Harry Potter e os entes amaldiçoados
22 A carta
Notas iniciais
A carta
Lucio Malfoy folheava a edição matutina do Profeta Diário, nada parecia estar acontecendo, somente trivialidades. De repente uma sombra ao longe despertou sua atenção, vinha em direção ao escritório, pousou suavemente no peitoril da janela, era uma coruja negra com alguns respingos acinzentados pela plumagem, tinha uns olhos ferozes, não a reconheceu. Com um súbito interesse e até algum receio Lucio abriu o vidro e o pássaro entrou, sobrevoou a mesa e deixou cair um pergaminho enrolado, com um pio agudo e agourento foi-se pela abertura.
A atenção de Lucio voltou-se imediatamente para o pergaminho, desenrolo-o com ansiedade e desabou sobre a cadeira com estrondo, o rosto lívido, os olhos parados a contemplar o vazio e a boca meio aberta. Ele mal havia posto os olhos sobre o papel e uma imagem bem conhecida foi surgindo. A caveira se materializando e a serpente saindo de sua boca, no momento em que o cérebro de Lucio registrou o perigo que isto representava o pergaminho escapou de seus dedos. Depois do choque inicial, ele fez um grande esforço para manter a calma, pegou a carta mais uma vez e leu as instruções, sentiu um arrepio percorrer sua coluna e os cabelos do topo da cabeça se ouriçaram.
— Não pode ser verdade! É impossível!- o papel foi fortemente amassado entre os dedos do homem, perplexo demais para perceber o que estava fazendo.
— Então Rabicho, posso chamá-lo assim, não posso? Todos foram contatados? – O olhar de Delfine caiu duramente sobre ele, não havia o menor sinal de paciência em suas palavras.
— Sim, milady, todos foram avisados.
— Muito bem, então logo que o grupo estiver reunido o plano será colocado em prática, tenho certeza que eles irão colaborar, principalmente quando souberem o que os aguarda.- ela falava quase como se consigo mesma, mas de repente se voltou para o homem e avisou.
— No dia do encontro você estará em uma missão muito importante, portanto não irá participar, escute com atenção, e não ouse falhar!
Os olhos do homem se encheram de horror e medo assim que começou a ouvir as ordens de sua ama, depois foram suavizando e se tornando mais cuidadosos, tinha que ouvir e se convencer que ela não estava nem um pouco preocupada com o rumo que as coisas estavam tomando, mas ele pressentia que um novo reinado de terror se instalava, já havia visto acontecer, e os sinais eram os mesmos, não havia como negar a herança de sangue daquela “menina”.
Num vilarejo distante outrora grande produtor de algodão, onde uma comunidade bruxa se instalou, os dois caminham entre os olhares curioso dos habitantes, no lugarejo afastado forasteiros são logo percebidos. Eles se instalam numa pequena hospedaria, a dona do lugar é uma senhora robusta e muito dada a mexericos, os encheu de perguntas que eles respondem com educação e com cuidado, sabem exatamente o que dizer para facilitar o trabalho. A mulher escuta atentamente, não pode esquecer os detalhes. Ela os encaminha para o quarto, avisa os horários das refeições enquanto abre a porta do número sete, no segundo andar.
Sozinhos os dois riem gostosamente, tudo está como o esperado. Eles procuram descansar, tem os planos definidos para o dia seguinte e esperam que a mulher da hospedaria faça o seu “trabalho”. Alice se prepara para tirar uma soneca e Frank começa a escrever mais uma parte do relatório. À noite tem um encontro marcado, precisa estar com tudo preparado. Depois que se desincumbe da tarefa se ajeita na cama ao lado de Alice, boceja longamente e se acomoda para o descanso merecido após uma viagem nada confortável em uma vassoura. Foram pelo menos duas horas de viagem, depois o feitiço para esconderem as identidades.
— Voar em vassouras está ficando cada dia mais desconfortável, tenho que admitir que alguns costumes dos trouxas estão começando a me agradar e depois andar de automóvel é muito mais confortável.
— Mas não vá ficando muito acostumado, sabe que os hábitos dos trouxas não são bem vistos pelos bruxos, então não fique enaltecendo as invenções deles na frente de pessoas mais conservadoras.
-Está bem, não vou esquecer. – e em menos de cinco minutos já roncava baixinho vencido pelo cansaço.
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