Haru Haru
1 We are so fierce.
MAGGY’S POV
– A última coisa que quero fazer aqui é ficar sentado vendo filmes – protestou Key cruzando os braços e fazendo bico.
Estava apenas nós dois na cozinha agora, porque fazia quinze minutos que ele estava reclamando de sede e eu estava com preguiça de levantar. Até que finalmente ele me pegou no colo e me carregou até a metade do corredor que dava para cozinha – até aonde eu deixei ele me carregar, porque eu comecei a dar soquinhos nas suas costas.
E, sinceramente, eu também estava sem paciência nenhuma para ficar em casa. Tudo bem que, para nós três, Manhattan não tinha mais nada de novidade (a não ser a nova delicatessen que haviam acabado de inaugurar a duas quadras daqui, a que eu sei que a Sunie vai frequentar bastante).
Mas também eles estavam com medo de sair nas ruas e serem metralhados por flashes. O que eu tenho certeza de que não aconteceria. A sociedade daqui tem a mente muito fechada então nem devem saber que k-pop existe – como que para provar isso, eu fazia parte dessa sociedade há dois ou três meses atrás.
– O que você quer fazer então? – disse lhe entregando uma lata de Coca e pegando uma Sprite pra mim.
Ele ergueu uma sobrancelha e um sorriso malicioso brotou em seus lábios enquanto ele abria a lata de refrigerante.
– Key – Eu ri.
– Queria conhecer os shoppings daqui – disse ele levando a latinha à boca.
Antes de responder eu fiquei um bom tempo observando seu pomo-de-adão subir e descer enquanto ele bebia, e como seus lábios se pressionavam sobre a boca da lata que agora eu desejava que fosse a minha. E comecei a me perguntar como eu tive coragem para me afastar disso tudo.
– Err... – fiz abaixando os olhos quando o Key parou de beber para olhar para mim. – Tudo bem, eu te levo. Aliás, as pessoas daqui não conhecem muito vocês, na verdade num devem nem saber da existência de vocês...
– Já entendi – me cortou ele manuseando a lata.
Eu prendi o riso.
– Vou só me arrumar rapidinho – disse colocando a Sprite de volta na geladeira. Na verdade nem estava com vontade de beber, só peguei para acompanha-lo.
Certo, o que eu vou vestir? Não é por falta de roupas nem de criatividade, mas é que eu sempre tive um jeito meio rocker de se vestir, e o Key é todo “popper”. De qualquer maneira eu optei pela minha Ankle Boots, minha calça skinny preta e minha bata comprida branca com a frase “stop trying to be like me” estampada em preto e rosa, ela era minha preferida.
Estiquei a roupa em cima da cama e fui para o banheiro tomar um banho. Não que fosse necessário, mas era bom ficar cheirosa. E confesso que também estava com um friozinho na barriga. Quer dizer, eu nunca saí com o Key e – diferente de com todos os garotos que já saí – eu não estava com medo de fazer alguma coisa errada, ou falar alguma besteira, porque o Key me aceitava exatamente do jeito que eu era e na maioria das vezes conseguia ser pior que eu. Porém, a causa do medinho que me cercava era que poderíamos ser sim atacados por fãs. Tudo bem que eu vivo numa sociedade de mente fechada, mas pode haver muitas de mente aberta perambulando por aí. As que conhecem SHINee e que talvez sejam maníacas por eles.
Eu fechei o registro do chuveiro e suspirei. Isso era estupido demais, nós não íamos ser atacados por ninguém.
Vesti a calcinha e o sutiã depois de me secar e saí do banheiro.
– Gosh! – gritei cruzando meus braços sobre o peito, o que era inútil já que eu estava de sutiã. Mas se bem que eu não sabia o que estava fazendo, ninguém saberia o que fazer, não quando se tem um Key sentado na beirada de sua cama bebendo Coca-Cola.
Ele soluçou como quem estivesse evitando um engasgo, o que eu não duvido já que eu estava apenas de calcinha e sutiã.
– O que os outros vão pensar se te virem aqui? – disse me apressando para pegar minha blusa e cobrir pelo menos parte do meu corpo.
Seus olhos estavam grudados em cada movimento meu.
– Vão pensar que estou no seu quarto – Ele deu de ombros.
– Você sabe o que quis dizer – murmurei passando a gola da blusa pelo meu pescoço rapidamente.
