada.
- Tchau, eu tô mega atrasada.
- Esta louca pra sair daqui, não é? Tchau Bella, aposto que amanhã você sobe de escada.
Entrei em casa tonta, tanto pelo travamento do elevador, quanto pelo o que tomei consciência. Precisava da Alice.
- Bella, Bella, cheguei. Fala amiga, qual a urgência sobre seu vizinho gato.
- É terrível, Alice. Eu o amo. Exatamente como antes. Ou talvez mais. Ai eu nem sei.
Alice era minha melhor amiga desde a faculdade, com seu cabelo curto e escuro perfeitamente repicado, sempre com alguma roupa de boneca.
- Mas Bella, você nunca me disse ter uma paixão do colégio. E seus ex namorados?
- Sei lá. Tinha certeza que não sentia mais nada. Não senti nada na noite do jantar ao revê-lo. E hoje, no entanto, tive vontade de agarrá-lo.
- Você precisa de uma bebida. E eu também. Seu apartamento ficou lindo, até parece que fui eu quem decorou. Mas voltando ao assunto. Como assim, Bella? Ele é casado.
- Tenho que sumir por uns tempos daqui. Não vou trair a amizade da Rosalie. Nem meus princípios. Vou dizer que tenho algum curso pra fazer fora da cidade. Não vamos nos esbarrar numa cidade tão grande como New York.
- É uma boa. Mas e ele. Será que não sente nada por você? Casamentos podem ser rompidos.
- Eu sei. Mas não sei o que fazer.
- Bella, seu interfone ta tocando.
- Será que é o Edward? Não pode ser ele. Porque faria isso? Que ideia idiota.
- To me divertindo, Bella. Não me mate. Mas é divertido. – mostrei a língua pra Alice e abri a porta.
- Rosalie?
- Ainda está assustada? Não diga que é por causa da historia do elevador! Relaxe, Bella. Só passei para te lembrar do jantar.
- Ai, verdade. Com o amigo de vocês...
- Sim, o nome dele é James. Logo será seu amigo também, tenho certeza. Você tinha esquecido?
- É que não estou com espírito pra jantares, Rose.
- Vamos, coloque um belo vestido e, sobretudo, sorria. Está com cara de morta.
- E se eu dissesse que não estou com vontade de ver ninguém esta noite?
Se bem que não funciona sentir pena de si mesma com uma amiga igual a Alice.
- Oi prazer, sou Alice Brandon. Melhor amiga da Bella. Você é Rosalie, né. A Bella irá ao jantar, eu garanto.
- Prazer Alice, e obrigada pela ajuda. Bella precisa de uma companhia masculina, não é mesmo.
Eu poderia matar as duas, de preferência Alice. Mas como não seria conveniente fazer isso, eu iria ao jantar.
Alice escolheu um vestido curto, com amarração na nuca. Em degradê do branco ao azul marinho, com saia Peplum. Sandália de salto azul marinho. E algumas pulseiras na cor do vestido. Cabelo solto com babyliss.
- Perfeita, Isabella.
- Se você diz... Me deseja boa sorte?
- Sempre. Te amo sua linda. Vai lá e deixa Edward doidão.
- Arrg! Vai embora, vai. – Rimos
Alice me deixou no andar de Rosalie e foi embora. Fui apresentada a James, que me pareceu ser um cara interessante. Não tinha o fascínio de Edward, mas era legal.
Já na mesa do jantar, é típico de Rosalie começar as cenas...
- Queria ficar sozinha em seu apartamento, você acredita?
- Como... como um pássaro solitário.
- Desculpa James, não ouvi. Se importa de repetir?
- Estava dizendo...
- Nada de importante, Bella. Mas acho que esta exagerando sua reação àquele pequeno incidente do elevador.
- O que quer dizer, Edward?
- Esta pálida, ausente, estranha. Alguns instantes de medo não podem reduzir assim uma pessoa. Talvez o motivo seja outro... Se tiver algum problema, fale.
- Não, não tenho nada.
- Então James, o que estava dizendo?
- Nada. Só disse que é ‘como um pássaro solitário’.
- Dizer a uma mulher que ela parece um pássaro solitário não me parece uma boa cantada.
- Fique quieto, Edward. Venha, vamos a cozinha preparar o café.
POV EDWARD
- Não entendi porque me trouxe até a cozinha para preparar café se sempre faz sozinha.
- Você não entende mesmo de nada. Para deixá-los sozinhos.
- Posso saber o que você tem na cabeça?
- Me parece claro. Bella esta sozinha, James também. Fariam um ótimo par. Não acha?
- Mas ela nem ao menos olhou pra ele.
- É eu sei, mas as coisas podem mudar. Escute... estão conversando sobre a ideia de irem para a casa de praia do James.
- Eles estão loucos? Falam de ir a quatro.
- Isso é ótimo, Edward. Em breve seremos um quarteto inseparável.
- Você é louca. E tenho uma reunião no sábado. Diga logo que não iremos.
- Eu sei que não é verdade, amor.
- Não tenho mesmo, mas não quero ir.
- Esta sendo estúpido, sabe que não gosto disso. Esse não é o Edward com quem me casei.
Era uma ideia bem estúpida, eu nem ia muito com a cara do James. E Bella, estava tão linda hoje, mas estranha. Algo estava deixando-a desse jeito e isso começava a cheirar mal.
