Haru Haru
13 A Ilha Amaldiçoada
Notas iniciais
By: AleixiLady

"Eu sei, é um doce te amar… O amargo, é querer-te pra mim."
Palavras de Trafalgar.
Em muitas circunstâncias em minha vida me fizeram pedir para desistir, mas nunca fraquejei ou dei um braço a torcer à elas. Minha promessa com Ace eu a manterei e não irei quebrar por algo tão banal como as acusações de Luffy à mim, tenho certeza que não fiz nada do que ele pensa e por isso devo tentar reexplicar que foi um mal-entendido.
No entanto, a única coisa que não consigo entender é esse sentimento que embrulha meu estomago toda vez que penso em Luffy, talvez seja uma preocupação já que ele é minha responsabilidade e sinceramente, espero que seja isso, afinal, qual seria uma outra explicação para isso?
~
Silêncio.
Ouve-se apenas o vento soprando em seus ouvidos, as rochas faziam um ruído baixo conforme o vento batia nelas. Luffy ficou um tempo olhando para a imperatriz pirata com um olhar confuso, afinal, ela não deveria estar ali.
—Hancock... O que faz aqui? –Indagou colocando suas mãos em sua cintura. Seu olhar interrogatório, curioso e preocupado.
—L-Luffy. Que bom te v-ver. —Falou com as mãos em suas bochechas coradas. O futuro rei dos piratas mexia com os sentimentos dela, com a eufórica que dominava seu corpo quando o via; com apenas um olhar Luffy tinha Hancock em suas mãos, talvez nenhum um olhar fosse necessário para deixa-la assim, somente o nome dele seria capaz de causar reboliço em seu corpo e alma.
Boa Hancock não mudará muito nesses últimos dois anos, sua aparência continuava a mesma: bela, magnífica e fria imperatriz pirata. No entanto, seu coração não era mais tão gélido como antigamente, após se apaixonar perdidamente por Luffy ela tentava ser menos rígida com seu povo com objetivo de conquistar o seu amado, fazendo-o perceber que não era mais uma amargura e megera imperatriz.
Kidd à olhou incrédulo, afinal, conhecia os rumores e boatos da imperatriz pirata que nunca se deixava levar por um homem, sangue tão frio quanto de um pirata insano e perverso, mas vendo-a daquela maneira, tão submissa ao Luffy, repuxou seus lábios em um sorriso maldoso. Talvez aquela fosse uma oportunidade para fazer travessuras, como uma criança brincalhona faz quando seus pais não estão perto, e claro, chantagens sempre são bem vindas.
Killer como sempre, era o observador do bando; uma versão masculina de Nico Robin no bando piratas of kidd. Se surpreendeu ao ver Hancock daquela maneira e quando viu o sorriso maligno nos lábios de seu capitão já suspeitou do plano dele. O loiro o conhecia como nenhum outro, mas estava perturbado pelo estranho comportamento de Kidd nas últimas semanas.
Será que talvez o motivo de seu comportamento estranho seria sobre aquela frase: Âme Soeur?
O realmente aconteceu naquele lugar com a vidente? O que ela falou para ele?
Eram tantas perguntas sem resposta que o deixava atordoado.
Eustass tinha um olhar questionário após visitar a ilha das videntes e essas pequenas duas palavras embolavam sua mente deixando-o com uma cólera todos os dias. Ele não era uma pessoa que sempre ficava com a cara fechada e carrancuda, tinha seus momentos divertidos e risadas momentâneas, mas nas últimas semanas a única vez que Killer o viu sorrir foi quando avistou Luffy naquela ilha.
—Nááh. O que você está fazendo aqui Hancock? —Indagou Kidd irritado com o comportamento infantil da imperatriz.
No mesmo instante, Hancock se lembro que não estava sozinha tinha a infeliz presença do pirata ruivo, mudou totalmente seu olhar apaixonada por um de total desprezo por encarar o de braço metálico.
—Não é de seu interesse homem. —Respondeu no mesmo tom que Kidd usará, apenas para provoca-lo e dizer que ele não mandava nela.
