Hate Everything About You

19 Amor e Morte - Parte II - Confronto


Notas iniciais
As pessoas podem ser confrontadas por seus medos... por alguém que elas temem, por um sentimento que elas são relutantes em admitir, enfim... por diversas razões... confrontos podem ser destrutivos, e até mesmo letais... e ai as pessoas se vêem confrontadas pela pergunta - até onde estariam elas dispostas a ir para proteger alguém?

Vocabulário:
1- Amada: Bobo/Tolo
2- LLe ar' Erdan ier ikotane amada: Você e Erdan são tão tolos.

~*~

Faeremma hesitou quanto ao que estava fazendo — ainda não havia aprendido por completo a lidar com aquela nova realidade... mas ainda assim, estava extremamente tensa — tensa com as perguntas de Nádia sobre seu irmão, com as cobranças da humana para que algo fosse feito quando não havia nada que se pudesse fazer; tensa com a certeza de estar sendo seguida por Aunbryn; tensa com fato de que o dono da pousada na qual se hospedava sempre agia como se ela fosse matá-lo a qualquer instante, apenas por ela ser uma drow... e mais tensa ainda com os olhares de desconfiança das pessoas na rua — os compreendia, era fato, mas aquilo não os tornava menos irritantes.

Suspirou, sentando-se no balcão da taberna. Pôde ver uma quantidade considerável de pares de olhos masculinos seguindo seus movimentos, mas isso apenas a fez levar uma das mãos à testa.

"Humanos..." Pensou, em reprovação.

– Vai querer alguma coisa, senhorita? – Perguntou o bartender.

– Um copo de hidromel. – Disse, sem prestar maiores satisfações. Podia ouvir o burburinho atrás de si estava começando a considerar tudo aquilo uma péssima ideia. Talvez devesse voltar para seu quarto, antes que acabasse de fato matando alguém.

~*~

O silêncio fazia com que o restaurante parecesse bem mais longe do que de fato era — havia uma enorme barreira entre Quarfein e Amaess, e nenhum dos jovens ousava tentar transpô-la. Não até terem se sentado em uma mesa, e a troca de palavras ter se tornado inevitável.

– Então, pode escolher... – Disse o drow, sentindo uma certa ansiedade percorrer seu corpo sempre que olhava para os olhos azuis do jovem parado a sua frente, sem conseguir não perguntar a si mesmo quando havia se tornado tão inseguro. – As porções mínimas deles são para duas pessoas, então eu vou comer o que você pedir.

Amaess corou, notando que o restaurante era quase exclusivamente ocupado por casais, salvo famílias comemorando algo ou amigos extremamente íntimos — o que o fez questionar-se a respeito do drow estar ou não tramando algo, como na noite em que o embebedara. Quarfein notou, dando um sorriso discreto.

– É, eu sei o quão suspeito parece, mas dizem que a comida daqui é muito boa, e... eu sei que o jantar que eu improvisei ontem-

– Não estava ruim. – Falou Amaess, impulsivamente interrompendo o drow.

– Apenas finja que é um restaurante qualquer. – Disse o rapaz, tentando lidar com aquela situação que lhe era tão estranha e embaraçosa, mas ao mesmo tempo tão adorável e acolhedora.

"Isso é injusto com ele." Pensou Quarfein. "Depois de tudo o que eu fiz, eu ainda insisto... por mais que eu saiba que estou pedindo mais do que eu mereço... eu simplesmente não consigo deixar de querer tê-lo, ainda que... ainda que ele mereça uma pessoa infinitamente melhor que eu."

~*~

Faeremma estava prestes a socar o homem da mesa ao lado, que não parava de encará-la — ainda que ele não fosse tão incomodo quanto o bêbado que julgava saber tocar flauta. A ex-clériga de Lolth afundou a cabeça entre as mãos, contando até dez, pensando se aquele era mesmo o melhor tipo de lugar para aliviar a tensão, quando sentiu uma mão tocando seu ombro.

– Aqui... é realmente bagunçado, não é? – Disse uma voz familiar. A drow se virou, pronta para matar alguém se preciso, quando se deparou com Nádia.

– O que está fazendo aqui? – Perguntou Faeremma, surpresa — jamais conseguiria vislumbrar Nádia entrando em uma taberna, a não ser para trabalhar como faxineira ou garçonete. Tentar imaginar a garota consumindo bebidas alcoólicas então, simplesmente fazia o cérebro da drow travar.

