Haruma

5 Capítulo 5 - O provável objetivo


Capítulo 5 – O provável objetivo


Quando finalmente chegaram, o tenente de cabelos vermelhos estava dentro da loja conversando com Urahara e Yoruichi.

– Renji... – Rukia chamou.

– Rukia! Oi Ichigo! – Ele cumprimentou com um leve sorriso.

Logo sentaram-se ao lado dos três.

– O sexto esquadrão agora está oficialmente responsável pelo caso. Zabimaru não anda de bom humor a luta vai animá-lo.

– Claro. Com um shinigami tão chato como você... – Ichigo provocou.

– Cale a boca! Sua Zangetsu parece um facão de cozinha! Devia mudar de profissão para cozinheiro!

– E essa sua Zabimaru parece uma serra! Você devia ser carpinteiro!

– Calem a boca! – Ela ordenou, olhando-os friamente – Não estão na casa de vocês. Que vergonha!

Ambos calaram-se diante da ameaça.

– Essas crianças não têm jeito mesmo... – Urahara cantarolou, sorrindo por trás do leque.

Eles queriam esganá-lo, mas com Rukia do lado não tiveram coragem.

– Tem alguma informação nova? – Yoruichi perguntou.

– Não muito mais do que já sabemos. Só que continuam morrendo shinigamis e os corpos são sempre encontrados até em bom estado, mas sem sangue nenhum e os ferimentos são semelhantes.

– Pra que alguém ia querer o sangue dos shinigamis? – Ichigo pensava.

– Sei lá, mas de uma coisa tenho certeza. Nós não pertencemos a esse mundo e seja quem for que está fazendo isso quer estabelecer algum tipo de conexão com a gente, seja humano ou não. Porém qual ou com qual intenção eu não tenho ideia – o tenente falou, tomando um gole da xícara de chá em seguida.

– Espera! – O ruivo se alertou – Humano?

– Há meios para rastrear cada ser que vive na Sereitei e possui alta energia espiritual. Alguém de Rukongai com um poder tão bem desenvolvido logo se torna shinigami e jamais permanece lá a ponto de sua habilidade se elevar tanto e não ser levado e registrado como shinigami. E os demais que não conseguem se tornar shinigamis não tem energia alta suficiente, então nem são rastreados. Se fosse um hollow já teriam descoberto, se fosse shinigami ou vaizard também já teria sido identificado, o que nos leva á conclusão de que as probabilidades de ser um humano com habilidades especiais muito bem desenvolvidas e treinadas pode estar cometendo os assassinatos. Porém qual tipo de conexão ele quer conosco e porque, ninguém tem a mínima ideia.

O ruivo e a tenente espantaram-se. Não esperavam uma ameaça tão grande com tão pouco tempo do fim da terrível luta contra Aizen, preso no subsolo por vinte mil anos, assim como Gin, preso na segurança máxima da superfície por dois mil anos, recebendo visitas apenas do carcereiro e de Matsumoto, que a duras penas conseguira obter essa generosidade de Yamamoto. Quanto a Tousen, estava de fato morto, o que abalara bastante Hisagi, que felizmente tivera a ajuda e o apoio de Kensei para guiar o esquadrão e seguir em frente.

– E quanto à Lua vermelha? – Rukia questionou o amigo.

– Disso sabemos menos ainda. Talvez seja só uma forma de ameaçar e amedrontar. Mas não temos certeza. Podia ser tanto o sol quanto as nuvens. Provavelmente ele tem alguma ligação com a noite.

– Não exatamente Abarai-san – Urahara advertiu.

Os três o fitaram, mas Yoruichi quem falou.

– Os humanos têm uma grande ligação e afeição pela lua. Apesar de ele colher sangue shinigami, já ocorreu a vocês que o que ele procura possa também ter origem ou composição humana?

– Mas pra que o sangue shinigami então? Se o que ele quer é humano, porque precisa de nós? – Ichigo lhe perguntou.

– Todos os wholles de Rukongai foram um dia humanos.