O ruivo trincou o maxilar em cólera, essa mulher não tinha limites nem a consciência que não deveria provoca-lo. Queria uma guerra, poderia ter.
Luffy sentiu a tensão se formando no local principalmente ao olhar para Kidd e Hancock, mas não sabia o motivo de tal atmosfera.
—Hancock, o que está fazendo aqui? —Perguntou no intuito de amenizar o clima. Sempre odiará esse clima tenso, deixava-o com menos fome e isso não era legal além de não ser um meio agradável, ameno.
A imperatriz pirata desviou o olhar raivoso de Kidd e fixou seu olhar doce e amável nas orbes negras de Luffy, em questão de segundos seu mal humor mudou para alguém completamente apaixonado e seus olhos brilhavam ao ver seu magro futuro marido à sua frente, falando e perguntando coisas à ela.
Sentia-se radiante perante a ele.
—Estou procurando dois anéis. —Falava com as mãos novamente coladas em suas bochechas coradas, mas agora seu olhar estava pouco distante. —São famosos por ter uma lenda de amor entre eles. kyaah, não vejo à hora de encontra-los... Serei tão feliz! —Disse dessa vez mais para si mesmo do que para o futuro reis dos piratas, balançando freneticamente para os lados e sorrindo bobamente.
Kidd estreitou o olhar em antipatia em saber o porquê dela estar naquela ilha, embora soubesse dessa lenda através daquela vidente, não achou que alguém atualmente procurasse pelos anéis perdidos de uma sereia.
Afinal, era apenas uma lenda boba e ridícula para emboscar piratas desaviados por esses bandos —segundo Kidd.
—Anéis? Por que você está procurando anéis? Você poderia compra-los em vez de sair procurando por aí... —Comentou Luffy totalmente atordoado por essa história, mas tentando minimamente compreende-la.
Em vão, é claro.
—Por... Porque eles... São especiais. —Disse a imperatriz com o rosto ainda rubro e com um olhar distante, imaginando as possibilidades futuras caso encontrasse os anéis.
Kidd cansado de ouvir essas besteiras de anéis, esbravejou ofensas para a mulher que logo saiu de seu transe e a olhou em cólera.
—Não há nenhum anel ou anéis enfeitiçados de amor por aí. É apenas uma lenda totalmente ridícula para apanhar piratas ou qualquer outra pessoa que não tenha consciência dos perigos dessa área. —Falou chamando a atenção de todos, deixando alguns amedrontados por sua voz ser tão soberana.
—Mas as lendas vêm de fatos reais homem. —Provocou Hancock, com um lindo sorriso de arrogância nos lábios.
O rosto do ruivo ficou levemente escarlate por ser provocado, odiava ser provocado e questionado. Nasceu para comandar e não para receber ordens ou ser confrontado, ainda mais vindo de uma mulher tão arrogante quanto ele.
Ambos os capitães ficaram se encarando, suas expressões eram de longa a pior que seus companheiros já viram, estavam se matando mentalmente de cada forma e jeito mais torturante que podiam imaginar.
Hancock cogitou a hipótese do porquê Eustass capitão Kidd estaria em uma ilha como aquela, só havia uma explicação: ele estava também atrás dos anéis.
A mulher dilatou os olhos em surpresa e em seus lábios se formaram um sorriso maldoso e invejoso, afinal, quem acharia aquelas preciosidades seria ela.
—Não vai ficar com eles. —Comentou a mulher subitamente, impondo sua autoridade como imperatriz.
—Tsk. —Grunhiu Kidd, pois a única razão dele estar naquela maldita ilha seria por causa desses anéis que ouvira de uma vidente, e que podia acabar com o desconforto que tinha quando pensava ou falava daquela pessoa. —Pode ficar, nunca disse que os queria. —Mentiu, mentiu horrorosamente horrível, transparecendo toda a verdade por trás de sua pequena frase.
O de cabelo escarlate nunca dera ouvidos para qualquer tipo de vidente, mas por alguma razão decidiu que desta vez iria acreditar nas palavras dela, embora sabendo que iria se arrepender mais tarde por essa estúpida decisão não aguentava mais o fato de estar quase suplicando para que aqueles sentimentos e sensações estranhas deixassem seu corpo.
