Harryone - between love and friendship
5 O baile
–Harry...eu...hum...acho que não entendi direito o que você disse...
Não é possível. Eu entendi errado. Harry não me convidou para ir ao baile.
–Eu queria saber se você não queria ir ao baile comigo Mione. -Disse ele, numa voz fraquinha, corando e olhando para os pés.
Não. Eu tinha entendido certo.
–Harry, e Gina?
–Gina me disse que não vai...-Uma súbita compreensão se espalhou pelo rosto dele e ele me olhou com desespero. Nunca na minha vida vi Harry tão vermelho.- Não, Mione, você entendeu errado! Iríamos apenas como amigos...
–Ahh.
Viu. Está aí. Mas...por que isso não me alivia?
–Tudo bem então Harry. Te vejo amanhã as 20:00 no salão principal.
Um sorriso meio contido se espalhou no rosto de Harry.
–Ok.
Fomos juntos para o salão principal para jantar. Mal prestei atenção no que comia. De alguma forma, eu estava alegre com o fato de eu ir com Harry para o baile. Meu Deus, o que anda acontecendo comigo??
Em vez de ir aos dormitórios direto, levei minha mochila (que ainda estava comigo, nem me dei ao trabalho de leva-la para cima) às cozinhas. Foi muito triste chegar lá e não encontrar Dobby.
–Olá, minha senhora. O que deseja. Espartin vai ter prazer em ajudar.
–Oi Espartin. É que vai ter um baile amanhã e eu queria preparar uma poção alisante, pra dar um jeito nesse cabelo. Mas não dá pra mim usar a lareira do salão comunal porque muitas meninas iriam querer e eu não tenho como preparar pra todas elas.
–Claro minha senhora. Pode usar o fogo da lareira da cozinha. Se precisar de alguma coisa, chame Espartin, sim?
–Tudo bem, obrigada.
Ajoelhei-me diante da lareira e peguei o caldeirão na minha mochila. Agradeço à Merlin por ter permitido eu ter poções hoje. Juntei raiz de asfódelos com seiva de visgo-do-diabo e água e comecei a misturar. A mistura começou a borbulhar e atingiu um tom levemente esverdeado. Depois, coloquei um pelo de unicórnio (tinha comprado alguns, apesar de serem um pouco caros) e uma pétala de Florem Pulcherrimum, a flor mais bonita(como diz o próprio nome) do mundo mágico, mas também com grandes propriedades mágicas. Depois, murmurei o encantamento est modus in rebus, quaeso, Cujo o significado é "Dá um jeito nisso, por favor." Às vezes eu penso o que certos bruxos têm na cabeça. Assim feito, a mistura adquiriu um tom lilás e eu percebi que estava bom. Recolhi-a num frasco limpei meu caldeirão e agradeci a Espartin. Depois subi para o dormitório.
Tive uma noite tranquila, com um sonho monótono com apenas a imagem de Harry. Por que eu sonhei com isso?? Acho que meu cérebro está tendo sérios problemas...
Acordei por volta das 09:00 da manhã de sábado. Lembrei de ontem. Comecei à organizar meu dia.
Primeiro, eu tomaria café no salão comunal. Voltaria por volta das 10:00. Então, eu iria à biblioteca para pesquisar sobre Marie Stranger, uma bruxa do século XVIII que revolucionou o uso de mandrágoras nas poções. Tinha certeza que teríamos que fazer alguma coisa sobre ela em poções. Voltaria lá pelas 13:30, se não houvesse imprevistos. Então, eu iria almoçar, pegar um livro e iria na árvore perto do lago, que tinha uma sombra frondosa e deliciosa. Depois, por volta das 15:30, iria começar a me arrumar. Às 15:35, tempo que eu levaria para achar meu vestido, iria tomar um banho. 20 minutos depois, mais ou menos, colocaria o vestido e aplicaria a poção, que leva mais ou menos umas 3 horas e meia, já que tenho que passar mecha por mecha, deixar agir por uma hora, enxaguar na água fria, passar de novo (ainda mecha por mecha) e enxaguar na água quente. O bom dessa poção é que magicamente um penteado aparece e fica na sua cabeça por 12 horas. Sendo assim, as 19:25 estaria pronta.