***
- Você não vem dormir?
- Não estou com sono, Rose.
- Tô feliz, a Bella e o James fazem um belo par, você tem que concordar.
- Ta brincando? Nunca vi duas pessoas tão diferentes.
- Quando você começa a julgar as coisas sem nenhuma razão, fica insuportável.
- Tenho mil razões. E te digo a mais evidente: ela é uma mulher sensível, enquanto ele...
- É um artista. Ela não poderia encontrar um homem mais adequado.
- Artista? Ele é um idiota.
- Você nunca disse isso dele. Desde que o conhece.
- Percebi essa noite. Fez de tudo para encantar Bella. Ela é uma mulher sozinha, se tornou uma presa fácil.
- Bella? Presa fácil?
- Viu como aceitou logo o convite para o fim de semana?
- Porque não admite simplesmente que James agradou a Bella?
- Não. Ele não é seu tipo. Posso apostar. – merda, falei demais. – Vamos dormir. Amanhã é quinta-feira. Quinta é sempre um dia pesado na redação.
POV BELLA
Acho que Edward não percebeu nada. A presença do James foi minha salvação. E pensando bem, até que ele é interessante. Depois desse fim de semana, sumo por uns bons tempos.
- Bom dia, Jake e Alice.
- Bom dia pra mim também, né, Bella.
- Jasper! Quanto tempo. Já sabe que serei madrinha da Alice, né? Não vejo a hora desse acontecimento chegar.
- Ai, Bells todos estamos ansiosos. Tomara que dê tudo certo. Você parece meio perturbada, tudo bem?
- Nada não Jasper, a Bella que achou um velho amor do colégio de vocês. – Olhei pra Alice e ela estava com aquele sorriso culpado/pidão no rosto.
- Velho amor do Colégio? Edward Cullen?
- É ele mesmo.
- Soube que ele se casou com alguém do colégio, mas não sei com quem. Esse é o problema?
- É. Ele se casou com a Rosalie.
- Aquela garota sempre era motivo de confusão. Nunca valeu nada. Meu irmão que o diga.
- Ai, falando em Emmett, quando ele volta, Jasper? Não vejo a hora de matar a saudade. Só ele pra me fazer esquecer essa loucura de Edward Cullen.
- Emmett não tem data pra voltar. O exército é sua vida agora. Mas ele sempre pergunta de você.
- Ele me faz falta. Ele era a alegria dos meus dias... e Jacob, larga esse celular e vamos trabalhar.
O dia foi ótimo. Depois do trabalho fomos para casa da Alice. Jacob era uma ótima companhia. E nós gostávamos exatamente das mesmas coisas, em todos os sentidos, se fosse possível entender.
A sexta-feira chegou e com ela a tensão de ver Edward novamente. Organizei minhas coisas e fui para o ponto de encontro que seria a garagem do nosso prédio.
- Boa tarde Bella.
- Boa tarde, Rose. Oi Edward.
- Oi Bella. Deixa eu colocar sua mala no carro.
- Bella vai com James. No carro dele.
- Porque dois carros?
- Ideia do James, amor.
- Acredito que por segurança. Se acontecer alguma coisa com um dos carros...
- Eu sei por quê. Pra dar uma de cretino durante a viagem. E ainda por cima esta atrasado, o idiota...
- Hey, “cretino, idiota” porque isso tudo?
- Não suporto o papel que estamos fazendo. Como se morrêssemos de vontade de vê-los juntos.
- Tá bom. Deixa comigo, tive uma ideia.
- Que ideia, Rosalie?
- Podemos trocar os casais. Você vai com a Bella, e eu com o James.
- Suas ideias absurdas. Não vão aceitar.
- Imagina, James nunca recusou uma proposta minha. E ela, mesmo que não concorde, não vai dizer nada.
James chegou. Edward o olhava com desprezo enquanto descia do carro.
- James, enfim. Estava conversando com Edward, que tal se trocássemos os casais. Bella vai com ele, e eu com você.
- Ótima ideia. Tudo bem pra você, Bella?
- Ah por mim, sem problema.
- Então vamos, Bella? – Edward me deu um sorriso torto animador. Mas era assustador passar horas no mesmo carro que ele.
Tenho que falar pouco. Senão, ele vai perceber que estou tagarela. E dessa vez não tenho a desculpa do medo. Que ideia essa da Rose, me fazer viajar com ele.
- Posso ligar o radio?
- Sim, magnífica ideia.
- Magnífica? É sempre tão “enfática” em suas opiniões assim?
- Às vezes. Mas não com todo mundo, por sorte.
- Com quem então?? – Em que merda de conversa eu fui me meter. O que eu falo?
- Sei lá.
Não deu nem tempo de me recuperar do ‘enfática’ quando o locutor anuncia a próxima música.
- Lembra dessa musica? Era a nossa musica.
- Essa mesmo. – Hate That I Love You, Rihanna ft. Ne-yo. Era a música que falava tudo sobre nós. Sobre o que éramos anos atrás. E sempre estava tocando quando estávamos juntos.
- Tocava quando fomos àquela noite na montanha. Toda escola estava lá.
- Sim, poucos dias antes da Rosalie chegar. Depois que ela chegou...
- Não estivemos mais juntos, só nós dois. No entanto...
- No entanto o que?
