Haru Matsuri
9 A surpresa?! III
Notas iniciais

A SURPRESA?! III
Eu me encontrava sentada no banco de frente com a diretoria. Minhas pernas tremiam e minhas mãos estavam suadas. Não queria, de forma alguma, fazer aquilo, pois Tsunade se tornaria o cão se soubesse que eu aprontaria, gravando o ocorrido para sempre no meu histórico.
— Prefiro ir pra casa! — Disse para mim mesma, olhando no relógio.
Havia se passado uma hora desde a saída e eu ainda estava naquilo de ir e não ir.
— Mas se o Sasuke-baka resolver me entregar, Ino provavelmente deixará de ser minha amiga e eu sofrerei bullying para o resto da minha solitária vida. Seria demais não ter namorado e nenhum amigo… Porém, se Hinata entendeu, bem provável que ela entenda… Não! Estou falando da Ino, ela se sentiria injustiçada e faria o inferno junto do Naruto… Sem falar que está nervosa comigo, devido aos segredinhos do espírito maligno com o Sai…
Revirei os olhos, abrindo e fechando o celular.
— Aquele idiota! O que ele pensa que eu sou? Sua cachorra domesticada? Uma desvirginada pra ficar me prensando contra a parede, achando que está certo isso?! — Me derreti. — Idiota! Idiota! Idiota!
Fui interrompida quando vi Tsunade saindo da secretaria e seguindo para o outro pavilhão atrás de um casal, deixando a porta aberta. Eu me esgueirei até o lado de dentro e encontrei vários armários, sendo um reservado apenas para as pastas dos professores e funcionários. Eu tive que ser rápida o suficiente para não ser pega e, sem pensar duas vezes, procurei pela que tinha o nome do Deidara-sensei e a peguei.
Enquanto analisava a capa e brigava internamente comigo mesma, indagava se eu, conhecida como uma garota certinha, levaria em consideração de que compensaria chegar naquele estágio de furto, apenas para ter o status de namorada de alguém. Não valeria à pena se fosse por aquele cretino! Ele me tratava como um animal e não era apenas pelo fato de ter medo de ficar mal falada até a próxima reencarnação que eu deveria me submeter às ordens dele! De forma alguma!
Ouvindo o som de passos vindo na minha direção, fechei a gaveta com tudo e escondi a pasta debaixo da camisa, saindo no exato momento em que Tsunade surgiu, totalmente envolvida na conversa dos adultos.
Eu corri o máximo que pude e contornei o jardim, saindo no terceiro pavilhão, cruzando a ala do refeitório e tentando me recuperar da falta de ar, próxima a uma fileira de bancos e flores que o zelador cuidava. Ofegante, me sentei desajeitada e olhei para o céu:
— O que você está fazendo, Sakura? O sensei foi tão legal com você e é assim que paga? — Me perguntei, sendo surpreendida por Deidara.
— O que está fazendo sozinha aí? — Ele perguntou, sentando ao meu lado.
— E-Eu? N-Não estou fazendo nada, oras! E-E você? Não tem aula pra dar? — Gaguejei, inquieta, segurando fortemente o pedaço de papel por debaixo da roupa.
— Sim, mas estou tomando um ar. Ainda está de pé o nosso jantar? — Sorriu alegremente.
— Claro. Está, sim — assenti em desespero. — Eu preciso ir. Até mais tarde, Deidara-sensei.
— Cuide-se — acenou, confuso.
De passos rápidos, eu passei para uma corrida desenfreada, buscando uma forma de me esconder e sair do alcance da visão do professor.
“Quase pega no ato, com a mão na massa! Que tipo de garota eu estava sendo pelo monstrengo insensível? Aposto que não ganharia nada em troca, senão um ‘boa menina’!” Revirei os olhos, recostando-me numa parede. “Melhor eu devolver isso pra Tsunade e dizer que achei por aí. Ela acreditará em mim por ser do Conselho”.
