Notas iniciais
Mesmo postando bem tarde, ainda é sexta! Tratado não é caro. Boa leitura!

Aquilo era estranho, muito estranho. Não que uma pessoa estranha possa ter uma vida normal, mas eu esperava um pouco menos de loucura no meu primeiro dia de trabalho, na verdade eu acreditava que seria mais louco por não ter sido tão estranho e assim considero isso insano. Se você não entendeu o que eu também não entendi, é por que você sofre do mesmo problema mental que eu devo ter.

Fechei os olhos e afundei a cabeça no travesseiro. Por que a vida estava me testando daquele jeito? Será que eu sou parte de um jogo e o jogador é Deus, que quer fazer que eu passe pelo máximo de sofrimento até conseguir pular de nível? Se for isso, eu quero apenas exigir meu cogumelo!

Em segundos minha mente pegou partes do passado que eu acreditava ser tão estável naquela época, partes felizes. Eu denunciando para mamãe que Logan havia feito o trabalho de matemática trancado em um quarto dos empregados com uma garota, ele tinha por volta de doze anos e eu lendo o meu primeiro grande livro de química quando tinha nove anos.

Logo as lembranças mudaram para as mais recentes. Júlia me ensinando a tratar os clientes da melhor forma possível, de preferencia sem bater neles, eu agarrando Austin com medo de uma barata aniquiladora de tudo e eu assinando meu contrato de emprego sob o sorriso do meu lindo chefe, o Nathan.

Nathan tinha o mesmo gosto que eu e me entendia, quando expliquei que, apesar da minha ótima performasse, eu nunca tinha trabalhado na vida ele apenas disse que estava tudo bem e que me sairia perfeita. Além de tudo isso, ele era estudante de química, parecia que eu me sentia atraída por ele, culpa desses malditos hormônios que me fazem tremer quando chego perto dele.

No contrato dizia que eu ganharia somente para sobreviver praticamente e trabalharia só de manha, por que daqui duas semanas meu curso iria começar e minha loucura também. Pra que teatro existe? É tudo atuação, invenções de personalidades que não existem, pra mim teatro é inútil!

No final do trabalho eu havia pegado carona com Austin e acho que eu não teria disposição para pegar o ônibus, me perder e saber voltar da Turquia. Eu estava morta e curiosa, por que o meu vizinho que tinha me buscado no serviço disse para eu deixar a porta aberta por que a noite não tinha acabado.

Eu podia ter achado aquele comentário ofensivo, ter mandado ele pra China e contratar um panda para persegui-lo e tortura-lo, até ele ser menos Troy Austin, mas preferi não dar bola. Afinal, pandas que fazem uma boa tortura está difícil encontrar no mercado ultimamente.

Ouvi o rangido da porta de entrada se abrir e pensei que era o capeta querendo me pegar. Se eu não tivesse ouvido uma voz irritante e conhecida em seguida eu iria pegar um crucifixo e começar a rezar o que eu lembrava de rezas, pelo menos.

– Amandazinha! Você não sabe para onde eu vou te levar hoje?! — Austin perguntou e o barulho de seus passos se aproximava cada vez mais do quarto.

– Pra onde? — Perguntei me revirando na cama e encarando a porta do quarto.

– Na- na-ni-na-não! — Ele disse encostando no batente da porta e me encarando. — Você vai ter que adivinhar. — Pude reparar que ele estava com uma sacola na mão. Será que ele iria me embrulhar na sacola e me levar pro inferno? Se aquele quarto já estava abafado e quente, eu não queria conhecer o que há de baixo da terra, quanta falta faz um ar- condicionado.

– Para o Tártaro?

– Não! Você vai conhecer uma balada de verdade hoje! — Seus olhos brilhavam de empolgação, como uma criança quando faz coisa errada e não leva a culpa.

– Uma balada? — Perguntei irônica levantando uma sobrancelha.

– Sim! — Troy Austin respondeu. Aquele menino era muito ingênuo mesmo em pensar que eu algum dia iria pôr meus lindos pezinhos na porta de um balada ou algum lugar desse nível. Ingenuidade acaba com o mundo!

