Haru Matsuri

5 O melhor Valentine's Day II


Notas iniciais
Yoooo! Espero que curtam o capítulo e, por favor, se estiverem gostando ou não, deixem suas opiniões, elas sempre me incentivam a continuar. Novos leitores sejam todos bem-vindos ♥ Boa leitura :)

O MELHOR VALENTINE'S DAY II

Eu observava Sasuke se divertir. Era a primeira vez que eu o via sorrir sem ter um grama de perturbação ou perversidade em seus olhos ou riso. Parecia feliz enquanto cantava uma música aleatória no karaokê, embora a sua voz não fosse tão bonita como quanto as garotas achavam e sua desafinação se tornava lamentável, o que me fazia gargalhar mentalmente por ser melhor que ele naquele quesito.

Ino me cutucou, sendo dominada por uma expressão divertida:

— Dá pra ver nos teus olhos o quanto está apaixonada — cochichou, batendo palmas no ritmo do som.

— Não dá pra ver nada! — Exclamei, horrorizada, fechando a cara.

— Tsc, tem até um fio de baba escorrendo!

Limpei a boca por instinto.

— Não seja boba! Eu não estou babando!

— Eu acho que vocês formam um lindo casal.

“Mas ele não é como nossos olhos enxergam… nem existe nós.” Pensei, respondendo-a apenas com um sorriso de aceitação.

Enquanto dávamos uma pausa para comer uma porção de bolos gelados, optei por ficar esperando nas mesas, fuçando no celular, como se estivesse sozinha. Era quase onze da noite e, provavelmente, não demoraria para eu voltar pra casa. Eu via aquilo como o final de uma noite interessante, embora Sasuke estivesse pronto para estragar o que poderia me ser o melhor dia dos namorados.

— O que está pensando? — Ele perguntou.

Eu assustei, instintivamente soltando um grito agudo e saltando para o lado. Levei as mãos na boca para me calar e o encarei perplexa.

— Não apareça do nada! — Engrossei a voz, tentando parecer diabólica.

Sasuke soltou uma gargalhada divertida e cruzou os braços.

— Está pronta para terminar? — Encarou-me, tornando sério.

— Sim. Estou — aceitei, enchendo o peito de coragem. — Mesmo que eu tenha me divertido hoje… — Sorri brincando com os dedos. — Espero que também o tenha.

— Hm… — Murmurou, se levantando e se afastando para junto aos outros.

Eu toquei o chocolate no bolso e meus olhos lacrimejaram, me sentia um pouco mal, mas não sabia exatamente o motivo. Queria que aquela farsa acabasse, mas queria também que Sasuke deixasse de me tratar com indiferença, – o que seria impossível com todas aquelas garotas pendurando em seu pescoço e por saber que eu não passava de uma bisbilhoteira mentirosa.

— Sakura, vamos comer!

Os outros chegaram sorridentes, trazendo pequenas porções dos mais variados sabores de bolos e eu dei espaço para que se juntasse a mim. Naquele momento, encontrei os olhos de Sasuke, me intimando a começar algo ruim, mas eu não conseguia. Eu não brigaria com ele.

— Está tão gostoso! — Exclamou Hinata. — O que achou, Sasuke-kun?

— Bom — respondeu sério, dando de ombros para a garota que já começava a corar.

— Aconteceu alguma coisa? — Notou Sai, um pouco preocupado.

— Não — voltou a responder, indiferente.

Acreditando, meus amigos apenas deram de ombros, voltando a comer.

Meu coração parecia apertado e dessa vez, os compassos eram lentos. Eu sentia que em breve ele pararia, mas eu não desistiria de sorrir. Nunca! Não por causa daquele idiota!

— Deidara-senpai, por favor leve estes Shukurimus com você, antes que estrague — pediu a balconista.

Eu olhei rapidamente, encontrando o mesmo rapaz alourado que havia trombado comigo na saída do banheiro, agora, ele havia se juntado a dois amigos e enchia uma sacola com pequenas bolinhas açucaradas.

— Obrigado, Mika-chan — agradeceu reverenciando e aceitando o presente. — Me dê um desses também, por favor.

A mulher entregou uma pequena miniatura de um coração de chocolate branco e recebeu o pagamento, acenando gentilmente enquanto ele se afastava. Ninguém, além de mim, prestava atenção nos passos do louro, pelo menos não até ele se aproximar da nossa mesa.

— Aceite como um pedido de desculpas — Deidara me estendeu o coração e esboçou um riso gentil, surpreendendo a todos. — Tenha uma boa noite — deu as costas, desaparecendo na escuridão do lado de fora.

Eu, automaticamente, me petrifiquei, olhando a porta bater. Por um instante quis dizer obrigada e lamentei o fato dele não ter deixado. Gostaria de ter tirado aquele mísero chocolate e entregado a ele, pois merecia mais que aquele espírito maligno!