– Eu não consigo entender... por que não devemos interferir? Está sendo difícil para eles! Muito-

– Nem sempre o caminho mais fácil é o melhor, Nádia... – Disse a drow. – E talvez o melhor caminho não seja o menos doloroso. Mas eles vão ficar bem. Claire pode ser apenas uma criança... mas ela sabe o que diz...

– Tem certeza? – Perguntou a humana, hesitando. Faeremma confirmou com um menear de cabeça. — De qualquer forma, Alvi vai ir buscar a irmã de Amaess... eu queria saber se você poderia acompanhá-la...

– Tem certeza de que- A drow se viu interrompida.

– O caminho é um pouco perigoso... e... pelo que você me contou... você seria capaz de proteger elas... não seria? – Pediu, preocupada. Faeremma suspirou.

– Olha, Nádia, eu... eu não sei... eu sei que Aunbryn está aqui, então talvez minha presença piore tudo... – Explicou, analisando a situação da forma mais racional e pragmática possível. –E...

– Por favor... ela vai precisar da ajuda de alguém... – Disse Nádia. A drow suspirou.

– Eu não posso. Não seria prudente. No entanto, eu irei mandar alguém de minha confiança. – Falou a drow, temendo que Aunbryn a seguisse. – Pode ficar calma quanto a isso.

~*~

Uma ilha silenciosa e solene em meio a um oceano romântico e familiar — era isso que a mesa que Quarfein e Amaess dividiam parecia. Ansiedade, dúvida e hesitação assombravam ambos os jovens, e nenhum dos dois se atrevia a dar uma chance ao acaso. Não depois de tudo o que havia acontecido até então.

O drow não deixara de notar a forma como Amaess parecia distante, mas queria acreditar que logo ele estaria bem de novo. Que logo ambos estariam bem. Três dias não poderiam demorar tanto assim para passar.

Os jovens terminaram de comer, depositando os talheres sobre o prato. Silêncio.

– E então... quer fazer algo? – Perguntou Quarfein, finalmente quebrando o silêncio.

– Eu... queria andar um pouco... fora dessa cidade... – Disse o elfo. O outro rapaz ponderou, hesitando.

– Tem certeza? A periferia já é perigosa... o exterior dela... – Amaess interrompeu.

– Por favor... eu não agüento esse lugar... está me sufocando... – Falou. O drow suspirou, concordando.

– Está bem, vamos. – Disse.

~*~

Aunbryn cerrou os pulsos, observando a distância — considerava o que via repulsivo, desprezível. Como seu irmão poderia gostar daquilo? Se ainda fosse apenas sentir uma atração física distorcida e doentia, Aunbryn compreenderia: em sua visão, aquele garoto tinha uma aparência tão frágil que ela sentia a urgência de torturá-lo até ele não conseguir mais gritar. Viu quando os dois saíram do restaurante, incomodada pela forma como seu irmão envolvera a cintura do garoto. Os seguiu, sentindo perturbadora satisfação ao vê-los sair da cidade.

~*~

Quarfein olhava para todos os lados, nervoso. Sabia o quão perigoso aquele lugar era, mas não era por aquilo que temia. Temia uma pessoa da qual não conseguia proteger nem a si mesmo. A neve recobria os galhos das árvores, e o silêncio era quase absoluto.

– Se sente melhor? – Perguntou o drow. Amaess não respondeu, mas não pôde conter o medo quando Quarfein o derrubou, caindo sobre seu corpo. Estava distraído, e não havia ouvido o som da besta de mão sendo disparada, porém ouviu o som de lâminas se chocando. – Não se mova! – Disse Quarfein, se virando de costas para o garoto.

O elfo se sobressaltou ao o ver a luta que se desenvolvia diante de si. Chegou a pegar a primeira coisa que pudesse usar como arma que achou, mas estava além de sua habilidade interferir — as duas pessoas envolvidas haviam sido treinadas para lutar seriamente desde pequenas, diferentemente do garoto, que se esforçava para acompanhar os movimentos com o olhar.

– Foi por isso que você não retornou? – Disse uma voz feminina, enquanto as lâminas se chocavam. – Você deixou tudo para trás e despertou a ira de Lolth contra nossa família por causa de um elfo?!
Quarfein não respondeu — estava em desvantagem, e se manteve concentrado em evitar os ataques da irmã — concentração que se mostrou frutífera quando o rapaz conseguiu atingir a sacerdotisa com um chute no tronco. Porém, Aunbryn se levantou, esquivando-se da adaga de Quarfein e se posicionando atrás de Amaess.

– Solte a adaga. – Disse, pressionando o garoto contra si. Amaess tentou se soltar, mas a drow simplesmente tocou-lhe a testa com a palma da mão, desferindo uma rajada psíquica que fez o garoto estremecer de dor. O elfo tentou gritar, mas não conseguiu emitir nenhum som. – Solte e eu posso pensar sobre não quebrar esse seu brinquedo.