Luffy que se encontrava atordoado com a história, passou a observar mais atentamente a ilha, afinal não iria ficar ouvindo duas pessoas rabugentas brigar por causa de algo tão bobo e patético. A mesma não era uma ilha que podia chamar-se de bela, pelo ao contrário, era horrível.
As poucas plantas que ali tinha, era rasteira e muito estranhas sem contar com as estátuas pra lá de medonhas que se encontrava ao redor da ilha.
—Ora ainda não se decidiu humano? —Ouviu aquela voz entrecortada, rouca e amaldiçoada novamente. Sussurrava em seu ouvido, arrepiando os mínimos pelos que tinha em seu corpo.
—Você?! Onde está? Apareça!! —Berrou, assustando todos que estavam em volta, principalmente Kidd e Hancock que fixaram rapidamente seus olhos cautelosos em Luffy.
—Por que tem medo? —Indagou a voz, mas essa parecia se afastar gradualmente de mugiwara.
O menor olhou em volta a procura desesperada pelo dono daquela voz tão sombria, mas apenas encontrava os companheiros dos dois capitães —e os próprios capitães — o olhando estranhamente, como se fosse um louco.
Embora seja um pouquinho.
Um gritinho eufórico e irritante de uma das companheiras de Hancock desfocou os olhares deles diretamente para ela, sua boca trêmula e suas mãos apertadas uma na outra denunciava que algo não estava certo.
— O que foi? —Indagou ríspida, mas curiosa.
—E... Essa ilha... Na... Não acredito. —Dizia totalmente decomposta, deixando-os ainda mais curiosos.
—Essa ilha o que? Desembucha criatura. —Esbravejou Kidd, já sem paciência para lidar com qualquer tipo pessoa.
—A... A maldição... Que e.... Ela tem.
[...]
Navio Heart Pirates, já na praia da ilha preparando-se para encontrar Luffy...
—Maldição? Você acredita nisso Shachi? —Indagou Trafalgar pouco desdém, arrumando sua espada em seu ombro.
—Bem, não muito. Mas as lendas que circula na ilha é contada há décadas... —Murmurou apertando seu pescoço em desconforto sobre esse assunto.
Deveria acreditar nesse cara Law, se ele diz que há uma maldição nessa ilha... É porque é verdade, ele não mentiria para você... Mentira?
—Que tipo de maldição há nela? —Pergunto curioso mas ainda descrente sobre essa maldição.
Todos no navio pararam de fazer qualquer coisa para ouvir Shachi contar a maldição, gostavam de ouvir histórias sobre as ilhas e as calamidades referente a um lugar, fazendo sua estadia mais emocionante, ou para passarem bem longe da área.
—Bem... Dizem que está ilha é o cemitério das sereias que não conseguiam mais encantar os marinheiros e piratas que passavam pelas redondezas. As sereias se transformavam em estátuas quando entrava em contato com o sol do amanhecer, mas não morriam completamente, suas almas ainda vagavam pela ilha alertando as outras dos perigos de determinada área e aconselhavam-nas. —Dizia fixando seus olhos em algum botão no painel de controle do navio, pois se olhassem para seus companheiros iria fixar seu olhar me Penguim e ele não queria vê-lo depois daquele acontecimento. — Certo dia, um casal recém casado naufragou seu navio nessa área e seus anéis foram as únicas coisas que encontraram, as poucas sereias que ainda permaneciam (e que encontraram os anéis) no local choraram sobre as joias pelo fim trágico do casal, e assim que suas lágrimas tocaram o ouro algo aconteceu. Uma lágrima de uma sereia é tão pura e cheia de amor que aqueles que tocassem nos anéis iriam ter a maldição do amor, e que poderia fazer qualquer pessoa que desejasse se apaixonar por você. Desde então, esses anéis são muito cobiçados e muito já morreram ao pisar nessa ilha a procura deles, pois as estátuas confundiam suas mentes e faziam se matarem por nenhum motivo.