— Jogue fora — ordenou Sasuke, sem me olhar, ainda preocupado em comer seu bolo.

Certo, era aquele o momento em que nós terminaríamos e a farsa acabaria. Eu poderia correr atrás de Deidara e retribuir o meu chocolate. Eu poderia dizer a ele que estava sozinha e que eu aceitaria conhecer ele melhor, – embora não o tenha me deixado claro.

— Não — neguei.

Ino e Hinata se surpreenderam, parecendo mais pálidas que eu. Sai e Naruto as puxaram para deixarmos a sós, mas elas negaram, ansiosas pelo que estava por vir.

— O que disse? — Sasuke engrossou a voz, desta vez, focando um par de olhos enraivecidos na minha direção.

— Eu disse que não vou jogá-lo fora. Me foi dado com carinho e…

Sofri um súbito quando senti suas mãos me puxando o presente e o notei se levantar vagarosamente e caminhar até a lixeira, desfazendo-se do coração. Sasuke voltou a se sentar e começou puxando um assunto aleatório, como se nada houvesse acontecido. Eu ainda estava imóvel, olhando o nada e tentando digerir tudo o que tinha acabado de acontecer. Aquele maldito poderia ter terminado comigo por eu ter aceitado o presente do desconhecido, mas, em vez disso, tentava fazer com que as coisas voltassem ao normal… Por que ele tinha que dificultar?

— Saky-chan, você está bem? — Hinata me cutucou, preocupada.

Eu fitei a todos e voltei a me sentar.

— S-Sim — afirmei, sentindo o braço de Sasuke contornar meu ombro. Quando o encarei, me vi tão próxima dele que pude notar meu próprio reflexo perturbado em seus olhos espelhados.

— Eu aceito o seu honmei! — Ele cochichou, permitindo que eu arregalasse os olhos.

Apalpei o bolso e senti o chocolate.

“Como descobriu?!” Perguntei a mim mesma, curiosa.

— Kyaa! — Ino assustou a todos com um grito ensurdecedor, desfazendo-se na mesa. — Vocês são tão lindos!

Em seguida, todos nós estávamos voltando ao normal

“Pode parecer estranho, mas… esse, com certeza, foi o melhor dia dos namorados que eu tive.” Confessei, vendo-os sorrir. “Embora aquele maldito houvesse estragado tudo com seu ataque e negação por me deixar contar a verdade…”

— Está tarde — Sai se levantou. — Melhor irmos, não?

— Sim! — Concordamos.

Cerca de meia hora depois, nos separamos numa esquina e Sasuke se dispôs a me acompanhar, – o que me encheu de fúria, pois não queria que ninguém pensasse em mais coisas mentirosas sobre nós. Estávamos sozinhos e o tempo esfriava, girava em torno da meia-noite e não havia quase ninguém na rua.

— Eu moro ali — apontei para um casarão cor gelo. — Obrigada pela noite… eu me diverti bastante, espero que você também tenha — gaguejei.

— Hm… — Bocejou.

— Então, terminamos aqui, não é? Eu falo para as garotas que brigamos no caminho e nos separamos — forcei um riso. — Fingimos que não nos conhecemos e…

— Quem era aquele cara? — Me surpreendeu, encostando no muro de casa.

— E-Eu não sei — gemi, olhando ao redor. — Havíamos trombado no corredor do banheiro e…

Um baque me assustou e eu vi meu corpo pressionado contra a parede, fazendo com que mudássemos de posição. O braço de Sasuke estava sob a minha cabeça e seus lábios tão perto que eu acusaria poder fundir as nossas respirações. Ele se inclinou e eu tentei, inutilmente, afastar, batendo no muro.

— Eu não me importo em continuar com a farsa, Sakura. Desde que seja a minha garota submissa — impôs, enfiando a mão num dos meus bolsos e tirando o chocolate que eu havia comprado no karaokê.

Eu arregalei os olhos, sem reação, recebendo as suas costas como resposta.

— Você não pode me dizer isso! — Gritei. — E… E… Eu não serei a sua namorada de mentira! Devolva meu chocolate, idiota!

— Você já é! — Lembrou-me, acenando. — Boa-noite, mentirosa e obrigado pelo honmei!

— Não é um honmei! — Calei logo após, me esparramando no chão. — Se bem que ele tinha razão…

Notas finais
- Shukurimu: É a versão japonesa do Profiterole, uma sobremesa feita com uma massa açucarada recheada com creme, chocolate ou sorvete. O doce é bastante popular na França, país no qual foi considerado uma iguaria real em meados do século XVI Então? O que acharam? Espero que tenham gostado :)