Harry e Hermione - Stay With Me
15 Não são apenas sonhos
Estava tudo escuro, Harry não sabia onde estava, ele escutava a voz de um homem e a voz de Hermione, ele avançou e se escondeu para que o homem não o visse, ele estava com uma mascara em seu rosto, mas Harry não queria saber daquilo, só queria tirar Hermione dali, ela estava com as mãos presas a parede. O homem abriu a porta e saiu, mas trancou a porta novamente. Harry se aproximou.
“Eu vou tirar você daqui” avisou Harry.
Hermione olhou para um lado e outro como se tivesse escutado uma voz. Harry achou muito estranho, pois estava ao seu lado.
“Mione?” gritou Harry.
Com isso Hermione virou-se e finalmente viu Harry.
Harry tentou tirar as mãos de Hermione das algemas, mas sua mão atravessava as algemas, Harry olhou suas mãos, confuso e sem entender nada.
“Por que não estou conseguindo Hermione?” perguntou Harry apavorado.
Hermione passou a mão pelo rosto de Harry, mas sua mão atravessou o rosto de Harry.
“Responda-me Mione” berrou Harry, desesperado.
“Você não pode me tirar daqui Harry, você é só uma lembrança” choramingou Hermione.
“Só uma lembrança, só uma lembrança, só uma lembrança” essas palavras ecoavam na cabeça de Harry e ele ia desaparecendo dali, instantaneamente.
– HARRY, HARRY ACORDE – gritava Ron, sacolejando Harry.
Harry acordou num sobressalto. “Foi só um pesadelo, apenas um pesadelo” pensou Harry.
– Onde está Hermione? – perguntou Harry, com a esperança de que aquilo... o sequestro fosse apenas parte de seus pesadelos.
Ron baixou a cabeça e Harry entendeu tudo. Ele olhou para baixo e seu coração doeu muito.
– Harry... Os boatos são...?
– Sim Ron, é verdade, Hermione... Sequestraram-na.
– Como aconteceu Harry? Como você pôde deixar? – Ron estava culpando Harry.
– Como assim Ron? Eu já estou me sentindo culpado, você vem aqui só para me deixar pior, não entende a gravidade do assunto?
– Desculpe, eu só estou... Preocupado.
– Eu sei, mas ninguém aqui está mais preocupado do que eu mesmo. Hermione foi levada... Ao meu lado, o que torna tudo pior, o pesadelo se realizou de alguma maneira, eu a deixei escapar.
Ron percebeu que Harry estava mesmo mal e desejou não tê-lo culpado minutos antes.
– Não se sacrifique Harry, nós vamos achar Mione. Você está... Acabado, é melhor ir tomar um banho, espero você no salão comunal.
– Tudo bem.
Harry foi para o banheiro dos monitores, no piso 5. Quando se olhou no espelho tomou um susto, ele realmente estava péssimo, a pele branca reluzia as olheiras e os olhos azuis estavam fundos, como se ele tivesse passado um ano sem dormir. Ele entrou no banho, a água estava ótima, ele queria tirar todos os pensamentos, queria que Hermione estivesse ali, que nada daquilo tivesse acontecido então mergulhou a cabeça tentando expulsar os pensamentos, mas tudo só piorava a cada segundo que passava e não recebia nenhuma noticia de Hermione.
Harry saiu do banho e nos corredores viu Jake, ele puxou Jake pela gola da camisa e o pressionou contra a parede.
– Você viu Hermione? – perguntou Harry.
– A última vez que a vi ela estava beijando você e isso foi anteontem à tarde, o que aconteceu? – Jake parecia confuso e Harry o soltou.
– Eu... pensei que você soubesse algo, Hermione... bem, sequestraram ela... Desculpe ter agido assim com você.
– Tudo bem, mas... – a voz de Jake estava extremamente preocupada. – Como... Ah não. Vamos encontra-la Harry, Hermione é inteligente e...
– E está sem a varinha dela, pois ela a esqueceu em seu quarto – respondeu Harry, saindo dali.
Harry foi até a sala de Minerva.
– Alguma noticia? – perguntou Harry.
Minerva baixou a cabeça.
– Sinto muito Harry, estamos fazendo de tudo, mas não encontramos nenhuma pista... Absolutamente nada.
– Tudo bem...
Harry fora barrado novamente, dessa vez por Draco e Gina.
– Foi verdade o que aconteceu Harry? – começou Draco, triste e preocupado.
– Sim Malfoy.
– Pode explicar como foi? – pediu Gina.
– Hã... Bem, nós estávamos fazendo piquenique, depois fomos para a floresta, estávamos... brincando e Hermione estava perto de uma árvore, eu ia até ela, mas um homem chegou por trás, Hermione gritou, mas quando eu cheguei ao local eles haviam aparatado.
– Acho que devo avisar ao meu pai – anunciou Draco.
– Seu pai faria algo por uma... nascido trouxa Draco? – perguntou Gina.
Nesse momento Draco baixou a cabeça, como se tivesse vergonha de seu próprio pai.
– Vou tentar falar com ele Gina, juro que vou.
Gina abraçou Harry, Draco entendeu que era só como apoio, mas não deixou de sentir ciúmes mesmo assim.
– Eu... preciso ir – disse Harry.
– Se cuide está bem? – pediu Gina.
– Tudo bem, tchau.
Os dois assentiram e Harry foi para o salão comunal.
– Cheguei Ron.
– Demorou a beça, vamos? – perguntou Ron.
