Harry Potter e os entes amaldiçoados

3 Capítulo 3 – Ver para crer


Notas iniciais
Tem coisas que só se acredita quando se vê.

Ver para crer

Após aquela última coruja trazendo más notícias de Hogwarts, a carta de Thiago continha apenas acontecimentos corriqueiros, a observação de que Alvo andava um pouco calado, uma breve lembrança de que poderia ser porque se aproximava o período de provas pareceu explicar o motivo e deixou Gina menos preocupada. Ela sabia bem como o período de provas era puxado em Hogwarts, muito para ler, estudar e os tantos pergaminhos a preparar.Sim deveria ser isto que deixara Alvo aborrecido.

Tratou de se acalmar e pensar nas obrigações do dia.Na maior parte do tempo Gina se ocupava com os afazeres domésticos, com as compras para a casa, em ajudar Lílian com os deveres e cuidar um pouco da aparência.Tinha que parecer um pouco trouxa para não chamar muito a atenção quando precisava misturar-se com eles.

Harry e Gina haviam conversado sobre o aniversário da senhora Augusta Longbottom e Harry tinha conseguido convencê-la a ir, mas para isto tivera que mostrar-lhe a carta. Ela ficou apreensiva e até um pouco aflita, parecia que o passado estava mesmo querendo retornar. Sentiu outra vez aquele mal estar de incerteza que havia perturbado o inicio de seu casamento e cada novo nascimento na família, a incerteza do futuro , não sabia se não se ouviria mais falar em Voldemort e nos Comensais da Morte. Vivera muito tempo em sobressalto , sem saber se algo de ruim poderia ocorrer. Com o passar do tempo e da falta de qualquer tipo de acontecimento que significasse perigo aquele sentimento foi arrefecendo e ela começara a desfrutar de mais confiança no futuro, principalmente quando se envolvera com o projeto de mudança para a antiga casa dos Black. Agora porém a revelação de Longbottom começava a fazer ruir toda a segurança que sentia.

-Olha Harry, vivemos por anos com medo de que algo ruim acontecesse, nada aconteceu, mas agora começo a pensar que talvez houvesse uma razão para esse silêncio dos Comensais. Talvez seja melhor irmos ver com nossos olhos, como Neville sugeriu. Não podemos ficar com uma dúvida destas e não irmos conferir. Nós vamos à festa.

-Está bem, eu não queria te preocupar, já tinha decidido não falar nada, mas acho que você tem razão.Devemos isto ao Neville, se estamos aqui hoje , com certeza, ele tem participação nisto!

Na verdade havia muita coisa que não compartilhava com Gina, a maioria assuntos que envolviam o Ministério e queria tentar separar o máximo possível sua vida pessoal dos assuntos oficiais. Sabia, por exemplo, de muitos rumores e de movimentos estranhos entre os gigantes e outros setores mais sombrios do mundo bruxo. Recentemente algumas bibliotecas haviam relatado o desaparecimento de partes do acervo, livros sobre Magia Negra e Artes das Trevas.Os aurores estavam fazendo investigações e algumas incursões já davam conta de certas noticias nebulosas movimentando os recantos obscuros de Londres, até mesmo no Beco diagonal já haviam sido vistos alguns antigos Comensais em atitudes suspeitas, mesmo que jurassem terem se regenerado. Descobriu-se que muitos desses rumores não passavam de fofocas e tolices, uma destas era sobre o filho de Draco Malfoy, algumas pessoas juravam que Scorpius era filho de Voldemort, dado à Draco para ser criado como se fosse seu filho. Outros diziam que o herdeiro de Voldemort vivia isolado em algum lugar secreto, sendo preparado para ocupar o lugar de seu pai. A verdade é que toda sorte de boatos eram espalhados pelas ruelas de Londres, alguns bem pouco confiáveis. Mas enfim tudo tinha que ser investigado, mesmo que fossem apenas boatos.

-Então iremos mesmo à festa dos Longbottom! –Harry falou um pouco alto demais.

-Eu quero ir à festa também! Eu posso pai? Eu posso mãe?Por favor?_Lílian, ao ouvir a palavra festa viera correndo.

—Se você for boazinha e ajudar a mamãe com as tarefas, vamos pensar no seu caso!

-Pode deixar, eu juro que vou ajudar a mamãe! O que você quer que eu faça mãe?

-Agora você pode me dar um beijo bem gostoso e subir para por o pijama. E não esqueça de escovar os dentes! Seu pai vai te contar uma história!

-Não é mesmo papai Harry? –Gina pisca o olho e ele lhe devolve a piscadela.

