Harvest Moonlight
9 Capítulo 9
Notas iniciais
A fazenda vizinha tinha uma cerca viva ao invés da cerca de madeira que predominava nas propriedades por ali. A planta, de longos espinhos entre as folhas verdes, se encarregava de repelir invasores. Maior parte do chão era coberta de pasto, salvo o caminho de pedras que interligava a entrada da fazenda com a casa e um enorme celeiro, de aparência semelhante ao da granja. A madeira das construções era escura, antiga e menos tratada para construção, os nós eram visíveis e as formas naturais; acentuando a aparência rustica.
Aurora seguiu até a casa e abriu a porta, Emma logo atrás.
–Mamãe? — ela chamou, mas não obteve resposta.
O interior da casa era um pouco mais escuro do que o normal. Os moveis eram de madeira semelhante a da construção; as cortinas eram escuras também.
–Ela deve estar no celeiro. — Aurora fechou a porta e se virou, levando Emma para outra direção. — Minha mãe gosta muito de animais. — o sorriso da moça agora revelava certo nervosismo. — Ela é um pouco excêntrica...
Emma se limitou a acompanhá-la com uma expressão neutra, não sabia o que esperar. Aurora empurrou a enorme porta do celeiro e um grito bestial quebrou a paz daquela manhã chuvosa. Alguns metros a frente, ergueu-se a figura de chifres que Emma vira deixando sua fazenda no dia anterior. Ao se virar, o manto negro estava coberto de sangue, e tinha um pequeno animal igualmente ensanguentado nas mãos.
–Bom dia, mamãe! — Aurora cumprimentou se aproximando.
–Bom dia, praguinha. — a figura retribuiu não muito sorridente.
–Essa é a Emma, da fazenda Encantada. — a princesa apresentou.
Depois que o arrepio passou, Emma pode raciocinar que a pessoa a sua frente era apenas uma mulher um pouco mais velhas, com o chapéu mais esquisito que já vira. O celeiro estava cheio de vacas de um lado e ovelhas do outro, incluindo a pequena ovelhinha recém nascida que a mulher tinha nos braços, e a ovelha-mãe deitada no chão logo atrás.
–Oh, sim. Sou Maleficent. Eu planejava devolver suas ovelhas junto com as vacas mas estava esperando isso — ela indicou o filhote em seus braços. — acontecer. Tem mais uma ovelha... deve estar por ali. O útero dela cai as vezes...
–Oi? — Emma interrompeu, de volta a seu estado de choque.
–O útero da ovelha. As vezes sai.
Emma piscou lentamente, processando as palavras.
–Isso é normal...? Dói?
–Como você acha que seria se seu útero caísse?
–Mamãe! — Aurora interferiu. — Ela acabou de chegar, tenha piedade.
Maleficent refletiu por um momento.
–Se isso acontecer, me chame que eu arrumo. — A mulher tentou parecer simpática.
–Sim, obrigada. — Emma falhou em transmitir tranquilidade em suas palavras.
–Vou buscar um copo d'água. — Aurora saiu correndo. — Oi Diavan.
Assim que a moça cruzou a porta, um corvo entrou e pousou no ombro de Maleficent.
–Tem um... — Emma apontou o pássaro.
–Esse é meu corvo, Diavan. — A mulher apresentou, alisando o pássaro.
Emma gostaria muito de se sentar. Sua vida não a preparara para as adversidades que encontrou hoje.
–Se preferir, posso cuidar da ovelha e do filhote até estarem recuperados e depois levo para você. — Maleficent ofereceu.
–Sim... sim, eu gostaria muito... — a situação, apesar de esclarecida, ainda era um tanto nauseante.
–Aqui! — Aurora veio correndo com o copo de água.
Diavan se assustou e saiu voando. Ela entregou o copo à Emma. Provavelmente não melhoraria muito o estado da loira, mas pelo menos estava fazendo alguma coisa.
–O que é isso...? — Emma notou alguma coisa na água do copo.
As duas mulheres se aproximaram para analisar também.
–É titica do corvo. — Maleficent concluiu.
Se afastaram. Aurora tomou o copo das mãos de Emma e jogou a água fora.
–Desculpe. Mamãe, Emma precisa de ração para as vacas. — A moça procurou encerrar logo a visita.
–Tem um saco perto da porta, pode levar. — Maleficent voltou a dar atenção à ovelha no chão e seu filhote.
–Obrigada. — Aurora puxou Emma pelo braço pra fora do celeiro.
–Tenha... um bom dia... — A loira tentou se despedir, todos eram tão educados na cidade...
Do lado de fora, Emma sentiu alivio em respirar ar puro, a tontura estava passando.
–Me desculpe, eu não sabia que... — Aurora trazia o saco de ração.
–Que isso, eu que agradeço por ter vindo comigo...
–Se você precisar de mais alguma coisa, pode falar comigo , okay?
–Sim, claro, muito obrigada...
A moça guiou Emma de volta pela fazenda e logo chegaram ao fusca amarelo. Aurora acomodou a ração dentro do carro.
–Quanto é? — Emma perguntou, já estava se sentindo um pouco melhor, seu café da manhã não revirava mais no estomago.
–Pode levar, você já pagou o suficiente por hoje. — Aurora acariciou o braço da loira gentilmente.
–... Muito obrigada. — Emma entrou no carro.
–De nada, volte sempre. — Ela se despediu.
Emma arrancou com o carro de volta para sua fazenda, a imagem de Aurora acenando diminuindo em seu retrovisor.
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