Harry se despediu do retrato de Dumbledore, já se sentindo mais pesado sem o conforto que o olhar orgulhoso e marejado do antigo diretor o trouxe por um instante; tinha que devolver a Varinha das varinhas para o lugar de onde nunca deveria ter saído.

Passou novamente pela gárgula que guarda a entrada da sala do diretor e pensou que nem mesmo ela fora poupada. Seguiu adiante, acompanhado de Rony e Hermione, e, agora sem a capa, sentia mais uma vez todos os olhares e exclamações convergindo em sua direção. Porém o seu olhar não conseguia se fixar em ninguém específico, olhava para tudo e todos, talvez tentando notar mentalmente quem estava ali e quem já não estava mais, ou mais provavelmente tentando encontrar a dona dos cabelos ruivos e olhos castanhos. Precisava vê-la novamente, vê-la bem, viva.

E por fim encontrou. Mas não apenas um conjunto de cabelos ruivos. Por ora deixou a intenção de levar a varinha ao seu destino em segundo plano e se dirigiu aos Weasley, apesar da dor que sentia a cada passo. Pensar em Fred doía. Tonks e Lupin. Seu coração afundava com o peso da culpa. Se ele tivesse ido se entregar logo ou se tivesse concluído a missão de reunir e destruir as Horcruxes mais rapidamente, Fred e os outros ainda poderiam estar vivos.

Porém, a poucos passos da família, a Sra, Weasley o avistou e imediatamente abriu os braços para ele, sabendo que depois de tudo, o menino deveria estar destruído. Harry sentiu sua garganta doer, não conseguiria mais conter as lágrimas. Se jogou nos braços daquela que o acolhera sempre, que o tinha como filho, e chorou.

— Acabou agora. Tudo vai ficar bem. Estou tão orgulhosa de você, Harry, querido! Você foi o mais bravo de todos nós. E com apenas 17! Merlin!

— Mas... Sra. Weasley, eu... Fred – soluçou a cada tentativa de falar –. Eu devia... devia ter feito alguma coisa. Ele não... Me perdoe, por favor!

Não se importou que os outros o vissem chorar.

— Harry, que coisa! A culpa não foi sua! Você fez o que estava ao seu alcance – disse ao rapaz na tentativa de acalmá-lo, de retirar uma culpa que não lhe cabia, um peso que não deveria estar carregando –. E todos nós sabíamos onde estávamos nos metendo, o que poderia estar nos aguardando no final. Se acalme, querido, descanse.

Harry não tinha palavras. Apenas assentiu e agradeceu com o olhar.

Saiu do abraço e olhou para cada um deles. O Sr. e a Sra. Weasley, Rony, Gui, Hermione, Gina... Gina. Sentiu um misto de emoções inexplicável. Queria abraça-la, senti-la, para saber se aquilo não era um sonho e se ela estava realmente ali. Mas não podia. Uma dor cortou todo o seu corpo ao pensar o quanto ela deve ter sofrido com a separação dos dois, tão repentina e sem explicações, com a falta de notícia e comunicação enquanto ele estava cumprindo a tarefa que Dumbledore o havia encarregado de fazer com os amigos. Gina percebeu o olhar e o retornou por alguns segundos, antes de baixar novamente a cabeça. Teria tempo para conversar com ela, lhe explicar e pedir perdão, pensou.

Voltou a circundar o salão com o olhar. Sangue, destroços, mortos. Mas a alegria pela vitória era perceptível. Promessas de um futuro sem maldade, de períodos melhores pareciam a Harry, naquele momento, algo bem irreal. Talvez ele precisasse de mais tempo que os demais para se curar da dor, das cicatrizes que o passado havia deixado cravadas em sua carne e sua alma.

Algumas pessoas começaram a ir para casa, outras permaneceram em Hogwarts para começar o trabalho de restauração, os professores principalmente. Harry pensou em permanecer ali e ajudar; aquela havia sido sua verdadeira casa nos últimos anos. Porém, o cansaço e a fome o estavam vencendo, não conseguia lembrar da última vez que dormira e comera decentemente.

Como se pudesse ler a mente de Harry, o Sr. Weasley o convidou a ficar n’A Toca, assim como a Hermione, para se recuperar.

— Como estão magros! O que comeram nesse meio tempo? – perguntou a Sra. Weasley.

— Pergunte a Hermione. Eu realmente não sei o que era aquilo que ela nos dava para comer – respondeu Rony.

— Eu fiz o que pude! – disse Hermione, defensivamente.

Harry não queria lembrar aqueles dias nos quais estava caçando Horcruxes. Parou de prestar atenção à conversa e olhou para os corpos dos seus amigos mortos. Não sabia definir qual perda doía mais, até olhar para Remo e lembrar que este tinha acabado de ter um filho. Ted, seu afilhado, seria como ele: órfão, não conheceria os pais, apenas ouviria de muitas bocas o quanto era parecido com os dois. Mas, como seu padrinho, daria o seu melhor para que Ted tivesse uma infância boa, diferente daquela que ele mesmo tivera.

— Harry! Harry, querido, vem com a gente? – perguntou a senhora Weasley.

— Vou, Sra. Weasley. Mas e...? – apontou para Fred, Remo e Tonks, não conseguia falar.

— Arthur ficará com eles. – Disse ela, se esforçando para não voltar a chorar.

Acompanhou a todos até a saída do castelo, se despedindo com um aceno para algumas pessoas ao passar por elas. Já fora, pode ver ao longe o lugar onde está o túmulo de Dumbledore; mas não iria até lá hoje. Gostaria de manter por mais tempo em sua mente o contato agradável que tivera com o professor na estação King’s Cross e na sua antiga sala, antes de ver a parte física que ficara para trás.

Gina foi a primeira a aparatar, acompanhada de Hermione, e todos os outros foram em seguida. Harry deu uma última olhada em Hogwarts – ou o que sobrara da escola – e aparatou.

Notas finais
Postarei os 3 primeiros capítulos :)