– Ele não é um brinquedo. – Falou Quarfein, soltando a arma. Duvidava que Aunbryn fosse cumprir sua palavra, mas o pensamento de que poderia ter salvo Amaess e não o fez por se negar a uma simples ação o fez deixar a adaga cair sobre a neve.

– Não? – Disse a mulher, enquanto Amaess tentava se recuperar do golpe psíquico que havia recebido — sua consciência quase havia sido tirada.

"Entendo..." Pensou Quarfein "Ela ainda retém os poderes psíquicos porque eles vêm de sua mente, não de Lolth... eu preciso fazer algo, mas o que? Ela sabe... sabe que tem quanto tempo quiser, para fazer o que quiser, enquanto estiver com Amaess, assim como eu tive quando..." O drow cerrou os pulsos, tentando não pensar naquilo.

– Eu já soltei minha adaga, como você exigiu. Deixe ele ir! – Disse. O semblante de Aunbryn assumiu uma expressão mais severa.

– Pensei que você apenas sentisse atração física por ele... vontade de jogá-lo na superfície mais próxima e estuprá-lo até ele não agüentar mais gritar. – Falou a mulher, enquanto Amaess vagamente recobrava os sentidos. Quarfein queria fechar os olhos com força e cobrir os ouvidos para não ouvir, mas não queria arriscar a vida de Amaess — agüentaria aquela tortura psicológica — agüentaria o peso da culpa que suas memórias lhe impunham, ainda que Aunbryn expusesse todas as coisas horríveis que fizera a Faria o que fosse preciso para mantê-lo a salvo. – Isso seria até aceitável. Você poderia ter levado seu bichinho de estimação para casa, nós não iríamos matar ele até você enjoar dos gritos... mas não, você ficou aqui. – Aunbryn voltou o olhar para o elfo, notando que ele parcialmente se recuperava do golpe. – Não por necessidade, mas por uma promessa que fez a ele. Apenas por causa da irmãzinha dele. Me diga, acha que ele ficaria no subterrâneo por minha causa? – Disse a mulher, se preparando para desferir outra rajada psíquica contra Amaess.

– PARE! – Gritou Quarfein, temendo que outro golpe pudesse ceifar a vida do garoto.

– Por que? – Aunbryn voltou a assumir um tom de voz severo. – Você, por acaso, sofreria com a morte dele? Há milhares desses malditos por aí... não faria diferença, a não ser... a não ser que você o amasse. Você o ama, não ama?

– Você já sabe a resposta! – Disse Quarfein, desesperado. – Sabe disso!

– Eu quero ouvir de você Quarfein. Você realmente cometeu essa blasfêmia?

– Você sabe que eu o amo Aunbryn. – Disse o rapaz, temendo profundamente pela vida de Amaess. – Por favor... deixe ele ir... a culpa é minha... a culpa da ira de Lolth ter caído sobre você é só minha, não dele... faça o que quiser comigo, mas deixe Amaess ir...

– O simples respirar dele já é uma afronta, agora isso... eu deveria te transformar em um dríder. Você tem sorte de só terem me restado meus poderes psíquicos.– Disse. Quarfein estremeceu ao ver a lâmina do punhal arranhar a pele do pescoço de Amaess, e agiu por reflexo.

Em um movimento rápido, enquanto Aunbryn se preparava para utilizar o punhal, Quarfein apanhou sua adaga do chão, arremessando-a com precisão no braço da irmã. A drow soltou a arma, e em meio a dor permitiu que o corpo de Amaess caísse no chão.

Aunbryn tentou puxar a adaga, mas a dor era grande. Quarfein se lançou sobre ela, jogando-a no chão e golpeando-a no rosto.

– Você ia matá-lo. – Disse o rapaz, golpeando-a repetidamente. Debilitada pelo ferimento, Aunbryn mal tinha chance de tentar empurrar o irmão — porém ainda havia algo que podia fazer — precisava apenas tocar uma parte do corpo dele que não estivesse recoberta pela roupa, e descarregar sua fúria.

Amaess se sentou, ainda desorientado, e pôde ver quando Aunbryn atingiu Quarfein com uma rajada psíquica de curta duração. O rapaz recuou, e a irmã o atingiu com um chute no rosto. O elfo se esforçou para que sua visão recuperasse o foco: as memórias — e não suas memórias, mas as memórias de Quarfein, que Aunbryn havia projetado em sua mente — se passavam diante dos seus olhos, impedindo-o de ver direito o que acontecia, fazendo-o ver no lugar do confronto que se desenrolava à sua frente uma vida marcada pela violência e pela indução à paranoia. Era doloroso, não apenas pela forma como aquilo fazia sua cabeça doer, mas também pelo quão terríveis aquelas memórias eram.

