Harry Potter e o Amor
10 Percy e Audrey
Notas iniciais

1 de maio de 1998
Percy estava se sentindo cada vez mais sozinho, desde que rompeu com os Weasleys e terminou o namoro com Penélope Clearwater. A garota tinha sido sua namorada dos tempos de Hogwarts, mas assim como seus parentes, não concordava com a versão do Ministério da Magia sobre o acontecido na final do Torneio Tribruxo, acreditava no retorno de Voldemort e temendo perseguições, resolveu fugir com os pais para bem longe dali. Para não ficar remoendo seus problemas, Percy procurou se concentrar em seu trabalho, afinal era o melhor que sabia fazer, mas com Voldemort influenciando cada vez mais o Ministério, ele sentia que tinha feito a escolha errada. Não tinha mais ninguém para lhe dar apoio, não contava com a palavra amiga dos pais, até das travessuras de Fred e George ele sentia falta. E corria cada vez mais risco de perder não só seu emprego, como também sua vida, já que os Comensais que controlavam agora o Ministério desconfiavam cada vez mais de sua lealdade.
Enquanto juntava uma pilha de papeis para levar a Pio Thicknesse, alguém entrou sem cerimônia. Era Audrey Wigworthy, a secretária que ele considerava impertinente por estar sempre assoviando melodias alegres em tempos tão sombrios.
“Será que ela não podia ao menos calar a boca?” – pensava ele, sempre que a encontrava. Nunca teve coragem de dizer isso em voz alta, pois estava sempre concentrado demais para brigar com alguém no trabalho.
— O senhor Thicknesse mandou-me vir aqui buscar os relatórios...
— Mandou, é? Não sabia que ele ainda mandava alguma coisa aqui dentro... – murmurou ele, baixinho.
— Falou alguma coisa?
— Eu? Nada, aqui estão os relatórios – entregou os papeis à Audrey, que saiu requebrando da sala. Ele reparou na moça, que prendia os cabelos castanhos num coque desajeitado e usava óculos grandes demais para o seu rosto fino e delicado. Achava-a bonita desde quando estudavam juntos em Hogwarts, mas podia não ser confiável. Afinal, era secretária de Pio Thicknesse e podia estar envolvida com os Comensais que controlavam o Ministro.
Um pouco mais tarde, quando estava para ir embora, notou estar sendo seguido por dois rapazes mal encarados. Só podiam ser os Comensais da Morte. Tentou correr, mas foi petrificado.
— Sabemos muito bem do qual lado está, seu traidor de sangue!
Os comensais empunharam a varinha na direção do rosto dele, quando um estampido se ouviu. Os dois comensais caíram estuporados no chão. Outro raio foi na direção dele, e Percy voltou ao normal.
— Muito obrigado, se não fosse por você eu es...
Percy ergueu os olhos e ficou surpreso ao descobrir quem era sua salvadora: Audrey. Ela desconfiara dos Comensais seguindo Percy e decidiu averiguar.
— Você está bem?
— Sim... Mas por que...
— Não podia deixar que aqueles malditos pegassem você também, já tenho o meu irmão em perigo e só de pensar no que aconteceu com ele...
Os olhos de Audrey se encheram de lágrimas. Seu irmão Lucien estava fugindo dos Comensais desde o início do ano e ele era o único parente vivo que ela tinha no mundo.
— Não fique assim, eu... Olha, que tal uma cerveja amanteigada? Conheço uma lanchonete aqui perto.
Lá os dois conversaram sobre os tempos de Hogwarts, os desmandos de Thicknesse no Ministério e sobre as chances de Harry Potter derrotar Voldemort.
— Ele é nossa única esperança! Soube que Dumbledore o treinou para derrotar Você-Sabe-Quem, e capacidade é o que não falta a Potter!
— Mais do que isso, Harry já mostrou várias vezes o seu valor já em seu primeiro ano! A única coisa que eu lamento foi ter rompido com ele e com meus pais por causa de um maldito cargo no Ministério...
— Não se preocupe, um dia, quando esse caos tiver terminado, tudo vai se ajeitar. E você vai poder pedir perdão a ele e aos outros.
Alguns dias depois, Percy notou Audrey mais estranha, distante. Não assoviava mais e tinha pesadas olheiras em seu rosto. Ao final do expediente, ele a alcançou. Audrey estava aos prantos.
— Audrey, está tudo bem? Aconteceu alguma coisa?
— Meu irmão... Soube ontem, ele está morto!
— Eu sinto muito...
Os dois se abraçaram. Audrey fungou e prosseguiu:
— Outro dia você me falou de sua família... Eu acho que você devia fazer como eu. Sair daqui e se juntar ao lado bom da força.
— Como assim?
— Eu pedi demissão. Não volto mais aqui amanhã. Não enquanto os Comensais controlarem o Ministério. E acho que você devia fazer o mesmo, se juntar ao Potter e aos outros Weasleys e lutar ao lado deles.
— Você está falando sério? Isso é uma loucura!
— Loucura é continuar aqui, correndo risco de vida! Vá, vá com eles! Eu sei que você é muito mais do que um cara pacato que trabalha no Ministério.
Audrey foi na direção de Percy, visando beijar seu rosto, mas acabou acertando seus lábios. Percy arregalou os olhos e ela também.
— Me desculpe, eu não... – Audrey sorria sem jeito. Percy não disse nada, apenas a agarrou e deu um beijo ainda mais longo e apaixonado.
— Eu te amo, Audrey Wigworthy! Farei o que disse, vou encontrar meus irmãos e resolver tudo com eles! – Percy gritava no meio da rua, parecia um louco de tão feliz que estava – E vou voltar! Voltarei pra ficar com você até o fim dos meus dias!!!
Percy voltou, mas nem tudo correu do jeito que ele esperava. Embora tenha lutado ao lado da família na Batalha de Hogwarts e se reconciliado com eles, tinha perdido seu irmão Fred.
— Acho que agora sei como você se sente... – Audrey o abraçou e os dois ficaram ali, juntos.
— Não pense que esqueci da sua promessa, sabidinho...
Percy sorriu. Olhou Audrey nos olhos e disse:
— Que bom, porque eu estava mesmo pensando em te levar pra conhecer meus pais ainda hoje, se você não se importar.
— Mas já?
— Não se preocupe, eles não mordem. Será bom para todos, estamos mesmo precisando de um pouco de alegria em nossa casa. Tenho certeza que minha mãe vai adorar te conhecer e você vai se sentir acolhida. Eles são muito legais...
Percy passou o resto do tempo falando sobre como a família Weasley era gentil e acolhedora e Audrey sentia como se vivesse um sonho. Foi bem recebida por todos, especialmente por Molly, que ficou muito contente em ver que Percy tinha arranjado uma boa esposa. Depois, Percy retomou seu emprego no Ministério, em um cargo mais alto do que antes, e eles construíram sua própria família, tendo duas filhas: Molly em homenagem à Sra. Weasley, e Lucy, em homenagem ao seu irmão Lucien Wigworthy. E viveram felizes até o fim de seus dias.
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