– Para onde? – Indagou Harry.
– Ora Harry, você tem certeza que vai estudar hoje?
– Não... eu não vou para nenhuma aula.
– Então vamos lá em minha casa.
– Fazer o que em sua casa Ron?
– Ora, falar com mamãe, ela está desolada, manda berrador para mim o tempo todo.
– Hã... você não ficou chateado por eu ter ido lá ontem sem chamar você, ou algo desse tipo?
– Claro que não Harry, você fez o certo. Agora vamos.
– Certo.
Os dois aparataram na casa de Ron. Molly surpreendeu Harry com um abraço.
– Oi mãe – disse Ron.
– Oi, filho. E as noticias?
– Hã... – Harry não conseguia falar – Nenhuma...
– Mãe, o papai ainda não voltou do trabalho?
– Não Ron, se ele voltar com alguma noticia eu aviso a vocês imediatamente.
Ron estava devorando os bolinhos da mãe dele, sempre que estava nervoso comia mais que o normal. Harry fora ver Jorge, que estava deitado, triste.
– Oi, Jorge.
– Oi – sua voz era falha.
Os dois estavam em silêncio, Jorge olhou pela janela e depois para Harry.
– Agora você sabe o que estou passando não é? – disse Jorge – Hermione é para você tudo que Fred era e ainda é para mim. Pelo menos você ainda tem esperança, pelo menos ela ainda pode estar viva, já Fred... – Jorge não conseguiu falar, seus olhos estavam cheios d’água.
– Eu esperava que você ficasse com raiva de mim ou me surrasse – disse Harry.
Jorge abriu um leve sorriso no canto da boca.
– Ficar com raiva por que você é e sempre foi apaixonado pela garota do meu irmão? Ex-garota para melhor dizer.
– Sempre fui? – perguntou Harry, confuso.
– Ora Harry, não se faça de bobo, você sabe que disso.
Harry sorriu.
– Gosto muito de Hermione, ela é uma irritante sabe-tudo, mas é uma garota bem legal e linda, somos todos amigos e eu sei o que ela significa para toda nossa família, estou preocupado Harry, mas logo menos isso vai passar e tudo irá voltar ao normal – disse Jorge.
– Assim eu espero – disse Harry, melancólico.
– Vão conseguir, Hermione vai voltar Harry... Você não vai ter que viver com a dor de tê-la perdido, todos os dias.
Harry sabia que a dor de Jorge era enorme, mas nunca havia presenciado ele falando daquele modo.
– Tem certeza de que não quer sair deste quarto? – perguntou Harry, mudando de assunto.
– Ah, não, não. Estou bem.
– Bom... tenho que voltar para a sala e me despedir de sua mãe. Tchau Jorge.
Jorge assentiu e Harry saiu do quarto.
– Querido, você não comeu nada. Precisa se alimentar – disse Molly.
– Hã... Não, obrigado, precisamos voltar para Hogwarts antes que Minerva perceba nossa ausência Ron.
– Vocês saíram escondidos? – repreendeu Molly.
– Vamos, depois voltamos mãe – disse Ron, apressado, pois não queria levar uns sermões de sua mãe.
– Meninos, estou falando para o bem de vocês, já passou por suas cabeças que o que aconteceu com Hermione pode acontecer com vocês também? Tenham cuidado, por favor, preciso de vocês salvos – os olhos de Molly estavam marejados, ela não queria perder outro filho, no caso seriam dois por que ela considerava Harry como filho também.
– Tudo bem mãe – disse Ron.
Harry e Ron abraçaram Molly e depois voltaram a Hogwarts.
Quando chegaram em seu quarto, Ron estava em silêncio, Harry sabia que ele não iria conversar ou puxar assunto. Harry queria e não queria dormir ao mesmo tempo, não queria pois tinha medo do que os sonhos lhe revelariam e queria por que precisava de noticias de Hermione, ele não trocou a roupa, deitou-se e logo adormeceu.
Hermione se debatia tentando tirar as algemas, mas o homem de máscara chegou rindo.
“Você está sem varinhas Hermione e sem poder nenhum, por que você não pode aparatar aqui, este lugar tem uma magia negra que impede você ou qualquer pessoa de aparatar, docinho.”
“Não me chame de docinho” berrou Hermione cuspindo no homem.
“Hermione, não brinque com o fogo”.
“Não tenho medo de você, se você quisesse me fazer mal já teria feito a tempos e não só ter me deixado trancada aqui, você não consegue me machucar” disse Hermione.
“Você tem razão, eu não quero e nem vou machucar você, meu alvo é outra pessoa e ela mais dias ou menos dias irá vir atrás de você” retrucou o homem.
“Harry, não venha à minha procura, ele quer você, não venha, por favor.” dizia Hermione, tentando de alguma forma avisá-lo. “Harry me escute: Você é tudo que eu tenho, não venha me buscar, é muito perigoso, fique em Hogwarts, tudo irá se resolver”.
Mas Harry não deu ouvidos e começou andar em direção a Hermione.
Harry acordou com a respiração ofegante, ele estava muito suado, precisava de ar. Foi até a janela do quarto e abriu-a, mas quando olhou havia uma coisa muito estranha lá em baixo. Harry pegou sua varinha, foi até o quarto de Hermione com cautela para que nenhuma de suas colegas de quarto acordasse e pegou a varinha de Hermione também, Harry disse a senha e saiu correndo as escadas, disparado.
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