A garotinha sai apressada para o andar de cima, quando Harry chega ao quarto de Lílian ela já o espera na cama, com o pijama preferido de coelhinhas.Ela mesmo escolhera quando fora ao Shoping com Gina. Quando viu o pijama na arara de uma loja pediu para que a mãe o comprasse e explicou:

-É porque parece com a coelha da história do papai!

Eram as historias de Beedle o Bardo, contos infantis que Harry adorava ler para a menina nos dias em que a colocava para dormir.

-Esta bem, vamos levar então, mas depois vamos fazer um lanche e voltamos para a casa!

-Está bem mamãe!-A menina estava radiante com a aquisição.

Agora Harry se preparava para ler uma das histórias do livro preferido da menina, ela adorava essas histórias, pareciam a ela que eram de outro mundo. E eram mesmo, mas ela ainda não sabia muito bem, devido a sua pouca idade e ao cuidado dos pais ao não revelar a sua natureza à filha, porque ela convivia muito com as crianças dos trouxas e isto poderia ser perigoso no momento. Crianças não tem muito cuidado com o falam, então melhor não saber!

Depois de quase duas histórias Lílian se rendera ao sono, Harry cobriu-a e deu-lhe um beijo doce na testa, apagou a luz e saiu pé por pé.

Desceu as escadas e deu com Gina sentada no degrau pensativa, sentou-se a seu lado abraçando-a e perguntou-lhe:

-Você parece preocupada, no que está pensando?

— Falou sério quando disse a Lílian que ela iria junto?Acha seguro, quero dizer, não sabemos o que pode acontecer por lá! Eu já tinha pensado em deixá-la com a mamãe e o papai, sabe que ela adora os dois!

-Não se preocupe querida, tenho certeza que é seguro. Apenas poucas pessoas estarão presentes, gente de confiança de Longbottom. Ele não arriscaria a segurança dos pais. Depois precisaremos de um tempo extra para vermos e falarmos com a mãe de Neville. Durante a festa será impossível, parece que os dois não estarão com os convidados.

-E acha que é adequado para Lílian?

_ A gente explica que não é festa de criança e se ela resolver ficar com seus pais nós a levamos, está bem pra você?

-Acho que sim! Vamos subir?

-Depois de você, senhora Potter!

Há muito tempo o clima não estava tão caloroso entre eles. Subiram as escadas de mãos dadas sorrindo como namorados...

Estava se aproximando o dia da festa. Gina e Lílian resolveram ir ao shopping novamente para comprar um presente para a Senhora Augusta. Lílian queria levar tudo para ela mesma, mas Gina conversou com ela e explicou que o presente era para quem estava de aniversário. Por fim a menina concordou em deixar a mãe escolher o presente.

Gina não sabia ao certo o que comprar. Lembrou-se que Augusta era uma senhora muito alinhada e de muito bom gosto, usava roupas sóbrias que remetiam aos trajes da Rainha da Inglaterra, eram terninhos com saias justas, vestidos e casacos bem talhados e chapéus elegantes.

Ao passar por uma loja de antiguidades, algo lhe chamou a atenção.Era um broche muito bonito, com uma pedra negra que cintilava lindamente,era circundada por pequeninas garras de ouro e em cada garra cintilavam pedrinhas menores da mesma cor da pedra maior, e por baixo das garras e ao redor delas, havia uma fileira de pequenas e delicadas pétalas de prata. Achou que aquele era o presente perfeito para a anfitriã, de bom gosto, delicado e nada barato!

A balconista caprichou no embrulho, tão apropriado como o conteúdo.

-Mamãe, posso tomar sorvete?-Lílian puxava a barra do vestido verde que Gina usava.

-Está bem, mas só hoje hein!

-Obrigada mamãe, eu adoro sorvete!

Quando chegaram a casa Harry já havia chegado. Gina comentou do passeio e disse que já havia escolhido o presente para a Senhora Longbottom. Ela descreveu brevemente o broche e Harry concordou que estava adequado, apesar de não entender muito de compras e presentes.

Jantaram uma refeição leve e agora Lílian já estava dormindo. Gina aproveitou e arrumou a valise com roupas para os três e logo foram deitar, estavam todos um pouco cansados. A semana tinha sido cansativa, Harry participara de várias audiências e reuniões com Hermione, o conselho e os aurores.

Gina arejara bem a casa, trocara as cortinas, usara o aspirador nos tapetes e até um pouco de magia! Porque cozinhar era uma coisa, gostava de fazer com as próprias mãos, mas limpeza não era seu forte, então magia era muito necessária nesta hora, tinha que admitir também, o uso de magia com as engenhocas dos trouxas era muito prático.