- Nada. Mas às vezes penso que seria tão bom se Rose tivesse a sua doçura.
- Nossa, presta atenção, Edward.
- Que foi?
- Desculpa, pensei ter visto um animal e me assustei. A casa do James ainda esta longe? Me fale sobre lá. É um lugar bonito?
Não podia deixar essa conversa tomar o rumo que estava tomando. Não era mesmo minha intenção.
Em pouco tempo chegamos na tal casa, James e Rose já estavam nos esperando.
- Enfim chegaram. Vem Bella, deixa eu te mostrar a vista pro mar.
- Nossa, que lindo.
- O que acha?
- Realmente é um encanto.
- É maravilhoso como, a cada estação, o mar fica diferente. Mas sempre magnífico. Vou abrir a casa, fique a vontade Bella.
Ouvi a fundo Edward e Rose conversando.
- Que observações inteligentes as do seu amigo. Você ouviu aquilo sobre o mar?
- Está aqui para estragar o fim de semana, Edward?
- Não. Estou aqui para carregar as malas.
- Leve-as pra dentro e vamos dar uma volta. Ainda está claro.
- Quer deixar os pombinhos sozinhos?
- Deixa de ser tão inconveniente, por favor.
- Pouco me importa também. Vamos dar uma volta.
Então Edward estava de mau humor. Não entendi, mas pelo que percebi ele não se dava muito com James. Mas que se dane.
- Ainda ai, Bella? Parece que estamos sozinhos.
- Sim, o mar é tão lindo. Você disse que no verão é ótimo, né?
- Sim, mas talvez seja melhor entrarmos agora. Rose deve estar chegando.
- Você é estranho...
- Estranho? Por quê?
- Sim, é como se tivesse medo de ficar sozinho comigo. To enganada?
- Medo de ficar sozinho com você? Tá brincando, né?
Resolvi deixar o assunto morrer ali. Mas ele realmente me parecia muito estranho. Alguns minutos depois que entramos Rose e Edward chegaram. Então fomos organizar o jantar.
- Guardei essa garrafa para uma ocasião especial. Essa me parece uma ótima noite para abri-la. – James não tirou os olhos de mim enquanto falava com a tal garrafa nas mãos.
- Cuidado com essa rolha – Parece que Edward teve o mesmo pensamento que eu.
- Ao nosso encontro, Bella.
- Sim, mas cuidado com Edward. Ele esta com uma cara horrível. Tenho certeza que um banho de champanhe não melhoraria seu humor.
- Realmente Bella, seria um inferno. – disse Rose e ao que parece só pioramos o humor dele.
- Eu deveria rir?
Ninguém se deu ao trabalho de respondê-lo. Brindamos, jantamos e fomos para nossos quartos.
POV EDWARD
- Não querendo te encher Edward, mas não gostei do seu jeito essa noite.
- Já que estamos falando sobre isso, saiba que não gostei de nenhum dos três. Você, Bella, e aquele “artista”.
- James é realmente um artista Edward. Um dos melhores pianistas vivos e...
- Sim, sim, com certeza.
- Você ta com ciúmes? É inacreditável, mas não há outra explicação.
- Ciúmes de quem?
- Do James. De quem estávamos falando? Por quê? Há mais alguém de quem deveria ter ciúmes?
- Não é ciúmes. Apenas acho que ele é muito pouco para a Bella.
- Mas você não a quis...
- Isso é uma outra coisa. Pra mim não existe ninguém além de você. Mas Bella é uma das mulheres mais bonitas e interessantes que já conheci.
- Bem, eu não queria ter que dizer, mas devo ser sincera. James é o homem mais fascinante que já vi.
- Eu me limito a colocá-la entre as melhores e você diz logo de cara que ele é o melhor de todos? Vejo que ao invés de me preocupar com Bella, devo manter os olhos em minha mulher.
- Nunca começo o ataque. Você sabe. Mas minhas reações são sempre desproporcionais.
- Boa noite, Rose.
O dia amanheceu e graças a Deus passou rápido. Bella e James passaram quase que toda a tarde fora.
Aquilo já estava me incomodando. Poderia ter acontecido alguma coisa.
- Enfim chegaram. Quando se viaja junto, a ideia é ficar junto. Não fazer passeios separados.
- Ah Edward, relaxa. Prometi a Bella que se o mar e o vento estiverem bons, eu a levarei a ilha no meu barco.
- Não gosto daquele tipo de barco.
- Fique quieto, Edward. O que você tem? Nada está bom pra você.
- Não enche, Rosalie.
- James, por favor, desculpe-o. É o cansaço, ele teve uma semana muito conturbada.
- Porque esta se desculpando? Ele tem o direito de dizer o que quer e eu não?
- Porque não mudamos de assunto? Sabem quais serão as tendências de moda na próxima estação? – Não podia acreditar que Bella estava falando de moda a aquela altura.
- Não. E não me interessa nem um pouco. Não se desculpe por mim, Rosalie. Sei fazer isso sozinho. Agora ficarão livres de mim. Vou dormir.
***
- Bom dia, amor. O passeio daqueles dois foi por água abaixo, né.
- É, seria perigoso, com esse tempo ruim. Ontem à noite, quando veio dormir, não falou nada pelo que fiz.
- Pensei que estivesse dormindo.
- Não, não estava. Mas pensei que, hoje de manha eu não escaparia...