~*~

Claire estava na rua, observando as outras crianças brincarem, quando uma repentina dor de cabeça a acometeu — uma dor que já sabia do que se tratava, e que não a fez hesitar com relação a se levantar e a correr para a pousada da mãe de Nádia — uma dor que vinha acompanhada de uma visão cuja alteração no destino poderia fazer a diferença entre a vida e a morte de uma ou mais pessoas.

~*~

Quarfein tentou puxar a adaga cravada no braço de Aunbryn, enquanto a irmã do jovem pressionava sua garganta com força. O rapaz chegou a alcançar o cabo, mas Aunbryn ergueu-lhe pelo pescoço, para então empurrá-lo com força contra o chão. O drow sentiu sua cabeça batendo violentamente contra uma pedra, ao passo que a sacerdotisa sentiu a carne de seu braço sendo rasgada. A adaga caiu a uma distância pequena de onde os dois irmãos respiravam fundo para se recuperar da dor — bastava um deles esticar o braço para alcançar a arma.

Amaess ainda se recuperava do golpe psíquico desferido por Aunbryn, quando um grito de dor chegou aos seus ouvidos. A sacerdotisa ergueu a adaga, rindo.

– Quando foi que você se tornou tão fraco? – Zombou, enquanto o sangue de Quarfein escorria para a neve. Algumas lágrimas de dor haviam escapado do olho direito do rapaz — o esquerdo havia sido perfurado pelo punhal, e o sangue agora escorria para as bochechas do jovem. – Que deplorável! Acho que não vai ser tão divertido assim te matar... não... ao invés disso eu vou matar aquele elfo que você tanto ama, e deixar você ouvir os gritos... aí sim matar você!

– Não! – Exclamou Quarfein, cravando seus dedos no corte que havia no braço de Aunbryn. A adaga caiu em meio a neve, mas dessa vez quem o alcançou foi Quarfein. A sacerdotisa de Lolth agarrou o punho do irmão, e então pegou uma arma inesperada — uma flecha envenenada, das que usava em sua besta de mão.

Foi com uma sincronia letal que Quarfein se desvencilhou das mãos da irmã para apunhalá-la na garganta e que Aunbryn aproveitou a brecha para cravar a flecha no tronco do irmão. O corpo sem vida de Aunbryn tombou sobre a neve — o sangue tingindo a superfície de vermelho. Quarfein se esforçou para ficar de pé — sua visão oscilando, e a parte de seu rosto onde ficava seu olho esquerdo doendo de forma insuportável. O drow caminhou até onde o lugar onde Amaess se encontrava, abraçando-o. Notou que o garoto estava trêmulo, e que a respiração do mesmo estava ofegante. Amaess lutava para se manter consciente e para não se desesperar, mas as memórias que se passavam em sua mente eram não apenas extremamente traumáticas, como também lhe davam a sensação de estar acontecendo naquele exato instante.

– Amaess... – Disse o drow, carinhosamente puxando o garoto para si.

"– Você sabe que eu o amo Aunbryn.Por favor... deixe ele ir... a culpa é minha... a culpa da ira de Lolth ter caído de você é só minha, não dele... faça o que quiser comigo, mas deixe Amaess ir..." Apesar daquelas palavras ecoarem de forma confusa e dolorosa na mente de Amaess, as memórias que o garoto agora revia — as memórias de quando o drow o violentara — ecoavam de forma muito mais dolorosa, muito mais influente, e ainda por cima, de forma inevitavelmente aterrorizante.

– M-me deixa... por favor... dói... – Suplicou. Sua cabeça doía, e se esforçar para analisar os fatos fazia a dor aumentar ainda mais.

– Amaess! – Quarfein segurou o garoto, que tremia, tamanha era dor psicológica que sentia — era como ver tudo o que havia acontecido em terceira pessoa. Era como assistir tudo o que o outro já lhe havia feito. A dor aumentou, fazendo o garoto entrar em pânico.

– Dói... pare... por favor, faça isso parar... – Suplicou, tremendo.

– Shh... vai passar Amaess... pense em algo bom... qualquer coisa boa... – Disse Quarfein, vendo que o garoto mal se mantinha acordado devido à dor. – Tente ficar calmo e relaxar, está bem?