– O que ela quer dizer... – Urahara começou – É que há possibilidade do nosso assassino ser um ser humano com alta energia espiritual que conhece uma porcentagem suficiente do nosso mundo pra saber que o que ele procura está lá. O que ele quer pode ser um ser humano que está morto, seja agora shinigami, hollow ou wholle.

Após alguns minutos em que os três assimilavam as informações, Rukia falou.

– Se é isso mesmo que vocês e Renji contaram... talvez ele não saiba que no segundo caso jamais vai encontrar essa pessoa, e mesmo se encontrar, não vai reconhecê-la, pode até morrer. No primeiro e no terceiro, caso ele não tenha a sorte de encontrar por aqui mesmo, só morrendo pra que suas chances aumentem.

– Já é bem tarde da noite... Acho que seria melhor irem pra casa ou terão que dormir os dois aqui por questões de segurança – o louro pediu, tentando não ser descortês.

– Ele tem razão – Ichigo falou – Boa noite – levantou-se e foi seguido por Rukia, após esta também desejar boa noite.

Os dois caminhavam em direção à casa dos Kurosaki.

– Como vocês foram ridículos! Depois vou dar uma surra no Renji! – A baixinha falou irritadíssima, dando um soco no estômago de Ichigo, que xingou-a e se curvou com a dor.

– Qual é o seu problema?! – Ele reclamava.

Ela ergueu uma das mãos como se apoiasse uma espada no ombro e começou a imitar Ichigo xingando Renji e a Zabimaru, o que o chocou um pouco, jamais vira Rukia imitando alguém. Até que ela não era ruim. Espera...! Estava com raiva dela um segundo atrás... O que não importava muito.

– Oras! Você não lembra do dever que recebeu aquele dia? Como substituto deve proteger e trabalhar a sério e não perder tempo assim.

– Mas eu posso me lembrar daquele dia...

– Aquele dia...? – Ela falou querendo saber a que exatamente ele estava se referindo do dia em que se conheceram.

– Você me deu algo muito importante – olhou para zangetsu com ternura e orgulho ao mesmo tempo – Como shinigami eu tive força para proteger minha família dos hollows.

Flashs de memória daquele momento vieram à cabeça do ruivo, Yuzu gritando, os urros do hollow, paredes sendo destruídas, Rukia bastante ferida, impossibilitada de lutar, sua voz quase chegando a apenas sussurros, aquela era a lembrança que mais doía. Estivera tão perto, tão perto! De perder uma das pessoas que mais importava em sua vida e nunca saberia disso se realmente a tivesse perdido, naquele momento ela ainda não significava quase nada. Teve que se esforçar para não soluçar, chorar lembrando daquilo e apertá-la num abraço, queria evitar explicações depois.

– Ichigo! O que houve?! – Percebeu que ela já o chamava há alguns segundos.

– Ah... Nada... – desviou o olhar.

Após a baixinha falar algo que o deixou embaraçado ao perceber que ela entendera de maneira totalmente errada sua reação, e depois sair correndo, deslizou os dedos pelos cabelos nervosamente e correu atrás dela.

– Espera! Rukia!

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A alguns quarteirões dali, seis oficiais eram massacrados sem piedade, com movimentos que absolutamente nenhum deles conseguia enxergar ou identificar a fonte.

– O que tá havendo aqui?! – Renji apareceu bloqueado o golpe fatal que mataria o único sobrevivente.

O tenente não podia ver contra o que ou quem lutava, via apenas um vulto vermelho que se movimentava numa velocidade absurda. Lutou assim por quase meia hora, tentando proteger o oficial caído no chão, ferido, mas ainda vivo.

– AAAAAAAAHHHHHHHHH!!!!!!!!!!!!! – Gritou quando uma lâmina se cravou em suas costas e o cortou profundamente.

Caiu no chão quando a espada foi puxada e sentiu-se decepcionado. Morreria, o oficial morreria e ninguém saberia de nada do que aconteceu, somente teriam evidências.

– Mais um shinigami.... – Iruma falou analisando a lâmina vermelha da zampakutou.

– Por... que...? – Renji esforçou-se para falar, caído no chão.