- Assunto encerrado, Edward.
- Jura? Deve ter acontecido alguma coisa.
- Que espécie de coisa?
- Ah, acho que já entendi – Bella e James estavam andando a beira mar, de mãos dadas. Seria lindo se não fosse tão trágico. – O episodio foi superado. Esta tão feliz vendo que os dois se amam, conforme sua previsão, que não se preocupa com mais nada.
- Acho que é um pouco cedo para dizer que se amam. Estão apenas de mãos dadas.
- Olhe bem pra eles, Rose. Os dois foram feitos um para o outro. Eu é que estava enganado. Ele esta de quatro por ela.
- E ela esta no caminho certo para se apaixonar por ele.
Um beijo. É claro que eles iam se beijar, Edward. Acorda, ela não é uma menina indefesa. Acorda, Edward Cullen.
Por que eu repetia isso pra mim tantas e tantas vezes?
- Rosalie, o que a gente tá fazendo aqui? Esperando que eles se beijem de novo?
- Não. Bella, James... Estamos aqui, atrapalhamos?
- Estávamos mesmo pensando onde vocês tinham se metido.
- Verdade? — Rose estava estranha. Acho que um pouco do meu mau humor passou pra ela.
- Hoje vou levar Bella pra conhecer o castelo que tem aqui perto.
- Não. – Rose realmente estava estranha. – Não acho que valera a pena.
- O que foi, Rosalie?
- Nada, apenas conheço os gostos da Bella. Tenho certeza de que não gostará do castelo.
- Então podemos fazer outro programa.
- Ai que coisa, você e seus programas, James. Tem que planejar tudo que faz agora?
- Tudo bem. Sem programas então.
- Rose esta certa. Façam o que vocês quiserem, sem nós.
- Vamos entrar então, pessoal? – Bella, enfim, tinha falado alguma coisa essa manhã.
POV BELLA
- Deixa que eu faço o almoço, Rose.
- E eu faço o que?
- Descanse. Esta com uma cara tensa. Tenta relaxar um pouco.
- Não estou cansada. Estou... preocupada. Por favor, Bella, me escuta. – Rose parecia com medo. – Tenho que te dizer uma coisa grave. Provavelmente você vai pensar que sou louca. Mas não aguento mais. Eu planejei tudo, mas as coisas não estão saindo como eu esperava.
- Que coisas, Rose?
- Você e James... Eu tinha previsto, fui eu quem quis que... Ai caralho. Resumindo, eu e James estamos juntos. Quando te encontrei, pensei que ele podia se mostrar apaixonado por você e assim... nós quatro poderíamos estar sempre juntos. Seria um modo de estar sempre perto dele sem despertar desconfianças, e sem que Edward suspeitasse de alguma coisa. Mas, no entanto, estou com ciúme de vocês. É um sofrimento insuportável vê-los juntos, se beijando.
Eu não podia acreditar no que estava ouvindo. Enquanto Rosalie falava, apenas uma coisa martelava na minha cabeça.
- Você... Você trai o Edward. Você prefere James a um marido como Edward!
- Não sabe dizer outra coisa?
- Que mais eu poderia dizer?
- Não sei... Talvez tentar me entender ou se revoltar porque, de certa forma, nós usamos você.
- O que você fez comigo nem se compara ao que esta fazendo com Edward.
- Bom, agora você sabe de tudo. E você tem que me ajudar, em nome da nossa amizade.
- Que amizade, Rosalie? Nós apenas estudamos juntas. Anos atrás.
- Mas fui sempre sua amiga quando precisou de mim.
- E o que você quer agora?
- Simples. Continue com o teatro, assim como James.
- Nunca!
Em momento algum na minha vida pensei passar por essa situação. Era a coisa mais ridícula. Rosalie e James amantes. Era absurdo. Como ninguém nunca percebeu nada.
Agora eu só precisava sair desse pesadelo o mais rápido possível.
- Bella, você vai nos ajudar, né?
- Me pergunto como Rosalie pode me propor uma coisa dessas...
- Sabe, me senti ótimo com os ciúmes dela.
- Vocês são ridículos, só pensam em vocês dois.
- Não é assim tão terrível. É cansativo para pessoas que se amam tanto quanto nós, ficar pensando nos outros.
- Sim, os outros existem apenas para serem enganados. Ou beijados em certos casos, como você fez comigo.
- Naquele instante fui... quase sincero. Você é atraente, Bella. E não é verdade que os outros não existem pra mim. Pense em Edward, se ele soubesse...
- Morreria. Rosalie me disse.
- Bella, vem aqui, preciso falar com você.
- O que quer, Rosalie?
- Edward. Ele viu você e James discutindo, queria saber o que era.
- Não vou suportar mentir pra ele. É monstruoso demais.
- Então você assume as conseqüências. Se ele fizer uma besteira, se ele se matar por que o deixei, será sua culpa. Você sabe o quanto ele me ama. Ninguém melhor que você pra saber disso. Mas se quiser, estou pronta pra dizer tudo a ele.
- Pronta pra dizer tudo a quem? – Edward entrou na sala e Rosalie ficou pálida, eu devo ter ficado do mesmo jeito – Do que estão falando, Rosalie? – Nenhuma de nós respondeu – E então? Fiquei curioso. Quem vai me contar? – Edward se jogou na poltrona a nossa frente, colocou os pés sobre o puff e ficou nos olhando, esperando uma resposta.