Decidida, me virei para executar uma boa ação e trombei com um tórax já conhecido.
Era ele!
— Estava te procurando, amor! — Brincou Sasuke, erguendo minha face com o dedo indicador.
— Estava? — Arregalei os olhos, em pânico.
— Pegou o que eu te pedi? — Aproximou-se.
— E-Eu… Eu… Eu…
— Sim ou não? — Insistiu, fazendo-me recuar.
— Não peguei. Eu não consegui. A Tsunade ficou lá dentro o momento todo e eu tenho que ir pra casa. Meus pais me matariam se eu chegasse atrasada — menti, trêmula.
— Tsc, que inútil você — me virou as costas. — Espero que ainda esteja disponível hoje, estou empolgado! — Olhou para trás, lançando um riso que quase me fez acreditar que era gentil.
— “Para aquilo”? — Gemi, agarrando fortemente a pasta.
Depois de devolver os arquivos do professor para Tsunade e ouvir uma lista dos motivos que ela tinha para odiar os garotos daquela escola, por sempre lhe pregar peças, eu fui para casa e fiquei pensando sobre como deveria me vestir. Sair com um professor poderia acarretar uma má ideia, caso algum aluno nos vissem juntos, – principalmente se fosse Sasuke.
Mesmo me obrigando a acreditar que era um pedido comum entre amigos, eu estava com um pé atrás, pois no mesmo momento em que via Deidara como meu sensei, o enxergava como um homem bonito e sedutor, com muito bom gosto por sinal. Imaginando a minha situação desconcertada, caso não esperasse nada disso, vesti algo mais simples e casual: um vestido branco, enfeitado por desenhos de borboletas e flores claras.
A praça Heiwa era famosa na nossa cidade por causa das cascatas num lago artificial, no qual trazia paz para quem passasse por ali. Normalmente era ponto de encontro de casais e amigos que buscavam relaxar e conversar. Pela noite, a cascata recebia luzes coloridas de neon, presenteando aos seus visitantes uma linda imagem por detrás de árvores grossas e verdes. Era um belo lugar se quisessem engatar algo duradouro.
Como de costume, estava atrasada, pois havia perdido o primeiro horário para o metrô e tive que pegar o segundo, terrivelmente cheio. Eu corri até chegar na fonte e, ao longe, me encontrei com um rapaz lindo. Desta vez, sua cabeleira loura estava slta e suas roupas marcavam o bom gosto e elegância que Deidara-sensei poderia ter. Seu sorriso ir de orelha a orelha, me fazendo notá-lo com mais intensidade.
Ele estava lindo!
— Deidara-sensei! — Berrei ao longe, acenando.
Ele veio ao meu encontro com um sorriso acolhedor e me estendeu o braço.
— A senhorita está muito bonita hoje! — Elogiou-me.
Mesmo que tivesse soado engraçado, eu corei na hora, tentando agradecer, mas só grunhidos saíam.
— Quer fazer algo antes de comer? — Me perguntou.
— Bem, tudo o.k. se você fizer os planos? — Levei o dedo na boca, pois nunca havia me encontrado com alguém para dar o primeiro passo.
— Sem problemas, mas, só por hoje, eu sou apenas o Deidara, certo? — Permitiu, afagando os meus cabelos.
Eu fui de zero a cem rapidamente, mergulhada num grito mental ensurdecedor. Se Sasuke-baka me tratasse daquela forma, com toda certeza eu diria que nos casaríamos em breve!
A noite que tivemos foi regada a conversas agradáveis, cheia de risadas, brincadeiras e histórias quando encontramos pontos turísticos pelo caminho. Deidara me reconfortava, pois eu falava pouco e ele conseguia tirar mais palavras de mim que o habitual, roubando a minha atenção e fazendo com que eu me interagisse mais com ele. Seu bom humor me afetava e eu meio que havia esquecido sobre a tal surpresa que esperava de Sasuke. Naquele momento, queria apenas esquecer o demônio das fotos!