Apesar de adorar os avós, Lílian não abriu mão de acompanhá-los à festa, mesmo ao saber que não haveriam outras crianças, ela não arredara pé e insistira em acompanhar os pais, que por fim concordaram em levá-la.

A casa dos Longbottom era uma mansão antiga, de aparência sóbria e até um pouco taciturna, chegava a dar um certo medo à noite, por causa das paredes altas e um tanto desgastadas, o jardim, um pouco maltratado, lançava sombras nas laterais da casa. Apesar de já ter visto dias melhores a mansão ainda impressionava por seu ar imponente. Uma parte da casa era utilizada por Neville e a avó, mas vários cômodos eram mantidos fechados já havia anos, assim como algumas alas e andares.

A prioridade não era a casa para os Longbottom e sim o tratamento dos pais de Neville, eles estiveram anos internados no St. Mungus para doenças e acidentes mágicos.

Harry, Gina e Lílian chegaram nas primeiras horas da tarde de um sábado ensolarado e temperatura agradável. A menina estava ansiosa e animada com a viagem. Ao desembarcarem do trem,na estação da cidade próxima, uma charrete com cocheiro e dois cavalos já os esperavam e os levaram até a entrada da mansão. Lílian desceu saltitando e abriu um grande sorriso para a Senhora Augusta e Neville que os aguardavam ao pé da grande escada, logo à porta. Harry e Neville trocaram abraços, as mulheres trocaram beijinhos e Augusta sapecou um beijo na bochecha rosada de Lílian, e os convidou a entrarem.

-Que casa grande! Tem brinquedos?- falou a garota com toda a vivacidade da infância.

-Desculpe querida, não temos brinquedos!Só moram adultos aqui, então não temos brinquedos. Mas você pode desenhar, se quiser. Temos muitos lápis coloridos. Então o que me diz?

-Eu quero, adoro desenhar!-Lílian superou logo a decepção de ser a única criança na casa.

_Lilly, mamãe trouxe a sua Dolly! — Gina fez sinais para a menina lembrar as combinações feitas antes de saírem.

Augusta levou Gina para a sala de estar onde tomaram chá com bolinhos enquanto Lilian fazia a sua arte.

Harry e Longbottom se retiraram para a biblioteca. Havia muito para conversarem.

_Imaginei se você viria! Fiquei muito contente com a confirmação do convite, creio que não foi somente pela festa. Ou estou enganado? A propósito, seu filho é bem esforçado, um pouco atrapalhado, o jovem Alvo. Mas eu também era. Você lembra?

-Claro , jamais vou esquecer aquela aula com os diabretes!- o sorriso chegando aos olhos de Harry.

-Imagine eu então! Foram tantos momentos embaraçosos! Agora estou menos desastrado, pode acreditar!-Neville sorria de orelha a orelha.

O momento de lembranças e descontração reaproxima os dois e elimina o peso dos anos já passados.

-Confesso que se não fosse por sua carta, talvez, não tivesse vindo. Estou seguindo sua sugestão de ver com meus olhos. Eles estão aqui?

-Sim, mas mantemos os dois em uma parte da casa mais isolada, o movimento de pessoas estranhas parece afetar meu pai, ele fica mais agitado e temeroso.A permanência deles aqui está sob o maior sigilo, somente vovó, eu e você, sabemos.

-Na verdade fui obrigado a contar a Gina, mas pode ficar tranqüilo, está tudo em segredo, nem Hermione sabe ainda. Mas você, compreende que terei de contar a ela. Agora, podemos ir vê-los?

-Já conversei com mamãe ,ela falou com papai, apesar de ele não ter dado nenhum sinal de que entendeu,mamãe garante que ele entende.

Os dois seguiram por um longo corredor,ladeado por portas dos dois lados, logo no final subiram um pequeno lance de escadas e acabaram em outro corredor semelhante ao primeiro, porém com menos portas enfileiradas.

-Este andar não está sendo usado. — Longbottom avisou enquanto percorriam o corredor pouco iluminado.

Ao chegarem próximo a uma porta adornada com lírios brancos, já meio amarelados pelo tempo, Neville pediu:

-Não fale alto, o barulho deixa papai agitado!

-Não se preocupe, nunca gostei de barulho também, atrapalham o pensamento.

