Harry Potter e o Senhor da morte
16 O senhor da morte

Hermione caminhava apressadamente pelos corredores de Hogwarts. Uma estranha sensação de sorte misturada com euforia começava a lhe dominar. Se parasse um pouco para pensar, não saberia ao certo o que estava fazendo há essa hora fora de seu dormitório, perambulando pelos corredores, ofegante em direção à sala da diretora. Mas decidiu apenas seguir seus instintos que a levou direto para uma conhecida estatua.
— Pudim de Limão!
A estatua começou a mover-se em espiral e Hermione a acompanhou chegando até a porta onde deu leves batidas. Não demorou até que Minerva a abriu. Há muito Hermione não via a diretora naquele estado, havia leves marcas de olheiras o que significava que ela não conseguira dormir a algum tempo. Estava visivelmente preocupada com algo que Hermione não conseguiu definir. Mas sustentou mesmo assim, um olhar afável e um sorriso amigável.
— Olá Hermione, perdeu o sono também?
— Nós o achamos! – Disse sem rodeios, achamos a outra parte do amuleto!
Minerva espantou- se com a declaração da garota. Em tão pouco tempo eles haviam achado duas partes do amuleto, e se achassem as duas seguintes, o inevitável aconteceria... Abriu passagem, para que ela pudesse entrar em seu escritório.
— Apenas um pouco de poção! — Continuou Hermione, foi necessário para que houvesse sorte! Era tudo que precisávamos!
— Como a conseguiram? Com quem estava?
— Com Hagrid!
Não poderia mesmo estar com outra pessoa, — Pensou Minerva, Alvo sempre confiou no gigante, e provavelmente ele nem sabia o quão valioso presente estava recebendo!
— Ele sempre preferiu assim! – Disse Minerva, com a voz entrecortada; — Ele sempre teve um circulo de pessoas a quem confiava, mas mesmo estando nele, você nunca sabia ao certo, quais eram seus planos! Confiava os planos mais mirabolantes em nós, e mesmo que não entendêssemos, sempre saia como ele planejava!
— Ele foi um homem brilhante! – Disse Hermione.
— Sim, — Respondeu Minerva, Ele foi!
Elas conversaram até quase amanhecer, Hermione estava ainda eufórica devido ao efeito da poção e Minerva estava atenta ao que a garota falava. Os últimos dias tinham sido conturbados, e elas não se encontraram muito. Hermione aproveitou o momento para contar-lhe tudo, principalmente de como conseguiram o fragmento do amuleto com Hagrid. Os primeiros fracos raios de sol invadiram toda Hogwarts, e só assim perceberam que havia amanhecido. Um silêncio pairou sobre a sala. Hermione deixou que ele dominasse o local. Um vento frio entrou pela fresta da janela e a beijou. Ela fitou os olhos castanhos da diretora, eles tinham um estranho brilho, como se a desafiasse a continuar. Ao longe um conhecido piado pôde ser ouvido, fino e solitário. O som por um momento transmitiu-lhe dor, a mesma dor que a ave de plumagem vermelha sentira. No céu a ave voava manchando de fogo as poucas nuvens que podiam ser vistas, contemplando o lugar que há tantos anos viveu. Hermione abria e fechava a boca sem parar, sem acreditar no que estava vendo. Fawkes voava livremente nos terrenos de Hogwarts, a neve e o frio parecia não incomodar a ave, que piava sem parar; pousou na janela e abaixou a cabeça em reverencia, esperando que Hermione a acariciasse, levemente ela o fez sentindo subitamente um arrepio e uma sensação estranha.
— Fawkes não deveria estar aqui, — Disse Hermione.
— Não? Questionou a diretora.
Hermione virou-se para Minerva, ela parecia saber mais do que dizia. Desde que Dumbledore morreu, Minerva parecia ter pegado às manias do velho diretor, de esconder as verdades, fazendo que você mesmo as descubra.
— Fawkes havia partido, — Disse a garota, — Da mesma forma que Dumbledore. O seu retorno não faz sentido, já que o mesmo não pode...
E não conseguiu continuar, olhou diretamente para Minerva, que transpareceu de imediato um ar de alivio, como se finalmente tivesse compartilhado um imenso segredo que já não mais cabia dentro de si.
— Professora, de que era feito o núcleo da varinha do professor Dumbledore?
Um sorriso ainda cansado surgiu em seu rosto, e ela olhou para a garota como se ansiasse por essa pergunta há séculos.
— Ela é feita de um pelo de rabo de Testrálio.
Foi então que Hermione entendeu. A varinha das varinhas era a única do mundo a possuir em seu núcleo, pelo de Testrálio. E isso fora o suficiente para ela entender que não era somente isso. Fawkes estava ali por um só motivo. Dumbledore era o senhor da morte, e como tal retornaria. Sentiu-se totalmente eufórica, agora sabia o que teriam que fazer. Achariam as outras partes do amuleto, e reviveriam o diretor.