Nós caminhamos por mais algum tempo até chegarmos no Resutoransariban. Era um restaurante vívido, com karaokê e boa comida, conhecido pela sua elegância e diversidade em relação ao cardápio.
— Eu sempre quis vir aqui — confessou, puxando a cadeira para que eu me sentasse. — Fico feliz que tenha sido com uma boa companhia!
— Eu quem estou! Este lugar parece mágico! — Me emocionei, atenta a cada detalhe. — Obrigada, Deidara-kun, realmente estou feliz.
— Então eu também estou! — Riu.
Nós estávamos sentados ao lado de uma janela fumê, onde podíamos ver todo o movimento da avenida principal, enfeitada pelas luzes alaranjadas e amareladas dos postes. Embora pudéssemos ver as pessoas do lado de fora, elas não nos viam, nos dando a privacidade que gostaríamos. Além disso, a mobília de todo o restaurante era refinada, visivelmente feitas de madeira pura e importada, trabalhadas em belos desenhos manuais de flores de cerejeiras. Havia um som sinfônico de fundo e conversas comportadas que classificaria aquele lugar como o dos sonhos.
Assim que o garçom chegou, fizemos o pedido e fomos rapidamente servidos, o que também me surpreendeu.
— Obrigada pela comida — agradeci, me focando no prato colorido e saboroso à minha frente.
— Eu sinto muito por convidá-la de última hora — puxou assunto.
— Tudo bem — respondi de boca cheia. — Mas juro que não esperava!
— Principalmente porque tem namorado… — Completou.
— Tudo bem! — Gesticulei para que se acalmasse. — Está tudo bem mesmo! Nós só estamos fingindo!
Aquela última frase me deixou paralisada, eu engoli o arroz que havia parado na garganta e o fitei. Deidara me olhava confuso e parecia exigir uma explicação, o que logo me deixou mergulhada numa áurea negra, por nunca saber quando calar à boca.
— Fingindo? — Quis saber, abandonando o talher e cruzando os dedos, pronto para ouvir toda aquela história maluca.
— É — assenti, desconfortável. — O Uchiha-san e eu não estamos juntos. Fiz uma besteira e ele meio que me ajudou…
— E como faria uma besteira capaz de criar um relacionamento falso? — Insistiu, gargalhando divertido e, para o meu alívio, voltando a comer.
— Bem, um pouco antes do dia dos namorados, eu meio que menti para as minhas amigas, mostrando uma foto que photoshopei. Era uma união de uma imagem minha com a dele, que nunca havia visto na vida e que pensei que daria certo. Fui na esperança de que minhas amigas nunca o conhecesse, pois queria acabar com a relação depois que o feriado terminasse, mas ele entrou no colégio e elas o reconheceu, causando esse alvoroço todo. Eu só queria não passar o feriado como uma Solteirona e acabei entrando nesse jogo — bufei, finalizando a história.
Eu ergui os olhos para fitá-lo, quando recebi sua mão na minha, pressionando-a de forma carinhosa.
— Estou mais aliviado em saber — confessou.
— Am? — Franzi o cenho, talvez mais confusa que ele.
— Quer dizer que o seu caminho está livre, não está?
Aquela pergunta soou como um tiro no peito. Eu não esperava que Deidara-sensei fosse me mandar aquela direta assim… tão avassaladora! Embora eu tivesse de olho nele, confessava que receber uma “proposta” daquelas, do meu próprio professor, me deixava de pernas pro ar.
— É… — Brinquei com os dedos. — Mesmo que eu não saiba realmente o que dizer…
— Não diga nada, oras! Só aproveite a comida! — Riu divertido.
Eu me permiti sorrir, revidando o aperto por sobre a sua mão e voltando a comer, o que eu não fazia ideia, era que haviam alguns alunos do colégio bisbilhotando numa mesa com seus familiares. Definitivamente eu havia cavado meu próprio túmulo!
Fale com o autor