Longbotton abre a porta devagar. A primeira coisa que se vê é uma cadeira grande e de aparência confortável. Frank Longbottom está sentado, na penumbra, parece tão pequeno e doente que chega a causar um certo mal estar em Harry. Ao lado dele está Alice Longbottom, a mulher é miúda, os cabelos já meio grisalhos, ainda bonita, mas com uma aparência um tanto cansada. Ela esboça um pequeno e tímido sorriso para Harry e o filho, levanta-se e abraça Harry frouxamente, mas aos poucos o abraço se torna mais caloroso. Ela olha fixamente em seus olhos e diz:

— Então você é o menino que sobreviveu, o garoto da profecia!- ela parece consternada, os olhos marejados. -Sinto muito que seus pais não tenham conseguido!

-Já faz muito tempo senhora, está tudo bem. -Harry falava amavelmente com Alice, podia quase sentir a sua dor!

-Eu era ...nós éramos muito próximos, até nosso medo era parecido, achei que Voldemort viria atrás de Neville também, não podíamos deixar...Não contamos nada!

Os olhos de Alice Longbottom se enchem de lágrimas que caem livremente por seu rosto triste.

-Já passou mamãe, eu estou aqui com você.-Neville abraça carinhosamente a mãe e ela, aos poucos, vai se acalmando.

Apesar de toda a carga emotiva do momento, Frank Longbottom continua imóvel e sem esboçar reação.

Os dois se afastam um momento e Harry comenta:

-É espantoso Neville, você tinha razão! Sua mãe está lúcida! Acha que ela poderia dar um depoimento ao Ministério?

-Não Harry, acho que não seria prudente revelar o que aconteceu aqui, tenho medo por eles, e além do mais, talvez não lhe dessem crédito, você sabe, por causa de seu histórico, podem achar que é tudo fruto da imaginação perturbada dela. Acho que pode vir a prejudicá-la. Ainda tem lapsos de memória, as lembranças vem aos poucos, são desencontradas e confusas, imprecisas. Mamãe não está pronta para o Ministério, você sabe como são impiedosos! No estado atual dela, eu não recomendo, nem deixarei que a perturbem mais!

Harry teve que concordar com o amigo. As coisas com o Ministério nunca eram fáceis para bruxos com problemas como os de Alice Longbottom.

Enquanto conversavam, o pai de Longbottom permanecia com o olhar perdido, fitando o nada, sem demonstrar nenhum entendimento, um fio de saliva escorrendo pelo canto da boca acentua ainda mais o ar de doente de Frank.A esposa corre a limpar-lhe o rosto com paciência.

-Já procuramos por todo o lugar algo que pudesse ser o portador da alma de Frank , temo jamais encontrar, é terrível vê-lo assim...- as lágrimas voltam a marejar os olhos dela.

-Calma mãe nós vamos encontrar, Harry vai ajudar! Não é Harry?

-É claro!- Harry consegue dizer sem muita convicção na voz.

-Agora vamos deixar vocês descansarem._Longbottom olha para Harry e acena para se retirarem. Vovó está precisando de nossa ajuda. Você se importa de dar uma mãozinha?

-Tudo bem, vamos lá!

Descem até a sala, onde as duas mulheres parecem ter se entendido muito bem.

-Rapazes , que bom que vieram! Podem ajeitar os móveis e abrir o espaço para logo mais?- Gina tem ares de dona da casa, mas as duas haviam combinado tudo.

-Mulheres! Elas se juntam e sobra para os homens!-Harry está se esforçando para parecer bem humorado.

Com ajuda de magia a tarefa é concluída em poucos minutos.

Gina oferecera ajuda na cozinha. A comida já estava ficando pronta e as mulheres iam colocando cada prato em sua travessa para ir à mesa mais tarde. Mas ainda precisavam organizar a mesa do jantar e arrumar as flores.

A esta altura da tarde Lílian já estava demonstrando sinais de tédio infantil e Gina resolveu ocupá-la e ao marido também. Chamou pai e filha e lhes deu uma missão:

-Querida vá até o jardim com seu pai e colha algumas flores frescas para a mesa do jantar! Eu estarei ocupada!-o carinho transparecia em sua voz. — Você pode fazer isto para a mamãe, querida?

-Posso sim mamãe! Vamos papai!-Lilian praticamente arrasta Harry para o jardim.

Augusta e Gina vão até a sala para colocarem a mesa. Pratos, talheres e acessórios começam a desfilar pelo cômodo ao compasso das varinhas das duas mulheres.

Ao final de uma hora tudo estava pronto e as flores que Lilian e Harry haviam colhido adornavam o centro da mesa num lindo vaso de cristal, decorado com finos traços dourados e belos adornos que lembravam pequeninos dragões.

Depois de tudo pronto os Potter e os Longbottom se retiraram para um breve descanso e para se prepararem para a chegada dos demais convidados.

Notas finais
Ainda há mais para saber e muito mais para acontecer...