- Eu falo, Bella.
- Não. Acho melhor eu mesma contar.
- E então?
- Disse a Rosalie que realmente me interessei por James, mas que na frente dele não consigo demonstrar. – Eu nem sequer olhei pra Edward, ele saberia que estava mentindo.
- Se é esse o problema, não se preocupe. Eu os vi enquanto se beijavam. Nem mesmo um idiota como James poderia duvidar dos seus sentimentos. Vou dormir. Amanhã cedo voltamos pra casa.
À noite quase não dormi pensando em toda aquela loucura. Agora mais do que nunca precisava sumir assim que chegássemos a New York.
- Oi Bella, está pronta?
- Oi Edward, estou. Vou com você de novo?
- Não. Vai com James. Rosalie foi ajudá-lo a fechar toda a casa e eu vim cuidar das malas.
- Fechar a casa, entendi...
- Tudo bem? Você parece meio aérea.
- Tudo certo, Edward.
- Terminamos. Vamos Bella? – Não sei de quem estava com mais nojo, se de Rosalie, ou James — Rosalie me contou sobre ontem à noite. Muito obrigado.
- Posso te pedir um favor?
- Tudo o que quiser. Eu faria isso antes, ainda mais agora que estamos no mesmo barco.
- Que barco? Bem, Quero que você não fale mais comigo, a não ser que seja absolutamente necessário. E depois que chegarmos à cidade não quero vê-lo nunca mais.
- Quer dizer que não podemos contar com você?
- Exatamente. Arrumarei um jeito de sumir da vida de vocês.
- Certo. Eu falo pra Rosalie.
- Ela me conhece. Já deve estar esperando por isso.
Pedi pra James me deixar em frente ao Estúdio.
Resolvi passar uns dias na casa do Jacob. Alice e Jasper acharam que seria a hora de partir pra guerra e reconquistar Edward. Mas achei que não seria o certo no momento. Ele ama Rosalie. Preferi seguir minha vida do modo como era antes. Recebi uma ligação do Emmett, em alguns dias ele retornaria à cidade para passar um tempo, quem sabe não nos acertamos.
- Bella? Visita pra você.
- Rosalie? O que faz aqui?
- Já se passaram vinte dias desde o nosso passeio e você não deu nenhum sinal de vida.
- Estava viajando a trabalho.
- As coisas estão piores que nunca, Bella.
- Não me interessa.
- Edward não quer mais ver James. Disse que só o suportaria por você. Então por favor, só mais uma noite. Me dê uma chance de recolocar James na minha casa. Ou terei que deixar Edward.
- Então ele se mata e a culpa é minha. Já conheço a música.
- Posso combinar pra amanhã? Jantamos lá em casa.
- Não, sinto muito, não posso. Alias, não sinto nem um pouco. E vão todos pro inferno, você, James e... Edward também.
- Tudo bem, Isabella. Você é uma egoísta mesmo. Eu posso estar errada sim, mas por amor. Você, não.
- arrg! Esta bem. Eu vou, mas será a última vez.
- Ate amanhã à noite. E muito obrigada.
Já que Edward iria me ver pela última vez, que me visse linda. Escolhi um vestido preto de renda, com foro nude e scarpim preto. E resolvi fazer uma trança podrinha de lado. E pela última vez, entrei naquele elevador pra subir dois andares acima do meu.
- Bella. Você está linda.
- Oi, cadê Rosalie?
- Saiu com James depois do almoço e ainda não voltaram. Por você.
- Por mim?
- Sim. Faça de conta que não sabe, mas James te dará um anel esta noite.
- Um anel?
- Sim, ele não estava encontrando nenhum adequado e então pediu ajuda a Rosalie.
Silêncio.
- Não diz nada?
- Por quê? O que eu deveria dizer?
- Tem certeza de que gosta dele? – Edward e suas perguntas. – Por que não responde? Me diz que gosta dele e eu fico mais tranquilo.
- Como assim?
- Como amigo, tenho que te salvar de fazer uma besteira.
- Não virei chorar no seu ombro se as coisas não derem certo. – Edward me segurou com força pelos dois braços me colocando totalmente de frente a seu corpo. Perto demais. Eu podia sentir sua respiração no meu rosto.
- Certo. Isso não tem nada haver com amizade. Quero saber, por que não entendo, como uma mulher pode se apaixonar por alguém como aquele imbecil. Isabella, você me amou... O que você vê nele? O que James tem pra agradar uma mulher? Responde, droga!
- Pergunte pra tua mulher! – Berrei. E com isso, voltou o silêncio
- Então é isso... e eu não havia entendido.
- O que está pensando? Não suspeite de nada. Eu não sei de coisa alguma. Posso jurar.
- Quieta. Cala a boca! Agora está tudo explicado. A tal paixão por arte, os convites para jantar... E você... Você também foi só uma desculpa pra ela ficar perto dele. Como eu sou idiota. Mas eu tinha certeza de que ela me amava, que estava feliz comigo. Por que se interessar por outro?
- Edward... – Ele passou a mão pelo meu rosto e parou no meu queixo.
- Vai embora, Bella. Quero estar sozinho quando ela voltar. Por favor.