Silêncio tomou conta do navio-submarino, principalmente Trafalgar que desejava que Luffy estivesse bem, pois ele não duvidara nada de Eustass poderia fazer algo de ruim contra o jovem.
Corrigindo, contra SEU jovem.
—Bem, é apenas uma lenda. Não algo que realmente irá acontecer. —Dizia amenizando os olhares cheio de dúvida e medo por ter que perambular por aquela ilha.
—É verdade, não precisam ficar com medinho. Penguin, Shachi e Bepo venham comigo, o resto cuida do navio e me liguem caso houver qualquer anomalia. —Diz o cirurgião da morte caminhando vagarosamente em direção à saída, ouvindo suspiro e múrmuros aliviados por não terem sido escolhido para ir lá, mesmo que muito não acreditassem nessa história não queria correr o risco.
Penguin e Shachi se entreolharam, porém o mais novo desviou ligeiramente seu olhar pois sentira seu rosto esquentar e isso acontecia toda vez que se olhavam, seu coração deu algumas batidas fortes, mas nada que não já estivesse acostumado.
Na verdade não estava, no entanto, forçava a acreditar que estava para não causar reboliço em seu cérebro já que seu coração está descontrolado.
——
Após saíram do navio-submarino ficaram em silêncio por um longo caminho e Law desconfiou logo de cara, afinal Penguin e Shachi estavam quietos demais e isso não era algo normal, normalmente contavam historinhas bobas e piadas e sempre estavam colados um no outro, mas agora estavam severamente separados um em cada ponta, olhando para o chão como e fosse algo precioso deslumbrar as rochas e as areias e de vez enquanto olhava para os lados para ver se encontrava algo suspeito.
—O que há com vocês dois? —Indagou impaciente com a atitude deles, e o silêncio não estava sendo seu amigo.
Os dois se entreolharam novamente mas logo desviaram o olhar para os lados e isso não passou despercebido pelo shichibukai que bufou impaciente.
Sério Law, tu não tá percebendo? Há uma química entre eles, igual quando você está com o Luffy seu babaca. Todo bobo apaixonado é assim tão estúpido?
—Nada. —Disseram sincronicamente e isso surpreendeu Law e Bepo, pois suas vozes eram carregadas com tristeza.
—Ok... —Cogitou a ideia que tortura-los para contar o que estava acontecendo, mas resolvera deixar de lado por enquanto, sua prioridade agora é Luffy —pois prometera a Ace que cuidaria dele— e depois resolveria a questão dos dois.
Caminharam em uma estrada íngreme e cheias de pedras soltas que pareciam que estavam pisando em bolas de gude, no entanto, não demoram muito para avistar algumas estátuas medonhas; em seus olhos haviam pedras negras, orbes negras que dava a impressão que estavam olhando para sua alma.
O cirurgião da morte fixou seu olhar em uma das estátuas que tinha suas mãos levadas a onde se encontrava o coração, em seu rosto havia uma pequena e fina linha vermelho escuro como se fosse o caminho percorrido de uma lágrima e seus olhos —bem diferente das demais estátuas— estavam fechados.
Aquilo intrigou o médico, era a única escultura que estava dessa maneira tão inocente. Aproximou-se vagorosamente dela e levantando a mão para toca-la como se ela estivesse o chamando.
Quando tocou sentiu seus cabelos da nunca se enrijecerem pelo contanto tão gélido que tiveram, no entanto, sentiu também que o tempo havia parado e tudo ao seu redor ficou preto e branco. Olhou em volto e não viu nada, nem mesmo seus companheiros que estavam ao seu lado a instantes não se encontravam mais a vista, voltou o seu olhar intrigado para a estátua e viu o caminho das lágrimas ficarem vermelhas florescente.
—Coração perturbado... — A escultura soltara vibrações na mão de Law fazendo recuar e levar sua mão consigo, no entanto ele não conseguiu desprende-la. A estátua estava prendendo sua mão a ela. —Tome consciência de seus atos...
Trafalgar ficou pasmo, o que era tudo aquilo? Sua imaginação? Talvez alguma sereia petrificada tentando se comunicar? Hãn só pode ser piada. Sereias não existem, não quando se trata de um folclore tão bobo e sem sentindo*.
