Haru Matsuri
13 O esforço da amnésia!
Notas iniciais

O ESFORÇO DA AMNÉSIA!
— Pare! O que você ‘tá fazendo? Me solte! — Pedi a ele, tentando me desvencilhar.
— Você acha isso bonito?! — Aumentou o tom da voz, me empurrando contra o banco. — Ficar se agarrando com um imprestável?! Primeiro aquele professorzinho de merda, agora aquele palito de fósforo? Onde você está com a cabeça?
— Idiota! O que está pensando?! — Tentei me levantar e ele me empurrou novamente.
— Sabe o que as pessoas falam de mim? Elas falam que eu sou um chifrudo! Que eu fui traído por uma garota desengonçada! — Dizia andando de um lado para o outro.
— Nós já terminamos! Arrume uma garota menos desengonçada que eu! — Briguei. — Eu não sou obrigada a ficar presa a você. O que eu mais quero é esquecer tudo isso.
— Você? Você vai me esquecer? — Aproximou-se, soltando fogo pelos olhos.
Ele explodia ira e suas mãos vinham para me esganar. Eu me encolhi, fechando os olhos e esperando pelo pior, mas não veio nada.
— Você não é capaz de me esquecer, sua idiota! — Orgulhou-se.
— Eu sou sim! — Desafiei. — E eu vou! Juro!
— Não vai, não, quer apostar? — Intimidou-me com um sorriso largo, um daqueles que eu nunca havia visto antes. — Você é masoquista e gosta do jeito que eu te trato!
— Deixe de ser convencido! Você não é o centro do meu mundo!
— Sim, eu sou. Você só está aqui por minha causa.
— Exatamente! Você deu uma de louco e me puxou pra cá! Todo este inferno que estou vivendo é culpa sua.
— Mentirosa — murmurou. — Você é a mentirosa da história. Não foi eu quem começou tirando foto sua — deu de ombros, afastando-se. — Se conseguir me esquecer, você ganha o meu respeito — finalizou, me deixando sozinha.
— Ahhhh! Maldito Sasuke! — Berrei.
Havia passado uma semana desde que aquele imbecil duvidou de mim. Eu o via constantemente com outras garotas, me provocando com sorrisos diabólicos, passando várias vezes na frente da minha sala, pegando amizades com algumas meninas que eu conhecia, entrando para clubes que eu fazia parte… Aquele idiota conseguia me tirar do sério.
Nestes dias, no entanto, tive Gaara sempre do meu lado, me fazendo rir e Deidara-sensei me convenceu, juntamente de Hinata, a aceitar ser a oradora da exposição de arte no Museu. A exibição das reescritas seria no dia seguinte e algumas classes iriam como convidadas.
— Amanhã será um grande dia — Gaara suspirou fundo, passando o braço por trás da cabeça. — Estou orgulhoso pelas suas reescritas estarem entre as melhores.
— Obrigada, Gaara-kun — Hinata sorriu, avermelhada, enquanto tentava decorar o seu texto. — Mas estou com um pouco de medo… Você não se preocupa, Saky-chan?
— Não muito — sorri, tentando parecer animada. — Vai dar tudo certo, não se preocupe.
— Ela tem razão, amor — Naruto lhe deu um selinho. — Você é incrível e vai conseguir, como sempre.
— Obrigada — voltou a corar, largueando um riso derretido.
— Onde a Ino e o Sai foram? — Gaara se levantou, olhando ao redor.
Nós estávamos acomodados na grama baixa, bem próximos ao rio que cortava a praça Heiwa. O movimento estava fraco àquela tarde e nos encontramos para treinarmos o texto com Hinata.
— Foram comprar alguma coisa — respondi.
— Ei, rosada, você e o Uchiha realmente se separaram? — Naruto puxou assunto e eu percebi a cara feia que Gaara havia feito.
— Por que quer saber? — Enraiveci na hora. Só o fato de ouvir o nome daquele idiota, me revoltava.
