Haruma

14 Capítulo 14 - Kiseki


Notas iniciais
Último capítulo. Para os que acompanharam a história, eu espero que tenham gostado. =D

Capítulo 14 – Kiseki


- Como vão as pesquisas?

- Seguindo pela sua linha de raciocínio capitão, e também levando em conta que nenhuma das zampakutous desapareceu, concluímos que tinha total razão e desde o momento em que nos levantou essa hipótese, estamos trabalhando incansavelmente – Unohana respondeu.

- Capitã! Capitã!! – Quatro oficiais apareceram correndo.

- O que aconteceu?

- Detectamos batimento cardíaco! E ficando mais forte com o decorrer dos segundos!

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— Nós vamos indo, já está tarde e ele precisa descansar mais – Uryuu falou levantando-se e estendendo a mão para ajudar Orihime a levantar-se.

Depois de toda a confusão havia pedido a ruivinha em namoro e para sua grande felicidade ela aceitara e ainda lhe confessara amá-lo de verdade. Há tempos havia percebido os sentimentos do quincy e aceitado que Ichigo pertencia a Rukia.

— Kurosaki-kun, se alimente direito e durma bem.

— Não sair andando por aí tão rápido – Sado advertiu.

— Obrigado pessoal.

Após despedirem-se de todos, os três deixaram a loja. Minutos após Ichigo e os demais permaneciam na sala conversando e tomando chá.

— Devia ter nos esperado, do jeito que estava não sei como conseguiu andar meio caminho até aqui – o vendedor comentou.

— Parece que esse idiota gosta de correr risco de vida!

— Fica quieto Jinta!

O garoto emburrou-se e virou a cara diante da reclamação do vendedor.

— Kurosaki-san... Me perdoe por perguntar. Talvez ainda seja cedo pra bombardeá-lo com perguntas, mas... Não faz sentido esperar.

— O que é?

— O que pretende fazer da sua vida de agora em diante?

Por instantes o shinigami ficou em silêncio apenas fitando a pequena mesa no centro da sala.

— Primeiro há uma coisa que eu preciso fazer. Depois disso eu decido.

— Tudo bem...

— Eu tenho que voltar pra casa. Não vi meu pai nem minhas irmãs depois do que aconteceu, mas sei que ficaram mal.

— Eles ficarão bem. Ishiin sabe controlar a situação, por mais dolorosa que seja. Afinal, mesmo que não tenhamos visto, ele também lutou nesse massacre, nós o vimos em algumas noites quando você não estava por perto, e ele sabia que qualquer coisa poderia acontecer. Mas ele não te disse nada, porque sabia como você reagiria, e também porque ele tem certeza de que você também estava ciente de todos os riscos.

— Mas... Temos que continuar. É doloroso saber e mais ainda admitir, mas o mundo continua girando, mesmo que nós não estejamos mais nele. Mesmo que tomemos a decisão de parar de viver, o mundo vai continuar girando e o tempo vai continuar passando. Então de alguma forma, é preciso procurar um caminho pra voltar a viver. Se o mundo e o tempo continuam, não vale a pena se esconder pra sempre na escuridão.

O louro nada disse, mas ficou impressionado. Ele mudara tanto depois de conviver com ela. Ficara mais forte, não só fisicamente, e havia acabado de provar isso. Se a shinigami não tivesse sido salva de sua sentença de morte naquela época, ele não suportaria. Mas o garoto cabisbaixo que observava a sua frente, tinha certeza, não era a mesma pessoa que ele preparara naqueles dias para invadir a Soul Society. Era alguém muito mais forte, sábio e confiante.

— Está tarde. Durma aqui. Eu aviso seu pai. Você está todo enfaixado e debilitado. Não convém ficar andando por aí. Durma e descanse. Ururu, Tessai e Jinta, arrumem um quarto pra ele, por favor.

— Sim senhor – a garotinha levantou-se junto com Tessai e Jinta, xingando a ordem de Urahara, como sempre, e calando-se ao ser repreendido por Tessai.

— Quando Hanatarou acordar tratará você de novo com kidos de cura, quando ainda estiver dormindo. Quando você dorme, o tratamento é mais eficaz.

— Tudo bem.

Alguns minutos depois levantou-se e seguiu para o quarto. Deixou Zangetsu e o kimono preto num canto, ficando apenas com o branco e deitou-se, ainda com certa dificuldade por causa das dores. Não adormeceu de imediato, pensou em tudo que aconteceu. Mesmo aceitando a situação, não pode deixar de sentir-se triste ao lembrar-se dela. Não contando com a companhia chata de Kon, agora estaria dormindo sozinho de novo, para sempre.

— Rukia... – sussurrou para si mesmo fitando os raios de luz da lua que entravam pela pequena janela do quarto.