Nunca vi Edward naquele estado. Ele não podia cometer uma besteira. O que será que ele iria fazer agora? Perdoar, matar, morrer. Só Deus sabe. Fui pra minha casa. Algumas horas depois meu interfone tocou, era Rosalie, atendi e a deixei falando.
- Estou indo embora, Bella. Se era isso que queria, conseguiu. Agora ele está sozinho, é todo seu. Corra pra consolá-lo. Devia te agradecer por ter resolvido esse problema por mim. Sabe de uma coisa. Nunca gostei de você.
- Acho que nem ela de você Rose, vamos embora. – Ouvi James chamando-a.
Os dois partiram, e espero que pra sempre. Pensei em ir falar com Edward, mas preferi deixá-lo sozinho essa noite. Seria bom pra colocar as ideias em ordem.
Na manhã seguinte fui trabalhar normalmente, contei o ocorrido pra Alice e Jacob, que me aconselharam a deixá-lo só por uns dias, mas eu não aguentaria.
Sai mais cedo do estúdio. E fui direto pro prédio. Direto pro apartamento de Edward.
- Não queria abrir. Tinha medo de que fosse você.
- Eu precisava me explicar, me justificar. Posso entrar?
- Entra. Só abri porque, por um instante, esperei que fosse Rosalie.
- Você a colocou pra fora de casa, lembra? Já está arrependido do que fez?
- Rosalie, minha Rosalie, me traia com James.
- Rosalie disse que eu contei a você por ciúmes, para separá-lo dela.
- Ela disse isso?
- Sim, mas não é verdade, eu...
- Não precisa dizer nada. Eu sei que você disse aquilo sem querer. Você seria incapaz de fazer de propósito, você, com seus sentimentos fortes, inteiros.
- Edward, aquele dia no carro... você disse que gostaria que Rosalie fosse tão doce como eu.
- Sim. Faltava a Rosalie a sua doçura para ser perfeita. Mas você tem ideia de quanto falta pra você se tornar uma mulher excepcional como Rosalie?
- Sempre soube que não tinha o fascínio prepotente dela, mas isso não o autoriza a me considerar uma subespécie de mulher.
- Nunca fui muito gentil. Você não espera que eu o seja justamente agora.
- Eu nunca te entendi. É melhor ficar sozinho mesmo. Vou embora.
Edward ainda era o mesmo grosso. Mas eu gostava até disso nele. Tanto quanto quando éramos adolescentes. Não contaria pra ninguém que estive com ele hoje. Amanhã a noite eu voltaria.
O dia se foi, normalmente, sem grandes novidades. Esperava que Edward abrisse a porta pra mim hoje.
- Você de novo. Entre.
- Eu... trouxe alguma coisa pra você comer. Nossa, Edward, não faz outra coisa senão fumar e... beber? Logo você que nunca bebe. Não colocou os pés pra fora de casa...
- Não tem nada melhor pra fazer que enumerar meus problemas?
- Quer que eu avise na empresa que você não está bem? Ou você já fez isso?
- Acha mesmo que tenho vontade de pensar em trabalho, na situação em que estou? Do que você é feita? O que tem no lugar do coração? Eu perdi a mulher que eu amava. Tô destruído, desesperado. Querendo morrer.
Mas porque estou dizendo isso a você? Você não pode me entender. Você não sabe o que significa amar como eu amei... e ainda amo, apesar de tudo.
- Edward, por favor, para. – Ele estava com o rosto entre as mãos, eu me aproximei e toquei delicadamente seu cabelo. Há quantos anos não fazia isso.
- Não preciso do seu carinho nem da sua piedade.
- Não é piedade. Mas se não precisa do meu carinho, deixa pelo menos eu organizar o apartamento e cuidar da sua comida até que você esteja melhor.
- Se isso ajuda a diminuir sua culpa, as chaves estão ali na mesa. Entre e saia quando quiser. De preferência quando eu não estiver.
Quase dois meses depois de toda aquela bagunça sobre Rosalie, Edward se acostumou a me ver na casa dele. Não que tenha se tornado gentil, mas não havia mais hostilidade em seu olhar.
Nós conversávamos bastante, ele me deu carona até o estúdio alguns dias, em outros eu o levei até a empresa dele. Aparentemente estava tudo indo bem então resolvi colocar mesa pra dois. Não fazia ideia de como ele iria reagir.
- Bella?
- Aqui na cozinha, Edward.
- Oi.
- Oi, pensei em comer com você, hoje. Se não se importar.
- Eu sabia. Tava tudo indo bem demais. Isso estava demorando.
- Isso o quê?
- Mesa posta pra dois, com flores no centro. Como... se fossemos dois apaixonados. Estava começando a pensar que tivesse entendido o inferno que tenho dentro de mim, que minha vida esta destruída. Você ajudou a destruir.
- São só dois pratos e quatro talheres. Pensei que já era hora de você parar de chorar. Que o meu castigo já tivesse durado muito. E eu tô passando por isso mesmo porque? Ah, porque sua mulher o encheu de chifres, e eu, sem querer, deixo escapar alguma coisa, e enquanto você finalmente abre os olhos... quem paga por isso? Eu. Pra sempre.
- E eu, acha que não sofro?
- Não sei. E não quero mais saber. Chega. Estou cheia. Cheia de te compreender, de tentar ajudá-lo.
- Acha que não tenho o direito de sofrer por Rosalie?
