Notas iniciais
O segredo do "Livro que não pode ser lido" é revelado, começa uma nova fase na vida de Dee, as revelações vão transformar muitas vidas.

A virada

-Droga, droga! O que isto quer dizer? Eu preciso descobrir, eu sinto que preciso!

Dee, andava pelo quarto de um lado para o outro, esmurrando tudo pela frente, a frustração aumentando. Já fazia quase um ano que tentava desvendar o Livro e ainda não conseguira nenhum avanço. Já tentara até o feitiço specialis revelio, mas nada acontecera.

Tio Pete vinha cada vez menos visitá-la , mas isto não era problema, o importante era que ele enviava as encomendas e o dinheiro regularmente. Ela passava a maior parte do tempo no quarto, proibira os dois guardiões de entrarem. Lembrava-se bem do dia em que finalmente Eufemia e Adam haviam entendido que ela não iria mais obedecê-los. Bem que eles tentaram restaurar o poder sobre ela, mas a demonstração de força e magia que presenciaram os fizera mudarem de ideia. Ao tentarem dominar a garota foram surpreendidos.

— Crucio!- Delfine apontara a varinha da própria Eufemia para Grouxo.

O gato gemeu, se retesou, arranhou o chão e se contorceu por um longo minuto, depois ficou imóvel.

—O quê, pare, meu gato!- os olhos de Eufemia quase saíram das órbitas, Adam se engasgou com a comida. O gato jazia morto.

— E se não quiserem que o mesmo aconteça com vocês, me deixem em paz de hoje em diante!- assim eles não a perturbavam mais.

Mesmo assim mantinha o livro escondido entre os tijolos da parede

No andar de baixo os moradores se entreolham, parecem temerosos e ficam em total silêncio, percebem que algo está acontecendo.

No quarto ela ainda esmurra as paredes, olha o livro com rancor, se aproxima e bate nele, continua a andar de um lado a outro e de repente se atrapalha com o tapete, enreda um dos pés, e cai dando com a testa na mesa que lhe serve de aparador. Leva as mãos à testa e quando olha para as mãos ensanguentadas se irrita ainda mais, pega o livro e o joga com força contra a parede, deixando as marcas de sangue em sua capa. Um filete de sangue escorre por sua fronte impedindo a visão do olho esquerdo, alcança o trapo sujo e limpa o rosto.

Instantaneamente o trapo parece adquirir vida, se eleva, envolve o livro, as páginas sendo viradas como se um furacão as envolvesse. Ele cai fechando-se, um símbolo surgindo na lombada, uma chama negra o envolve, ele se abre e revela uma varinha escura com ponteira dourada. A garota se aproxima, segura a varinha, sente o braço estremecer, uma corrente de eletricidade passa por todo seu corpo, ela sente como se a varinha fosse extensão dela mesma, sente-se poderosa. Volta a atenção para o livro e algo incrível acontece, ela consegue ler o que está escrito, mas não é nada do que havia antes, ela vê aparecer em letras escarlates a mensagem.

“ Você que tem a carne e o sangue do herdeiro, receba sua herança! Pergunte e lhe será revelado, deseje e lhe será dado, aceite o poder e seu destino será alcançado!”

Delfine passou a noite descobrindo suas origens, perguntando tudo que lhe vinha a mente, desvendando a própria biografia, os fatos se encaixando em seu cérebro, mas tanta informação precisava ser “digerida” lentamente. Acabou dormindo ali mesmo , acordou ainda com a pena nas mãos. Ouviu vozes alteradas no andar inferior. Ao pé da escada avistou os três discutindo.

— Você precisa tirá-la daqui! Ela matou o Grouxo! Ela pode nos matar, por favor Peter!- Eufemia gesticulava muito e tinha os olhos lacrimejantes.

— Acalme-se Eufemia eu vou falar com ela.

Mas foram bruscamente interrompidos pela garota, que se aproximou com um sorriso gelado nos lábios.

— Tio Pete, há quanto tempo! Que bom que veio, preciso muito falar com você. — fez um sinal para os outros dois se retirarem.

Um calafrio percorreu a espinha de Peter, ele encarou a afilhada:

— Queri ... – já ia começar com as bajulações, mas foi interrompido.

— Agora, titio, você vai me escutar!

A frieza na voz dela fez com que se calasse sem protestar.

— Você nem é meu tio de verdade, é apenas mais um que se aproveitou da situação! Mas apesar disso ainda pode me ser útil.

Os olhos do homem evitaram os dela.

— Mas agora, “titio”, as coisas mudaram e você vai fazer exatamente o que eu disser. Você está entendendo?

Ele assente sem dizer palavra.

— Então de agora em diante você irá repassar todo o dinheiro que recebe, e não apenas uma mesada, para as minhas mãos, eu vou escolher minhas roupas, e comprar minhas coisas. E você e aqueles dois vão fazer tudo o que EU quiser! – o tom de superioridade dela deixou-o se sentindo um covarde. – Pode ir agora, mas fique atento! Se precisar eu chamo!

Ao sair ele respira aliviado, Adam e Eufemia olham-no com esperança, mas um aceno de cabeço deixa os dois desapontados. Ele salta em sua vassoura e desaparece entre as nuvens. Os dois se olham e entram em casa, suas vidas nunca serão as mesmas.

Estas lembranças faziam-na muito feliz, tinha sido o início da virada. Tudo que viera depois era fruto daqueles momentos, finalmente as perguntas seriam respondidas, e ela tinha muitas a fazer.

Muito tempo depois, na loja de trajes de Madame Malkin, no Beco diagonal, Delfine experimentava as roupas que encomendara, eram de qualidade, bem talhadas e elegantes.

Ao sair da loja, em trajes novos, sentia-se satisfeita e importante, sabia quem era e que sua vida estava para se transformar ainda mais. Conquistaria tudo que lhe era de direito, ainda havia um longo caminho pela frente, muita coisa para realizar, mas isto não seria problema para ela, tinha muito tempo e dinheiro.

Notas finais
Tal mãe, tal filha... os traços de sangue são mais fortes que as circunstâncias, independente de tudo a natureza da pessoa vai aflorar.