Bom, houve apenas um imprevisto na minha rotina. Eu fiquei tão absorta lendo o livro na sombra fresca que me esqueci de tudo. E quando olhei as horas, já estava com 40 minutos de atraso na minha programação. Então, quando fui me encontrar com Harry, já estava atrasada 5 minutos.
Ele estava me esperando no fim da escada. Meu cérebro trouxa infantil lembrou do filme a Bela e a Fera, na cena em que a Fera espera Bela para dançar.
Mas não havia Fera. Havia um garoto de cabelos espetados, óculos redondos, terno preto e uma fina cicatriz em forma de raio na testa. E, bom, ele era bem mais bonito que a Fera, se me permite dizer...
" O que é que há com você, Hermione? É o Harry! Seu amigo idiota de muitos anos! Aquele que provavelmente vai te desafiar a ver quem fica bêbado primeiro com cerveja amanteigada! Aquele que você considera um irmão! Aquele que deixou bem claro que vocês iriam ao baile como amigos..."
Exato, consciência. Como amigos
–Oi.-Ele disse, assim que alcancei ele no fim da escadaria.
–Oi-respondi, timidamente.
Podia ver as engrenagens do cérebro de Harry lutando para achar o que dizer. Na verdade, o meu estava assim também. Então, depois de uns três segundos constrangedores, Harry disse:
–Bom, então, vamos achar uma mesa pra gente...
O Salão Principal estava esplêndido. Havia mais mesinhas do que na última vez que estivera decorado daquela maneira, no Baile de Inverno, afinal, havia mais alunos que da última vez. Só que de certa forma, era meio estranho, pois se via alunos do 1º ano pegando suco de abóbora, alunos do 5º bebendo cerveja amanteigada, e alunos do 7º reclamando de não ter uísque de fogo.
Harry eu nos sentamos em uma mesinha num canto do Salão. Peguei o cardápio à mesa e comecei a olhar.
–E se a gente pegasse uma porção de batata frita e dividisse, Mione? -Disse Harry.
–Ok.-disse. Estava indecisa quanto ao que pegar, então fiquei feliz de Harry ter decidido isso por mim.
Ordenei ao meu prato "Porção de Batata" e magicamente apareceu no prato muitas batatinhas crocantes e um molhinho acompanhando.
–Então Harry, já pesquisou alguma coisa sobre a Marie?
–Quem é Marie?
–Marie Stranger Harry! Vai dizer que não leu nada sobre ela ainda? Tem vezes que você até parece o...
Não. Não ia dizer Rony. Rony era um idiota, tapado, imbecil, sem-vergonha e sangue-frio. Não ia compará-lo à Harry nunca.
–Hey, Mione, não é aquela banda... Como é o nome mesmo?-Disse Harry, mudando de assunto e apontando para o palco.
–As Esquisitonas Harry. Só que elas agora estão aparentando ser bem mais velhas não é? Li numa revista que estão pretendendo se aposentar ano que vem.
–É uma pena... É uma banda realmente boa.
As Esquisitonas começaram a tocar uma música lenta e melodramática e vários casais foram dançar. Harry corou, mas mesmo assim não me chamou para dançar, e eu não me importei, porque eu realmente não sei nem um pouco dançar em casal...
Estávamos conversando de novo quando eu vi uma coisa que eu não suportava ver. Harry estava de costas para a "pista de dança" e não notou. Desconfortável, e com uma careta, disse à Harry:
–Vamos sair daqui...Ir para os jardins, sei lá... Tomar ar fresco...
–O que foi Mione?-disse ele, notando que eu estava olhando para além dele.
Ele se virou e viu nada mais, nada menos que Rony e Lilá quase engolindo um ao outro. Visto isso, ele se virou para mim e disse:
–Por mim tudo bem, então...