- De jeito nenhum. Aliás, vou te dar um conselho. Corra atrás dela, diga que a perdoa, implore a que volte.
- Perdoá-la? Como se fosse fácil... Com tudo o que eu sei...
- Ai, para. Você não é o primeiro nem será o último homem traído. Se a ama, pode perdoá-la.
- Não. Não poderia fazer isso.
- Então fique sozinho com sua dor interminável. Cansei de enxugar suas lágrimas. Essa é a última vez que me vê.
Agora sim, eu iria embora pra nunca mais voltar. Vou passar mais alguns dias na casa de Jacob até conversar com Emmett e resolver o que faremos de nossas vidas.
Peguei tudo que precisava, posso passar uns bons dias sem precisar vir aqui.
Mas não esperava pelo o que vi na minha porta.
- Rosalie? O que faz aqui?
- Me parece um ótimo momento pra você. Estou totalmente por baixo. Pela primeira vez em toda minha vida.
- Vá falar com Edward. Ele ficará feliz em te ver.
- Fala sério? Se soubesse como hesitei antes de voltar...
- Não diga isso a mim, vá ate ele.
Então era mesmo esse meu destino. Edward continuaria com Rosalie. E nunca mais cruzaríamos a vida um do outro. Esse sentimento besta dentro de mim iria embora com o tempo, como antes. Talvez nem fosse realmente amor, poderia ser carência. Emmett iria acabar com isso numa noite.
POV EDWARD
Bella, Bella, Bella. Não posso deixá-la ir assim, com raiva de mim. Vou ver se ela ainda esta em casa, se não vou até seu estúdio.
- Rosalie? O que faz aqui?
- Vim para pedir perdão. É pedir demais?
- Até alguns minutos atrás tinha certeza que não. Mas, agora... Acho que posso perdoá-la.
- Você é o melhor homem do mundo. Demorei um pouco pra descobrir, mas agora sei, e não me esquecerei.
- E James?
- Ele é um falso, superficial. Tudo o que me atraia nele, de repente, me pareceu insuportável.
- Imaginei.
- Não vamos falar mais nele. Se você puder mesmo me perdoar e não me odiar por tudo que lhe fiz, nossa vida será nova daqui pra frente.
- Não tenho ódio de você Rose.
- Sonhei em ouvir isso. Me desculpa se enquanto vinha pra cá tive medo de que não me perdoasse, se duvidei do seu amor.
- Ei... Espera. Você está enganada. Eu disse que te perdoo. Não disse que te amo.
- É a mesma coisa.
- Não, não é. Aliás, só pude perdoá-la, porque não a amo mais.
- Está dizendo que me perdoa porque não se importa mais comigo?
- Sim, é isso.
- E a que se deve essa mudança? Bella? Não, não deve ser, ela estava saindo com malas quando cheguei ao apartamento dela.
- Ela deu uns gritos comigo. Eles me acordaram.
- Esses gritos te fizeram compreender que... que ainda a ama?
- Talvez, mas isso não é da sua conta. Entre você e eu... os advogados cuidarão de tudo. Vou te pedir apenas uma coisa. Quando voltar do apartamento da Bella, não quero te encontrar aqui.
- Talvez eu consiga chegar ao aeroporto antes que o avião do James decole. Poderia dizer a ele que...
- Chame um táxi. Terá tempo suficiente para inventar uma desculpa. Você tem prática.
Cheguei ao apartamento de Bella, mas ninguém atendeu o interfone. Voltei pro elevador e interfonei para a portaria. Pra minha sorte, Bella ainda estava na garagem.
- Quer uma ajuda com a mala?
- Posso fazer isso sozinha – O melhor em Bella é que mesmo com raiva ainda continuava doce.
- Pretende ir pra muito longe?
- Pro inferno, talvez.
- E se eu te propusesse voltar pro meu andar?
- E Rosalie?
- Eu estava pra correr atrás de você quando ela chegou, mas não mudei de ideia.
- Pensei que a perdoaria.
- Depois te explico tudo com calma. Então. O que decidiu? Sobe comigo?
- Tenho vontade de dizer que não.
- Não faça isso. Dessa vez posso enlouquecer se ficar sozinho.
- Me deixa, Edward – Eu conhecia aquele olhar baixo, carente. E conhecia muito bem, há muitos anos.
Enlacei meus dedos em seu cabelo e a puxei pra mim. Ela colocou a cabeça pra trás, mas não resistiu. Matamos a saudades dos lábios um do outro. Depois de tanto tempo, seu beijo ainda era exatamente igual, doce porem quente o suficiente pra me enlouquecer.
- Agora sei por que fiquei tanto tempo desconsolado pela outra. Era pra ter você por perto.
- Não seria mais fácil se dissesse que me ama?
- Sim, mas somos complicados. E depois, você perderia o gosto da conquista. No que está pensando?
- Que eu poderia matá-lo por outra frase dessas.
Subimos pro apartamento de Bella, precisávamos conversar antes de qualquer outra coisa. Eu não sabia muito sobre sua vida atual. Mas foi bom saber que ela continuava amiga de Jasper e que ele estava noivo de Alice.
Jasper sempre foi um ótimo amigo, a distância e o tempo nos separou, mas pelo visto tudo voltaria a ser como antes.
