Hate At First Sight
8 Meu anjo tem medo de altura?
Notas iniciais
Era só o que me faltava! Eu tenho mesmo que dormir no mesmo cômodo com esse ser? Isso só pode ser culpa do meu anjo da guarda!
Foda-se você Amanda! Eu vou para a Florida.
Atenciosamente Beto (seu anjo da guarda).
Se meu anjo não me abandonou para correr atrás do Mickey, ou quem sabe fazer algumas visitinhas para os Cassinos em Las Vegas, acho que eu devo estar passando por uma evolução espiritual.
Não é possível minha vida ter decido do precipício de ônibus em tão pouco tempo, o destino deve estar brincando com a minha pessoa, mas isso não vai ficar assim, pode tirar seu My little pônei da chuva!
– Anjo? Las Vegas? Precipício de ônibus? – Austin me acordou dos meu pensamentos. Ou eu devo estar pensando alto, ou ele deva adivinhar as coisas, eu não duvido de nada que vem do Troy.
– Eu só estou planejando sua morte! – Digo dando uma risada maldosa. Prazer! Eu sou Amanda Cruela Filha, especialista em risadas forçadas, puxei esse talento da minha querida mãe.
– O que minha morte tem há ver com isso aí? — Ele perguntou confuso passando as mãos pelo cabelo.
– Você vai estar em um ônibus em Las Vegas, então você vai cair de um precipício e seu anjo irá te abandonar por que ele tem medo de altura.
– Meu anjo tem medo de altura? Mas que filho da puta!
– É a vida! – Falo fazendo um gesto com os braços para ele aceitar que a mãe do anjo tem uma tendência a gostar de rodar bolsinha. – Agora me de a chave do meu apartamento, um pacote de miojo e um “tchau” sem nenhum tipo de contato e com toda a falsidade do mundo.
– Pode deixar que da atuação de despedida eu cuido, mas parece que o Miojo e a chave você vai ter que cuidar sozinha.
– A minha promessa de juramento pelo rio Estige não dizia nada sobre arrancar seus dedos. – Corri até a cozinha, abrindo a gaveta do armário e tirando uma faca de plástico de lá.
– Você vai arrancar meus dedos com uma faca de plástico? – Troy perguntou dando gargalhadas e se aproximando do armário.
– Não duvide de mim! Eu já quebrei o braço do Logan com um elástico de cabelo. Pode falar pelo menos onde está a chave. – Essa frase não seria nada se não fosse acompanhada com o meu olhar ameaçador.
– Uma dica: Está nesse armário aí. — Ele apontou o armário tão discretamente quanto aula árvore de Natal naPáscoa.
– Não tem mais dicas não?
– Garota! Se vira!
– Então está bem. – Falo com um sorriso divertido. – Hum... – Digo pegando uma xícara listrada qualquer.
De repente algo se choca contra o chão, ou melhor, a xícara listrada, mais especificamente, a xícara que foi tacada pelas minhas lindas mãozinhas.
– É! Parece que não está aqui. – Falo me fingindo de inocente enquanto aponto para os cacos no chão.
– Não acredito que você fez isso! Você é louca? Era minha xícara preferida! Custa olhar dentro dela pra ver antes de taca-la no chão?
– Não teria graça! Você vai me dar a chave ou vou ter que “procurar” – Engraçado, deu uma câimbra em dois dos meus dedos como se fossem aspas na palavra procurar, parecia até que era proposital.
– Acho que não é necessário! – Ele disse dando um sorriso sem graça. – Está aqui! — Ele ergueu a chave a balançando. Vadio! Estava o tempo todo no bolso dele.
Eu iria gritar e espanca-lo pela brincadeirinha de esconder a chave, mas ele também ficou sem uma xícara, não qualquer xícara, sem a xícara preferida dele, isso é mais especial. Para mim está tudo certo!
– Você vai mesmo para o seu apartamento? Não tem nada lá! – Troy tentou argumentar enquanto me via abrir a porta do seu apartamento.
– Que fique bem claro! É bem melhor o nada do que tudo e você! – Eu disse andando em passos firmes por um corredor desconhecido.
– Nossa! Fiquei magoado! — Ele fez uma cara de triste com direito a biquinho. Ele estava bem fofinho, porém aquele peste não iria me convencer.
Eis que um ser aparece grudado na parede do corredor e não era o Homem Aranha, antes fosse. Era um sujeitinho nojento, desprezível e horrível. O qual eu morria de medo, e era traumatizada desde a minha infância. Era uma barata!
– Barata! Barata! Barata! Socorro! – Pelos meus gritos, até o Batman tinha ouvido. E já estava vindo me salvar vestindo preto(para o meu velório) em seu batmóvel.
Não pensei nem duas vezes, na verdade eu não pensei nenhuma, por que se tivesse pensado não teria feito aquilo.
Saí correndo, ou melhor, saltitando como uma gazela até Troy e... O abracei desesperadamente. Agarrei em um dos seus braços bem forte esperando que ele fizesse alguma coisa contra aquele inseto medonho. Não posso fazer nada! Eu estava em pânico!
Ele me encarou e deu um enorme sorriso da vitória (cafajeste).
– Eu sabia que um dia você seria minha, que um dia estaria em meus braços.
– E eu sabia que você é um grande idiota! Vai lá seu covarde! Mata a Barata!
– Mas não precisa mais! – Troy Austin falou apontando para a barata que correu entrando por baixo da porta do meu suposto apartamento.
– Vai lá Gatona! Anda Gostosa, entra lá agora! – Aquele imbecil me desafiou.
– Eu só quero que saiba que não é que eu não tenha coragem, mas é que baratas transmitem doenças.
– Sei... – Ele disse cutucando a minha barriga como se eu fosse uma criança.
Fui me dando conta aos poucos que eu estava meio muito agarrada ao Troy. Aquilo era desconfortável!
“Dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço!”. É porque você não viu nossa situação querido Newton.
Separei de Troy e comecei a encarar os ladrilhos do chão. Agora eu estou ferrada! Os dois lugares que eu tenho para dormir estão sendo ocupados por um ser desprezível. Agora resta saber qual é o menos desprezível... Será que o porteiro aceitaria minha maravilhosa companhia?
– Olha isso! – Ele apontou para seu braço direito que estava cheio de marcas vermelhas, nitidamente feitas por unhas, corrigindo, feitas por minhas unhas.
Não estava nem perto deu pedir desculpas, mas eu me senti um pouco culpada, quer dizer, até isso ser pronunciado:
– Nossa! Garota selvagem! Rawn! – Austin imitou um tigre preste a dar o ataque do acasalamento.
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