— Nada, nada! — Recuou, gesticulando com as mãos. — É que é estranho ver ele com outras garotas, desfilando por aí. Antes ele andava mais com a gente e…
— Nós nunca namoramos, Uzumaki — suspirei fundo, contando meu segredo.
Hinata colou a mão nos lábios, enquanto Gaara e Naruto pareciam totalmente confusos e surpresos.
— Como assim? — Quis saber.
— Você não é obrigada a contar, Saky-chan — Hinata segurou a minha mão.
— Tudo bem, acho que devo contar pra todo mundo já que está acabado, não é?
— Sim — ela assentiu.
Eu e meus amigos passamos eternos minutos falando sobre aquilo, prestando atenção nos mínimos detalhes e nos meus motivos baixos de chegar aquele ponto. No final, Ino e Sai não retornaram e eu insisti que queria segredo para contar eu mesma. Meu medo era ela, já que provavelmente não aceitaria por ser a última a ficar sabendo e por ter dado tanta força no nosso relacionamento de mentira. Eu a havia enganado e seria assim que enxergaria.
Na volta para casa, Gaara e eu fomos juntos, em silêncio. Embora me sentisse bem ao seu lado, contar meu segredo me deixou desconfortável e envergonhada. Me sentia horrível por ter revelado o quão idiota eu era por me dedicar a uma pessoa asquerosa como o Sasuke.
— Deidara-sensei parece animado com você e a Hinata-chan — ele puxou assunto, percebendo que eu não conseguiria dizer nada.
— Sim — olhei-o. — Eu também estou. Será um grande ponto positivo para quando eu for pra faculdade.
— Será. Já pensou no que vai dizer?
— Eu fiz um texto meio bobo sobre a inspiração que usei para reescrever a obra, mas você sabe que eu adoro improvisar na hora… Acho que quem se enrolará será a Hinata!
— Percebi, mas sabemos que ela é esforçada. Vai conseguir, com certeza. Além disso, você estará lá para apoiá-la, não é?
— Claro — assenti, parando na frente de casa. — Obrigada pela companhia, Gaara-kun — o abracei, deixando-o vermelho. — É bom te ter de volta.
— Você acha? — Mostrou-se surpreso.
— Tenho certeza! — Acertei-o com um peteleco na testa.
Sorrimos.
— Ei, Haruno-chan, amanhã, depois da visita ao Museu, tudo bem se sairmos pra comemorar?
— Claro, eu vou adorar — aceitei. — Boa-noite, Gaara.
— Boa-noite — despediu-se com um riso bobo.
Depois do banho, eu jantei e me deitei. Fitava o teto branco, enquanto pensava em tudo o que havia passado naquelas últimas semanas… aquelas malditas últimas semanas e as palavras que não saíam da minha mente:
“Vc não é capaz de me esquecer, sua idiota!”
“Eu sou sim! Ee eu vou! Juro!”
“Não vai, não, quer apostar? Você é masoquista e gosta do jeito que te trato!”
— Como se eu fosse masoquista! — Resmunguei, fazendo bico. — Mas confesso que falar isso me fez pensar em você… Sasuke idiota! — Grudei o travesseiro.
Pela manhã, eu acordei às pressas, enquanto o despertador gritava. Mais um pouco e eu chegaria atrasada novamente, o que me valeria a ida para a diretoria. Eu passei pelo porrão antes que ele se fechasse e encontrei o Deidara na sala de artes.
— Des… Desc… Desculpa a… Desculpa a demora… — Pedi ofegante. — Eu perdi a hora mais uma vez!
— Deidara sorriu, passando por mim e afagando os meus cabelos.
— Está tudo bem. Dessa vez passa porque é bem cedo! — Brincou, aproximando-se o suficiente para que nossas respirações se fundissem.
— Hm… — Murmurei sem jeito.
— Eu posso abusar da sua boa vontade e pedir para me ajudar a colocar as duas classes em ordem? O 3.B. irá conosco também e eu sei que não darei conta.