Mas o que ouviu era verdade, tinha que tomar consciência de seus atos, tanto é que se não tomassem outra pessoa iria e poderia se arrepender para o resto de sua vida.
Pois ele poderia pegar o futuro reis dos pirata somente para si.
Orgulho sempre foi algo que sempre se orgulhava de ter, mas quando conheceu Luffy essa vanglória se despedaçou em pedaços pequenos conforme o tempo que permaneceria ao lado do garoto inocente.
Ao lado de alguém que realmente fazia seu coração aquecer de uma forma que nunca imaginou que voltaria a sentir.
Já se pegou imaginando tirando essa inocência que Luffy tanto demonstra, mas no mesmo instante se reprendia por pensar em algo tão fútil e impossível, afinal mugiwara-ya não parece gostar de ninguém carnalmente como gosta de uma carne suculenta que Sanji —o melhor cozinheiro de todos os mares — faz para ele todos os dias, ou fazia.
—Não se prenda... Demostre essa luxuria que tanto guarda em sua consciência. —Falou com uma voz rouca, mas rigorosa como se mandasse Law fazer isso.
O shichibukai franziu o cenho em questionamento, mas antes de poder comentar sobre isso ou que a estátua falasse algo sua mão desprendeu da rocha, e quando a trouxe para perto ainda sentia as vibrações estranhas vindo dela.
Olhou ao seu redor e percebeu que seus companheiros haviam voltados e tudo era colorido novamente.
—O que foi capitão? —Indagou Shachi com uma voz preocupada.
—Parece que viu um fantasma. —Comentou Penguin.
—Não, é nada. Só... —Levou uma das mãos até seus cabelos e com os olhos desfocados tentou compreender o que foi que aconteceu, mas logo voltou ao normal. —Não é nada, vamos continuar. —Disse voltando a caminhar.
Shachi ainda permanecia parado e olhava para a estátua que Law tocou por alguns milésimos, ela era diferente de todas e por mais que a tentação fosse de toca-la ele apenas rumou seus pés para perto do capitão.
[...]
De volta para Luffy...
Luffy ia se afastando pouco a pouco dos outros, pois estava começando a se irritar com aquela conversa monótona de anéis que não sabia para que servia. O único que reparou que Luffy estava se distanciando era Killer, mas este nem fez questão de interromper a briguinha de seu capitão com a Imperatriz pirata, cogitou a possibilidade do jovem se perde e não ser mais visto.
Afinal, estava irritando com o fato de Kidd dar mais atenção para o jovem imprudente do que para seu leal braço direito e imediato.
O capitão do chapéu de palha havia encontrado uma trilha pequena onde haviam várias novas estátuas e vários novos posicionamentos, porém todas ainda continuavam com aquelas orbes negras em seus olhos, olhando fixamente para sua alma, no entanto, no final da pequena trilha avistou uma em comum.
Era igual à que Law tinha visto e se sentindo estranho, Luffy chegou perto dela o suficiente para observa-la e logo um desejo louco se ponderou de seu corpo: a vontade de toca-la e não deu outra.
O seu redor congelou e tudo ficou preto e branco, porém dessa vez o jovem sentiu uma vertigem forte e sua visão começou a ficar turva, suas penas não estavam mais conseguindo sustentar seu corpo.
Parecia que a escultura estava sugando sua alma.
E em pouco segundos —mesmo que tentasse retirar sua mão, não conseguia pois parecia que estava colada à estátua— acabou desmaiando no chão gélido.
—Suas linhas estão entrelaçadas... Mas ambos se recusam a acreditar na possibilidade... —Luffy ouvia perfeitamente a voz, mas não tinha forças para abrir a boca e falar algo, muito menos abrir os olhos, apenas ouvia aquela voz amaldiçoada ecoar em sua cabeça continuamente. —Pare de negar, para de se esconder. Aproveite quando ainda estão juntos.... Mas você também sentiu algo estranho por outra pessoa... Qual você escolherá... Decida!