Ele continuava a bebericar a Coca sem desgrudar os olhos de mim e... eu não estava me sentindo desconfortável, o que era para eu sentir. Bom, é certo eu me sentir desconfortável numa situação dessas, mas eu não estava. Meus poros estavam cuspindo fogo só pelo fato de ele estar olhando para mim, e também porque ele ficava muito sexy de camisa vermelha, calça jeans preta e coturnos, sentado na beirada da minha cama bebendo Coca da maneira mais sensual possível – ou talvez o mais-sensual-possível fosse coisa só da minha cabeça, aliás, ele só estava bebendo refrigerante.
E agora ele estava passando a língua nos lábios enquanto eu, não sei por que, ainda estava ajeitando a bainha da minha blusa, e se eu continuasse assim iria transformá-la num vestido.
– Pensei que você iria sair do banheiro já vestida – comentou ele.
Semicerrei os olhos.
– Como, se você viu claramente que minha roupa estava em cima da cama já que quase sentou em cima dela?
Key prendeu o riso e abaixou a cabeça levantando as mãos em rendição.
– Seu bobo – sibilei entre sorriso pegando minha calça e entrando no banheiro.
A última coisa que eu queria era me enfiar numa skinny com o meu namorando olhando. Sério, é realmente embaraçoso.
E depois que consegui me vestir voltei para o quarto para colocar minha ankle boots branca com fivelas e tachinhas de ouro velho.
– Ual – fez Key.
Eu ergui meus olhos e ele estava me analisando de cima a baixo.
– To até com vergonha de mim.
Eu ri terminado de abotoar as ankles.
– Qual é? Num vesti nada demais – disse me levantando e analisando minha roupa. Sério, uma bata, uma skinny e uma ankle num era nada demais.
Mas lembrando de que o Key é da Coréia, e coreanas não costumam se vestir assim – uma coisa que notei quando estive lá, elas são mais descoladas e simples.
Peguei minha bolsa que também estava em cima da cama e saí do quarto com Key nos meus calcanhares. Tipo, quase que literalmente nos meus calcanhares, as mãos na minha cintura e espalhando beijinhos pelo meu ombro.
– Key, para – murmurei, ou miei, rindo.
Ele riu e afastou meu cabelo da nuca, plantando um beijinho ali me provocando um leve arrepio.
– Parei – disse ele me largando e correndo na minha frente para pegar sua bolsa na sala.
– Aonde vocês vão? – perguntou Anna passando o dedo no canto da boca.
Eles estavam na sala devorando e se lambuzando com os cupcakes de baunilha, recheio de chocolate e cobertura de chantilly e confeitos que Sunie havia feito esta manhã. Eu já havia comido dois – porque eles são realmente deliciosos – e estava quase me arrependendo disso, que sei que quando voltasse não haveria mais nenhum.
– Shopping – cantarolou Key levantando os braços.
– Yaaay – fiz batendo palmas ganhando um riso do Key.
Só do Key. Mais ninguém riu.
– Enfim – pigarreei – Não vamos demorar muito – falei jogando minha bolsa no ombro e pegando as chaves do meu carro em cima da estante.
– Não vou prometer o mesmo que ela – disse Key balançando a cabeça e abrindo a porta para mim.
Eu sorri.
– Até mais!
– Até mais – disseram todos num uníssono quando fechei a porta.
•♦•
KEY’S POV
– Enfim a sós – suspirei quando entramos no Volkswagen Golf Cabriolet vermelho.
Maggy não respondeu, apenas olhou para mim e sorriu engatando a ré. Eu sinceramente nunca parei para pensar nisso, mas era admirável vê-la dirigindo. Suas mãos delicadas e firmes ao girar o volante e sua postura relaxada. Diferente de mim que ainda ficava tenso ao olhar para um carro.
Eu me inclinei para ligar o rádio.
– Já ouviu essa musica? – perguntei quando ouvi Kesha cantando “my first kiss went a little like this”.
– Estou ouvindo agora – disse ela ironicamente.
Eu sorri abaixando a cabeça. Eu realmente espero que ela não saiba, mas sinto minhas bochechas queimaram toda vez que ela faz isso. Sempre quando ela é sarcástica, ou me dá um fora bem merecedor, era incrível como ela tinha todas as respostas na ponta da língua. E eu também nunca conseguia me desvencilhar de uma com muito sucesso.
– Quero saber se você já a ouviu antes.
Maggy mordeu o lábio inferior – isso fazia meu coração saltar – e balançou a cabeça negativamente sem tirar os olhos da estrada.
– Por quê? – quis saber ela.
– Queria que você visse o clipe.
– A letra é bem convidativa – Ela riu quando ouviu o refrão.