– Vamos lá... – ele falava com, seja lá o que fosse, que parecia urrar de dentro da lâmina – Esse deve ser um tenente, vamos tomar o sangue dele – dizendo isso executou vários movimentos com a espada e cortou Renji novamente, começando a sugar seu sangue.

– AAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHH!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! – Seu corpo parecia se rasgar de dentro pra fora à medida que o sangramento aumentava as feridas.

– BANKAI! – Renji conhecia aquela voz rebelde – Está bem tenente?

Caiu no chão ao ouvir a voz de Ichigo e parar de sentir a dor de seu sangue deixando o corpo tão rapidamente.

– Idiota! – Xingou o amigo – Nem assim leva as coisas a sério!!

– Renji! – Era Rukia.

– Rukia! Leve Renji e o outro shinigami!

Ela puxou ambos para cima, apoiando-os nos ombros e correndo dali, enquanto Ichigo começava a lutar com Iruma.

– Você deve ser...

– Sua força também parece alta – Iruma comentou, interrompendo Ichigo, que segundos após ativou a máscara hollow.

– Força hollow – Iruma impressionou-se.

– Ichigo! – Rukia voltara, defendendo um dos golpes de Iruma.

Iruma afastou-se após lutar por alguns segundos com os dois shinigamis e vários hollows invadiram o local.

– Por quê? – Ichigo questionava, desfazendo a máscara.

– A reiatsu dele... É muito mais forte que um simples humano – a pequena respondeu.

Iruma, num segundo atingiu todos os hollows facilmente, de uma só vez. E algo estranho aconteceu. Um hollow muito diferente dos outros, que aprecia até... Um pouco humano... Veio do nada e jogou-se contra Iruma. Parecia querer segurá-lo e arrancar a espada de suas mãos. Os dois permaneceram numa luta corporal, medindo forças. Ele queria se soltar, o hollow se recusava a permitir. Quando conseguiu, o hollow se misturou a outros que apareceram e foram novamente destruídos por Iruma. Os hollows que restaram pareciam obedecer ao comando do vilão, que permaneceu imóvel enquanto Ichigo e Rukia enfrentavam seus “súditos”. Por milésimos de segundo, Ichigo pode fitar os olhos do assassino e surpreendeu-se com o que viu: Dor! A dor mais profunda que já vira no olhos de alguém. Tristeza!

Quem era ele afinal? Como um assassino era capaz de reter sentimentos? Dor e tristeza. O que acontecera em seu passado?

Quando os hollows acabaram, ele não estava mais lá. Voltaram correndo até Urahara. Renji e o oficial estavam deitados num quarto, já haviam sido tratados, mesmo assim Urahara chamaria Orihime pela manhã.

– Rukia... Ichigo... – O tenente chamou num sussurro com o que ainda tinha de força.

Ambos se voltaram para ele.

– Quando eu estava chegando lá... Eu ouvi quando alguém o chamou de Iruma... Sobre o sangue e a Lua... É tudo verdade...

– Renji!! – Rukia se desesperou quando ele desfaleceu.

– Não se preocupe com ele, deixei-o dormir. Só está fraco – Urahara a tranquilizou – O outro também está bem.

Os dois foram acompanhados até em casa, por Yoruichi e Tessai. Estavam tensos, seria pior dormirem fora. Rukia ainda não revelara sua presença à família. Com o que estava acontecendo, as conversas com Ichigo eram constantes e necessárias e todos achariam estranho se ficassem tempo demais juntos. A pequena agora dormia no armário. Pela porta aberta, Ichigo podia ver seu rosto. Pensava no ocorrido. Podia ter sido qualquer um deles. Não queria admitir, mas estava com medo, não sabia porque, confiava plenamente nela, mas tinha medo. Caminhou silenciosamente até a porta do armário e apertou de leve a mão dela, que continuou dormindo, mas inspirou profundamente, parecendo mais confortável e relaxada com o toque dele. Mesmo com toda a preocupação, não pode deixar de sorrir. Beijou a testa dela e voltou para a sua cama.