O mugiwara-ya queria que aquela voz parasse de falar essas coisas que não compreendia. Tudo ainda era muito novo, esses sentimentos e sensações são tão estranhos e difícil de se lidar, principalmente sozinho. Queria poder voltar ao normal, quando ainda não tinha conhecido Law, pois foi quando eles se falaram pela primeira vez, quando seus olhos se cruzaram que o jovem começou a ter essas sensações estranhas que continuou até os dias atuais.
Porém, ainda mais fortes.
Não sabia por quanto tempo esteve ouvindo aquelas mesmas palavras rodarem sua cabeça, parecia uma eternidade, quando sentiu seu corpo ser palpado e levantado por alguém forte e com movimentos gentis para não machuca-lo, a tal voz foi gradualmente diminuindo.
—Mugiwara-ya... Acorda... —Ouviu uma voz rouca e sedutora perto de seu rosto, chamando-o pelo apelido que tanto gostava de ouvir sair pelos lábios de certa pessoa.
Trafalgar Law.
Luffy foi recobrando suas forças e abrindo os olhos lentamente, forçando algumas vezes para acordar logo e ver se realmente era Law que estava o chamando. Não demorou muito tempo e logo os olhos do capitão estavam bem abertos e em seus lábios surgiram um sorriso meigo e cheio de saudades.
—Torão. —Gritou levantou suas mãos para o alto enlaçando-as no pescoço do maior, onde este levou um baita susto pelo ato repentino do garoto. Sentir aquele abraço forte e ao mesmo tempo carinhoso fez Law sentir seu coração pulsar mais rápido, eram raras as ocasiões que eles ficavam tão próximos, no entanto, pensou que fosse apenas um alívio de ver que Luffy estava bem.
Mas todos nós sabemos que não era isso, e sim algo que vinha crescendo dentro de seu peito há algum tempo.
Luffy chegou perto de seu ouvido inocentemente e murmurou baixo, com uma voz que nunca pensou que poderia usar ou saber como usa-la.
—Senti sua falta. —Disse com uma voz totalmente sexy, algo que nunca passou por sua cabeça e até mesmo agora não se importou como disse, eram apenas palavras demostrando que ele sentia, mas para Law, isso foi a segunda barreira que se quebrou; a segunda barreira que impedia que a sanidade fosse embora.
A primeira barreira quebrada foi quando eles se beijaram.
O shichibukai sentiu seu rosto queimar levemente e seu coração pulsou mais forte e mais rápido, por Kami-sama, onde ele aprendera a usar aquele tom de voz?
Ora, o garoto até que leva jeito para ser safadinho! Gostei dele.
Quando se afastaram, seus olhos se cruzaram e algo dentro deles queimou... Uma chama que estava pouco e fraca começou a crescer e esquentar seus corpos de uma maneira totalmente nova e estranha.
—Você está bem? —Indagou Law quebrando aquele contanto, pois temia algo que já pensara em fazer tomasse conta de seu corpo.
—Uhum. —Murmurou sorridente.
Bepo, que estava pouco atrás de Trafalgar, observava tudo atentamente e sentiu uma química entre ele, mas não comentou nada, apenas observou os fatos.
Talvez mais tarde, falaria com seu capitão... Talvez.
—Bom, agora temos que encontrar Shachi e Penguin. —Disse Trafalgar soltando Luffy no chão e olhando ao redor, evitando a todo custo olhar novamente para aquelas orbes negras que tanto mexia com ele. —Por que Shachi saiu correndo daquele jeito? —murmurou para Bepo, mas mugiwara-ya ouviu perfeitamente.
O capitão menor fez uma expressão de estar confuso, mas deu de ombros pois constatou que os companheiros de Trafalgar estavam perdidos e tinham que encontra-los, assim como tinha que encontrar Kidd e Hancock.
Mas o médico tinha a certeza que tinham que sair o mais depressa daquela ilha, pois ela estava mexendo com seus sentidos e sentimentos, talvez ela fosse realmente amaldiçoada. Será que é realmente obra dessa ilha essas confusões de sentimentos, ou será que os sentimentos estão cada vez mais fortes em seu corpo?
Eis a pergunta que não quer se calar.
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