– Você acha que eu iria para uma balada?

– Acho. — Pessoas ingênuas ainda vão me matar, assim como o Aquecimento Global mata as pombas Africanas.

– Não gosto de baladas. Não tenho roupas típicas de putinhas que vão á essas baladas e eu prefiro não frequentar baladas com putinhas que tem essas roupas típicas que eu acabei de te falar. — É bom cortar o mal pela raiz, ou pelo caule, ou sei lá! Não sou boa em ditados, nem com botânica.

– Hum... — Austin desencostou do batente e foi caminhando em passos largos em direção da minha cama, a qual eu estava deitada e sentou nela sem pedir licença. — Você já ouvia falar em Mestres da química parte onze, não ouviu? — Ele sussurrou perguntando no meu ouvido.

Mesmo sendo uma obra extremamente rara e interessante que ele tinha citado, eu demorei alguns segundos pra perceber o que ele tinha falado, por que eu estava com uma sensação de arrepio e cócegas depois que ele tinha falado no meu ouvido. O que era aquilo? Será que eu preciso desenhar ele sendo morto por mim para que ele entenda que eu gosto que ele respeite a linha imaginária de espaço que eu tenho?

– Sim, eu já ouvi! Como você sabe que eu quero muito ler esse livro? — Fingi não estar que nem um pimentão. Odeio quando as pessoas sussurram no meu ouvido. Odiava a brincadeira telefone sem fio quando eu era pequena. Primeiro por que existe telefone sem fio que não precisa ficar falando coisas nas orelhas sujas das crianças que parecem que viram menos água na vida do que as pessoas da Etiópia, apenas trauma daquelas orelhas...

– Quando você se mudou eu vi acidentalmente que a sua lista de " Livros que eu ainda quero ter a oportunidade de ler" tinha o nome desse livro.

– E daí? Só foram feitas dez cópias dele que estão espalhadas no mundo todo. É muito difícil de achar, quase impossível!- Tentei imitar um bocejo para ele se dar conta que estava me atrapalhando no meu sono da inteligencia ás nove horas da noite.

– Bom, o tio do Josh, meu amigo que vai na balada com a gente, tem um tio que tem uma vizinha que tem esse livro. E ele pode arrumar ele pra você!

– Por Zeus! Eu nem sei o que fala...

– Você nem precisa falar nada, é só ir para a balada com a gente hoje, você precisa conhecer Nova York, Mandy. E não me matar por eu ter te interrompido. — Que bom que ele percebeu nos meus olhos esbugalhados que eu provavelmente estava fazendo um plano pra ele se machucar gravemente.

– Então... Eu preciso ir na balada e eu ganharei Mestres da química parte onze?

– Aham. — Austin afirmou mexendo a cabeça como um cachorrinho sem problema de torcicolo.

– Não! Acho que não compensa. — Eu quis fazer charminho. Estava claro que eu trocava até o meu dedinho mindinho que vive batendo nos móveis por aquele livro, era mais do que fácil colocar meu moletom e ficar excluída em uma balada enquanto todos dançam, só por uma noite e ficar com todos meus dedos.

– Como não compensa? É um livro super difícil de encontrar! — Ele gritou demonstrando sua indignação e eu constatava que ele não sabia o que era raro e sim o "difícil de encontrar".

– Você vai ter que lavar minha louça também, aí eu vou. — Como eu sou má! Tenho que ganhar um prêmio de vilã.

– Tudo bem!

– Tudo bem? — Fiquei pasma. Pensei que ele iria negar, mas parece que ele quer mesmo que eu vá nessa festinha.

– Sim! Meus amigos vão chegar daqui a pouco e as minhas amigas deixaram algumas roupas comigo pra você experimentar. Você não esperava que eu ia deixar você ir de moletom!

– O que?

Notas finais
Queria agradecer a linda recomendação da BellaSalvatore1546. Muito obrigada mesmo, você não sabe como é importante uma recomendação pra mim :) Vou responder todos os reviews amanha, por que está tarde, mas não se esqueçam deles, eles me ajudam com a criatividade e o que eu devo melhorar ou não. Não esqueçam dos reviews! xoxoDudaMoura