Harry e eu saímos e andamos um pouco, até um banco daqueles que se vê em praças. Estava de frente para uma fonte linda. Nos sentamos ali, lado a lado, apreciando o silêncio que pairava no ar.
Olhei para o céu. Uma lua cheia brilhava intensamente, mas mesmo assim não ofuscava o brilho das estrelas ao seu redor, que preenchiam a imensidão negra sem nenhuma nuvem.
–Que noite maravilhosa não acha? — Perguntei, sentindo uma brisa suave e morna me atingindo brandamente.
–Concordo plenamente.
–Olhe lá-apontei para um brilho que passava rápido no céu-Uma estrela cadente.
–Feche os olhos e faça um pedido.
Fiz o que Harry disse. Eu pedi que saísse um livro novo da minha saga preferida. Abri os olhos e Harry me observava.
–O que você pediu?-Perguntei
–O que já quero há muito tempo.
Então, sem que eu percebesse, sem que eu tivesse reação, ele se aproximou cada vez mais. Colocou uma de suas mãos em meu rosto e olhou dentro dos meus olhos. Tudo isso aconteceu em uma fração de segundo. Então ele me beijou.
Foi como se nada mais importasse. Não existia Rony, nem Lilá, nem baile, nem aulas, nem preocupações, nem estrelas, nem céu, nada. O mundo não existia. Só existia eu e Harry. Meu coração batia descompassadamente. Então, uma única coisa, a única coisa que me impedia de gostar de Harry aflorou em minha mente e me deu um tapa na cara mental. Gina. Uma única palavra de efeito imediato. Me separei de Harry e levantei. Por um segundo, nos miramos no escuro sem dizer palavra; e então, eu corri.
Corri desabaladamente, sem saber ao certo aonde ir, as lágrimas escapando dos olhos. Eu era um ser humano indigno de viver. Não era melhor que Rony. Traí a confiança da minha melhor amiga. Que eu faria da vida agora?? Nunca mais eu teria coragem de olhar para Harry, nem Gina, nem ninguém. Só queria continuar correndo, como se correr me fizesse escapar dos problemas.
Sem que eu percebesse, cheguei em frente à mulher gorda, e disse a senha. Encontrei o Salão Comunal vazio. Todos estavam no baile. Fui direto aos dormitórios, e mesmo sem colocar pijama, deitei na cama. Felizmente, Gina estava dormindo inocentemente, sem saber o que eu havia feito.
Chorava descontroladamente, mas baixinho, para não acordá-la. Por que sempre que eu gostava de alguém, ou eu saía magoada, ou outra pessoa saía magoada??
Até aquele momento, só havia pensado em Gina. Mas depois, lembrei de Harry. O que ele devia estar pensando agora? O que ele deve estar sentindo? Provavelmente deve estar furioso consigo mesmo e magoado, pensando que eu não gosto dele. Não era isso. Não é que eu não gosto dele. Na verdade, não sabia bem o que sentia por ele. Eu, dessa vez, bati um recorde. "Traí" Gina (apesar de ela não saber ainda), traí a mim mesma, não cumprindo a minha promessa de que não me apegaria nunca mais a ninguém, e magoei Harry. Sou uma pessoa terrivelmente terrível.
Adormeci em meio à lagrimas aquela noite. Domingo amanheceu nublado e chuviscando. Mais ou menos como o meu humor. Levantei e me olhei no espelho. Quem me visse, pareceria que eu tinha ficado bêbada noite passada, adormecido com a roupa da festa e acordado com ressaca. Mas a noite passada estava longe de ter sido assim.
Me vesti e vi que o penteado da poção ainda estava na minha cabeça. Parece que o mundo estava contra mim naquele dia, porque quando eu pensei que felizmente não iria ter que arrumar o cabelo, o penteado se desmanchou, fazendo cair cabelo nos meus olhos. Amarrei-os num rabo-de-cavalo, pensando seriamente se devia sair do castelo hoje.
De repente, Parvati entrou no dormitório e disse:
–Oi Hermione. Você precisa descer lá embaixo. Parece que é urgente.
–O que aconteceu?
–Harry está te chamando.
Fale com o autor