Acompanhei seu riso encostando a cabeça no encosto do banco do carro.
– I said no more sailors and no more soldiers. With your name in a heart, tattooed up on the shoulders – cantei junto com o rádio – Your kiss is like whiskey, it gets me drunk. And I wake up in the morning with the taste of your tongue!
E com isso eu consegui mais um sorriso dela. Acho que faria disso um novo hobbie para mim, quer dizer, se isso era tão prazeroso por que não transformá-lo em um hobbie? Na verdade, a maioria das coisas que vem dela é prazeroso.
Ao longo do caminho, que realmente não foi curto, nós não conversamos muitos. Só cantamos... ou berramos dentro do carro. E toda vez que ela parava num sinal fechado ela começava a bater no volante com baquetas imaginárias e eu balançava o braço com a minha guitarra imaginária, chamando a atenção dos outros motoristas que tinham a desventura de parar ao nosso lado.
Alguns riam, outros reviravam os olhos em desaprovação, porém a maioria nos xingava, e quando isso acontecia nós fazíamos caretas ou mostrávamos a língua. Eu sempre fui um moleque brincalhão, mas no lado da Maggy eu era bem pior, como uma peste de sete anos de idade. E pior ainda era que eu não sentia a mínima vergonha de ser quem eu realmente era ao lado dela.
Depois de quinze minutos procurando por uma vaga de estacionamento, nós saltamos do carro. Jogamos nossas bolsas no ombro e ela ativou o alarme do carro com um beep. E tivemos que dividir o elevador com três pessoas, o que foi bem desconfortável. Ainda mais quando uma garota que aparentava ter quatorze ou treze anos não desgrudava os olhos de mim.
Nem por um segundo.
Maggy olhou para baixo pigarreando quando compreendeu minha situação e eu prendi um riso com muito esforço.
– A que loja você pretende ir primeiro, Drew? – perguntou Maggy com um ar de cumplicidade no olhar.
– Er... puft... num sei, amor, você quem manda.
– Ok – concordou ela não conseguindo conter o riso.
A garota, acompanhada de seus pais, saiu do elevador perturbada falando “mãe, eu jurava que ele era o Key, aquele cara é, tipo, muuuito parecido”. E quando a porta do elevador voltou a fechar eu e Maggy nos afogamos na gargalhada.
– Tadinha, Key, ela ia te pedir apenas um autógrafo...
– E fotos – completei – Elas sempre pedem fotos.
Ela riu mais um pouco abaixando a cabeça quando chegamos ao segundo andar. Porque, de acordo com a Maggy, no primeiro andar num tinha nada de muito interessante. No segundo andar havia as lojas mais legais e no terceiro a praça de alimentação, onde iriamos sem falta.
Maggy jogou a bolsa para o outro ombro e segurou a minha mão entrelaçando seus dedos nos meus. E como era estranho que um simples ato causava tantos feitos em mim.
•♦•
MAGGY’S POV
– Psiu, Maggy – chamou Key da cabine de experimentar roupas.
Ele me obrigou a entrar em uma loja onde vende apenas roupas masculinas porque ele queria a calça jeans da vitrine que, na opinião, nem era tão bonita assim, e o preço também não valia a pena. Mas de qualquer maneira, lá estava ele, dentro da cabine, vestindo uma calça de jeans azul skinny tamanho 42 enquanto eu estava do lado de fora, sentada em um dos puffs em forma de cilindro com forros de couro branco que havia ali.
– Que foi? – sussurrei de volta.
– Preciso da sua ajuda.
– Quê? – Arqueei as sobrancelhas. – Como assim? Esqueceu como se veste uma calça?
– Não. É que os botões dela são esquisitos e... Vem cá! – pediu ele com urgência.
Eu olhei para os lados, rezando para que a moça da loja não me visse. Bom, não que seja um crime entrar numa cabine masculina, e ela também não ia me expulsar de lá, mas também não pegava nada bem. Porque realmente não há muitas coisas que um garoto e uma garota pode fazer dentro de uma cabine de troca de roupas.
Depois de ter a absoluta certeza de que não havia ninguém olhando para mim eu saltei do puff e entrei na cabine.
– Que foi? – perguntei para Key que segurava o cos da calça.
Realmente, eu não sabia como apenas um ser humano poderia vestir aquilo. A calça havia um botão que abotoava no lado, isto é, você não pode abotoar antes se não você não vai conseguir fechar o zíper, mas você também nunca irá conseguir fechar o zíper sem abotoar – eu disse que essa calça não era legal.