Emmett teria que entender nossa situação. Na verdade, acho que seria fácil, ele sempre gostou dessa historia de exército mesmo.
Seria a junção perfeita Bella trabalhando com Moda e eu com Publicidade.
Depois de tantos anos que gastei com alguém que nunca me amou, que só serviu de capricho, eu saberia como é um verdadeiro amor. E ainda viriam nossos filhotes.
Que cada um encontre, ou reencontre seu verdadeiro amor e que sejamos todos felizes. É disso que o mundo precisa.
- Edward, tem uma coisa que eu nunca entendi...
- O que foi?
- Nós... Porque acabou? Eu nunca entendi. Eu sei que teve Rosalie, mas mesmo antes dela você se afastou de mim. E não sei, parecia tudo tão certo entre a gente.
- Eu sabia que iria perguntar sobre isso algum dia. Bem, eu não acreditava em amor, e todas essas coisas coloridas entre duas pessoas. Mas eu gostava de você, só que achava que aquilo não duraria até um casamento. Entende?
- Mas você me deixou por isso? Não tem lógica, dias depois você estava desfilando com Rosalie pelo colégio.
- Riley Biers. Lembra dele, né?
- Lembro, ele era capitão do time. Estudava com a gente.
- Vocês ficaram na noite em que nossa turma foi pra montanha.
- Não. Eu nunca tive nada com Riley. De onde você tirou isso?
- Eu vi. Por isso me afastei de você. Nós estávamos bem, mas vi vocês conversando e depois vi quando ele te beijou.
- Ele veio dizer que gostava de mim e tudo mais, e eu disse que não. Que eu gostava de você, e ele me beijou, mas eu não tive nada com Riley.
- Bella, naquela noite, ele veio me pedir pra te deixar, porque ele gostava muito de você e que você só não estava com ele por minha causa. E como sempre fui muito amigo dele, resolvi me afastar. Acreditei que nossa amizade iria durar mais que meu namoro com você.
- Então, você me deixou, ficou com Rosalie, acreditou amá-la todos esses anos... por uma mentira do Riley, um cara com quem eu mal conversava no colégio? – Indignei.
- É acho que foi isso. Me desculpa.
- Se você não fosse você, teria falado comigo antes de mudar nossas vidas por tantos anos. Mas quer saber, se você não fosse tão você, eu não te amaria tanto. Por tanto tempo.
- Acho que eu estava errado em achar que não ficaria com você pra sempre.
- É, também acho. Vou ligar pra Alice, ver se consigo juntar todo mundo hoje lá no estúdio.
- Precisa ser hoje? A gente pode esperar...
- Não. Já perdemos muito tempo.
- Isso é verdade.
Isabella. Era possível se apaixonar por essa mulher todo dia, cada dia de uma forma diferente. A melhor, sempre e sempre.
- Edward? Vou me arrumar, vá fazer o mesmo. Quero que conheça o estúdio por dentro, com meus amigos. Você vai adorar. Seremos uma turma indestrutível.
- Você é maravilhosa. Eu vivi todos esses anos sozinhos. Sem amigos. Sem vida. E agora vou ter uma vida normal.
- Você apenas sobreviveu. Agora será bem melhor que isso. Nós vamos viver um dia de cada vez.
- Eu te amo, Isabella Swan, acho que no fundo da alma, sempre amei.
- Eu também, Srº indeciso. Eu sempre te amei Edward. Meu Cullen.
FIM
Notas finais
Então, o que acharam? Posso terminar minhas outras fanfics? Ou é melhor ir lavar louça? Rsrsrs.
Espero que tenham gostado. E que deixem review contando o que vocês acharam.
Aproveito para agradecer mais uma vez a Tod, por betar, revisar e tudo mais. Obrigada pela sinopse PERFEITA. Até a N/B dela é maravilhosa.
Com certeza será minha beta forever! Se ela me agüentar é claro ~
BjO seus lindos!
@MahPinheir0.
N/B: Olá, gente linda!
Para quem não me conhece, sou beta de duas ficwriters muito queridas: Larissa Motoko e Carol Venâncio, e muitas vezes prestei serviço comunitário (rsrs) como beta pra um monte de ficwriter desse fandom de Deus!
Quando a Maria Alice comentou comigo sobre essa vontade de escrever e, logo depois, a danada já tinha sua primeira O/S pronta, foi com um imenso prazer que aceitei betar. E para uma primeira tentativa, a garota é cheia de talento.
Confesso que no começo achei que Edward e Bella iam reatar logo de cara, ia rolar adultério na cara da amiga Rosalie MESMO. Porém, com o passar da história, a gente percebe alguma coisa muito errada, e a autora passa a perna na gente assim, na cara dura. Falando em cara, a Rosalie dessa história não tem o mínimo de vergonha e pudor na dela, hein. Adorei, adorei.
Espero que gostem de Hate that I Love you, pois ela é bem isso mesmo: uma relação de amar e se odiar e odiar o fato do quanto se é possível amar alguém. Ninguém disse que o amor é fácil mesmo, e, acima de tudo, é incrível poder conhecer uma outra faceta do Edward Cullen sem ser o vampiro apaixonado e devoto que nós conhecemos.
Obrigada a Maria Alice por compartilhar sua obra comigo e desejo muitas futuras One Shots por ai. Tô sempre à disposição.
Beijos,
Tod.
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