— Você sabia não é? – Questionou a garota, — Digo, você sabia que Fawkes voltaria, sabia que o professor é o senhor da morte!
— Não posso mentir Hermione que em partes sabia! Antes de morrer, Dumbledore me fez prometer tantas coisas, uma delas era não revelar esse segredo; ele disse que era crucial que vocês descobrissem sozinhos! Antes eu não havia entendido o que ele queria com tudo isso, ele apenas disse que eu saberia na hora certa, e que aqueles que deixam grandes feitos jamais morrerão! Entenda que, só descobri que ele retornaria, quando você trouxe a mim o livro do destino, então foi ai que tudo se encaixou!
Hermione não precisou dizer nada a Diretora, aquele momento trouxe de imediato paz as duas e uma sensação de felicidade mutua cresceu naquela sala. Ela sabia muito bem o que teria que fazer a seguir. Teria que contar aos meninos. Saiu em direção ao grande salão, se tivesse sorte eles estariam tomando o café da manha.
– Sorte, que engraçado! Pensou.
Correu o Maximo que pôde a boa notícia não poderia esperar! Já na entrada do grande salão, avistou os cinco sentados na mesa concentrados em um jornal, que Harry segurava com força, quase o rasgando.
— MENINOS! – Disse Hermione as pressas, — Vocês não vão acreditar no que eu tenho para lhes contar!
— Não Hermione, — Disse Harry estendendo o jornal a ela, — Você é que não vai acreditar nisso!
No jornal Dolores Umbridge, estampava a primeira pagina. Estava sorridente e imponente, em seus olhos havia tanto ódio que estavam quase irreconhecíveis. Abaixo da imagem, algumas notícias se destacavam:
Dolores Umbridge faz seu primeiro decreto como ministra e choca a população bruxa: “— Todos aqueles considerados meio sangue, não poderão ter filhos (...)!”.
Dolores Umbridge recolhe todas as varinhas de bruxos mestiços no ministério: “— Os mestiços não terão direito a usar varinha, já que a posse da mesma é somente para bruxos!”.
Umbridge enlouquece: “— Está terminantemente proibido, que mestiços e sangues ruins estudem magia, a partir de hoje! No não cumprimento de qualquer regra, o individuo será severamente punido”!
— Mas isso é uma loucura! Disse Hermione, — Ela não pode fazer isso!
— Só não entendi o porquê ela está pegando todas essas varinhas! – Comentou Rony.
— Ela está trabalhando pra ele! – Respondeu Harry, — Essas varinhas com certeza são pra ele, só não sei o porquê ele as quer!
— Ele pode estar tentando diminuir o numero de pessoas que lutariam contra ele, — Concluiu Luna, — Afinal, há muito mais mestiços hoje em dia, do que sangues puros!
— Não podemos ficar aqui parados! – Disse Harry.
— Não, não podemos! – Respondeu Hermione, — E é por isso, que em meio ao caos, eu trago uma luz no fim do túnel!
E assim, Hermione contou aos cinco tudo que havia acontecido naquela noite. Falou sobre a poção, sobre a sensação de que nada naquele momento poderia lhe afetar. Falou sobre Fawkes, sobre como parecia estar mais forte e mais bonita... E falou dele... Sobre ele... Eles escutavam tudo sem piscar, pareciam não acreditar, em alguns momentos, ela jurou ter visto Harry abrir a boca surpreso.
— Ma... Mas Hermione, — Disse Harry, — Isso não pode ser possível! Isso não existe, Dumbledore não pode ser o Senhor da morte, ele... Ele... Não pode!
— Harry; as pessoas só morrem quando não fizeram nada que lhes tenha valido a vida, — Disse Hermione, — O que naturalmente não é o caso de nenhum deles, não é mesmo?
— Nenhum deles? – Perguntou Malfoy.
— Presumo que ele não retornará sozinho, — Disse Hermione com um enorme sorriso, — Lembrem-se do livro do destino, ele dizia que o senhor da morte poderia trazer a vida aqueles que se foram junto com ele, que lutaram com ele!
— Não podemos mais perder tempo, — Disse Malfoy, — Se queremos reviver Dumbledore e os outros, temos que achar as outras partes do amuleto, antes que Lord Araquiel as ache!
E sairiam os seis, rumo aos fragmentos de um amuleto perdido. A neve caia mansinho quando eles saíram do castelo, e ao tocar o chão, cada pedaço, cada floco, parecia querer aconchegar-lhe os pés, o vento os envolvia e noite cobriu tudo com sua escuridão. Algo lá fora, talvez o vento ou a escuridão, os fez querer voltar para Hogwarts que acenava ao longe, mas deixaram apenas que seus corações os guiassem, para alguns talvez fosse a ultima vez.
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