– Segura aqui pra mim – disse ele indicando o botão.
Mas não era exatamente para eu segurar onde estava o botão, e sim um pouco acima do zíper, e isso ultrapassava todos os meus eixos de aproximação segura. Eu coloquei minha bolsa no chão e fiz o que ele pediu, e minhas mãos começaram a tremer quando os nós dos dedos tocaram na pele quente do seu abdômen.
Key começou a rir baixinho.
– Eu desisto! – disse ele jogando os braços para o alto e eu finalmente tirei minha mão dali e encostei-me à parede (minhas pernas não estavam nada confiáveis, levando em conta que eu estava numa cabine com o Key, e ele estava com uma calça jeans pendendo em seus quadris e o elástico da sua cueca da Calvin Klein cinza estava a mostra). – Pra falar a verdade – continuou ele suspirando –, eu nem gostei dessa calça.
Eu olhei para seu rosto que agora possuía uma expressão infantil – beicinho, bochechas infladas e olhinhos brilhantes – e arqueei as sobrancelhas.
– C-como assim não gostou da calça? Você me fez entrar aqui atoa?
Ele sorriu com o canto da boca e apoiou as mãos na parede atrás de mim.
– Atoa não – sussurrou ele aproximando seus lábios da minhas bochecha.
– Keeey! – censurei dando leves tapinhas no seu peito.
Mas eu não estava em condições de censurá-lo.
Key desceu as mãos para o meu quadril colando meu corpo no seu e voltando seus lábios para meus com sua língua brincalhona. Eu segurei seu rosto intensificando o beijo enquanto uma mão minha contornava seu pescoço, para a sua nuca e subia para seus cabelos macios.
No calor daquele breve momento eu havia até me esquecido onde estava e quase deixei de responder sobre meus movimentos descendo minha mão pelo peito, sua barriga e seu abdômen, parando apenas no cós da calça jeans.
Alguém pigarreou. E eu tinha certeza que não era o Key, porque ele estava com a boca ocupada.
– Senhor? – chamou a moça da loja.
Nós paramos de nos beijar sem fazer nenhum estalinho e soltando a respiração bem devagar para não ofegar.
– Sim?
– A calça ficou boa? – perguntou a moça da loja.
– Er... – Key pigarreou. – Não. Pode pegar a 44 pra mim?
– Claro, só um minuto.
Eu só voltei a falar quando ouvi seus passos marcados por um salto alto diminuírem.
– É minha chance de sair daqui – respondi me abaixando para pegar a bolsa.
– Tsc, awwh – fez Key, fazendo aquela carinha e aquele biquinho de pidão, de novo. – Só mais um segundo – pediu ele com a voz manhosa.
– Hmmm – gemi relutante – Não, não, não – murmurei enquanto ele apertava minha bochecha para mais um beijinho.
Eu estava passando a língua entre meus lábios sentindo o gosto adocicado que Key havia deixando ali quando saí da cabine e dei de cara com a moça.
Primeiro ela arregalou os olhos, e depois sorriu compreensivamente, assentindo. Eu sorri de volta, mas porque eu estava muito sem graça e minhas bochechas começaram a arder.
– Aqui senhor – disse ela entregando a calça pela brechinha da cortina, sem olhar naquela direção. Sim, seus olhos estavam em mim ainda, e isso só servia para me incentivar a cavar um buraco no chão e me enterrar lá, para sempre.
– Valeu – agradeceu Key pegando a calça.
– Com licença – disse a moça se virando.
– Ela viu – sibilei para Key quando ela já estava longe o suficiente para não me ouvir.
E ele riu!
– Isso não teve graça, ok?
– Ah, teve sim – Ele ainda ria.
Mordi o lábio balançando a cabeça. Realmente a cara que ela fez foi engraçada, desconfortável, desagradável, embaraçosa, mas engraçada. Essa seria uma das coisas que eu contaria para Sun e Ann. Mas, claro, dispensando alguns detalhes.
Key finalmente saiu da cabine com sua roupa anterior explicando a moça que a calça não havia caído bem nele. Eu quase ri.
– Vamos? – disse ele pegando sua bolsa e estendendo a mão para segurar a minha.
Confesso que era estranho andar de mãos dadas em público com o Key. Mas estranho de uma forma boa. Quer dizer, os espaços entre nossos dedos se encaixavam tão perfeitamente que eu poderia segurar a sua mão por uma eternidade inteira.
Notas finais
FIGHTING!
Almighty Mag~
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