Tantas vezes os dois e também vários companheiros haviam estado descansando ali, feridos após alguma batalha... Por vezes, somente ele e ela. Não gostava nenhum pouco de vê-la machucada, mas poder estar ao lado dela nessas horas e tê-la consigo quando ele estava ferido, fora um verdadeiro tesouro. Todas as lembranças desde o dia em que ela aparecera na sua frente guardaria no fundo do coração, até o último segundo da sua existência até que um dia pudesse reencontrá-la. Finalmente seus olhos começaram a ceder ao sono e fecharam-se.

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— Já está indo então?

— Sim, Yoruichi-san. Obrigado por tudo.

— Hanatarou trabalhou duro durante boa parte da madrugada. Não vá extrapolar ainda – o vendedor o advertiu.

- Vou me lembrar disso.

Os dois shinigamis deixaram a loja, indo em direção ao rio.

- Ichigo, você pretende ir até à Soul Society?

- Sim, quero visitar o pessoal. Rangiku e Toushiro, como eles estão? E Ukitake-san, Kyouraku-san e Renji?

- Estão bem. Ela ainda está de repouso, ele foi liberado. Estão se recuperando bem. Os outros que se feriram também estão respondendo bem ao tratamento. Logo vão trabalhar de novo. Os outros três também estão bem. Eu vou pra Soul Society agora. Você vem?

- Não. Há uma coisa que eu preciso fazer primeiro.

- Tudo bem então, nos vemos depois. Não vá fazer loucuras, ainda não está completamente bem. Precisando, me chame.

- Vou chamar. Obriagado, Hanatarou.

O baixinho sorriu e entrou no portal, que desapareceu em seguida. Ichigo seguiu para casa. Seu pai e suas irmãs estavam dormindo.

- Por enquanto.... É melhor assim.

- Ichigo!

- KON!! Cala a boca! – Falou, empurrando-o para dentro de seu quarto.

O bichinho de pelúcia ainda ocupava o corpo de Ichigo.

- Você vai...?

- Não vou precisar por enquanto. Mas se você fizer alguma besteira eu te mato!

- Aonde você vai?

- Eu volto logo – disse apenas, pegando Sode no Shirayuki e saindo pela janela.

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De olhos arregalados, Urahara ouvia atentamente a voz de Ukitake no telefone.

— Mas ele já saiu! Vou atrás dele.

— Não é necessário. Isso não será um problema. Ligue para o pai e as irmãs dele. E avise aos amigos humanos.

— Farei isso. Até logo, Ukitake-san – desligou sorrindo.

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Sozinho, Ichigo visitava o lugar onde Rukia morrera. A Sode no Shirayuki estava em suas mãos. Ergueu-a.

– Rukia... Eu estou pronto pra viver de cabeça erguida... Mas você não sabe o quanto dói não ter você aqui minha baixinha.

Ele não percebeu, mas alguém estava se aproximando lentamente atrás dele.

– Sou grato a você... Rukia...

– Isto não é necessário – ouviu alguém falar.

– É, pode ser... – dizia enquanto olhava para o lado – AAAAAHHHHH!!!!!!!!! – Afastou-se, assustado, era ela, viva!

– O que aconteceu pra você ficar tão romântico?! É assustador – falou cruzando os braços e fingindo irritação.

– Você continua no meu coração...

– ÃH?!

– Rukia! Você é um fantasma?! Não... Você já é uma shinigami, não tem como... Rukia, o que houve?!

– Você ficou carregando minha zampakutou por toda parte! Eu vim recuperá-la – tomou a zampakutou das mãos dele e a encaixou no obi.

– Mas como você pode estar viva?!

– Nii-sama observou que os corpos das vítimas ficaram intactos apesar da perda de sangue e nenhuma zampakutou desapareceu, quando todas deviam ter se desintegrado. Dessa forma, ele conseguiu recuperar todos.

Ele refletiu por um momento até que a voz dela lhe chamou a atenção.

– Ichigo... Me contaram como você ficou quando eu morri... Agora eu sei que quando eu morrer de fato terei um coração onde ficar. Obrigada...

– Eu não fiquei triste, só com pena!

Ela sorriu, sabia que era mentira. O ruivo aproximou-se. Seu coração pulou quando sentiu que ele a abraçava com força contra si.

– Ichi...

– Que bom que você está viva! Nunca mais faça isso comigo! – Ele estava quase chorando.

Ela apenas sorriu e retribuiu o abraçando o mais forte que podia, quando sentiu seus pés deixarem o chão e ele beijar seu rosto. Naquele momento, ele não perderia mais uma chance de dizer o que sentia por ela. E como era bom ver aqueles olhos azuis e aquele sorriso de novo!

- Eu te amo... – sussurrou no ouvido da tenente.

Os olhos azuis arregalaram-se a princípio, mas logo o choque passou.

- Por que você demora tanto pra tomar iniciativas...? Seu idiota! Você quase deixou pra dizer isso tarde demais... – Dizendo isso, riu – Eu também te amo – sussurrou para ele.

Ambos sorriram e apertaram o abraço no instante em que seus lábios encontraram-se.

FIM

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!