Eu arregalei os olhos e quase surtei ao saber que o espírito maligno e orgulhoso, fruto do Rei Demônio, estaria lá, enquanto eu daria o meu melhor para fazer um discurso sobre inspiração! Provavelmente não conseguiria proferir um “a”, depois de vê-lo cercado de garotas!
— Claro — assenti em pânico.
Segui Deidara até o estacionamento onde estavam nossos ônibus e vários alunos. Procurei por Ino, Sai, Naruto, Hinata e Gaara e os encontrei falando com o Sasuke e uma outra aluna do 3.B.. Minha vontade de sair saltando todos os obstáculos e desaparecer falou mais alto, porém, quando tentei realizar meu desejo, Ino gritou por mim e Deidara. O simples fato de me ver ao lado do sensei, fez com que Sasuke ficasse vermelho e logo eu deduzi que era de raiva.
— Parabéns, Saky-chan! — Disse ela, correndo até mim. — Parece que a Hinat conseguiu vencê-lo, não é, Deidara-sensei?
Eu fiquei meio perdida na conversa, desviando a atenção para a mão de Sasuke passando pela cintura da garota. Estava achando aquele garoto saidinho demais! Só porque haviam meninas fáceis ao seu redor, ele se sentia o rei do mundo, o poderoso chefão, o líder de uma gangue dominante! Mas que não passava de um idiota que estava desafiando a garota errada!
— Tudo bem pra você, Haruno-san? — Deidara perguntou.
Eu o fitei sem nada entender e lancei um riso de quem prestava total atenção.
— Sim, está tudo bem! — Concordei, sendo puxada por Ino.
— Hora de ir! — Ela berrou em meu ouvido.
Felizmente, ou não, eu pude me sentar ao lado de Gaara, na janela e me divertir com aqueles amigos loucos. Estávamos todos empolgados e felizes por estarmos juntos naquele passeio, que uma única palavra nos faziam gargalhar horrores. Toda a minha animação fora empolgada quando o ônibus do 3.B. passou pelo nosso e parou com a minha janela encostada na de Sasuke. Eu olhei sem querer, cruzando com o olhar endiabrado dele e o vi fazendo uma careta. Aquele maldito me infernizava mesmo sem dividir o mesmo oxigênio!
— Fiquem todos juntos! — Pedi para alguns alunos que queriam escapar. — Já, já o sensei fará a chamada. Respondam quando for seus nomes!
Pronto, Deidara nos guiou para dentro do gigantesco Museu. O lado de fora era revestido por grandes pedras escurecidas e a entrada, grande o suficiente para que não alcançássemos o topo. Dentro, haviam várias saletas e bifurcações de corredores, obras imensas, esculturas famosas e um hall amplo e movimentado. Haviam várias escadas também, no qual levavam para cômodos com diversas temáticas.
— Temos uma hora para o evento começar — disse Deidara. — Se precisarem ir ao banheiro ou comer alguma coisa, aproveitem o tempo — permitiu.
— Deidara-sensei… — Cochichei a ele.
— Sim?
— Pode me mostrar aonde fica o banheiro? — Sorri, constrangida.
— Só subir aquelas escadas, à direita. Consegue chegar lá sozinha?
— Claro, obrigada!
Eu chamaria por Ino e Hinata, mas elas já haviam desaparecido com os garotos na barraquinha do lado de fora, meio que me obrigando a me virar sozinha.
Fiquei meio perdida, subi escadas e desci escadas, passei por diversos corredores e nada de banheiro. Envergonhei-me em perguntar para as pessoas que encontrava no caminho e acabei encontrando um. Depois de me aliviar e retocar a maquiagem, encarei ao redor e fiquei me perguntando por onde havia vindo e qual era a saída mais próxima para me juntar aos outros.
— Eu me perdi? — Arqueei a sobrancelha, desacredita.
— Não seria surpresa — responderam-me em ironia…
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