– Mas... – Amaess emitiu um gemido de dor, mas abaixou o olhar ao sentir as mãos de Quarfein deslizando pelo seu rosto.

– Fique calmo Amaess. Vai passar se você relaxar, está bem? – Disse, erguendo o elfo nos braços. Amaess corou, agarrando-se aos ombros do rapaz.

– Por favor... – Implorou o garoto, agarrando a blusa do outro como que tentando afastá-lo.

"Ela projetou minhas memórias nele... ela está fazendo ele rever tudo... maldita! Por que?!" Pensou, enquanto o garoto tremia em seus braços, quase desmaiando. "Não tem outro jeito... eu vou ter que fazer ele se lembrar de qualquer outra coisa... tch... eu não queria dizer isso a ele... por mais que eu tente fazer isso, provavelmente vai ser apenas outra promessa que eu vou ser incapaz de cumprir... mas... eu não posso deixar ele desse jeito...".

– Amaess! Amaess, meu amor, olha pra mim... – Falou, tentando fazer com que o outro mantivesse os olhos abertos. – Por favor... o que você está vendo... acabou... eu não irei te machucar de novo... eu não irei deixar ninguém te ferir, eu prometo, eu irei fazer o que estiver ao meu alcance e mais um pouco para te proteger, então por favor... pare de pensar nessas coisas ruins! – Disse, acariciando o rosto do garoto, que parou de tremer por alguns instantes. A memória que se projetava em sua mente agora era ainda mais distante. - Não tenha medo... eu vou te proteger...

~*~

As folhas caiam em pequenos flocos sobre o chão. Amaess estava pensando em ir embora, quando outro garoto se sentou ao seu lado.

– Você está com medo, não está?– Disse Erdan, acariciando o rosto do garoto. – Do que disseram sobre alguns humanos terem avistado um acampamento drow...

– Por que eu não deveria estar? – Perguntou Amaess, lembrando-se de todas as histórias terríveis que seus pais lhes contavam sobre os habitantes do subterrâneo.

– Porque eu vou te proteger. Eu não vou deixar ninguém te ferir, eu prometo... – Falou, acariciando o rosto do garoto. Amaess afastou sua mão.

– Não prometa algo que não pode cumprir. – Respondeu. – Até mesmo porque... eu preferiria me ferir do que ver você se machucar por minha causa...

– Está bem... então eu prometo que eu irei fazer o que estiver ao meu alcance para te proteger... soa melhor? – Perguntou Erdan, segurando o rosto do garoto de frente para o seu. Amaess hesitou, mas o outro tomou-lhe os lábios antes que pudesse dizer qualquer coisa.

– Amada¹... – Disse Amaess.

~*~

Uma lágrima escorreu pelo rosto de Amaess, seguida por um par.

"Erdan... eu não queria ficar atrás de você... eu queria... eu queria ter ficado ao seu lado..." Disse mentalmente, como se o outro, de algum lugar distante, pudesse ouvir a voz de seus pensamentos. Quarfein levantou um pouco os ombros do garoto, aninhando-o como alguém o faria com uma criança pequena que acabou de ter um pesadelo.

– Eu sinto muito, meu amor... eu... não irei deixar ninguém machucar você... ei prometo...– Falou, enquanto o outro chorava, apertando o tecido de seu agasalho com força.

– Amada... lle ar' Erdan ier ikotane amada²... por que... prometem algo que não podem cumprir? – Perguntou, soluçando. Quarfein forçou um sorriso, ignorando a dor causada por seus ferimentos.

– Eu te amo Amaess... como eu nunca amei ninguém... – Disse o drow, recostando a cabeça em uma árvore. – Me perdoe... por ter te machucado... e por ter quebrado algumas promessas... – Falou, sentindo o veneno fazer efeito. Amaess ergueu o rosto, a tempo de ver a expressão fatigada nos olhos de Quarfein. – Eu... sempre irei te amar, Amaess...

– O que... Quarfein... – Os olhos do drow se fecharam, fazendo com que Amaess o sacudisse de leve. – Quarfein não! Por favor...

Não houve nenhuma resposta — nenhuma palavra, nenhum movimento. O elfo pressionou o corpo do rapaz contra o seu, como se aquilo fosse mantê-lo quente — e por mais que pensar sobre o que havia acontecido fosse doloroso, uma conclusão se fazia inevitável: Quarfein provavelmente morreria pelo que fizera para protegê-lo.

Notas finais
Eee me desculpem pela demora. Eu fiquei doente, e minha cachorrinha morreu... mas, bem, consegui postar ^_^
Desculpem se não ficou tão bem escrito quanto os outros, conto com vocês para melhorar!